Follow Your Heart
49 Capítulo 44
Notas iniciais
Elena
– Sabe — resmunguei para John que estava do outro lado da sala, checando os sinais vitais do Jeremy, — eu te preferia com a máscara de metal. É terrível ter que ficar encarando essa sua cara feia.
Ele levantou os olhos, um brilho estranho passando por eles, mas John não teve tempo de me responder, pois algo tocou dentro da roupa dele.
Sua mão foi até um bolso, de onde tirou um pequeno celular.
– O que é? — grunhiu para o aparelho.
Porém a raiva foi passageira e logo um sorriso estranho e radiante tomava conta do seu rosto.
– Obrigada por avisar — disse, desligando o telefone. Então seu sorriso estranho foi dirigido a mim. — Bom, parece que seu noivo e sua mãe acabaram de invadir meu prédio. Já não era sem tempo.
Eu encarei ele como se fosse louco.
– Que tipo de brincadeira é essa? — perguntei, cerrando os olhos.
Ele não podia estar falando sério, podia?
– Nenhuma brincadeira, querida — disse, alegre. — Parece que finalmente ela entendeu as dicas — então ele se abaixou e abriu uma maleta ao lado da maca onde Jeremy estava deitado. Não vi o que ele tirou, mas parecia uma seringa e alguns frascos. Antes que eu pudesse perguntar o que ele pretendia fazer, ele enfiou a seringa no peito do meu irmão.
Eu gritei, correndo até os dois.
– O que você fez?! — berrei.
Jeremy começou a ter convulsões nana maca. Seu coração indo a um ritmo perigosamente rápido.
– O QUE VOCÊ FEZ? — voltei a berrar.
Ele apenas deu de ombros e estendeu outra seringa para mim e um pequeno potinho com um liquido azul.
– Eu precisava de uma distração — comentou naturalmente. — Algo para te manter aqui dentro. Acho que isso vai. Você tem cinco minutos exatos para injetar isso no coração dele ou ele vai morrer. Boa sorte.
Minhas mãos tremiam quando peguei a seringa e o pote com o líquido azul.
John aproveitou que eu estava atordoada com Jeremy para voltar a me trancar naquela maldita sala.
Enfiei a agulha na tampa do pote. Eu não fazia ideia do que era aquilo ou a quantidade que deveria usar.
Respirei fundo, forçando minhas mãos a pararem de tremer. Não sei a quantidade exata que coloquei na seringa, só sei que no próximo minuto eu usava todas as minhas forças para mantê-lo parado o suficiente para injetar o líquido em seu coração.
Se Jeremy morresse, eu faria John desejar estar morto também.
Depois que injetei o líquido em seu peito, observei desesperadamente enquanto os batimentos cardíacos de Jeremy se estabilizavam e ele parava de se sacudir por conta da convulsão. Quase chorei de alívio.
Meio minuto observando para ver se as convulsões não voltavam e fui até o canto onde John havia colocado seus utensílios de médico.
Ele quase havia matado meu irmão para que eu permanecesse trancada ali dentro. Nem aqui, nem no inferno, que eu ia ficar ali dentro com Damon e Isobel nesse prédio correndo perigo.
Não achei nada realmente útil para que eu pudesse arrombar a fechadura da porta, então peguei uma longa e fina pinça cirúrgica, torcendo para que funcionasse.
Ajoelhei-me em frente a porta, primeiro ouvindo, para ter certeza que não havia ninguém por perto, então abri a pinça o máximo que eu pude, a entortando no processo. Enfiei uma das pontas no buraco da fechadura e a virei até encontrar um código de abertura.
Finalmente ouvi o “click” da porta sendo destrancada.
Sorri abertamente.
Eram esses momentos que faziam o tempo que passei nas ruas terem valido a pena.
Abri a porta, mas minha felicidade foi pouca, pois logo ali, no corredor, me encarando, estava outro capanga do John.
Quase bufei para mim mesma.
“Você realmente foi ingênua ao ponto de achar que ele te deixaria aqui sozinha? Sério?”
Não custa sonhar, não é?
– Por favor, volte para dentro, Sra. Gilbert — a montanha de músculos pediu. Educadamente.
– É bom ver que algum capanga nessa espelunca tem educação — comentei. — Mas eu preciso ir a um lugar. Licença.
E eu tentei caminhar para o corredor, mas a montanha de músculos me segurou pelo braço.
– Volte — mandou.
Ok. Isso não tinha sido educado. Virei, rapidamente, usando minha mão livre pra socar seu nariz por baixo, porque, bem, ele era muito mais alto que eu.
Ouvi o barulho de osso estalando antes que sangue jorrasse por cima de sua boca.
Não sei se era a adrenalina desmedida, ou a felicidade de ver que tinha quebrado seu nariz, mas não vi quando seu punho voou para meu rosto, então não consegui desviar.
Ele me acertou com tanta força que voei para o chão.
Senti meu supercílio ardendo e sangue cegando levemente meu olho, que iria ficar com um belo roxo depois daquilo.
Levantei, enquanto ele saltava para cima de mim.
– Acho que deve voltar para dentro — ele disse, fungando para tentar parar o sangramento.
– E eu acho que você devia ir para o inferno — retruquei.
Ele me olhou com ódio.
– Vou matar você — declarou.
– Quero ver você tentar — falei.
Ele saltou para cima de mim de novo, mas dessa vez eu estava preparada para seu soco. O montanha-de-músculos não era rápido como eu, mas era muito mais forte, e pelo jeito que analisava meus golpes, experiente também.
Eu fugi da maioria dos seus golpes, e sempre que podia lhe acertava no rosto, ou onde podia alcançar.
Ele tentou um chute, que eu desviei facilmente, porém o chute veio seguido de um soco, e eu não fui tão rápida.
Dessa vez ele acertou minha mandíbula. Senti meu lábio se rompendo e minha boca se enchendo de sangue porque meus dentes acabaram se fechando ao redor da minha língua.
Aquilo doeu como o inferno.
Raiva me consumiu e quando eu acabei de cuspir sangue no chão e desviar de um último soco eu me agachei no chão, pegando o montanha-de-músculos de surpresa usei toda a força que tinha em punho e lhe soquei onde eu sabia que doeria mais do que a minha língua rasgada.
Ele caiu no chão, com as mãos entre as pernas, usando todos os xingamentos do mundo para se referir a mim.
Em pé, e ainda com raiva, lhe dei um forte chute no rosto, fazendo com que ele pendesse a cabeça, inconsciente.
Virando as costas para ele, caminhei pelo corredor.
Afinal eu tinha que encontrar meu noivo.
Fale com o autor