Folhas De Outono

94 Aniversário do Pablo


Eu estava chorando sozinha no quarto. Tem sido assim há um mês. Estava sem falar com Camilla e Pedro me tratava friamente. O aniversário de Pablo estava chegando e decidi ir comprar alguma coisa para ele. Fui até a sala e Pedro assistia a um programa de esportes que passava no inicio da tarde.

“Vou sair pra fazer compras.” –Eu disse, arrumando minha bolsa no ombro direito.

“hum-hum.” –Disse Pedro.

Se fosse em outros tempos, ele não me deixaria sair sozinha, como me fez prometer.

“Não quer vir?” –Perguntei.

“Não. Estou bem aqui.”

Fui em direção a porta e a destranquei. Pedro permaneceu hipnotizado pela mídia. Sai do apartamento e tranquei a porta com a minha chave. Com o chaveiro do Mickey. Apertei o botão do elevador e o aguardei chegar. Ele demorou mais do que eu esperava. Heloisa estava no elevador e ia sair no meu andar.

“Olá!” –Ela disse ao sair.

Eu nada disse, apenas sorri. Entrei no elevador. Helo segurou a porta.

“Você tem o telefone do Ed?”

Tirei a mão dela da porta e a aguardei fechar lentamente. Assim que fechou, levei as mãos a cabeça e me encostei na parede espelhada do elevador. Não estava mais aguentando essa história. Nas televisões do apartamento, era possível ver a câmera do elevador. Camilla adorava ver. Olhei para a câmera e mostrei o dedo do meio. Sem me importar que não era só Camilla quem via aquilo. A porta se abriu e eu parei de mostrar o dedo. Sai.

Fui até uma enorme livraria. Sei que Pablo era o tipo de pessoa que não leria livro, nem mesmo que fosse sobre sexo, mas na livraria vendia CDs e discos também, essa era minha meta. Arrumar um bom CD ou disco para ele. Nunca soube do que ele era fã, mas sempre estava ouvindo Elvis Presley e eu nunca vi nenhum disco em seu apartamento. Parecia uma ótima opção. Caminhei pela livraria e pude ver a prateleira de lançamentos tomada pelos CDs da One Direction. Uma criança, ao lado da sua mãe, supostamente, escolhiam um CD. A criança dizia o nome de todos os integrantes e a mãe parecia não se importar e pegou um CD e arrastou a filha, que ainda falava, para o caixa. Fui até a parte de internacionais e meus olhos procuravam apenas por Elvis. Sei que estaria em rock, ou não.

No caminho entre a prateleira nacional e internacional, havia um monte de revistas adolescentes e parei para ler uma. A capa era um ator de um filme de vampiro. Folheei a revista e achei a coisa mais desnecessária do mundo, mas talvez Camilla gostasse, então decidi levar. Enfim, cheguei na parte dos internacionais e comecei olhando de cima a baixo. Quantos artistas novos. Eu estava realmente perdida com relação a isso. Olhei para trás e pude perceber que alguém se escondeu. Mas ignorei. Fui andando lentamente e nenhum CD parecia me agradar. Olhei de novo para trás e a pessoa estava atrás de uma pequena estante onde havia mais CDs e uma revista, da mesma que eu havia pego, tapando o rosto, parecia estar lendo. Voltei meus olhos para a prateleira internacional novamente. O primeiro CD que vi, foi um laranja. Me aproximei e o rosto que o estampava era muito familiar. O peguei e li o nome do Teddy. Ele já estava conquistando o Brasil. Coloquei o CD junto da revista. Fui em direção a pessoa que lia a revista.

“Sei que é você.” –Eu disse.

A pessoa permaneceu com a revista no rosto e foi abaixando aos poucos.

“Você prometeu não sair sozinha.” –Disse Pedro.

“É, mas você não quis sair comigo pra comprar algo para Pablo.”

“Já escolheu algo? Que CD é esse?”

Pedro o tomou da minha mão. Leu o nome e olhou pra mim.

“Nossa, esse cara é maior do que eu pensei.”

É, eu pensei a mesma coisa. Peguei o CD da mão dele e o coloquei junto com a revista de novo. Andei pela loja com Pedro e ele veio com um CD do Eminem e Maroon 5. O segundo era para ele. Estávamos cansados de procurar algo que encantasse Pablo, então ficamos com o CD do Eminem mesmo e um pôster do Elvis, que tinha um metro de altura. Fomos para casa, andando. Bati na porta do quarto de Camilla e ela não respondeu e aumentou o som. Não era nenhum cantor que eu conhecesse. Fiquei olhando para a porta por alguns minutos e nada de Camilla abrir a porta. Olhei para o chão e a luz do dia que invadia o quarto dela, saia por baixo da porta. Me abaixei e tentei passar a revista. Pronto. Me levantei e bati na porta novamente. Sai de perto e fui para a sala. Pedro pegou o CD do Teddy e colocou no pequeno som que havíamos comprado mês passado. Na terceira música, Pedro parecia estar curtindo o som e balançava a cabeça de acordo com o ritmo. Eu permaneci sentada no sofá, com as pernas unidas e minhas mãos sobre meus joelhos, esperando uma reação diferente. Camilla saiu do quarto e estranhou ao perceber que era o Teddy quem cantava no som. Pedro mostrou a capa do CD e ela gritou. O abraçou.

