Notas iniciais
Olá mais uma vez pessoal, eu sei que demorei, mas eu estava muitissíssima apurada com trabalhos finais de semestre, maseu caprichei bastante para esse capítulo, é o último, eu espero que gostem, agradeço a todo o pessoal que fez o comentário como eu pedi, vocês vão encontrá-lo nessa última fase da fanfic. Quero agradecer de coração todos que leram, que tiraram um tempinho para comentar, por que gente vocês não fazem ideia do ânimo que dá ler um comentário, seja ele crítico, elogiando ou sugerindo... Então a todos o meu muito obrigada por lerem, pelo carinho nos comentários, jamais vou me esquecer de vocês, e me desculpem pela demora para postar cada capitulo.. Espero que aproveitem.. aí está.

*Lucy Heartfilia*

Que tipo de pergunta eu fiz? Ou melhor, o que eu afirmei ter dúvida? Amor? Por que nos apaixonamos por alguém? Por que amamos alguém? O que é o amor? Isso existe mesmo? Ou é apenas uma ilusão? Será que os contos de fadas estão certos? É possível achar o amor verdadeiro e viver feliz para sempre? Mas, de novo, o que é o amor?

Podemos perguntar para qualquer pessoa, ela sempre vai te olhar espantada com a pergunta como se fosse muito óbvio e depois vai se perguntar a mesma coisa tentando explicar o que é, ela vai olhar para o lado procurando o que ela mesma pensa sobre o amor.

Cada um pensa de uma maneira, cada um ama de uma maneira, mas eu cheguei a um ponto, que eu não sei mais o que isso significa, amar alguém, sentir isso por alguém, ou duas pessoas.

Gray, meu atual e recente namorado ficou espantado quando falei que não sabia mais o que era amor aos choros, você deve se perguntar por que ela está chorando? Tem dois caras que a amam, quem não quer isso? Erro seu, é uma das piores coisas da vida, magoar duas pessoas amadas ao mesmo tempo, não saber o que você quer, isso só gera dor e ressentimentos, confie em mim, você não quer isso!

Cá estou eu, em frente ao homem que fiz meu namorado declarando meus sentimentos, Gray Fullbuster, um homem que era frio, arrogante e incompreensível, mas depois de conhecê-lo melhor, ele se tornou meu amigo insubstituível, e depois de muitas confusões, meu namorado!

No momento, ele olhava em meus olhos, no fundo dos meus olhos, sem entender o que eu dizia, não o culpava, eu era a garota mais confusa que eu conhecia, em todos os sentidos.

_Lucy.. – ele dizia meu nome para começar uma conversa, chamado assim minha atenção. – O que quer dizer com isso?

Eu não sabia, por isso falei. Como explicar algo assim?

_Eu apenas não sei o que sinto... – falei em seus olhos negros e confusos. – Gray, o que é o amor pra você?

Ele arregalou os olhos, assim como todo mundo, olhou para o lado e suspirou.

_Não sei bem como explicar, mas é querer estar com você, querer fazê-la feliz, eu faria qualquer coisa pra isso. – Ele se afastou um pouco de mim e levantou suas mãos colocando-as nos meus ombros, assim me fez olhar atentamente nos seus olhos. – é o que eu aprendi com você!

Eu suspirei, e chorei de novo, como posso pensar em magoá-lo? Natsu, me desculpe, mas eu não posso fazer isso!

Eu abracei Gray e fiquei um tempo assim, só soluçando no peito dele, passou alguns instantes e eu percebi que estava na hora de ir pra cama, ou falar com alguém que eu ainda não tinha conversado, mas eu sei que me ajudaria.

Me despedi do rapaz de cabelos e olhos negros e fui para os dormitórios femininos, bati na porta e ouvi uma voz doce e calma dizer, “espere”.

Esperei, e escutei alguém caindo do lado de dentro e em seguida, Levy abre a porta e sorri ao me ver, seus cabelos como sempre azuis claros arrepiados, uma rebeldia incurável, mas algo estava diferente aquela noite, ela exibia um sorriso deslumbrante, e depois que eu fui notar que ela estava de roupão e pantufinha cor de rosa. Eu fiquei envergonhada no mesmo instante.

_Ah meu Deus Levy, eu sinto muito, eu atrapalhei alguma coisa? Ah..

Levy corou da ponta dos dedos até a testa em questão de segundos.

_Não seja idiota, o Gajeel e eu não temos nada pra você pensar algo assim.. – ela falou corada e brava.

_Ah, mas eu estava me desculpando por fazer você sair do banho.

Levy me olhou por alguns instantes com os olhos estralados e a bochecha mais corada ainda.

_Hahahahahahahahahaha! – ela riu e eu ri junto.

_Entre. – ela me deu espaço para passar, seu quarto estava uma bagunça, fiquei surpresa, pensei que Levy fosse organizada. – Por favor, não repare na bagunça, eu estou num momento de crise.

