Folhas de Papeis
4 Noite do Pijama
Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo na minha frente. Era o próprio Mettaton, era a própria estrela da TV, na minha frente. O que eu estava vendo é real? Sans ficou me chacoalhando até eu finalmente acordar para a realidade. Depois agradeci por isso. Eu mesma de dei um tapa, para ver se não era um sonho. Não. Não era um sonho. Era real:
— Oh meu Deus, não se bata assim, darling ~ — Mettaton veio na minha direção e se ajoelhou na minha frente — Eu espero que você não fique assim toda vez que me ver, okay? Vamos para as apresentações? Qual seu nome?
— M-meu nome é... Frisk. Meu nome é Frisk — Consegui falar mais de duas palavras. Me parabenizei mentalmente e depois sorri.
— Bom, acho que você me conhece — Riu — Bom, eu já volto queridos. Vou trocar de roupa! — Ele parou no caminho — Hey, Frisk, depois conversaremos melhor! — E saiu. Não sem antes dar uma piscadinha.
Eu ainda estava tentando processar tudo aquilo. Coloquei a mão na testa e apoiei meu cotovelo no joelho. Eu estava na mesma casa que uma estrela da TV. Não vamos criar pânico... Eu acho... Socorro:
— Você tá bem? — Sans perguntou com uma de suas mãos segurando meu ombro — Foi mal, a gente devia ter dito logo quem era o primo da Alphys. Mas eu e Papyrus achamos que com a dicas que nós demos, você já tivesse adivinhado.
— Mas eu nem sequer sabia que Mettaton tinha primos! Como é que eu ia saber disso? — Perguntei rápido demais. Respirei fundo mais uma vez e tampei meu rosto — Ele vai querer me odiar. Socorro!
— Hey, pirralha, olha pra mim — Sans pediu. Lentamente, tirei as mãos do rosto e virei para encará-lo — Mettaton não é uma pessoa que odeia. Ele é um cara legal, e com certeza vai gostar de você. E, lembre-se, ele é apenas uma pessoa normal, entendeu? Não é porque ele é conhecido na cidade inteira que ele vira outra coisa! Ele é como a gente, capiche?
— Entendi — Disse e depois sorri — Valeu, Sans. Acho que eu me preocupei demais! — Comecei a rir.
— Só um pouco demais, né, Punk? — Undyne perguntou e então eu lembrei onde eu estava. Eu estava numa festa de animes, um local para nós nos divertimos e esquecer que tem uma prova para estudar pra semana que vem. Peguei uma mão cheia de pipoca e enfiei na boca, dando um gole no refrigerante logo depois. Sans e Undyne sorriram e disseram ao mesmo tempo:
— Isso aí!
Depois continuamos a conversar. Ouvimos passos de alguém descendo as escadas, então nos viramos e vimos Mettaton, que estava usando uma calça preta e uma blusa branca com um coração no meio. Até celebridades dormem, ele é realmente uma pessoa normal. A celebridade se juntou a nós, e se sentou no chão mesmo, colocando refrigerante em um copo e dando um gole logo em seguida, e depois começou a rir de alguma coisa que o Sans disse.
Continuamos falando qualquer coisa ou falando qualquer piadinha besta. Até Alphys começou a se soltar mais:
— B-bom, e-eu vou pegar mais pipoca! — Disse e se levantou. Logo sendo seguida pela ruiva, dizendo que ia junto. Na sala agora, só restava eu, os irmãos albinos e a celebridade.
— Frisk, alguém já disse pra você que você é muito bonita? — Mettaton falou e eu corei.
— B-bom, minha mãe diz isso sempre. M-mas, nunca nenhuma outra pessoa disse não... Por que a pergunta?
— Porque eu estou deixando isso bem claro. Você é bonita, não precisa ter vergonha disso, okay? — Disse e depois deu mais um gole em seu refrigerante. Eu dei um sorriso tímido e olhei para o lado.
