Folhas Soltas

1 Capítulo único


Notas iniciais
Não pude resistir à fazer um especial sobre esse casal tão lindo, fofo e mordível!!! >.< !!!Espero que gostem!!!!

Eu não sei por que te odeio tanto.

Na verdade, eu não te odiava no começo, a culpa foi toda sua por ter dito logo de cara que não gostava de mim, sem ao menos me conhecer. Bom, se bem que se você me conhecesse, a resposta não seria muito diferente.

Quando nos apresentou, Shinra disse que eu era um desgraçado e acho que não posso discordar disso. Naquele dia tivemos uma luta de vida ou morte que durou horas, e terminou quando você foi atropelado por aquele caminhão. Achei que tinha me livrado de você, não pra sempre, afinal, eu já te observava há um bom tempo e sabia que você não morreria só com aquilo, mas, confesso que achei que você ficaria um tempinho no hospital. Fiquei surpreso quando você apareceu na casa do Shinra minutos depois de eu ter chegado lá para que ele cuidasse dos ferimentos que você me causou. Não brigamos mais naquele dia, bom, não fisicamente, mas eu continuei te provocando e você me ameaçando de morte, e a Celty entre nós dois, tentando evitar que começássemos a nos socar e destruíssemos o apartamento no processo.

Aquele foi o dia mais divertido da minha vida.

Depois daquilo passei a te provocar pessoalmente, antes eu só precisava espalhar algum boato colocando a culpa de alguma coisa em você que como num passe de mágica, apareciam cada vez mais arruaceiros e delinqüentes arranjando briga. Eu assistia de camarote enquanto você acabava facilmente com todos eles. Eu estava cada vez mais fascinado pela sua força sobre-humana, seu descontrole irracional, suas expressões de pura raiva... Era a primeira vez que eu me interessava por alguém individualmente. Eu precisava cada vez mais daquelas suas expressões raivosas, mais daquele seu descontrole descomunal... mais de você.

E foi então que eu passei a te odiar.

Eu odiava o fato de você conseguir chamar tanto a minha atenção, odiava o fato de você ocupar tanto os meus pensamentos, e principalmente, odiava o fato de você tentar me ignorar, embora nunca tenha conseguido realmente, mas o simples fato de você tentar, já me deixava puto de raiva! Eu queria chamar a sua atenção tanto quanto você chamava a minha, queria ocupar os seus pensamentos do mesmo jeito que você ocupava os meus, e eu estava começando a me odiar por querer essas coisas.

*

O pior dia da minha vida foi hoje. E ele ainda nem acabou.

Por ter tido que deixar minhas irmãs mais novas na pré-escola, acabei saindo de casa mais cedo do que de costume e conseqüentemente, cheguei mais cedo no colégio. Guardei minhas coisas na sala e me pus a andar pelos corredores praticamente vazios, me deparei com uma cena que me deixou um tanto chocado. Você estava parado no meio do corredor de frente para uma garota que lhe estendia uma pequena caixa cor-de-rosa.

“E-Eu gosto de você, H-Heiwajima-san. Espero que aceite os meus sentimentos” ela gaguejou, seu rosto estava completamente vermelho e seus olhos voltados para o chão. Assim que lhe entregou a caixinha ela fez uma reverência e saiu correndo, sem ao menos esperar por uma resposta sua.

Eu estava chocado. Como você, o cara mais anti-social do mundo, que não fazia questão de ser educado ou simpático com ninguém, que tinha a fama de ser um delinqüente da pior espécie, como você conseguiu receber uma confissão de amor de uma garota?!?

Você parecia estar se fazendo a mesma pergunta já que parecia tão chocado quanto eu. Ficamos assim por um tempo, nos encarando perplexos e sem dizer uma palavra um ao outro até Shinra aparecer no corredor e chamar por você, me dando tempo suficiente para que eu saísse dali sem que você notasse. Normalmente, ver uma cena daquelas seria um prato cheio para que eu te provocasse pelo resto da vida, mas por alguma razão absurda e inexplicável, aquilo me incomodou e até então eu não havia percebido que hoje era dia quatorze de fevereiro, dia dos namorados, o dia em que todos resolviam confessar suas paixões secretas. Patético!

Todo aquele sentimentalismo fútil me deixava enjoado, nenhum deles sabia realmente o que era amor, principalmente aquelas garotas estúpidas que se confessaram para você. Quatro. Quatro garotas estúpidas confessaram seus sentimentos vazios à você. Nenhuma delas realmente te amava, elas nem sequer te conheciam... E eu, ironicamente, acabei presenciando a todas essas cenas repulsivas sem dizer uma palavra sarcástica ou meramente debochada. Você também não disse nada, nem pra mim e nem pra elas, mas me olhou de um jeito estranho. Não dei atenção à isso, estava irritado com o fato de aquelas garotas inúteis estarem recebendo atenção de sua parte, mesmo que fosse pouca.

Só eu deveria ter a sua atenção.

Há, há! Que patético! Eu sou realmente patético! E talvez eu saiba o motivo de te odiar tanto...

Talvez um dia eu te conte.

***

Shizuo ficou um longo tempo apenas olhando para aquelas folhas que havia acabado de ler. As havia encontrado caídas nos degraus da escada que levavam ao telhado, estava no intervalo do almoço e decidira ir ali para esfriar a cabeça, estava irritado, aquelas garotas e suas declarações de amor o estavam tirando do sério.

O loiro não era bisbilhoteiro, mas como não havia ninguém por perto que pudesse tê-las perdido, começou a ler o que estava escrito para tentar identificar o dono delas. E só havia uma pessoa que poderia ter escrito aquilo.

