Folie à Deux

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Olá! Mais um capítulo saindo direto do forno, espero que gostem!

Depois de sair de uma aula desgastante, porque o professor tinha obrigado Will a ser sociável, ele sentou-se em um banco no campus, e ficou conversando com Brian e Jimmy. Ou melhor, ouvindo em silêncio e acenando. Esse era o seu jeito de participar. De todas as pessoas que conhecera na faculdade, Hannibal era o único com quem ele realmente se sentia à vontade, e tinha interesse em conversar.

Will sabia que sendo estudante de psicologia, mesmo que sua área fosse a criminal, teriam algumas aulas em que ele seria obrigado a interagir com outras pessoas. Paul era um daqueles professores que amava atividade em grupo. Logo, a maioria de suas aulas – segundo o que uma menina ruiva tinha dito a Will –, era assim: nada de fileiras do modo convencional, e sim um círculo enorme, onde todos deveriam discutir algo.

— Esse garoto é um gênio. – disse Brian, apontando para Will. – Aquela “paleta de cores” do último caso, foi ele quem me mostrou.

Jimmy balançou a cabeça. – Por que o meu colega de quarto não é um nerd, que resolve as coisas, me fazendo ganhar pontos com o Crawford?

— Não sou nerd. – disse Will.

— E eu não ganhei pontos com o Crawford. – acrescentou Brian. – Quer dizer, ele ficou bem satisfeito, mas eu disse que recebi a ajuda de um amigo.

— Para mim, isso é continuar levando algum crédito.

— Gente... – disse Will, olhando Abigail sentada em uma pilastra sozinha, em frente de onde ele estava. – Vou falar com uma amiga. Licença.

Abigail só viu que ele tinha se aproximado, quando Will já estava sentado a seu lado. A garota estava distraída com um livro. Ele sorriu gentilmente, e ela retribuiu o gesto.

— Tudo bem?

— Tirando que eu tenho que passar o final de semana na casa da minha tia, está tudo ótimo. – ela respondeu. – Você?

— O mesmo de sempre. Mas por que ir para a casa da sua tia é ruim?

— Porque eu não quero.

Ele concordou. – Então não vai.

— Meu pai normalmente não me obriga, mas ele acha que eu preciso de uns dias fora. Como meus amigos estão distantes, o que restou foi a casa da minha tia.

— Eu acho que ele tem razão. – ela olhou discordando, e Will acrescentou. – Vai ser bom se distanciar um pouco.

— Espero que sim.

Ele pensou por um momento, e teve uma ideia idiota. Não iria mencionar, mas a garota parecia bem entediada em ter que ir para a casa de parentes, e eles eram amigos, certo? Bem, não amigos, mas alguma ligação os dois tinham. Existem algumas experiências que você não pode compartilhar com uma pessoa, sem que certo vínculo entre vocês seja criado.

— Eu vou sugerir algo. – ele começou. – Não me leve a mal. Se você não quiser, tudo bem. Eu vou passar o final de semana na casa do meu tio que mora aqui perto. Sei que parece chato, mas eu costumo ir pescar quando estou lá e...

— Eu quero ir. – ela disse imediatamente, o pegando de surpresa. – Você é legal, e se meu pai deixar... Além disso, não sinto a necessidade de mostrar que eu estou bem o tempo todo com você, em parte porque você sabe do que aconteceu-

— E porque você não precisa. – Will a interrompeu. – Mas ok, pergunte ao seu pai. Eu mesmo falo com ele, se for preciso.

— Você vai ser um amigo meu da faculdade, que eu já conhecia da igreja. Tá bom?

— Ele confia mais nos meninos da igreja? – perguntou Will, sorrindo.

— Definitivamente.

...

Para a sua surpresa de Will, na sua primeira aula como estudante no FBI, ele não teria, de fato, aula nenhuma. E sim, ouviria uma palestra de Jack Crawford sobre o assassino que eles estavam investigando.

Brian lhe disse que a maioria dos dias era assim. Os investigadores consideravam uma boa ideia informar os estudantes dos casos, dando informações que eventualmente os colocariam para pensar no assunto. Assim, quantas mais mentes inteligentes estivessem investigando, mesmo que indiretamente, melhor.

— Agora eu vou deixar o meu parceiro Walter... – Jack disse apontando para um coroa de cabelo grisalho, mas com um ar imensamente autoritário. – Vir até aqui explicar o perfil desse assassino.

Imagens voltaram a passar na tela, das primeiras vítimas do assassino. Um casal nu, em posição de oração, de joelhos próximo à cama, com parte das costas cortada e amarrada para cima, dando a impressão de que fossem asas.

Walter começou a fazer a análise do perfil psicológico do assassino, dizendo coisas que Will sabia que não era verdade, ou que ele ao menos poderia supor, pelo o que pode analisar nas fotos da cena do crime. Will não pode evitar um longo suspiro, que em uma sala onde todos estavam em silêncio e concentrados, fez com que a atenção de Walter caísse sobre ele.

“Ótimo” pensou. “Primeiro dia, e já estou fazendo com que me odeiem.”