— ENTÃO! O QUE VOCÊS QUEREM FAZER? — Papyrus perguntou.
— Bom, o que geralmente vocês fazem em uma noite de animes? — Eu era a novata ali, eu não fazia a mínima ideia do que fazer.
— Bom, sempre mudamos, mesmo o nome sendo noite de animes, nunca mais vimos um nessas noites — Sans falou, depois lembrou de alguma coisa — Hey, a pirralha disse que queria que nós dançássemos aqui. O que acham da ideia?
— Eu acho ótima — A celebridade falou já ficando animada, e eu ri — Alphys tem o jogo de Just Dance aqui. Só falta eu procurar — Abriu uma gaveta ali, onde estava recheada de capas de filmes. Na verdade, não eram bem filme — Duper Gatinhas 1, Duper Gatinhas 2, Sword Art Online, Death Note... ALPHYS, ONDE ESTÁ O JUST DANCE?
— A-AH, E-ESTÁ NA GAVETA DEBAIXO — Gritou da cozinha.
— Achei — Mettaton falou e logo tirou ali o jogo, logo colocando-o no X-box. Pediu para o Papyrus sair do sofá e logo o empurrou para mais longe, deixando o espaço ali maior para dançar — Pronto, temos uma atividade. VOCÊS NÃO VEM NÃO? — Gritou novamente para as duas que estavam na cozinha. Que responderam juntas um sim, aparecendo com dois pacotes de pipoca logo em seguida. Sentaram-se no chão — Então, quem quer ir primeiro? Eu vou sozinho se ninguém for!
— Eu vou! — Undyne disse logo se levantando.
Mettaton logo ficou passando as músicas, esperando a ruiva escolher alguma. Ela apontou para uma que só descobri qual era assim que começou. Animals, Martin Garrix. Gente, isso é extrema maldade, eu adorava aquela dança, mas eu fiquei com vergonha de ir ali e me meter no meio da dança, então deixei apenas os dois dançarem. Mettaton facilmente conseguiu as cinco estrelas, e Undyne consegui a quinta estrela assim que a dança terminou:
— Eu admito, sou melhor na capoeira. Mas esse jogo é tão divertido — Riu e depois se sentou ao lado de Alphys.
— Eu vou mais uma, alguém se propõe pra ir...? — Mettaton perguntou novamente e dessa vez, quem disse que ia foi Alphys, logo se levantando e indo para o lado da celebridade.
— E-eu quero... V-você sabe, n-né?
— Claro que sei, darling, eu te conheço! — Respondeu e logo foi procurando uma entre as várias músicas que tinha ali. O nome do jogo podia ser Just Dance 2016, mas junto vinha todos os outros, o que eu achava mais legal, pois eu queria muito dançar algumas do Just Dance 2014.
A música começou. All About That Bass.
Eu não vou mentir, eu não achava que Alphys sabia dançar tão bem assim. Mesmo que eu me lembre que o Sans disse que ela já tinha feito Hip Hop. Ela e o Mettaton conseguiram cinco estrelas. Batemos palmas.
Sans se levantou, sem dizer nada, pediu licença e pegou o controle das mãos de Mettaton, o mesmo foi se sentar no chão. O albino foi procurando as danças que havia ali até se cansar e pedir um desafio pra gente:
— ÓTIMA IDEIA — Mettaton gritou para todos nós ouvirmos — Vamos fazer assim, todos nós vamos dançar qualquer coisa que alguém escolher, fechado?
Todos nós aceitamos, e o coitado do Sans teve que dançar Blame.
Coitado nada, ele sabia dançar bem pra caramba! Ele sabia dançar melhor que eu. Parece que todo mundo ali conseguiria cinco estrelas em qualquer dança na maior facilidade. Continuei sentada no chão, até Mettaton me chamar:
— As três garotas vão ter que dançar Fancy. Vamos, levantem-se!