“Obrigada.” –Disse Camilla.

“De nada, mas esse CD é meu.” –Eu disse.

O sorriso que estava tomando conta do rosto de Camilla, sumiu. Ela arremessou a capa no sofá vazio e passou direto para o banheiro. Ela bateu a porta com força, novamente. Ela estava com essa mania. Pedro não deu muita importância e continuou no ritmo do Teddy.

Após ouvir todo o CD, Pedro ficou murmurando alguma música, mas não sabia cantar muito bem e só ficava no clássico “na na na”. Embrulhei o CD de Pablo e Pedro enrolou o pôster e amarrou com uma fita azul e fez um laço, de qualquer jeito. Tive que fazer um novo laço. 19 de abril. Era aniversário de Pablo. Era uma quinta-feira e ele decidiu dar uma festa na Low Club, só para convidados. Apesar de no dia seguinte ser uma sexta-feira, a boate lotou. Segundo Pablo, trezentos convidados, em um espaço que era recomendado para seiscentos no máximo. Não levei os presentes, mesmo Pedro insistindo para isso. Fui com um vestido preto, que era colado até a cintura e para baixo era solto e um pouco transparente, mas era dividido em três finas camadas, o que tornava o vestido descente, digamos assim. Coloquei um sapato com salto carretel prata e prendi meu cabelo em um coque alto. Eu saberia que ia me arrepender futuramente, mas fui com uma bolsa-carteira prateada e a carreguei na mão direita. Camilla dormiu na casa da Helo.

Eram três da manhã, quando o DJ foi embora e Pablo empurrou Pedro para tocar as músicas. A primeira que ele colocou, foi Give Me Love, do Teddy. Ele colocava uns remixes no meio da música, o que a tornava cada vez mais dançante. Apesar de não conhecerem a música, os convidados foram ao delírio e gostaram da escolha. Não sei quantos copos eu havia bebido, mas já era o suficiente para eu achar que flutuava ao ouvir a música. Novamente, o mundo pareceu girar lentamente e eu podia ver, sem muitos detalhes, porque estava escuro, a expressão de felicidade que cada um ao meu redor carregava. Alguém esbarrou no meu braço e derrubou um pouco do meu uísque. Eu não me importei, porque apesar de todos ali estarem tomados pelo álcool, a pessoa pediu desculpas. Rindo. Pedro estava em uma espécie de pequeno palco e bebia algo azul. Ele sempre bebia aquilo, mas nunca me disse o nome. Give Me Love parecia interminável. Eu estava gostando disso. Coloquei a bolsa no meu decote e levantei as mãos no refrão. Eu cantava sozinha no meio da pista, mas ninguém me ouvia. A música acabou e Pedro colocou Maroon 5. Tomei o último gole da minha bebida e decidi ir até o bar. Era difícil passar no meio de toda aquela gente. Estavam suados, apesar do forte ar condicionado. Me sentei no único banco vazio no balcão do bar e dei meu copo para o barman.

“Outro desse!”

Eu sabia que era uísque, mas ali tinha um outro nome. Normalmente era nome de cidade ou praia ou qualquer coisa que eles queiram. O barman cheirou o copo e sorriu. Rapidamente ele me deu outro copo com bebida até a metade. Tomei um gole que desceu queimando. Fiz careta por longos segundos, até a bebida enfim, chegar ao meu estômago. Devolvi pra ele e balancei a cabeça em negativa. Voltei para a pista e fiquei observando Pedro tocar Lady Gaga. Um homem entrou na minha frente e eu não conseguia mais enxergar Pedro. Ele começou a dançar na minha frente e colocou suas mãos na minha cintura. As tirei de mim e tentei me afastar. Mas ele era forte e me trouxe pra perto. Me obrigou a dançar com ele. Dei um tapa em seu rosto e ele me soltou. Falou alguma coisa, parecia estar bravo, mas saiu. Pude sentir meu celular vibrar três vezes. Até eu conseguir tirar a bolsa do decote e o celular da bolsa. Ele parou. Uma chamada perdida de Camilla. Quando eu ia guardar, chegou uma mensagem.

“Ed está vindo ao Brasil” –Camilla.

Notas finais
Ontem foi meu aniversário *_* agora acabou a contagem regressiva. ): haha
MUITO OBRIGADA a todos que mandaram recado no twitter, vocês são lindos ♥ e descobri novos leitores. Se já chegaram até aqui, BEM VINDOS AO MUNDO LITTLE LEAVE! haha
GENTE, viram a playlist? então, quem quiser recomendar música, estou aceitando. bjsss
Jenny, eddictedhoran