Olhei mais atentamente para o lugar, as portas do armário estavam abertas com algumas roupas que ainda permaneciam nele intactas nos cabides, as gavetas abertas mostrando todos seus conjuntos de roupas íntimas, no chão havia muitas peças de roupas jogadas como se ela tivesse as descartado, na cama a mesma coisa, num canto haviam alguns estojos de maquiagem, e na mesa de estudos dela, para o meu maior espanto, ao in vez de livros, repousavam várias revistas de moda abertas ao meio e algumas páginas arrancadas grudadas na parede.

_Levy, você está bem? – perguntei olhando das revistas para ela, e depois olhei para as roupas no chão e novamente para ela e depois para os estojos de maquiagem e novamente para ela.

_Ahhhh, não! – ela desabafou, depois caiu de joelhos no chão com as mãos no rosto.

_O que houve? – fui correndo para junto dela. Ela me olhou com os olhos pidão.

_Preciso da sua ajuda! – ela me agarrou pelo ombro.

_Levy? Você tem um encontro? – ela ficou pálida e depois voltou a ficar vermelha. – Hahaha, ok, vamos lá!

Puxei ela pela mão e a sentei na cama, ela ficou um pouco espantada, mas sorriu.

_Vamos começar pela maquiagem. – ela sorriu mais ainda.

_Obrigada Lucy! – ela falou toda meiga, como não sorrir de volta?

Peguei seu estojo de maquiagem, e escolhi usar o prata, ia dar um tom mais puro a nossa pequena. O pó prata se espalhou com perfeição pela parte superior dos seus olhos, peguei o rímel e passei nos cílios, um pouco de blush leve nas suas bochechas e um batom rosinha bem claro. Ela estava linda!

_Antes de você se olhar no espelho, deixe-me terminar. – falei para ela que estava se esticando para se ver no espelho atrás de mim.

Peguei uma escova de cabelo, escovei seus fios azuis, fiz uma prancha e coloquei uma tiara prata em seu cabelo, ela ficou linda.

_Posso olhar agora? – ela perguntou. Decidi ser malvada.

_Não, vai esperar ficar pronta agora. – olhei para os lados, fui até o banheiro, peguei um creme de menta e dei para ela passar no corpo, ela ficou um pouco corada, mas foi até o banheiro e demorou uns dez minutos, depois saiu com uma carinha muito fofa, eu olhei para ela e sorri. – agora vamos escolher sua roupa.

_Íntima? – ela se espantou.

_Não, a não ser que você pensa em...

_Não é claro que não. – ela balançou as mãos bem rápido.

_Então, vamos escolher uma roupa de cima ok? Hahahaha – sorri pra ela.

Fui ate o seu guarda roupa e fui fuçando, até achar um vestido lindo em prata com pequenos detalhes em azul, mostrei a ela e ela ficou com medo.

_O que foi? – perguntei.

_É que esse vestido, eu ganhei dele. – ela olhou pra baixo envergonhada.

_Ok? E por que você não poderia usar? – levantei a sobrancelha.

_E se ele não achar bom eu usá-lo? – ela me olhou desesperada, coitadinha da Levy, nunca teve um encontro e agora que ia sair com o cara que gostava, não sabia como agir. Tão Erza.

_Ok amiga, você vai sair com o Gajeel não é? – perguntei, ela afirmou com a cabeça. – Aposto que ele também está nervoso tentando se ajeitar. – Falei isso mas era capaz dele estar dormindo e se arrumar nos últimos cinco minutos faltando. – então você precisa dar coragem a ele quando ele te ver, vista isso e mostre pra ele o quanto você esta disposta a fazer dar certo.

_Ok, obrigada Lucy, obrigada mesmo por bater na minha porta hoje.- ela sorriu e começou a se vestir, enquanto isso fui procurar um sapato.

_Ah Lucy? – Levy me chamou ajeitando o vestido melhor nos seus ombros. – O que você veio fazer aqui? Acho que você não adivinhou que eu estava com problemas certo?

Suspirei ao lembrar o motivo de ter vindo visitá-la. Olhei para ela, vi ela lutando para deixar uma parte do tecido do vestido em seu ombro, fui até ela e a ajudei. O vestido da minha amiga ficou lindo nela, Gajeel tinha bom gosto, tanto para roupas femininas quanto para garotas, Levy sempre gostou dele, mesmo não admitindo, ele a chateava, mas era para chamar a sua atenção, e ela dizia que odiava o rockeiro, mas no fundo ela sabia que o sentimento era o oposto, e hoje aqui está ela, de princesa, para encontrar seu príncipe de moto preta.

_Lucy? – Levy chamou minha atenção, então me dei conta que eu estava sorrindo sozinha.

_Você está linda! – elogiei a menina. Ela sorriu e me abraçou.

_O que houve Lu-chan? – disse com a voz mais doce que eu já ouvira.

Eu não queria estragar sua noite contando dos meus problemas, então só pedi o que me veio a cabeça.

_O que é o amor pra você Levy? – perguntei a ela. Ela ficou séria, mas em seguida sorriu.

_Você quer que eu diga o que vários escritores disseram sobre isso, ou que uma amiga diria para a outra? – pediu.

_O que você acha. – expliquei.