Eu já tinha dançado Fancy tantas vezes que eu já havia perdido a conta. Eu sempre vou jogar Just Dance na casa da Geumy, e essa é a nossa dança preferida. Eu escolhi a que tinha o casaco amarrado na cintura, pois eu decorei os passos dela. A dança começou e eu realmente esqueci que tinha gente me olhando dançar, eu simplesmente me soltei e comecei a dançar como se não houvesse amanhã. Eu não estava nem me importando com o tanto de estrelas que eu ganhava. Vou confessar que fiquei triste quando a música terminou, e quando fui finalmente me dar conta das pontuações, eu havia ganhado. Me virei para os que estavam presentes na sala e eles começaram a bater palmas:
— Você arrasa, pirralha — Sans disse e eu corei um pouco.
— Arrasou é pouco para descrever seu show aí, honey — Mettaton falou e eu sorri.
— HUMANA, EU PODERIA DIZER QUE VOCÊ DANÇA ATÉ MELHOR QUE EU. MAS, NINGUÉM DANÇA MELHOR QUE O GRANDE PAPYRUS — Disse fazendo uma pose heroica e depois continuou a frase — QUE DIZER, SÓ UMA PESSOA... — E depois olhou para outro lado. Querendo esconder o corado em seu rosto, que só eu notei.
Mettaton só conseguiu me puxar pelo braço e logo roubou o controle do Sans e colocou a música FUN, me pedindo para dançar com ele:
— Vamos jogar na cara deles que nós somos os melhores dançarinos, Frisk? — Perguntou levantando a mão, como um convite para um High Five. Aceitei, e assim, a música começou.
Vamos admitir que essa música era pra rebolar muito, e eu não sei porque diachos eu aceitei dançar ela. Mas como eu mesma disse, quando eu danço, eu esqueço que tem gente olhando, e olha que quem tá falando isso é a garota que tem medo do que as pessoas pensam dela. Tinha uma parte na dança que tínhamos que fazer uma jogada de cabelo, e quando nós dois fizemos, Sans, Undyne e Alphys gritaram, eu ri e continuei a dançar. Fechamos a dança com cinco estrelas e fizemos mais um high five.
Alphys disse que era melhor colocarmos o pijama, para ficarmos mais a vontade. Eu peguei minha mochila e perguntei onde era o banheiro. Ela apontou para uma porta ali perto e fui em direção dela. Já dentro do banheiro, comecei a ver o local. Apenas um chuveiro, um vaso sanitário e uma pia com um espelho. Normal. Tirei a roupa e depois as dobrei, pegando o pijama em seguida.
Lembra do meu problema de não verificar nada e simplesmente enfiar as coisas dentro da bolsa? Pois é. O pijama era um short, como podemos dizer, curto. Vesti ele mesmo assim. Por sorte, a blusa não era um cropedd, mas se meu azar tivesse atacado, eu teria mesmo trago uma cropedd. Com o pijama colocado, voltei pra sala. Me senti normal, já que Undyne também estava com um short. Alphys estava com um pijama de calça comprida e manga comprida também. Sans e Papyrus ainda não estavam na sala:
— Aí vem ela, desfilando na passarela — Mettaton disse segurando uma escova como se fosse um microfone — Frisk!
— Mettaton, por que está fazendo isso? — Perguntei e depois comecei a rir.
— Querida, como eu mesmo disse, você é bonita, devia estar numa passarela, ouviu? — Ele falou e depois pegou pipoca, eu fiz o mesmo, pegando uma mão cheia e colocando tudo na boca logo em seguida, por sorte, não fiquei engasgada.
Papyrus chegou na sala com seu pijama laranja e com um gorro, achei fofo. Sans estava com uma simples calça de basquete e uma blusa branca. Assim que todos estavam sentados no chão da sala, Undyne pegou uma garrafa e colocou no meio da roda que nós formamos. Todos ficaram se olhando, até que sorriram, todos sabíamos o que ia ser a partir dali. Seria a brincadeira, a pior brincadeira das noites de pijama.
