Já era sábado, sexta não tivemos aula por causa do jogo do time de hóquei masculino e eu nem fui vê-los, mas soube que ganharam e a pressão sobre o time feminino só aumentava. Eu ainda não havia me encontrado com Teddy ou falado com ele. Teddy ainda não sabia do violino.

Eram cinco da manhã, eu tinha que estar lá as 7, sem atraso. Eu quase não consegui dormir direito, estava ansiosa para o meu primeiro jogo oficial e estava com medo de perder essa oportunidade. Ao contrário da minha rotina, decidi tomar o café da manhã primeiro. Mary ainda estava dormindo, obviamente. Peguei um suco de maçã na geladeira e o coloquei sobre a mesa. Fui até o armário superior, ao lado direito da geladeira e peguei umas todas e as levei até a mesa. Me sentei e comecei a tomar meu simples lanche. Demorei menos de vinte minutos e voltei para o meu quarto, para me arrumar. Coloquei o uniforme do jogo e por cima coloquei a calça do time. Abri a porta do guarda-roupa e me olhei no espelho. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto. Mary abriu a porta do quarto.

“Mas já está acordada? Bom dia.” –Ela disse.

“Já tomei o café da manhã também, não precisa se preocupar.” –Eu disse. –“Ah! Bom dia.” –Completei.

Fechei o armário e fui até a mesa de estudos, peguei meu celular e liguei para Teddy. Dava como celular desligado. Não é possível que, em um dia tão importante quanto esse, Teddy ainda esteja dormindo. Já iam dar 6 da manhã e me considerava atrasada. Desci as escadas correndo.

“Mary! Mary! Teddy não atende o telefone e...” –Eu disse entrando na sala.

Teddy já estava sentado no sofá e Mary estava arrumando sua bolsa.

“Surpresa!” –Ele disse rindo.

“Você é maluco!” –Eu disse rindo.

Fui em direção a ele e o abracei forte.

“Bom dia, linda.” –Ele disse me abraçando.

“Bom dia!” – Eu disse depois de um selinho.

“Você está tremendo!” –Ele disse segurando minhas mãos.

“E não deveria? Estou com tanto medo!” –Eu disse.

“Medo do que?” –Ele perguntou.

“De decepcionar todo mundo.” –Respondi.

“Querida, já é um orgulho enorme para mim tê-la no time principal da escola!” –Disse Mary.

“Tá, sempre dizem algo parecido para os derrotados.” –Eu disse.

Ambos riram e nada mais disseram. Voltei para o meu quarto e peguei minha bolsa. Enquanto eu desci a escada, meu celular apitou, avisando que havia uma nova mensagem. Era Ethan.

“Estarei no jogo, mas me atrasei um pouco. Ethan.” –Dizia a mensagem.

Não respondi a mensagem e guardei o celular na bolsa.

“Pronta?” –Perguntou Mary.

Afirmei com a cabeça e fomos para o carro. Já eram 6:10 a.m. Teddy iria para o jogo com Mary, enquanto eu teria que ir no ônibus do time. O nosso jogo era em Norfolk contra o Framlingham Earl High School. Quando chegamos em Thomas, Lori, Susan e Aud já estavam lá, com mais cinco meninas. Olhei para Susan, que disse algo no ouvido de Lori, que imediatamente veio até nós. Ao se aproximar, Lori abraçou Teddy, que não retribuiu o abraço. Lori o soltou e olhou um pouco sem graça para mim. Não expressei em meu rosto nenhum ódio aparente, sabia que era isso que queriam e não iam conseguir isso hoje.

“Quer vir no ônibus com a gente?” –Lori perguntou para Teddy.

“Não, vou com a Mary.” –Ele respondeu.

“Pode ir com elas, se quiser.” –Disse Mary.

Dei uma cutucada no braço esquerdo de Mary, dando um sinal de que ela não estava ajudando.

“Ah... Agora que lembrei, Teddy, você tem que me ajudar em uma coisa antes.” –Mary disse.

Ela tentou reverter, mas não pareceu nada natural. Lori não disse nada e voltou para Susan, que começou a falar um monte para ela.

“Já vamos indo para a escola, Yolanda.” –Disse Mary.

“Está bem.” –Eu disse.

“Lá eu te desejo bom jogo.” –Disse Teddy.

Sorrio e dei um selinho nele e o abracei. Teddy e Mary voltaram para o carro e eu fui em direção ao ônibus. Abracei a Aud e as outras garotas, menos as de sempre, obviamente. Me sentei ao lado de Anne, a menina que me substituiria caso acontecesse alguma coisa comigo. Nós nunca havíamos conversado, acho que nunca vi alguém tão tímido, ela não olha nos olhos de ninguém. Ela sentou na janela e eu no corredor.

