Follow Your Heart
26 Capítulo 25
- Não sou de porcelana, Damon — reclamei alto e em bom som enquanto ele me carregava escada acima.
Damon havia me trazido o caminho inteiro em seus braços, não aparentando cansaço nem uma vez sequer, segurando-me com tanta facilidade que eu me sentia como uma pena.
- Eu sei — disse simplesmente.
Bufei, mas decidi tentar permanecer em silêncio.
Quando chegamos a sua casa, eu havia tentado me soltar de seus braços com a desculpa de que precisava de um banho, mas o tiro saiu pela culatra e ele acabou me levando até as escadas, dizendo que apenas me soltaria quando eu estivesse sã e salva, dentro de uma banheira com o pé ferido para cima.
Claro que ele não chegaria a tanto... Eu acho.
O tempo inteiro Damon tratando-me com a maior delicadeza, mantendo até mesmo meu pé longe do corrimão da escada.
Chegamos até a porta do quarto que ele havia dito que era meu, então, apoiando-me melhor em uma de suas mãos ele usou a outra para abrir a porta, exatamente como ele tinha feito na entrada da casa.
- Acho bom repetir isso na nossa lua de mel — comentei, então ao perceber o que eu havia dito, corei furiosamente.
Damon soltou uma risada presunçosa antes de me colocar sobre a cama.
- Se você não desistir na última hora — disse em forma de brincadeira.
Ele se afastou um pouco e colocou as mãos nos bolsos de sua calça jeans, segui o movimento involuntariamente com os olhos e percebi que ele estava apenas tentando esconder o volume que se projetava naquela região.
Desviei o olhar, roxa de vergonha, e percebi pelo canto do olho quando Damon se mexeu desconfortavelmente.
- Por que eu desistiria? — perguntei, desesperada por um assunto.
-Porque — disse, sua voz soando estranha, — a única coisa que te prendia a mim era o dinheiro do tratamento de seu irmão.
Minha cabeça se virou tão rápido em sua direção que ouvi um estalo em meu pescoço.
- Está falando no passado — acusei. — Por favor, me diz que você não desistiu...
Damon sorriu e se aproximou mais do meu rosto.
- Claro que não, Elena — garantiu, — só estou dizendo que eu já entreguei o dinheiro para a médica... Um cheque, para ser mais exato... E agora nada te prende a mim.
Surpresa, o encarei de boca aberta.
- Quando foi isso? — perguntei em um fio de voz.
- Eu estava apenas cinco minutos atrás de você — explicou, — então conversei com Meredith, ela me explicou rapidamente como funcionaria o tratamento, eu fiz um cheque e em seguida fomos ver você.
O olhei emocionada por exatamente cinco segundos antes de decidir que ele merecia um abraço.
Pulei de onde estava sentada e fui até ele, porém, com a dor que eu senti ao pisar no chão, acabei de alguma forma saltando em seu pescoço e enroscando minhas pernas em sua cintura.
- Obrigada — respondi, um gemido de dor escapando por entre meus lábios.
Damon rapidamente levou as mãos até meu quadril para que eu não escorregasse e olhou-me de forma irritada.
- Faço um grande esforço para que não tenha que pisar no chão — reclamou, — então você estraga tudo se jogando em meus braços... — suspirou alto e apressou-se em dizer: — Não que eu não goste de ter você em meus braços, mas... Céus, Elena!
Enterrei minha cabeça em seu pescoço, muito envergonhada para encará-lo, então eu senti seu cheiro e não consegui mais me afastar daquele ponto.
Apesar da chuva, um odor forte e amadeirado permanecia ali.
Damon congelou ao perceber o que eu estava fazendo e perguntou como se quisesse ter certeza:
- Está me cheirando?
Sem conseguir me conter, deslizei meu nariz até o lóbulo de sua orelha para então voltá-la até a base de seu pescoço.
- Você é cheiroso — sussurrei inconscientemente.
Ele fez um som que se parecia um misto de uma risada e um gemido, então me colocou novamente sobre a cama. Tirou uma mecha do meu cabelo que insistia em ficar sobre meus olhos e sorriu de forma convencida.
- Quando ambos estivermos limpos e com roupas secas — murmurou próximo ao meu rosto, — deixarei que me cheire o quanto quiser.
Desviei os olhos e ele voltou a rir.