Verdade ou Desafio.
Se você não aceitasse o desafio, você teria que dizer uma verdade, que geralmente é constrangedora. Se você não querer dizer a verdade, você vai ter que fazer o desafio de qualquer forma. Mas depois, eu descobri que do jeito que eles jogam, se não aceitar fazer nenhum dos dois, o desafiador vai ter que pegar o celular do desafiado e ter que mandar mensagem pra alguém. A ruiva girou a garrafa, todos preocupados, outros ansiosos para serem escolhidos. O giro parou. A tampa apontava para Alphys e a outra parte apontava para Papyrus:
— MUITO BEM! VERDADE OU DESAFIO?
— D-desafio!
— NYEH! EU, O GRANDE PAPYRUS, TE DESAFIO A DECLARAR O SEU AMOR PARA ALGUÉM ANÔNIMO AQUI NA RODA!
— E-espera, e q-qual vai ser a v-verdade? — Perguntou, estava extremamente corada por esse desafio, mesmo que seja para alguém anônimo.
— VOCÊ VAI TER QUE CONTAR PARA TODOS NÓS DE QUEM VOCÊ GOSTA!
— E-eu faço o desafio! — Aceitou, no final — B-bom, o-oi anônimo. E-eu queria t-te dizer uma coisa, s-sabe? E-eu sempre... Bom, n-na verdade não foi sempre, m-mas desde que eu te conheci, e-eu comecei a te admirar muito. S-sua coragem, s-seu jeito, s-sua b-b-be-beleza... — Todos nós estávamos em silêncio, deixamos Alphys acabar — E-eu só q-queria dizer que e-eu gosto r-realmente de você e... S-só isso... B-bom, acho que f-falei demais, certo? — Mettaton bateu palmas, e logo depois girou novamente a garrafa.
— Ai meu Deus! — A celebridade exclamou — Sans, você está preparado para ter um desafio ou para responder uma verdade? Ou será que posso pegar seu celular?
— Mettaton, fala logo o desafio — Falou com um sorriso grande no rosto.
— Eu, Mettaton, te desafio a ir na rua e fazer uma paquera muito sem graça para a primeira garota que passar! — O albino deu de ombros e se levantou, calçou uma chinela e foi para a rua. Acompanhamos tudo da janela. A primeira pessoa que passou foi só um homem correndo apressado para ir para casa, a segunda que passou foi uma garota que estava passando com seu cachorrinho. Vimos Sans se aproximar dela, o que puxou um sorriso no rosto da garota. Logo vimos ela começar a rir, e depois se despediram.
— Desafio feito.
— Qual foi a paquera que você usou, Sans? — Undyne perguntou.
— Eu simplesmente cheguei pra ela e disse "Gata, você não é pescoço, mas mexeu com minha cabeça". Ela começou a rir a partir daí, depois ela se apresentou, e eu me apresentei também dizendo "Prazer, Arlindo, mas pode me chamar de lindo, porque o ar eu perdi quando te vi"! — Undyne, Mettaton e Alphys começaram a rir, eu só dei um risinho de lado. Eu não gostava muito da ideia do Sans paquerando outra menina. Espera, por quê que eu não gostava disso? Sans era apenas meu amigo, um amigo que está solteiro a muito tempo e que nunca mais ficou com uma garota, ele precisa achar alguém. Sorri pra mim mesma e fiquei tentando me convencer que eu gostava de Sans como amigo, eu nem percebi quando a garrafa ficou apontando para a minha direção.
— Você está pronta, Frisk? — Undyne perguntou e eu concordei com a cabeça — Muito bem, eu te desafio a rebolar aqui no meio da roda.
— O QUÊ? — Perguntei e comecei a rir. Eu não ia fazer isso, eu espero.
