Foi assim

2 O beijo na janela


Notas iniciais
So she said, "What's the problem, baby? What's the problem I don't know Well maybe I'm in love (love) Think about it every time I think about it Can't stop thinking about it

Os dias iam passando, eu continuava à falar com ela, quando não era pelo Msn conversávamos por mensagem de celular, sim em duas semanas eu nem tinha visto ela pessoalmente mas já tinha o seu número, como era bom falar com ela, as horas passavam e sempre estávamos conversando, eu sabia mais e mais dela e ela de mim, e assim foi até a minha última semana de aula, como tinha prova não entrei tanto no MSN, mas sempre que possível recebia uma mensagem dela que me fazia rir, um dia antes da prova ao sair da aula conversei com Andreza, e para variar um dos assuntos principais era o meu contato com a Paula.

– Então, vocês ainda estão se falando né?

– Aham, mas agora por mensagem, quase não tô usando o computador – respondi

– Vocês estão se falando por telefone já? – notei que Andreza parecia surpresa com essa notícia.

– É, porque?

– Caramba, ela sempre pergunta por você, e sempre fala bem, mas não sabia que ainda estavam se falando

– Estamos, gosto de falar com ela – falei sem perceber a cara de boba que fiz

– Camila, você é gay?

– OI? – falei assustada- Como assim? Não, não sou gay Andreza, que ideia é essa?

– É que tu não para de falar com a menina, quando fala dela faz cara de besta e agora eu entendi porque tu passou o dia rindo para o celular

– Não, lógico que não, e quem disse que era por ela que estava rindo?

– Porque tu acabou de fazer essa cara quando falou que gosta de falar com ela – ao ouvir isso fiquei pensando se era verdade até que Andreza termina o silencio que ficou – Ela é gay Camila

– Ela é gay? – fiquei mais surpresa ainda com tudo isso

– É, ela é gay e acho que tu está gostando dela, só não sabe ainda, ou não quer aceitar, já vou, meu pai já chegou e amanhã tem prova, até amanhã Cami!

– Até Andreza!

Voltei pra casa, ainda sem entender tudo que Andreza tinha me falado, ela era gay, mas o que eu mais pensava era, ela sempre pergunta de mim, eu não fazia ideia do que era tudo isso, não fazia ideia de porque gostava tanto dela, ou se era só de conversar com ela e a segunda opção era a melhor de aceitar, não respondi a sua última mensagem, passei o restante do dia estudando para a prova do dia seguinte e tentando me concentrar ao máximo nos números dos cálculos de matemática e não nas palavras da Andreza, quando deitei na cama senti meu celular vibrar, era ela..

“ ei, tá tudo bem?” “sim e vc?” “tudo, amanhã é a sua prova né? Boa sorte” “obrigada!” “que horas é a sua prova?” “só as nove e meia, porque?” “ah, eu queria te ver, desejar boa sorte” impossível não sorrir depois de ler isso, demorei um pouco pra responder, acho que li a mensagem algumas vezes para poder responder, “que horas é a sua aula? Se quiser passo ai antes”, depois de mandar senti uma coisa estranha no estômago, ela demorou pra responder, quando senti o celular vibrar com a mensagem não sabia muito bem se queria ler, tomei coragem e abri a mensagem, junto com ela abri um sorriso tão bobo que podia sentir, ela tinha respondido sim, me passou seu endereço, que ficava algumas quadras da minha casa, e marcamos o horário, definitivamente eu não sabia o que era tudo aquilo, só sabia que eu gostava de sentir o que ela fazia eu senti.

Acordei cedo, me arrumei, tomei café e logo sai para pegar o ônibus, sabia que devia descer em algumas paradas depois da minha casa, eu nem conseguia pensar na prova, só sentia aquela sensação no estômago voltar e ficar mais forte, desci na parada do endereço, fui no primeiro prédio, não era o dela, fui no segundo, que era bem na frente do primeiro, não era o nome do prédio que ela me mandou, perguntei para o porteiro se tinha por perto algum prédio com aquele nome e ele falou que não, agradeci e voltei para a parada de ônibus, tinha que chegar no colégio, no caminho só conseguia pensar que ela podia ter mandado o endereço errado, porque ela tinha feito aquilo? Eu não vi quem eu tanto queria ver e fui fazer a última prova do ano, ao chegar na sala sentei perto de algumas amigas e conversamos sobre as férias que iriam começar em algumas horas, no meio da conversa senti meu celular vibrar, meu coração só faltou sair pela bola, porque ela fazia isso ao ver o nome dela? “você nem veio, aconteceu algo?” “sim, eu fui, não achei o prédio que você falou” “mas eu estava na portaria, como você não acho?” “fui em dois prédios, nenhum era o que você deu o nome” “você não foi no certo” “fui no que fica no endereço que você mandou” “o meu fica ao lado da farmácia, na esquina da general” “não fui nesse, fui na esquina da Arturo” “hahahahahaha o meu é na outra esquina, onde você tá?” “vou fazer prova” “passa aqui depois” “na sua casa?” “sim, mas agora na esquina certa ok?” “tudo bem! Vou fazer a prova” ela ainda queria me ver, ela ainda queria eu lá, e eu queria também, queria poder olhar pra ela, vê se pessoalmente ia ser igual, fiz a prova, quando acabei fiquei um tempo ainda no colégio conversando com os meus amigos, me despedindo, era provável que eu fosse para um outro colégio, um melhor para me preparar pro vestibular de medicina, na verdade demorei porque queria consegui coragem, não fazia a mínima ideia de como ia ser ver ela pessoalmente pela primeira vez, quando me senti mais confiante mandei uma mensagem “só acabei a prova agora” e ela respondeu mais rápido que o normal “você tá vindo?” “na verdade ainda vou pegar o ônibus” “okay, desço em 10 minutos, vou esperar na portaria” “tudo bem!” “ei, não vai se perde tá?”