– Shizu-chan!

O loiro virou-se quando ouviu o apelido que tanto odiava, dando de cara com um Izaya genuinamente surpreso por encontrá-lo ali. O moreno desviou os olhos até as folhas que outro segurava e por um momento, Shizuo viu um certo pânico estampado no rosto do menor.

– Isso é seu? – o loiro perguntou.

O moreno engoliu em seco, mas logo sua expressão cínica e seu sorriso sarcástico estavam à postos.

– E por que seriam? Por acaso tem meu nome aí?

– Se não são suas, não vai se importar se eu lê-las, não é?

– Você não leu? – havia um certo alívio, quase imperceptível, naquela pergunta – Sua mãe não te ensinou que é falta de educação ler o que não te pertence?

O loiro estreitou um pouco os olhos.

– Por que escreveu isso? É mais um dos seus joguinhos?

– Eu já disse que... Você leu. – concluiu, arregalando um pouco os olhos enquanto um certo rubor tomava conta de suas bochechas.

Shizuo não soube como reagir, apenas encarava bastante surpreso o moreno, que parecia estar cada vez mais corado e também sem saber como reagir. O sinal indicando o fim do intervalo pareceu trazê-los de volta à realidade, Izaya deu meia volta e saiu dali o mais rápido possível, não dando a menor chance de o loiro sequer piscar, que dirá dizer alguma coisa. Shizuo voltou a encarar as folhas em suas mãos, ainda surpreso e com um único pensamento em mente:

Ele estava sendo sincero quanto ao que escreveu nessas folhas.

***

Merda! Izaya praguejava em pensamento. Se soubesse tudo o que iria acontecer naquele dia, não teria nem levantado da cama, menos ainda dado as caras no colégio! De todas as pessoas que poderiam ter encontrado aquelas malditas folhas, tinha que ser justo ele?!

As aulas do dia já haviam acabado há quase uma hora atrás, mas Izaya seguia agora em direção ao seu armário para pegar suas coisas e finalmente ir pra casa. Por gostar de observar os outros, era sempre um dos últimos a deixar o colégio, mas desta vez o motivo era outro, não queria correr o risco de encontrar nem a sombra de Shizuo e o loiro era sempre um dos primeiros a ir embora, isso quando não estava ocupado perseguindo-o. Há essa altura, esperava que ele já estivesse em casa.

Quando abriu a porta do armário, algumas folhas que estavam soltas caíram no chão, abaixou-se e pegou-as prontamente as reconhecendo, eram as folhas que havia escrito e estavam com Shizuo, mas não todas, havia uma à mais, e esta não havia sido escrita por ele.

*

Ao contrário de você, eu sei exatamente o porquê de eu te odiar tanto.

Você me irrita! Sempre me irritou e tenho certeza que vai continuar me irritando!

Odeio essa sua expressão cínica, seu sorriso debochado, suas palavras pingando à sarcasmo... Você não me deu muitos motivos pra não te odiar, você fazia exatamente o contrário e tudo só pra chamar a minha atenção... Só que você já a tinha há bastante tempo. Como eu poderia ignorar uma pulga tão irritante que não me deixava em paz? Como eu poderia não pensar no cretino que estava sempre armando pra cima de mim?

E isso é o que mais me irrita, simplesmente não consigo te ignorar.

O dia hoje não foi muito legal, todas aquelas garotas confessando sentimentos que achavam ter por mim estavam me irritando! No começo fiquei surpreso, mas depois percebi que elas só estavam interessadas no garoto mais forte do colégio, não em Shizuo Heiwajima.

Você realmente é patético, concordo plenamente com isso e talvez, eu até saiba o motivo de você me odiar tanto.

Talvez eu te odeie pelo mesmo motivo.

*

Izaya não conteve um pequeno sorriso ao terminar de ler aquela folha. Shizuo era ridículo! Tão ridículo quanto ele era patético! Dobrou a folha junto com as outras e guardou-as na bolsa, logo deixando o prédio da escola e se dirigindo ao portão. Estancou no lugar quando se deparou com uma figura loira encostada displicentemente no muro pelo lado de fora. O moreno sentiu seu rosto esquentar à medida em que o outro se aproximava, parando há apenas dois passos de distância.

– Eu... Eu não sei bem o que dizer. – Shizuo coçou a nuca, demonstrando certo nervosismo e desviou o olhar, seu rosto completamente corado.

Izaya riu do desconforto do outro. Shizuo estava sendo ridículo. Ridiculamente adorável.

– Não precisa dizer nada. – deu dois passos à frente e beijou rapidamente os lábios do loiro, apenas um selinho, e continuou andando.

Shizuo ficou tão surpreso com o beijo que demorou alguns segundos para reagir e ir atrás do moreno, que já estava há alguns metros de distância, passando a andarem lado a lado em silêncio. Alguns minutos depois Izaya puxou o braço do loiro para que ele parasse e esperasse um pouco enquanto ele voltava alguns metros e entrava em uma loja. Foram cerca de cinco minutos até o moreno voltar e lhe empurrar uma caixinha embrulhada e com um laço de fita contra o peito.

– Feliz dia dos namorados, Shizu-chan. – disse baixo, corando violentamente e seguindo em frente.

O loiro sorriu ao encarar a caixinha em suas mãos e apressou o passo para alcançar o moreno. As mãos se encostaram timidamente antes de finalmente se entrelaçarem. Um sorriso bobo brincava nos lábios de ambos. O dia não havia sido tão ruim.

Notas finais
E então? Gostaram? Alguém leu? O.O Comentários???? Bjs!!! *-* !!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!