_Bem, eu espero descobrir isso com o Gajeel. – ela disse corada. – Pra mim, é amar uma pessoa com seus defeitos e qualidades, é você aceitar a pessoa como ela é, mesmo sendo o seu oposto, e depois aprender a gostar do que ela gosta pra compartilhar disso com ela... acho que pra mim por enquanto é isso... mas eu sei que é como um iceberg, nós sabemos apenas o conteúdo da superfície, mas depois que conhecemos nossa alma gêmea, nós mergulhamos e descobrimos o grande pedaço submerso.

Sorri para Levy, sorri verdadeiramente, a explicação da baixinha foi muito profunda, ela amava Gajeel e eu tenho certeza que ele também a ama, os dois merecem ser felizes.

_Obrigada Levy! – eu me levantei e fui até a porta. – Tenha uma boa noite, e boa sorte.

_Pode deixar e obrigada de novo! – ela sorriu e foi colocar os sapatos que eu havia separado.

Sai de lá, e fui seguindo o rumo em direção ao meu quarto. Entrei e deitei na cama, olhei para o teto e vi fotos minhas com meus amigos que havia grudado lá em cima. Havia dezenas, mas uma em particular me chamava a atenção, uma que eu estava com o Natsu quando era pequena, estávamos brincando no escritório do papai, foi no dia da festa das bodas deles, nós sumimos e eles ficaram horas nos procurando. Foi divertido, eu e ele fingimos ser uma princesa e um dragão naquela noite, e ele jurou me proteger de todos. Quando nos encontraram, estávamos dentro do armário de documentos do meu pai, eles tiraram uma foto nossa.

Eu virei para o lado e minha visão parou perante a minha gaveta de cartas, eu nunca mais escrevi pra ninguém, mas pra quem eu pediria ajuda? Não tinha ninguém para escrever. Eu só queria que essa confusão passasse logo e eu pudesse me concentrar no livro que eu estava escrevendo. Fechei os olhos e adormeci.

TRIM TRIM TRIM. Abri meus olhos ao ouvir esse som, eu sabia do que se tratava, aula.

Levantei, fui para o banheiro, fiz minhas necessidades, tomei um relaxante banho, me arrumei com o básico, calça jeans, camiseta preta com apenas uma estampa de chave dourada do signo de leão, all star preto e um belo rabo de cavalo, pronta peguei meus materiais e sai do meu quarto.

Ao abrir a porta dou de cara com uma ruiva nervosa.

_Erza? – chamei sua atenção. – o que você esta fazendo aqui?

_Ah loirinha, estou em apuros. – ela disse muito dramática.

_O que aconteceu? – perguntei preocupada.

_Jellal, ele... – ela falava com dificuldade. – ele... ah meu Deus Lucy... ele...

_Ele está bem? – perguntei de novo. – Pelo o amor de Deus Erza, fale logo.

_Eu me Jellal namoro pediu. – ela falou.

_Certo. – respirei. – O que?

_Você me ouviu. – ela disse nervosa e virou o rosto.

_Sim eu ouvi, mas não entendi nada. – falei ficando brava. – Será que você poderia repetir por gentileza, dessa vez calma.

_Lucy, sabe que é difícil pra mim falar algo assim e pede pra mim repetir? Caramba. – ela me olhou, ela estava totalmente fora de si, o que houve entre ela e o Jellal noite passada.

_Aé, como foi o encontro de ontem? – pedi tentando mudar de assunto.

_Lucy, você não prestou tenção no que eu acabei de dizer, falei que o Jellal me pediu em namoro ontem a noite. – ela desabafou.

_Finalmente! – eu ergui minhas mãos em sinal de aleluia.

_O que? – Erza me olhou espantada.

_Finalmente você se acalmou e conseguiu me dizer. – expliquei. – Agora venha comigo e me conte melhor.

Andamos e ela me foi me contando toda faceira.

_.. Nós jantamos pizza haha, e fomos andar na praça e lá ficamos olhando os outros casais, quando do nada ele pega na minha mão.. – dizendo isso ela segurou sua mão com sua outra mão e fechou os olhos como se lembra-se da sensação. — .. e assim ele me olhou nos olhos e disse que sua família nunca ficaria entre seu verdadeiro amor, que não importava quantas mulheres fossem colocadas em seu caminho, ele jamais iria desviar do rumo que levava a mim, que eu era seu final feliz... – ela disse sorrindo. — .. então eu fiquei sem palavras, e com isso ele se aproximou mais, sua mão direita segurou delicadamente meu rosto, a outra mão ele segurou na minha mão entrelaçando nossos dedos e assim nós.. – ela parou.

_Vocês? – pedi ansiosa.

_Nós escorregamos e rolamos na grama, ele ficou por cima de mim, só a luz da lua iluminava aquele lugar, eu não consegui me segurar, comecei a chorar, falei a ele que eu tinha medo de perdê-lo, de nunca mais ver ele por causa da minha família, mas ele secou minhas lagrimas e disse baixinho que me amava e desse jeito nós conseguiríamos passar por qualquer coisa, então eu segurei seu rosto com minhas mãos e juntos nos aproximamos, e assim nós finalmente nos beijamos... – ela estava vermelha. – e depois ele me ajudou a levantar e disse que queria namorar comigo, eu só o beijei de novo como resposta e assim ele me trouxe pra escola, me deixou na porta do meu quarto como um verdadeiro cavalheiro.