Eu estava indo, não sei o que eu estava fazendo na verdade, mas eu ia descobrir lá com ela, fiquei pensando em como ia ser, caramba ia ver ela pela primeira vez, será que ela ia gostar de mim? Será que eu ia conseguir falar como ela normalmente? O que a gente ia conversar, o ônibus ia se aproximando da casa dela e vejam só quem está de volta, sim essa coisa estranha que me estômago faz quando falo com ela, dessa vez veio acompanhando de um coração acelerado e mãos suadas, cheguei no ponto de ônibus, logo vi o real prédio dela, eu ia encontrar a menina que chegou do nada na minha vida e me deixava toda boba com as mensagens no celular, não sabia muito bem o que fazer, só continuei andando até a portaria, ao entrar no prédio vi só o porteiro, dei bom dia e quando ia pedir para ele anunciar que estava lá vi que a porto do elevador se abriu e dele saiu uma menina, um pouco mais baixa que eu, morena, de sorriso que eu nunca vi igual, não tive muita reação na verdade só senti minha bochecha ficar vermelha, ela logo percebeu que eu estava morrendo de vergonha, se aproximou de mim sorrindo e falou

– Você acertou o prédio!

– É agora não tinha como errar – falei ainda sem jeito

– Vem vamos subir – disse me puxando pelo braço para o elevador, seu apartamento era no sétimo andar, ela não parecia nenhum pouco envergonhada, acho que eu fiquei por nos duas, ao chegar no seu andar entramos, logo na sala estavam sua avó e sua mãe, acho que não tinha como ficar com mais vergonha depois disso, ela me apresentou rápido e seguimos para o quarto, ela logo foi puxando assunto, eu respondia com poucas palavras.

– Você tá com vergonha de mim?

– Não Paula, não estou com vergonha de você – falei tentando negar o óbvio

– Então porque você não me olha?

– Olho sim, já olhei para você várias vezes

Levantei da cama e segui para perto da janela, acho que estava com calor, mesmo sendo uma época onde o clima é mais tranquilo na nossa cidade, ela levantou e ficou ao meu lado na janela, me mostrou algumas coisas, me contou uma história de quando era menor até que ela voltou a me encarar, sentia que ela me olhava, ficamos em silencio por um momento.

– Você devia me olhar – falou sorrindo

– Eu estou olhando – respondi virando o meu rosto, de fato eu não conseguia olhar nos olhos dela, mas conseguia ver o sorriso que seu rosto tinha

– Olha nos meus olhos

Não sei como, acho que levantei um pouco meu olhar, quando percebi ela estava mais perto, sorrindo, até que fechou seus olhos, eu senti seus lábios, senti seu beijo, meus Deus ela me beijou, minha reação foi a de recuar, eu não sabia o que era tudo aquilo, uma parte da família dela estava na sala e ela me beijou no quarto, a poucos metros, depois de alguns minutos falei que tinha que ir, minha mãe devida está me esperando para almoçar, inventei isso pois quando chegasse em casa sabia que iria ficar só até de noite, ela concordou em me deixar ir, desceu comigo e me deixou na portaria, na despedida ganhei um abraço.

– Me avisa quando chegar em casa

– Tudo bem, Tchau Paula – respondi com um sorriso sem jeito e ganhei de volta o sorriso mais bonito do mundo.

Fui para casa, tinha tanta coisa na minha cabeça, ela me beijou, meu Deus ela me beijou, e eu gostei, a verdade que a minha cabeça estava uma completa bagunça, eu só queria chegar em casa, tomar um banho e dormir, dormir pra ver se as coisas ficavam melhores dentro da minha cabeça, dormir para tentar esquecer que eu tinha beijado a menina que iria mudar a minha vida para sempre.

Notas finais
Aquela janela sempre vai ser um bom lugar pra ver o mundo, eu ainda lembro daquela janela...