Notas iniciais
Essa é a história sim, eu vou estar como uma personagem? Talvez, bem, eu não sei... Espero q vcs apenas experimentem e gostem dela, de Emma.

A primeira coisa em que pensei quando acordei foi: “Que madrugada fria...”. Com o pouco que tinha em minha cama, eu me cobria enquanto sentava na ponta. Eu observava o escuro e onde a penumbra se tornava mais densa em cada canto do meu quarto. Apesar de estar um completo breu, eu podia enxergar através dele que, mesmo nessa escuridão assustadora, havia luz dentro dela. Meus olhos se acostumavam cada vez mais com o vácuo que transparecia ser naquele cômodo.

Assim que me acostumei, fui de mansinho até a janela e até mesmo Max, meu pastor-alemão, não queria acordar naquela hora, estava sonhando e acredito ser difícil um cachorro acordar no meio de um sonho em que, provavelmente, está correndo atrás de um coelho.

Max, ama coelhos.

E acho uma graça ele gostar tanto assim, só espero que não venha a prática de matar coelhinhos também. Acho-o melhor do que qualquer ser humano que já encontrei até agora. Com seus olhos caramelo me encarando quando estou trazendo sua comida e sempre me lambendo na bochecha como agradecimento, mas ele pula demais e brinca demais, o bom é que ainda tenho energia pra fazer isso com ele. Mas o mais incrível, acho que é sua fidelidade, principalmente porque ele me obedece, e só à mim...

Assim que cheguei naquela janela, observei curiosa como minha respiração embaçava o vidro, logo fui observar aquela paisagem mostrando a cidade longe de minha casa. Toda iluminada e só o meu bairro que não tinha essa “iluminação” toda. Quero dizer que o meu bairro parece vazio, sem vida e sem gente pra poder dizer: "Bom dia", as pessoas eram frias e sem educação por ali.

Olhando atenta pra ela, pra cidade, eu fiz um “x” no vidro embaçado onde ela estava. O que menos iria querer na minha vida era se mudar pra um lugar agitado. Eu gosto do silêncio e, principalmente, pois aqui é tudo quieto e calmo, queria apenas um pouco de otimismo nessa pequena parte da cidade que eu poderia pensar um pouco mais alto e desfrutar mais.

Em meus pensamentos em que eu nego aquele lugar, mamãe vem na cabeça. Ela me encarava com aquele brilho nos olhos e aquele sorriso bonito que sempre a acompanhava onde quer que ela fosse. Bonita e elegante, ela era tratada como uma duquesa de tão bem falada e vestida que era...

"Era", eu não falei errado, falei no passado mesmo, pois no passado sei que ela era feliz, ainda mais porque quem a fazia feliz era o meu pai. Alto e forte, excêntrico, mas espontâneo também, sabia como deslizar os dedos num piano transformando o que eu não entendia em Jazz e nos divertindo por onde nós andávamos juntos, como uma família. Ele era o melhor pai pra mim e meu melhor amigo, mesmo que essa “excentricidade” dele fosse mais pra que desse risada.

Um dia ambos foram viajar e me deixaram com Mag e Tom, minha madrinha e seu marido, então não sei o que aconteceu, meu pai voltou como prometido, depois de dois meses de férias, mas já minha mãe...
Ela ficou mais de dois anos lá fora. Sozinha ou bem acompanhada, seja com amigas que tem feito na viagem ou com algum paquera ou amante. Mas sempre mandando cartões postais de onde ela estava com a frase: “Estou muito feliz aqui, Harry, obrigada mais uma vez por ter permitido a minha liberdade...”.

Ela dizia que estava livre. Dizia que o casamento era um problema. Até que, quando voltou, sentia minha falta. Meu pai estava triste demais com aquilo tudo e pior ele ficou quando a guarda passou pra minha mãe, eu não queria ter ficado com ela. Eu queria o meu pai ali do meu lado, do nosso lado. Queria que tudo voltasse ao normal. Um dia antes daquele mulher aparecer de novo na minha vida, meu pai disse:

—“Desculpe, Emma, me perdoa por não ter sido o pai que você queria que eu fosse, mas eu tentei e Deus sabe como eu tentei dizer pra ela que o caminho que ela queria viver não era o certo nem pra ela mesma e muito menos pra você. Mas sabe como é sua mãe... Teimosa demais pra ouvir alguma coisa minha”.

Nessa parte eu ria apesar de estar chorando, ri bem pouco comparado como antes eu ria.

E agora sorrio bem pouco também.

Quis parar de observar aquela cidade e voltar pra cama, já era 04am e tinha que acordar de novo ás 08am pra poder ir pra escola. O Outono me trazia memorias tristes e sensações nostálgicas de como era a vida com meu pai. Ele desapareceu uma semana depois que eu fiquei com minha mãe, todos sabem que ele viajou pra um lugar onde não pudesse ver a desgraça que minha mãe colocou em seu lugar, me obrigando em chamá-lo de pai também — como se eu fosse substituir o único pai que tenho por uma mentira que só sabe beber e não trazer nenhum dinheiro pra casa.

Eu também queria ter ido junto dele. Talvez teria me feito mais feliz.

Porém, uma das melhores coisas é que agora minha mãe anda me dando atenção quando Jack, o mala, não está em casa. O que é raro, já que ele é o babaca mais inútil que já havia visto, pois de tantos babacas ele é o “rei” deles.

E quando ela não me dá a atenção que eu necessito pra, pelo menos, saber o que é o carinho de uma mãe. Eu tenho Max, meu querido cão, que adotei quando tinha 4 meses apenas. Agora ele vai fazer um ano e dois meses, nunca imaginei que cães me fariam tão querida, até mais do que essa família.

Quando me deitei novamente, Max subiu em cima da minha cama de casal e ficou me cheirando, me fazendo sentir cócegas. Eu tranco o meu quarto durante a noite, porque odiaria ouvir a mãe e Jack discutindo enquanto ele chega bêbado, mas só depois que minha mãe leva uma surra, ela fica quieta e os dois se acalmam.

Max deita com a cabeça em minha barriga e cochila mais um pouco, enquanto isso eu escuto a primeira garrafa a ser quebrada pelo chão. Não dou muita bola assim como Max não dá muito crédito também. Logo, o meu sono chegou dizendo que amanhã será um dia melhor. E eu sonhei com um dia melhor também...

Notas finais
Ok. Eu espero que tenham gostado, e não, eu não sou a "Emma" isso seria estranho demais, mas ela que vai narrar daqui pra frente. Espero que gostem mais da narração dela do que a minha... (huahuahua)