Eu sorri, finalmente esses dois se acertaram.

_Parabéns Erza! – eu disse a ela. Ela me olhou e me abraçou.

_Eu que tenho que agradecer por você me dar forças todo esse tempo, e agora que as nossas famílias vão cair matando em cima de nós, preciso ainda mais de você! – ela confessou.

_Sabe que estarei aqui para o que você precisar não é? – lembrei a ela.

Erza sorriu.

_E você como está? – droga, por que ela tinha que pedir uma coisa dessas?

_Estou bem. – falei. Assim que olhei nos olhos dela, vi a preocupação e a desconfiança em seus olhos, não adiantava, jamais conseguiria esconder algo dessa ruiva demoníaca. – Erza, o que é o amor pra você?

Ela se espantou com a minha pergunta, mas respondeu com os braços cruzados, olhos fechados e dedo indicador levantado, como uma professora de classe explicaria um conteúdo para seus alunos.

_"Amor...é quando você se pega pensando na pessoa sem perceber...é quando seus pensamentos se resumem em um rosto e em vários momentos que teve com essa pessoa...é quando você sonha acordada com a pessoa...Amar é sorrir apenas ao ver o sorriso do outro...Amor é quando seu coração dispara e sua respiração acelera apenas com um simples toque...Amor é quando com apenas um olhar suas pernas amolecem...apenas ouvindo a voz do outro a felicidade te invade, é quando você quer estar sempre com a pessoa e, quando não esta perto, anseia pela hora que estará...É quando você imagina um futuro inteiro junto da pessoa,...mas, acima de tudo, deseja apenas a felicidade do outro, mesmo que ela não seja alcançada ao seu lado...amor é fazer de tudo para poder ver o sorriso da pessoa não importando as circunstancias" – Disse Erza Scarlet, a minha melhor amiga.

Eu não consegui disfarçar o choro, apenas abracei minha irmã com toda a força e sentimento que tinha por ela, o que eu faria?

_Vejo que você precisa de mais sorvete Lucy! – ela disse, e assim chorei ainda mais no seu ombro.

Ela levantou sua mão direita e secou minhas lágrimas, e assim eu me afastei da mesma.

_Desculpe Erza..

_Não ouse se desculpar garota. – Fui interrompida. – A dor que você sente, é forte, mas você precisa transformar essa dor em força num momento como esse, e não diga nunca que você é fraca, sei que está pensando nisso, mas você não é, suportou muita dor ultimamente e ainda por cima deu conselhos a muitas pessoas, e ajudou muitos também, você fica mal quando magoa alguém mesmo depois de lutar tanto para fazê-la feliz, sei como se sente, você deixaria sua felicidade de lado por alguém que ama. Eu admiro isso em você loira, e aposto que todos os nossos amigos acham isso, então se você sente amor por duas pessoas, elas deviam se sentirem honradas por você sentir ago tão especial por elas, e não se culpe, amar alguém as vezes se torna doloroso, eu imagino amando duas, mas o que você precisa agora, é deixar essa dor fluir e dar espaço para a força entrar, a força que você precisa para encarar essa situação de frente, como a Lucy sempre enfrentou!

Meus olhos já não choravam, eu também não falei nada, apenas sorri e aceitei a lição da minha professora sentimental. Eu me virei de costas para ela.

_Eu vou para minha sala agora! – fui andando. – Nos vemos mais tarde Scarlet.

Eu não tinha argumentos contra Erza, ela simplesmente me falou tudo o que eu tinha que ouvir e mais um pouco. Obrigada ruiva.

Chegando na sala, vi Levy rodeada de garotas rindo, fiquei curiosa e me aproximei.

_Então baixinha como foi a noite? Ele te agarrou? Hahahahahha. – todas as garotas riram com a menina.

_Vejo que uma palhaça ganha um público ruim quando a piada é péssima!- falei alto.

Todas param de rir e quando viram que era eu, se afastaram, não que eu fosse grande e assustadora, mas me respeitavam, por algum motivo, talvez, só talvez, por que eu fosse amiga de uma tal de Scarlet.

Me aproximei de Levy e vi seus olhos lacrimejando. Coloquei a minha mão em seu ombro e ela olhou para mim agradecida.

Sentei na cadeira da mesa ao seu lado, sorri pra ela e o professor entrou.

_Boas notícias turminha, consegui um contrato com uma editora para o nosso fabuloso TCC. – o Macarov falou todo animado.

_Ah professor? – disse a menina que estava falando besteiras da Levy antes. – Mas nós estamos nas fases primárias ainda.

_E por isso vocês não podem ir fazendo um bom TCC? – o professor pediu sarcasticamente a garota. Ela aceitou e ficou quieta. – Então, o TCC será diferente de todos que já fizeram ou viram, vamos publicar um livro, com muitos contos, mais especificamente, um conto de cada um dessa turma.

Meus olhos brilharam e os Levy também.

_Pode ser de qualquer gênero? – perguntei.