— Olha, se você não fizer, você vai ter que me dizer com quem você ficaria, e o motivo. Ou se não quiser fazer nenhum dos dois, pode me passar o seu celular, sua mãe vai adorar saber que um assassino entrou aqui na casa e que essa é a última mensagem que ela vai receber de você! — Eu levantei duma vez e logo fui para o meio da roda.
— Tá, como eu faço isso? — Perguntei.
— Só rebolar, queridinha — Mettaton disse, e logo pegou uma música no seu celular e colocou pra tocar. Coloquei as mãos para cima e comecei a mexer a cintura de um lado para o outro. A ruiva e a celebridade assoviaram, e logo depois Sans assobiou aquele tão famoso som que os rapazes fazem quando acham uma garota bonita. Corei e depois de simples segundos eu parei e comecei a rir do que eu acabei de fazer, e logo voltei para o meu lugar.
Ficamos naquela brincadeira por mais algum tempo, até ninguém mais ter uma ideia de desafio. Undyne começou a encher três colchões de ar para dormimos, enquanto eu bebia mais um copo de refrigerante. Me virei para o lado para observar as pessoas ali naquela sala e percebi Sans me olhando de cima a baixo, e quando percebi que eu também olhava para ele, logo virou o rosto.
Cada um decidiu onde ia dormir. Undyne ia dormir no sofá mesmo. Alphys e Mettaton iriam dividir um colchão. Papyrus e Sans também. Eu ia ficar com um colchão inteiro só para mim, comemorei internamente e logo me joguei nele. Peguei o lençol que eu trouxe e me cobri. Eu estava sem sono algum, mas eu achava cama de ar tão confortável. Logo os outros também se jogaram:
— É hora das histórias de terror! — Undyne exclamou e logo todos ficaram animados, menos eu. Vou admitir, eu odiava contos de terror, mesmo sabendo vários. Eu não ia mesmo conseguir dormir — Quem começa?
— EU, O GRANDE PAPYRUS, IREI COMEÇAR! — Alphys desligou a luz e deu uma lanterna para Papyrus, que usou para iluminar apenas seu rosto — ERA UMA NOITE ESCURA NO BAIRRO DE SNOWDIN. UM GRUPO DE JOVENS ESTAVA PASSANDO POR LÁ, ACABARAM DE SAIR DE UMA FESTA, ATÉ QUE VIRAM. ALGO. ESTRANHO!! ERA UM HOMEM, SUAS MÃOS ESTAVAM COM UM LÍQUIDO ESTRANHO, ERA UMA GOSMA PRETA. OS JOVENS RESOLVERAM SEGUIR OUTRO CAMINHO, MAS QUANDO SE VIRARAM, VIRAM O MESMO HOMEM. NÃO HAVIA COMO ESCAPAR. ENTÃO, CADA VEZ, O HOMEM SE APROXIMAVA MAIS. ATÉ QUE OS JOVENS SE VIRAM CERCADOS POR VÁRIOS HOMENS IGUAIS. E PRA SABER O RESTO DA HISTÓRIA, É SÓ IR PARA O BAIRRO SNOWDIN ÀS 3H DA MANHÃ! — E desligou a lanterna passando para a pessoa que estava do seu lado. Alguns não gostaram muito da história de Papyrus, mas da outra pessoa deve ser melhor.
