Folhas de outono.
1 Capítulo 1
Milo sempre foi muito curioso e impaciente. Um dia quando tinha seis anos de idade sua professora leu para a turma a lenda do fio vermelho.
_ Meus queridos vou contar para vocês a lenda da alma gêmea, chamada de: a lenda do fio vermelho. Esta lenda é um mito popular de origem chinesa difundido no Japão, de é conhecido como “Umei no Akai Ito”. A tradição oriental ligada há esta lenda, diz que todas as pessoas, desde o nascimento, levam amarrados ao dedo mínimo da mão esquerda, um fio vermelho que se conecta ao companheiro de alma.
Milo ficou olhando para o seu dedo atentamente. Como não viu nenhum fio vermelho no dedo, levantou a mão.
_ Professora eu não estou vendo nenhum fio vermelho._ Diz Milo mostrando a mão.
Ao ouvir o questionamento do amigo mais um coleguinha levantou a mão.
_ Eu também não tenho fio nenhum _ Diz, Aioria.
A partir daí começou a confusão. Todo mundo chorando porque não tinha fio vermelho na mão. A professora tenta acalmar a turma que não parava de chorar.
_ Eu não tenho alma gêmea ._ Diz Chorando uma menina de nome Shina.
_ Eu também não. Eu vou ficar encalhada._ Diz Marin, chorando também.
_ Também quem iria querer você? _ Diz Afrodite levando um tapa na orelha de Shina.
_ Calma crianças o fio é invisível._ Rebate a professora.
Milo coça a cabeça.
_Então como iremos saber se ele existe ou não.
_ Diz a lenda que ele está amarado no dedo desde o nascimento e ele nunca se rompe.
_ Ah.... então porque a senhora não falou logo, poxa._ Diz, Saga.
A professora ia responder quando o sinal toca.
Desde que Milo ficou sabendo da lenda já tinham se passado vinte anos. Ele hoje estava com vinte seis anos. Alguns de seus amigos tinham encontrado a outra metade do fio. Afrodite tinha se caso com Giovani. Um cara que ele conheceu na faculdade. Shina estava de casamento marcado com Shura. Um rapaz que conheceu em um bar onde este era stripper. Alguns como ele ainda não tinham encontrado a sua cara metade. Como era o caso de seu amigo do peito, Saga.
O escorpião, como seu signo era uma pessoa bastante impaciente, compulsiva e teimosa por natureza. Ele já estava cansado de ficar esperando a sua alma gêmea aparecer. Logo resolveu sair pelo mundo à procura dela.
Milo saiu do Japão e foi viajar pelos países a procura de sua metade da laranja. Enquanto ele viajava foi conhecendo novas culturas e comidas. Como era formado em Gastronomia ele estava curtindo bastante a viagem. A comida que ele mais gostou foi à tailandesa. Jurou a si mesmo que quando voltasse a Japão iria abrir um restaurante especializado nesta culinária.
E assim ele foi passando os meses conhecendo novas culturas e novos amores. Afinal ninguém é santo. Milo teve vários relacionamentos por onde passou. Sempre buscando por sua alma gêmea. Teve um momento quando esteve de passagem pela Bulgária que pensou tê-la encontrado. Porém pouco tempo depois descobriu que o rapaz com quem ele estava saindo se apaixonou por outro. Com o tempo Ele começou deixar de acreditar na lenda.
Quando estava de passagem pelo Nepal ele viu um velhinho sentado na estrada enrolando um fio vermelho. Milo parou é ficou observando o velhinho todo compenetrado enrolando o fio.
_O senhor já ouviu falar da lenda do fio vermelho?
_ Mais é claro! _ diz o velhinho sorrindo_ Quem não conhece a lenda do fio do destino.
_ Quando eu era criança minha professora contou a história na sala de aula. Eu realmente acreditei no que ela disse na época. Porém, hoje eu só acho que é uma lenda popular, nada mais. _ Milo senta do lado do ancião e toca no fio_ Eu corri o mundo para achá-lo ou achá-la. E não encontrei em lugar nenhum. Eu daria tudo que tenho só para tê-la comigo por um momento.