_Sim Sra. Heartfilia. Qualquer gênero. – ele sorriu.

Sorri ainda mais, isso era uma grande chance pra mim.

Quando a aula terminou, depois que de passar horas ouvindo as regras do TCC, Levy se levantou, mas eu a segurei pelo braço. As outras garotas saíram então aproveitei a oportunidade.

_E aí, como foi? – perguntei a ela. Ela ficou vermelha e sorriu.

_Ele disse que eu estava linda e nunca tinha acertado tanto em comprar um presente para alguém. – fiquei feliz por ela. – e depois nós jantamos e depois ele me levou na praça...

_Na praça? – perguntei. Puxa aquele lugar é um cúpido.

_Sim, porque? – ela pediu.

_Nada não, continue.

_Enfim, ele disse que se era para aprender sobre literatura e coisas de nerd, ele queria que eu fosse a sua professora para sempre, eu apenas sorri e ele me beijou. Depois disso, me pediu em namoro e disse que ia me ensinar a tocar guitarra hahahahha.

Eu sorri, outro casal lindo e feliz.

_Fico feliz Levy, muito feliz. – eu disse sorrindo.

Assim, com o sorriso dela na minha lembrança, eu fui em direção a saída, e lá fui atacada por um tufo de cabelo laranja.

_Meu Deus mulher do céu, que dificuldade que é falar com você nesse lugar, finalmente te achei guria. – quando ela parou de falar, eu me lembrei da sua voz e reconheci a louca da minha prima Luiza.

_O que você esta fazendo aqui?- perguntei a ela que saia de cima de mim.

_O de sempre, caçando sapos. – ela disse me olhando com cara “ pare de ser loira”. – é óbvio né linda, vim ver como você está, mas infelizmente falei com trocentas pessoas diferentes que sabem da sua vida, menos você flor.

_Desculpe, se você tivesse me avisado que vinha, eu teria te informado onde me encontrar. – me expliquei.

_Ai ai, mas enfim, deixe quieto, vamos conversar. – ela me arrastou pelos corredores.

Quando passamos pelo hall de entrada, vi ao longe numa mesa, Gray e Natsu conversando. Fiquei extremamente preocupada, quis ir lá imediatamente, mas Luiza me puxou.

_Deixe eles conversarem, eles precisam. – ela me olhou séria. Como ela sabia disso.

_Hey, com quem você conversou aqui? – perguntei curiosa.

_Com o seu atual namorado e o seu verdadeiro amor. – ela disse sínica.

_O que você conversou com eles? – perguntei enquanto ela me puxava colina a cima.

_Sente-se. – ela sentou onde eu sempre sentei com Natsu, me sentei ao lado dela e esperei. – Lucy, me fale com você está se sentindo. Eu ouvi tanta coisa sobre você desde ontem, a escola inteira está falando sobre o grande triângulo amoroso, minha filha, onde você se meteu?

_Luiza, eu nem sei por começar. – confessei.

_Poupe-me dos detalhes, sei que ama o cabeça de chiclete desde pequena, e que ele foi viajar, deixando assim você nos cuidados de um sorvete, que por sinal é muito frio pra você.. – fui tentar defender Gray, ele havia mudado, mas ela não me deixou enfiando a mão na minha boca. Franzi o cenho e deixei-a continuar. – vocês se apaixonaram e tals, mas me diga o que você está sentindo, por eles eu já sei, os dois estão dispostos a lutar por você, mas por quem você está disposta a lutar?

Pergunta difícil e a que eu venho me fazendo desde a volta de Natsu.

_É verdade que sempre amei Natsu, e ainda o amo, mas o Gray é como se fosse um alguém que eu precise continuar amando, para ele não voltar a ser gelo e se quebrar de vez. – tentei explicar, eu só recebi um olhar totalmente confuso dela. – Luiza, o que e o amor pra você?

_Pra mim o amor é uma coisa extinta da sociedade atual! – Ela disse seca e olhando para o horizonte, fiquei espantada, o que eu havia acontecido com ela para pensar assim. Mas então ela me olhou e sorriu. – Mas quando olho pra você e para o Natsu, vejo o verdadeiro amor, é algo que eu ainda quero ter um dia, por isso não quero que você de distraia, você é minha esperança Lu, de que o amor ainda pode acontecer.

Eu baixei a cabeça, eu sempre cuidei de Luiza, desde pequena, ela também já perdeu seus pais e sabe como me sinto, mas não quero que o pensamento de amor dela seja baseado em mim, pois eu sou uma grande decepção.

_Por favor Luiza, não faça isso, não me coloque num cargo tão importante, não deixe-me ser a sua inspiração para o amor. Por favor! – eu pedi a ela, que me olhou espantada e depois riu.

_Hahahaha, Lu Lu, não se preocupe, sei que você vai seguir o caminho certo, agora deixe-me dar um abraço em você, preciso ir, vim ver como você está e reservar minha vaga aqui na Fairy Tail, vou vir ano que vem pra cá te incomodar.

_Que bom Luiza! – sorri, vai ser ótimo tê-la por aqui.

_Tchau Loirinha! – ela abanou pra mim e desceu a colina.