— B-bom, e-eu vou contar uma h-história que é do J-japão — Alphys começou e ligou a lanterna para iluminar seu rosto — E-era uma noite q-qualquer na cidade de Tókyo. U-um garoto passava por uma rua pouco iluminada, e n-não tinha ninguém ali n-naquela hora. Mas, e-ele viu ao longe, a sombra de u-uma mulher. Quando ele se aproximou, n-notou que ela estava com uma máscara no rosto. Ela então perguntou se e-ele a achava bonita. O g-garoto concordou, pois a mulher era realmente l-linda. Então, lentamente, ela tirou a máscara de seu rosto, mostrando s-sua boca cortada. E p-perguntou novamente se o menino a achava bonita. E-ele então percebeu a faca na mão da mulher, e resolveu concordar, com m-medo do que acontecesse se respondesse que não. E-então, a mulher da boca cortada disse que não t-teria problema se e-ele ficasse igual a ela, e assim, cortou a boca do rapaz. D-desde então, ninguém tinha m-mais a coragem de passar por aquela rua — Alphys desligou a lanterna e passou para a pessoa do lado. Que quando ligou, era Undyne fazendo um sorriso psicopata, e como eu era uma pessoa muito 'corajosa', tomei um susto e dei um grito. Fazendo todo mundo rir logo em seguida. Depois que todos se acalmaram, a ruiva começou.
-Aqui na cidade de Ebott, há um trilho de trem que todos temem. Lembram-se? — Todos concordamos — Sabem por que ele é tão temido? Foi a muito tempo atrás, na inauguração do trilho, uma criança, uma pequena criança que a inocência reinava em seu rosto, não prestou atenção no trilo, tropeçando nele. Seu vestido ficou emperrado no ferro, e como ela não conseguiu tirá-lo a tempo, só deu tempo de ver o trem vindo em sua direção. Anos depois, jovens alertam ter visto uma figura de uma mulher com cabelo no rosto se apoiando em seus braços, pois não tinha nada da cintura pra baixo — Ela terminou sua história rapidamente desligando a lanterna. Passando para a pessoa ao seu lado, era o Mettaton. Provavelmente, pelo que eu me lembro, depois seria o Sans e eu seria a última.
— Bom, parece que nosso amigo Mettaton não estava a fim de contar uma história — A luz da lanterna mostrou o rosto do Sans, o que eu achei estranho, já que era a vez da celebridade, mas pelo visto, ele não queria contar uma história — Bom, eu acho que seria minha vez então. Certo? Bom, vamos lá! Todos devem saber do laboratório que foi fechado, lembram-se? — Todos concordamos — Pois sim. Dizem que ele foi fechado pois ele não estava rendendo tanto dinheiro quanto deveria. Mais que mentira mais bem contada, não é? Todos sabíamos que havia ali dentro, experiências estranhas. Parece que todos os humanos aqui nessa cidade não tinham algo dentro deles que os fazia querer seguir em frente, e uma cientista que tinha nessa cidade, conseguiu criar algo que deu o nome de "Determinação". E com essa determinação, ela injetou em suas cobaias — O albino fez uma pausa dramática — Se passou um mês sem que as cobaias acordassem da coma. Quando pensaram em desistir, perceberam que elas finalmente acordaram, mas... Tinha algo de estranho, depois de algumas horas desde que acordaram, perceberam que as cobaias estavam derretendo, e se fundiram. Que entrasse naquele laboratório, por simples vandalismo ou por uma aposta boba, iriam escutar sons e sentir um cheiro estranho. Chamaram as cobaias que ficaram derretidas e fundidas de Amalgamo.
— N-nossa, i-isso é verdade? — Pudemos ouvir a voz da Alphys na escuridão.
— Não sei, nunca fui lá pra ver — Sans deu mais um de seus sorrisos, e desligou a lanterna, passando para mim.
— Bom, eu nunca fui muito de contar histórias de terror — Comecei, com a luz ainda desligada — Mas, isso não quer dizer que não sei de uma — A acendi a lanterna, o jeito que ela iluminava meu rosto me dava um jeito sombrio e assustador, e eu consegui imitar perfeitamente a expressão da minha irmã, Chara — Há uma montanha aqui perto dessa cidade, uma montanha que ninguém nunca teve coragem ou simplesmente disposição para escalá-la. Mas eu ouvi boatos de que crianças já escalaram aquela montanha. Ninguém sabe o que tem por lá, mas dizem que há um buraco enorme, e lá, as crianças caem. O destino delas a partir dali, ninguém sabe. Até hoje, apenas seis crianças foram para aquela montanha... — Fiz uma pausa dramática e depois tentei imitar exatamente a expressão sombria da minha irmã — Nenhuma delas voltou. Dizem que morreram pela queda, outros dizem que foram devoradas por animais ferozes... Outros dizem... Que suas almas assombram por essa cidade. Ninguém nunca sabe quando é realmente eles ou não. Alguns preferem não acreditar, por ser a coisa mais simples de se fazer, outros, preferem acreditar, achando assim, que todos são alguma das almas.