— Qual o seu nome?

— Will Graham.

— Sr. Graham... – Walter começou, em um tom superior. – Está entediado?

Normalmente Will se desculparia, ou negaria e ficaria em silêncio o resto da aula. Mas por alguma razão desconhecida, ele resolveu falar. – Eu só não concordo com o que você está falando.

— Ah é? – Walter ergueu uma sobrancelha. – Me diga o que você acha então.

— O que ele fez com as vítimas foi um presente. – começou Will. – Ele permitiu que os dois se transformassem em anjos. Depois, ele se deitou para dormir... E pelo o relatório que o Jack apresentou... Sr. Crawford. Desculpa. – ele olhou de relance para Jack, que fez sinal para que continuasse. – Ele estava doente... O assassino fez anjos para rezarem por ele, enquanto dormia.

Walter o encarou surpreso, e prosseguiu a palestra, sem fazer nenhum comentário ou menção ao que Will acabara de dizer. Ele torceu silenciosamente para não ter estragado a chance de entrar para o FBI com a sua interrupção. Mas quando a “aula” acabou, e Jack disse em um tom alto e claro “Will Graham, você fica”, ele teve a certeza que de tudo estava perdido.

— O que foi isso? – perguntou, quando Will se aproximou.

— Desculpe, eu estava-

— Foi muito inteligente. – Jack o cortou. – Brian me disse que você o ajudou com as informações para o último caso, que eu tinha pedido que ele analisasse.

Will tirou os óculos e balançou a cabeça. – Eu só fiz algumas observações.

— Assim como você fez agora?

Ele assentiu.

— Bem, eu acho que vou precisar da sua ajuda, para fazer algumas observações pra mim. – Will franziu a testa, e ele explicou. – Eu quero você trabalhando comigo no caso dos “anjos”.

...

Deitado em seu quarto à noite, lendo um livro, Will se assustou quando Brian chegou dando tapinhas em seu ombro.

— Isso aí, cara! – ele o parabenizou.

Will sentou-se na cama e o olhou confuso.

— Qual é, todo mundo já sabe! – ele falava animado. – Os alunos todos estavam comentando o como você deu um fora no Walter na sala, e ainda conseguiu uma vaga para investigar o caso!

— Eu não dei um fora no Walter. Só disse que achei que a análise dele estava errada. – explicou Will, tendo a certeza do por que isso parecia como um fora.

Brian deu de ombros. – Que seja, mas o Crawford gostou. Bem-vindo ao FBI, parceiro.

Ele estendeu a mão para Will, que apertou rindo. – Obrigado.

— Então... – ele tirou a jaqueta, e abriu o guarda-roupa. – Eu e o Jimmy vamos a uma festa que um cara da turma do laboratório está dando. Você quer ir?

— Não sei. – Will desconversou. – Estou sem cabeça para festas hoje.

— Cara, tem uma ruivinha linda que quer te conhecer. – ele disse. – Ela disse que falou com você em uma aula, com atividade em grupo, sei lá.

— Bethany.

— Beth, sim! Linda, não é?

— Eu vou pensar.

Ele colocou duas peças de roupas nas costas, e foi andando até o banheiro, apenas voltando para dizer algo antes de entrar. – Só pensa rápido.

Will suspirou. Bethany era realmente muito bonita e simpática. Não era sempre que uma garota assim se interessava por ele, ou até se interessavam, mas depois o deixavam de lado por outros melhores. Ou seja, mais estáveis.

Pegou o celular, e mandou uma mensagem para Hannibal.

(22h34min)

Eu seria muito rude, se negasse o convite do meu colega de quarto para ir a uma festa da faculdade?

A resposta veio rápida.

(22h38min)

Não, nem um pouco.

(22h40min)

Nem se uma garota bonita estiver me esperando lá?

(22h43min)

Você marcou algo, ou está interessado nela?

(22h45min)

Não.

(22h47min)

Eu ficaria no dormitório, lendo um bom livro, se não fosse meu desejo ir.

(22h50min)

Exatamente o que eu tinha em mente.

(22h54min)

Você está ocupado?

(22h57min)

Não, Will. Você pode continuar falando comigo, se quiser.

Brian saiu do banheiro, já vestido, e perguntou para Will. – E aí?

— Não estou me sentindo bem pra sair.

— Cara, você precisa se socializar mais. Não precisa sair com a Beth, se não tiver a fim.

Will mostrou o celular para ele. – Estou socializando.

— Alguma garota?

— Aquele meu... amigo. Hannibal.

— Ah sim. – disse Brian, e colocou a jaqueta novamente. – Bom, se mudar de ideia. Mande-me uma mensagem, que eu te respondo com o endereço.

— Pode deixar. – ele respondeu, mandando mais uma mensagem para Hannibal, continuando uma longa conversa que se estenderia até a hora de Brian chegar da festa. Ele tinha certeza que não iria resolver ir se socializar.

Notas finais
Então, o que vocês acharam? Eu amaria saber a opinião de vocês! Beijos, e até o próximo!