Fiquei um tempo olhando o horizonte, refletindo sobre tudo, me levantei e tomei uma decisão, eu ia falar com o Natsu e o Gray.

Entrei no Hall de entrada e olhei para as mesas que eles estavam antes, mas agora se encontravam vazias, liguei para o celular da Erza, ela atendeu, pedi se ela sabia onde os meninos estavam, ela disse que o Jellal convidou os dois e mais o Gajeel para uma noite de garotos, eles tinham ido para a casa dele.

Decidi deixar eles sozinhos, era melhor deixá-los ter um dia longe de mim.

Olhei no relógio, era hora do almoço, fui pro meu quarto preparar alguma coisa, e encontro Juvia no caminho, a menina parecia meio perdida.

_Juvia? – a chamei, ela me olhou e veio correndo em minha direção.

_Lucy, que bom que te achei, eu te procurei por tudo, aconteceu algo terrível. – ela desabafou.

_O que aconteceu? – perguntei preocupada.

_Os garotos estavam indo de carro para a casa do Jellal e um caminhão bateu neles, estão todos no hospital. – ela falou entre lágrimas.

Fiquei em choque, meu Deus, Natsu, Gray, Jellal e Gajeel estão no hospital? Eu me peguei largando todos os meus materiais no chão do corredor mesmo e corri para as escadas, eu precisava vê-los o mais breve possível!

_Lucy?! – ouvi a voz de Juvia me chamando, mas eu nem liguei, eu queria vê-los. Todos eles.

Correndo passei por muitos alunos, me bati em alguns deles, mas eu não estava nem aí, queria correr mais rápido.

Cheguei ao hall, sai correndo e vi um Táxi bem próximo, fui até ele e disse pra ele ir o mais rápido possível para o hospital.

Ele acelerou, e lá estava pensando no bem estar deles, tomara que estejam bem, não aguentaria mais uma perda e nem as meninas.

_Chegamos moça, são trinta e cinco reais. – o motorista cobrou.

_Ah.. eu estou sem minha carteira, droga. – reclamei e olhei para a cara furiosa do taxista.

_Vai ter...

_Eu pago pra ela. – o motorista recebeu o dinheiro das mãos de Erza.

_Obrigada! – agradeci e juntas entramos no hospital.

_Onde está Jellal Fernandes? – Erza já foi pedindo o quarto do namorado para a recepcionista.

_É parente dele? – a morena perguntou.

_Namorada. – respondeu Erza impaciente.

_Sobrenome, por favor. – a morena voltou a pedir uma identificação. A fumaça que a ruiva soltou do nariz foi horripilante.

_Scarlet! – respondeu bufando.

_Desculpe, mas você não pode entrar, regras da família Fernandes. – a morena não tinha amor a vida mesmo.

Erza franziu o cenho e pediu calmamente a recepcionista.

_Qual é o numero do quarto do meu namorado? – a morena ia dizer algo, mas um som de sapatos de salto alto foi ficando mais nítido no corredor que vinha dos quartos.

_Tinha que ser o sangue daquela família imunda pra fazer um barraco desses. – assim que a dona da voz arrogante feminina apareceu, eu e Erza ficamos olhando bem pra achar a mulher, pois nunca tinha visto tantas joias penduradas em um só pescoço, e sua roupa parecia uma cortina de tão enfeitada e comprida que era.

_Minha senhora, estamos no século vinte e um sabia? – Erza disse a madame.

_Poupe-me de ouvir sua voz, Scarlet! – disse a mulher. – Meu filho só pode estar doente mentalmente para querer se envolver com uma criatura como você, ou você está louca por achar que ele a chamaria de namorada.

_Agora eu sei por que ele nunca falou sobre você! – disse Scarlet para a senhora Fernandes. – ele tinha vergonha da sogra que eu ia ter.

_Escuta aqui sua... – a mulher veio com a mão erguida pra cima da ruiva, e a moça do caixa estava totalmente sem reação. Era uma cena um tanto engraçada.

_Escuta aqui você minha senhora, tudo bem que foi você, infelizmente que colocou Jellal no mundo, mas ele tem o direito de escolher quem ele vai amar, e não você! – Erza ergueu a voz. – e além do mais, você não vai ficar entre mim e o seu filho Sra Fernandes!

Sorri ao ver Erza enfrentando o seu obstáculo. Ela ia se virar sozinha, então aproveitei para pedir para a mulher da recepção o número do quarto do Natsu!

_É o trezentos e nove, fica no terceiro andar. – ela me informou.

Estranhei ela não pedir quem eu era, mas melhor assim, fui ate lá. Subi pelo elevador e cheguei ao terceiro andar, fui contando e achei a porta do quarto de Natsu, o senhor Igneel já estava lá.

_Olá Lucy, que bom vê-la. – ele me abraçou e assim que olhei para a cama, vi Natsu todo machucado, não consegui conter as minhas lágrimas, havia muito sangue ali, eu cheguei perto dele e peguei em sua mão com muita delicadeza para não machucá-lo ainda mais. – ele ainda não acordou, disseram que ele quebrou algumas costelas e a perna, ele estava no banco de trás com o rapaz Fullbuster.