— E você, pirralha, é uma delas?
— Hehe — Ri com os olhos fechados e logo os abri novamente olhando atentamente para a sombra do meu lado — Você nunca saberá. — E desliguei a lanterna nesse mesmo instante.
Eu vou admitir, tem vezes que eu consigo imitar perfeitamente a minha irmã. Se eu usasse lentes de contato vermelha e usasse um blush rosa forte na bochecha, todos me confundiriam com ela. O estranho é que... Nós não somos gêmeas. Alphys ligou a luz da sala e logo se juntou novamente a roda:
— Cruzes, darling, nunca pensei que você pudesse contar uma história assim, e ainda respondendo a pergunta do Sans daquele jeito. Me deu até arrepios — Mettaton falou se abanando. Eu sorri.
— VOCÊ FEZ UMA CARA ASSUSTADORA, FRISK! SÓ QUE EU, O GRANDE PAPYRUS, NÃO FIQUEI ASSUSTADO... TALVEZ SÓ UM POUQUINHO!
— Gostei de todas as histórias que contaram aqui! — Undyne falou com um grande sorriso em seus lábios — Infelizmente, está tarde... Isso quer dizer que eu vou dormir agora, boa noite pra vocês! — Foi andando e logo se deitou no sofá, dormindo logo em seguida. Invejinha, adoraria dormir assim, tão rápido.
— Hey, vocês sabem o que acontece com quem dorme logo, não é? — Sans disse pegando uma tinta do bolso de sua calça e indo em direção a Undyne. Como seu sono era pesado, nem percebeu que o albino havia pintado um peixe em sua testa, aproveitou e fez marcas de guerra em sua bochecha. Eu e os outros tivemos que nos segurar para não rir.
Agora virou praticamente uma competição, ninguém queria dormir, pois sabiam como iriam acordar. Papyrus não aguentou e se jogou na cama, quando percebemos que ele estava dormindo profundamente, desenhamos um espaguete em sua testa e um osso em sua bochecha. A próxima a dormir foi Alphys, que foi presenteada com uma cara totalmente amarela. Sobrou apenas eu, Mettaton e Sans. Olhei para o rosto do albino e percebi que a cada vez que eu me mexia, ele despertava, quando eu fiquei parado durante um bom tempo, ele começou a pegar no sono, até finalmente adormecer por completo. Mettaton falou que iria aproveitar para dormir logo, já que Sans não podia mais riscar seu rosto:
— Nem vem pintar meu rosto, ouviu, darling? — Alertou Frisk, que riu e depois concordou que não iria riscar a cara da celebridade, mesmo sendo uma tentação.
Eu ainda estava acordada, sem um pingo de sono.
Me levantei e fui olhar uma janela que tinha ali na sala. Me apoiei e sentei nela logo depois. Observei o ambiente da rua, estava escura, mas ainda pude ver uma praça ali perto iluminada pelos postes. Olhei novamente para os meus novos amigos dormindo. Um sorriso surgiu em meu rosto. Me enchi de...
Novamente aquela sensação, de algo me preenchendo por completo e que me dava vontade de seguir em frente. O que era aquilo? Bom, deixei pra lá e me levantei da janela, indo de encontro às tintas. Peguei uma e risquei um bigode no Sans, e deixando marcas roxas em seu olho. Ri do meu feito e me deitei logo em seguida, esperei o sono chegar.
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