O Velhinho olhou bem dentro dos olhos de Milo e disse:
_ Quem disse que para achar sua cara metade você teria que viajar pelo mundo a fora? Sua alma gêmea irá até você quando estiver pronta.
_ Talvez meu fio esteja arrebentado?
O velhinho deu uma gargalhada.
_ O fio nunca se parte. Você irá encontrá-lo onde menos você espera.
Milo levanta-se e sorri.
_ Onde menos espero. _ Repede o loiro.
_ Quanto tempo você está fora de casa?_ questiona o senhor.
_ Estou viajando como mochileiro a cerca de oito anos.
_ Quem sabe não seja a hora de você voltar para casa?
_ É talvez, o senhor esteja certo vovô. _ Diz, Milo dando de ombros.
O loiro acessa e volta a caminhar pela estrada. Mal sabia ele que tinha se encontrado com Zeus o senhor do fio vermelho.
Mais um ano se passou, quando Milo resolve voltar para o Japão. Como tinha prometido a si mesmo com o dinheiro que ele ganhou com os trabalhos que fez enquanto viajava ele conseguiu montar o seu restaurante chamado “Do oriente ao ocidente”. Tendo como carro chefe a comida tailandesa.
O loiro estava bastante feliz com o sucesso de seu restaurante. A agenda de reserva estava lotada até os próximos três meses. Milo vinha uma noite, cansado do trabalhar quando entrou no prédio onde morava e viu a porta do elevador se fechando.
_ Por favor. Segura o elevador para mim. _ Diz, Milo correndo para pegar o elevador.
Ele vê uma mão apoiar-se entre as portas para que esta não feche.
_ Obrigado. _ Diz Milo entrando no elevador de cabeça abaixada teclando no celular.
Quando ele olha para a pessoa que o ajudou. Ele fica sem palavras. A sua frente está o homem mais lindo que ele já viu neste mundo.
_ Oi! Me chamo Milo.
_ Oi! Eu sou Camus.
_ Você é novo aqui?
_ Não. Moro aqui a cerca nove anos.
Milo sorri.
_ Então é por isso que não te conheço. Estive fora por nove anos. Viajando pelo mundo.
No outro dia eles novamente se esbarraram. E assim foi se criando uma amizade que mais parte evoluiu para um grande amor. Eles se conheceram em setembro agora em dezembro faria três meses que estavam juntos. Milo não podia dizer que tudo eram flores na vida do casal. Por que ele como bom escorpião era bastante ciumento. Mais o aquariano também não era uma pessoa fácil de se lidar. Como todo bom aquariano era teimoso, difícil de conquistar. No entanto sua característica marcante era ser bastante frio em relação a suas emoções. Todavia entre quatro paredes ele sabia bastante se comunicar.
Os amigos de Milo quando este o apresentou como seu namorado ficaram bastante impressionados com a escolha dele. Afinal eles eram como água e fogo. Porém se os opostos se atraem este era o destino de ambos. Eles nunca viram o loiro tagarela tão feliz. Por isto Milo resolveu pedir Camus em noivado apesar de somente o conhecer a três meses. Mais como bom escorpião era seu jeito impulsivo que lhe guiava a vida.
No dia quinze de dezembro, Milo preparou um belo jantar no restaurante para seu ruivo delicia. Convidou seus amigos mais chegados e todos estavam aguardando o ruivo chegar. O combinado era que Camus viria direto do trabalho para o restaurante onde seria feito a surpresa.
Com o passar das horas nada de Camus aparecer. Milo já estava preocupado. Desde que acordou ele andava sentindo um incomodo no peito. Todavia, acreditava que era devido à ansiedade pelo pedido de noivado. De repente, Saga chega correndo no restaurante.
_ Milo liga a televisão. Ocorreu um acidente na rodovia Hades e eu estou preocupado com Kanon que passa por lá vindo do trabalho.