_Você sabe como está o Gray? – perguntei.

_Não. – olhei para Natsu preocupada. – desculpe.

_Tudo bem, vou vê-lo. – Natsu fique bem logo, por favor. – Obrigada por me deixar vê-lo Sr Igneel.

_Imagina, volte, ele gosta muito de você, vai ficar feliz quando acordar e saber que você veio. – o pai de Natsu era muito gentil, eu com certeza iria voltar para ver o seu filho.

Sai do quarto e procurei entre eles o quarto de Gray, eu não me lembrei de pedir qual era para a moça da recepção. Fiquei muito ansiosa para ver o Natsu.

Mais pra frente, vi uma enfermeira saindo de um quarto, corri para ela.

_Com licença, você poderia me informar o quarto do Sr. Fullbuster? – pedi educadamente.

_É esse mesmo, acabei de vê-lo. – ela indica a porta que ela tinha saído.

_Como ele está? – pedi a ela.

_Nada bem senhorita, nada bem. – ela responde com pesar.

Eu fiquei receosa, mas entrei no quarto, quando vi o seu estado, eu quase desmaiei, ele estava todo enfaixado, e havia muito sangue em direção do seu peito, seus braços pareciam quebrados, e suas pernas tinham muitos cortes.

_Meu Deus. – me aproximei chorando. – Gray.. o que aconteceu com você?

Fiquei ao seu lado até o anoitecer, quando o médico entrou para ver como ele estava, assim me tocou pra casa, e disse que eu podia voltar amanhã.

Fui para Fairy Tail, quando cheguei no meu quarto fui direto para o banho, demorei, pois eu precisa aliviar todo o meu stress do dia. Após isso, fui para a cozinha e me deu fome quando lembrei que estava sem almoçar, preparei algo rápido, e fui dormir.

Quando tocou o despertador, eu quase caí da cama, me arrumei e saí, eu não iria para a aula hoje, fui em direção ao hospital, peguei um táxi, o motorista era o mesmo de ontem e antes de ir ele pediu se eu tinha a carteira, eu confirmei, e assim cheguei ao hospital.

Todos os nossos amigos já estavam lá sentados na recepção, eu cumprimentei vagamente eles, fui direto ao terceiro andar, entrei no quarto de Natsu, ele estava acordado, e ao me ver entrar, sorriu.

_Loirinha! – ele me chamou com dificuldade.

_Como você está? – pedi.

_Doído. Mas vivo! – ele sorriu. Eu comecei a chorar ao vê-lo feliz em me ver. – tudo bem Lucy, venha aqui.

Eu sentei devagar ao lado dele, e assim ele me abraçou.

_Obrigada! – ouvi o som de sua voz calma. – eu fiquei feliz quando o meu pai disse hoje cedo que você veio me ver ontem.

_O mínimo que eu podia fazer. – respondi.

_Lucy, eu queria te falar uma coisa. – eu me levantei e olhei pra ele. – desculpe ter tornado tudo tão complicado, eu me sinto um cara muito covarde por não ter revelado o que eu sentia por você, e anda sinto, você deixou cada lembrança minha mais feliz, só de lembrar que a cada momento importante pra mim você estava lá, eu me apaixono mais ainda por você!

_Natsu...

_Lucy. – Natsu chamou minha atenção. – Gray disse que você estava confusa sobre o que é o amor. Bem. Amor é algo indescritível, ainda mais se for em uma frase apenas, mas eu não vou falar apenas uma hehe, é muito mais do que apenas falar que ama uma pessoa, sabe aquela sensação que você tem de proteger algo a todo custo, de se preocupar com uma pessoa muito mais do que com você mesmo, simplesmente parar e se pegar pensando involuntariamente na pessoa e em um futuro que nem você nunca tinha imaginado antes, então, isso é amor e o que eu falei agora é apenas uma pequena parte pra explicar algo tão complexo como o amor.

Olhei em seus olhos, e sorri como uma menina apaixonada.

_Eu vejo amor quando olho pra você minha loirinha. – ele sorriu, e assim eu soube o quanto ainda amava aquele garoto. Fiquei sorrindo e olhando ele até ouvir uns bips frenéticos.

Olhei para o sistema que estava controlando os batimentos dele e vi tudo desfigurado. Olhei para Natsu e ele estava com muita dor, eu corri para fora para chamar um médico, e assim vieram rápido, me tocando para fora da sala.

Fiquei do lado de fora do vidro olhando ele gritar e agonizar de tanta dor, olhei para os médicos os amaldiçoando que não faziam nada, eles também estavam desesperados, os bips começaram a acelerar ainda mais, olhei para Natsu novamente, ele estava olhando para mim, e por um instante sorriu e disse algo que eu traduzi com os gesto labiais.

“Eu te amo”!

E assim os bips pararam, e seu olhar parou em mim, meu mundo parecia ter ficado mudo, zumbidos ao longe indicavam que os médicos tentavam reanimar o corpo do garoto, mas ele não respondia, não tive forças para desviar o meu olhar dos seus olhos sem vida que ainda caíam sobre mim, coloquei minha mão no vidro chamando seu nome, mas nem mesmo eu conseguia ouvir minha voz, ele não se movia, não me respondia, por que Natsu? Me responde, você sempre me respondeu.