“Oi”. –Eu disse para ela.

Anne olhou para mim e logo desviou o olhar para a janela.

“Ansiosa para o jogo?” –Perguntei.

Parecia que ela não me ouvia, continuava tentando escapar pela janela e eu querendo criar um assunto com ela.

“Tudo bem...” –Eu disse.

Me acomodei na cadeira e o ônibus começou a andar. Na primeira cadeira, Susan e Lori estavam sentadas. Anne e eu estávamos bem na metade do ônibus, ao lado da Aud e Stella.

“Por que deveria estar ansiosa?” –Anne perguntou.

Sua voz quase não saia, foi um esforço para entender o que ela havia falado.

“Claro que vai.” –Eu disse.

Ela se virou para mim e finalmente, me olhou nos olhos.

“Você é a melhor, nunca vão te substituir.” –Ela disse.

Eu não sabia o que responder. Agora eu que não conseguia a olhar nos olhos.

“Isso... isso não é verdade.” –Eu disse.

“É sim! Nada contra você, Yolanda, você é ótima mesmo. Mas queria poder jogar um dia.” –Ela disse voltando a olhar para a janela.

“Parece muito importante para você...” –Eu disse.

“Sim, é! Desde quando eu entrei para essa escola, eu tento fazer parte do time titular e nunca consegui isso.” –Ela disse. –“Meus pais estarão lá...” –Ela completou.

“Minha mãe também...mas o hóquei não é tão importante pra mim.” – Eu disse abaixando o tom da minha voz.

Demorou muito até que chegássemos na escola do jogo. As meninas cantaram

várias músicas durante a viagem, claro que eu não conhecia nenhuma e apenas batia palmas, parecendo uma idiota. O ônibus estacionou em frente ao colégio, enorme, por sinal. O motorista tirava nossas bolsas da mala lateral do ônibus, a minha foi a última a ser encontrada. Anne estava ao meu lado, mas quando me distrai vendo a fachada da escola, ela sumiu. Fomos para o campo e as arquibancadas estavam cheias. Eles tinham lideres de torcida, a gente não. Fomos para o vestiário e nossas rivais estavam lá na porta, nos esperando.

“Boa sorte pra vocês.” – Disse a líder do time, supostamente. –“Sou Elena.” –Ela completou.

Elena era bastante alta para uma jogadora de hóquei. Seus cabelos eram tão pretos quanto o meu e sua pele era mais branca que a minha. Seus olhos eram verdes cor de bala de hortelã. Seu rabo de cavalo estava amarrado para o lado direito e seu cabelo parecia seda e brilhava bastante.

“Pra vocês também.” –Disse Lori, não sendo muito amigável.

Entramos no vestiário. Com azulejos brancos até a metade e pintura azul na metade de cima, era um lugar bem agradável. Enquanto eu me arrumava, notei que Anne estava sentada no banco no fundo do vestiário. Fui até ela e me sentei ao seu lado.

“Não vai se arrumar?” –Perguntei.

“Já estou pronta.” –Ela respondeu.

Anne ainda estava de calça e casaco, mesmo com um sol consideravelmente quente lá fora.

“Sinto muito...” –Eu disse.

“Você é muito legal, deveria ser mais reconhecida no time.” –Ela disse.

“Venham todas! É nossa hora de brilhar!” –Gritou Lori.

Me levantei, respirei fundo e fui até ela. Formamos uma fila e fomos para a entrada do campo e paramos ao lado do time da Earl. Enfim, entramos em campo. Fiz o sinal da cruz e pisei com o pé direito no campo. Nos espalhamos e fui para a minha posição, fiquei procurando Mary e Teddy na arquibancada, mas não os encontrei. Todos já estavam posicionado e prontos para o inicio do jogo. Olhei para o banco de reservas e Anne fez um sinal de positivo. Partida iniciada.

Dez minutos após o inicio, Lori sofreu uma falta e o jogo foi paralisado, devido ao drama dela. Finalmente encontrei Mary e Teddy e eles acenaram pra mim e retribui o aceno. Olhei o restante da arquibancada e pude observar Ethan sentado na ponta. Sem notar, acabei sorrindo e depois olhei para Teddy, que estava procurando para onde eu estava olhando.

Notas finais
Muito obrigada por ler, espero que ainda goste da fanfic. ♥
Muito em breve, tem o próximo capítulo!
@eddictedhoran