Ao ouvir sobre o acidente, Milo sente uma forte dor no peito. Pois Camus também pega esta mesma rodovia. E imediatamente, liga a tevê. Onde uma repórter está no ar informando o ocorrido.
_ Caros, telespectadores. Ocorreu um acidente na saída da perimetral. Um Caminhão teve o pneu estourado perdendo a direção. Ele bateu em um carro que vinha entrando na rodovia Hades. Infelizmente o motorista do veiculo não resistiu, vindo a falecer no local. Mais detalhes do acidente será passado no jornal de Atena às dez horas da noite.
Milo ao ver o acidente fica branco que nem papel. Ele reconhece o carro de Camus pela cor e placa que estava amassada mais ainda dava para ver os números, sendo o carro do acidente.
_ Graças a deus, não foi com Kanon_ Diz, Saga suspirando.
_ Não foi Com Camus o acidente. _ Diz, Milo antes de perder os sentidos.
Já tinha se passado um mês desde que Camus havia morrido. Milo ainda estava bastante abatido. Seus amigos tentavam reanimá-lo, mas não sabiam como. Como continuar vivendo sabendo que tinha perdido sua alma gêmea? Milo ia todo dia quinze do mês ao cemitério levar copos de leite, flor preferida do ruivo.
No momento ele estava chorando em frente à sepultura do amado quando um velhinho passou por ele.
_ Por que você tinha que morrer? Porque você me abandonou? _ questionava Milo chorando na lapide com o nome de seu amado_ Se eu tivesse ficado aqui no Japão eu pelo menos teria nove anos de sua companhia. Agora só tive três meses. _ Milo olha para o céu _ Se era para me tirar a minha alma gêmea tão rápido de mim, eu preferia nunca tela conhecido.
O Velhinho ao escutar aquilo parou ao lado de Milo.
_ Não diga bobagem. O que você esta dizendo é um sacrilégio ao amor que vivenciou com ele.
Milo olha para o lado e vê um senhor com uma bengala próximo a ele.
_ Você não sabe o que é perder o amor de sua vida._ Diz, Milo com raiva limpando o rosto.
_ Meu filho! Você está chorando por ter perdido o seu amor. Porém quantas pessoas no mundo não desejariam ter encontrado seu amor na vida mesmo que somente uma única vez? Quantas pessoas passam pela vida procurando o amor e nunca o encontram? _ O velhinho coloca a mão no ombro do loiro. E este começa a lembrar da época que correu o mundo a procura de seu amor_ Sei que existem várias formas de amor. Porém só existe um amor de alma gêmea. Por isto que a lenda diz um fio atado ao outro e não vários fios.
_ Eu o perdi, depois de tê-lo por somente três meses. Foi como as folhas de outono. Como a árvore não pode reaver susa folhas eu também não posso recuperá-lo._ Diz,Milo olhando para o ancião.
_ Primeiramente, você deve agradecer por ter passado este período com ele. Nunca desmereça a memória do tempo que conviveram juntos._ Milo abaixa a cabeça envergonhado_ Segundo quem disse que a morte é o fim? Até mesmo as árvores recuperam as suas folhas no começo da primavera.
_ Então eu irei encontrá-lo? _ Questiona Milo esperançoso.
_ Como diz a lenda_ o velho pega no dedo de Milo_ O fio não se rompe. A morte nada mais é do que uma passagem. Quem sabe em uma outra vida vocês não se encontram?
Milo sorri para o senhor.
_ Obrigado, por estas palavras. É a primeira vez que venho aqui e me sinto em paz._ Milo olha do tumulo para o velho _ Não te conheço de algum lugar? _ Questiona, Milo.
O Velho dá um abraço em Milo.
_ Quem sabe? Ser velho tem está vantagem, todos somos parecidos. _ E ele sai caminhando pelos túmulos.
“Já diziam os mestres... Alma gêmea é coisa rara de se encontrar... Passam milhas vidas distantes, vivem muitas aventuras... até se acharem.”
Fim.
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