- Eu nunca desistiria — anunciei abruptamente.
Damon parou de rir e piscou algumas vezes.
- Desistiria de que? — perguntou.
Voltei a olhar nos seus olhos e lancei-lhe um pequeno e terno sorriso.
- Do nosso casamento — respondi. — Eu vou com isso até o fim.
Um sorriso em forma de agradecimento se abriu em seu rosto, mas ele não disse nada, apenas deu as costas para mim e entrou em uma porta que eu sabia que dava direto no meu closet.
Okay, ele não gostava de demonstrar gratidão... Eu podia aguentar isso.
- Que roupa você quer? — gritou de lá.
Tentei não pensar muito no fato de que Damon estava escolhendo roupas para eu me vestir.
- Irei voltar para minha casa? — perguntei, também gritando.
- De jeito nenhum!
Ri baixo para que ele não ouvisse.
- Pode ser qualquer roupa — falei.
Damon voltou cinco minutos depois com um fiapo de roupa enfiado nas mãos, então ele colocou ao meu lado na cama.
- O que é isso? — perguntei olhando para os pedaços de pano.
Havia ali uma camisola, que além de ser minúscula ainda era transparente, e uma calcinha que mais parecias duas linhas, uma atada a outra.
- Você disse “qualquer roupa” — disse encolhendo os ombros.
Afundei meu rosto em minhas mãos e respirei fundo para não ter que espancá-lo.
- Quero algo confortável — expliquei calmamente... Calma até demais para o bem dele, — e que me deixe completamente exposta.
Damon levantou a camisola e a analisou.
- Não vejo nada de errado com essa roupa — comentou.
Peguei a calcinha e a joguei com força em sua cara.
- Pegue uma camiseta grande — mandei entre dentes, — um short que não mostre minha bunda e uma calcinha maior que essa. Agora.
Ele levantou ambas as mãos em sinal de paz e voltou rindo até o closet.
Ouvi o som de gavetas sendo abertas e exatamente três minutos depois ele voltou ao quarto com outro par de roupas na mão, Damon as jogou em cima de mim e saiu, indo para o corredor e sumindo de vista.
Analisei as roupas no meu colo, havia um short branco de algodão que não era grande, mas era o suficiente, e também tinha uma calcinha média, preta e com alguns poucos detalhes... Só isso, um short e uma calcinha.
Resisti ao impulso de gritar por Damon, mas eu não sabia se tinha mais alguém na casa e não queria acabar acordando ninguém que talvez estivesse dormindo.
Só que cinco minutos depois Damon já estava de volta com uma grande camiseta preta nas mãos.
- É minha — disse quando viu a cara que eu fazia, — está limpa... E tem meu cheiro.
Ele me entregou a camiseta com um sorriso malicioso e eu evitei seu olhar para que não percebesse que eu havia voltado a corar.
Contive a vontade de levar a camiseta dele até meu nariz e ver se realmente o que ele dizia era verdade.
- Pode sair agora — garanti, — consigo me virar sozinha.
- Nem pensar.
Então ele pegou todas as roupas, colocou em meu colo e me levantou em seus braços novamente.
Segurei as roupas para que não caíssem e o encarei.
- Ficou louco? Para onde está me levando?
- Para o Olimpo — brincou, — Zeus quer dar uma palavrinha com a senhorita.
O olhei irritada.
- Para o banheiro, Elena — disse, — é óbvio.
E, exatamente como ele disse, adentramos a porta do banheiro e ele me colocou com todo o cuidado sobre a tampa do vaso sanitário.
- Você não vai me dar banho — falei afirmadamente.
Damon me olhou com uma sobrancelha arqueada enquanto abria a torneira com água quente que havia na banheira.
- Hoje não — disse, — eu também preciso de um banho... Sozinho, no meu banheiro.
Quando a banheira estava totalmente cheia, ele colocou sais de banho e outras coisas para deixar a água mais agradável, então quando estava satisfeito, voltou a olhar para mim com o cenho franzido.
- O que? — quis saber.
Damon limpou a garganta e disse:
- O que tem ela? — perguntei desconfiada.
Ele pareceu um pouco envergonhado, mas o sorriso malicioso ainda ameaçava aparecer em seus lábios.
- Não posso te colocar dentro da banheira se ainda estiver vestida.
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