Follow Your Heart
46 Capítulo 41
Notas iniciais
Damon
Aparentemente Isobel teve um caso na adolescência com John Blackthorn, um ex-cientista com uma estranha obcessão por diferentes tipos de venenos e curas (coisa que Isobel estranhava e detestava, como a mesma salientou). Pelo que eu entendi, enquanto Isobel tinha 15 anos, ele já estava em seus 26, 27 anos.
Mordi minha língua, pronto para comentar que aquilo era pedofilia, mas me mantive em perfeito silêncio.
Isobel também disse que, com o tempo, John começou a apresentar certos sinais de agressividade, no começo era sutil, apenas alterava a sua voz ao falar com ela, mas com o tempo, depois do casamento (escondido, pois era muito nova) John Blackthorn passou a agredi-la fisicamente, chegando até mesmo a estuprá-la. Quando ela conseguiu fugir, denunciou John fazendo com que ele virasse um foragido, conheceu Grayson Gilbert e ela iniciou uma família de verdade. Teve Elena e Jeremy, porém, John a encontrou alguns anos depois e passou a lhe enviar cartas de ameaça.
Por isso Isobel fugiu... Para proteger seus filhos.
Era um motivo nobre, eu tinha que admitir. E Elena devia saber disso, talvez assim ela pudesse perdoar sua mãe.
Ao pensar em Elena meu coração se afundou.
E se aquele louco decidisse envenená-la? Ou agredi-la?
Céus, eu iria matá-lo.
– Você faz alguma ideia de onde Elena possa estar? — questionei quando ela terminou de nos contar sua história.
O policial Martin havia sumido, dizendo que ia pesquisar tudo o que pudesse achar sobre John Blackthorn e nos deixou sozinhos.
Isobel suspirou, mas pareceu pensativa.
– Ele sempre manteve segredos de mim, Salvatore — ela respondeu. — John é incrivelmente ardiloso e duvido que ele tenha levado meus filhos para qualquer lugar que eu conheça... — então algo brilhou em seus olhos — A não ser...
Esperei que ela continuasse, meu peito se enchendo de uma esperança tola.
– A não ser... — incentivei.
Ela suspirou alto e então me lançou um pequeno sorriso triste.
– Antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas– Isobel citou.
Respirei fundo, completamente frustrado.
– Confúcio — falei, me lembrando de Elena e do corpo da Srª Stevens. — E essa maldita frase.
Ela riu um pouco, apesar de eu duvidar de que ela realmente sentia humor para isso.
– Era um aviso — ela disse. — Esse tempo todo, como eu não percebi?
Encarei ela, confuso.
– Aviso? — perguntei.
Ela mexeu as mãos, parecendo estar irritada.
– O bilhete que ele deixou no corpo da empregada — explicou, — era um aviso. “Antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas” — repetiu, como se assim fosse fazer mais sentido para mim. Não fez. — Ele quer se vingar de mim, Salvatore. Destruir minha vida porque eu destruí a dele. Porém antes de me matar, ele levou meus dois filhos... “cave duas covas” — voltou a citar. Então sua respiração ficou entrecortada enquanto ela se esforçava para pensar rápido. — Ele quer que eu o encontre.
Encarei ela como se fosse louca.
– Isso não faz o menor sentido — retruquei confuso.
– É uma armadilha — ela explicou calmamente. — Pense, Salvatore. Se você quer pescar, você vai até o lago. Ele já veio até Mystic Falls, agora só basta eu morder a isca.
Entendimento passou pelo meu rosto e eu assenti.
– Isso quer dizer... — voltei a incentivá-la.
– Quer dizer que eu sei exatamente onde encontrá-los.
Elena
Acordei sobressaltada.
Não me lembro exatamente de como acabei adormecendo. Na verdade achei que seria impossível sentindo tanta dor por conta do maldito veneno que Death havia me injetado.
– A bela adormecida acordou– ouvi aquela maldita voz metálica sobre mim.
Lancei um sorriso sem o mínimo humor.
– Pelo menos você sabe qual princesa dorme — comentei.
Fiquei surpresa ao notar o quanto a minha voz estava arrastada e o quanto eu me sentia cansada.
Maldito veneno!
– Na verdade estou surpreso– Death disse parecendo pensativo. — O veneno não deveria ter perdido o efeito, e você não deveria ter dormido. Na verdade, você conseguir se mexer é uma surpresa.
Sentei-me, dando de ombros.
Meu corpo parecia muito pesado, mas eu não encontrava dificuldade nenhuma para me mexer.
– Acho que alguém lá em cima gosta de mim — caçoei.
Ele negou com sua abeca de metal, duvidando que fosse isso.
– Ou você tem um metabolismo perfeito – disse. — Porque em menos de dez minutos a paralisia passou a perder efeito e seu organismo passou a absorver o veneno extremamente rápido. Isso é raro, Elena. Muito raro. Além de mim eu não cheguei a conhecer outra pessoa que fosse imune a qualquer tipo de veneno.
Quando ele disse isso, me lembrei de quando era criança e ingeri quase uma caixa inteira de veneno de rato porque Jeremy me desafiou. Cheguei apenas a sentir uma dor quase imperceptível na barriga, então ela passou e eu fiquei perfeitamente bem.
Que tipo de pessoa ingere uma caixa de veneno de rato e fica bem depois?
Mas ignorei Death. Aquilo deveria ser pura sorte. Ou mera coincidência.
– Claro que isso tem seu lado ruim — continuou falando. — Já levou uma anestesia ou uma vacina? Em menos de 10min perdem o efeito e você apenas volta a sentir dor. No caso da vacina é diferente, como a vacina teria efeito se o seu metabolismo não te deixa ficar doente? Se você for como eu, duvido que se lembre de já ter pegado gripe ou febre. Já teve algum tipo de infecção, Elena? Você já ficou ao menos doente?
Não. Eu não tinha. Mas sempre achei que era sorte ou que eu simplesmente me cuidava tão bem a ponto de nunca ter nada mais sério que um ferimento físico.
Respirei fundo e fechei os olhos. O que aquele maluco queria dizer?
– Aonde quer chegar? — perguntei.
Percebi um sorriso estranho por detrás do metal que cobria seu rosto.
– Sabia que há alguns anos atrás eu estava morrendo? — ele me confidenciou. — Fui diagnosticado com uma espécie extremamente rara de câncer. Uma espécie de vírus estava atacando meu cérebro e era inoperável. Passei então a caçar uma cura ou qualquer coisa que pudesse me manter vivo — ele deu de ombros, como se essa parte da sua vida estivesse tão longe que nem chegava a importar mais. — Não existia cura, então eu decidi criá-la. Em algum tempo eu havia criado uma droga que aumentaria a minha imunidade fazendo com que ela combatesse qualquer doença. Funcionou, é claro, já que estou vivo. A droga também se aderiu ao meu corpo, fazendo parte do meu organismo e, aparentemente, tornou essa peculiar imunidade hereditária.
Encarei ele, completamente confusa.
– Hereditária? — repeti.
Aquele monstro não podia estar falando sério, ele não podia...
Death tirou a máscara de metal de seu rosto, e grandes olhos marrons me encararam. Olhos que eu conhecia, pois eram os menos que eu via toda vez que ficava em frente a um espelho.
Ofeguei, desejando desesperadamente estar errada.
– Isso mesmo, Elena — ele disse sorrindo. — Eu sou o seu pai.
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