_NAAAAAAAAAAAAATSUUUUU! – Eu gritei seu nome o mais forte e alto que eu podia para ele me ouvir, mas ele não me respondeu. – Natsu, por favor me responda, diga alguma coisa.

Os médicos saíram do quarto e tentaram me segurar me dizendo para não fazer barulho.

_Me solta... – eu me soltei deles e entrei no quarto. – Natsu, por favor. — toquei sua mão e comecei a chorar ainda mais. O calor do meu amigo havia ido embora junto com sua alma.

Os médicos me seguraram e me levaram para a recepção, eu não ouvia mais nada, apenas sentia o frio do corpo sem vida de Natsu na minha mão e seus olhos sem brilho me olhando.

Chegando perto dos meus amigos, eles falavam comigo, provavelmente pediam o que tinha acontecido, eu ignorei todos eles e saí do hospital, fui para a colina da Fairy Tail e sentei lá.

Parecia que o cheiro do Natsu estava ali, que ele não havia ido embora, meu Deus perdi o homem que eu amava, nunca mais poderei dizer a ele o que eu sinto, nunca mais.

Fiquei ali por horas, então fui para o meu quarto, ouvi meu celular tocando.

_Gray? – era o número dele. – Alô?

_É a Srta. Lucy? – Uma voz desconhecida respondeu.

_Sim, quem está falando? – pedi.

_É Dr. Cristian do Hospital onde o Sr. Fulbuster está internado. – explicou ele.

_Óh, o que houve? Ele está bem? – perguntei.

_Ele ainda não acordou, está em estado muito grave Srta. Lucy. – a voz dele deixava claro que o Gray estava muito mal, meu Deus, por que isso estava acontecendo? Eu tinha que voltar lá para vê-lo. – Ligamos para esse número pois era o único que estava na lista de contatos de emergência, nós gostaríamos que a Srta. Lucy viesse até o hospital para explicarmos o estado do Sr. Fullbuster. A Srta. Poderia vir?

_Sim é claro, já estou a caminho. – falando isso, ele encerrou a ligação. Eu parei por um instante e sentei na minha cama, olhei para cima, e vi as fotos da turma, as fotos que eu tirei com o Natsu e as que eu tirei com o Gray, todas pareciam muito distantes agora, como se esse tempo de felicidade havia acabado pra mim e para eles.

Eu levantei e sai do quarto, eu não queria conversar com ninguém, só segui meu caminho até as escadas, lá encontrei uma parte da turma de Natsu, eles começaram a cochichar, eu apenas passei sem dar bola, não precisa de mais gente me lembrando que perdi meu melhor amigo para sempre.

O que eu estava fazendo afinal das contas? Voltando ao local que o vi pela ultima vez? Aquele lugar só me trazia lembranças ruins, mas o que eu poderia fazer? Gray precisava de mim por perto, e ele estava em estado grave, eu comecei a correr, corri pelo hall de entrada, saí correndo na chuva mesmo, não havia nenhum carro táxi por perto, amaldiçoei eles, mas segui em frente, corri tentando achar alguém, mas ninguém para me dar carona, segui em frente correndo mais rápido, passei minutos desse jeito, até chegar em frente do hospital, entrei e corri escada a cima, cheguei ao terceiro andar e vi a sala onde Natsu estava aberta, passei por ela, e vi Igneel lá dentro olhando para a cama. Olhei para ele, até ele me notar, quando isso aconteceu ele começou a chorar e veio me abraçar.

_Obrigada! – eu não estava entendo o por que ele agradecia, eu causei tanta dor ao seu filho. – obrigada por estar com ele no fim.

Ouvi aquilo foi como ver Natsu sorrindo na hora da sua morte, eu não consegui conter a dor e a necessidade de derramar mais lágrimas, meu olhos ardiam, Igneel me abraçou mais forte.

_Lucy, eu te agradeço muito por tudo. – ele me soltou e estava indo embora quando parou e olhou para trás. – Eu estava me esquecendo, Natsu pretendia dar isso a você, um dia.

Ele me entregou um anel prata na mão que estava pendurado numa corrente.

_Ele nunca tirou do pescoço desde que ganhou. – Igneel explicou e com um sorriso desanimado começou a andar em direção as escadas e assim sumindo da minha visão.

Olhei mais atentamente para o anel, e dentro estava escrito, “Jude Hearfilia – Meu amor verdadeiro”, era o anel de compromisso da minha mãe, ela devia ter dado a Natsu e ele guardou esse tempo todo pra me dar?

Eu escorreguei me ajoelhando no chão do corredor frio, olhei para o anel e mais lágrimas vieram, tudo o que eu conseguia ver era Natsu com esse anel no pescoço esperando a hora pra me dar, a hora de dizer que me amava, a hora que ele me disse adeus.

_Srta, não pode ficar aqui no meio do corredor chorando, pode incomodar os outros pacientes. – um médico colocou a mão no meu ombro. Olhei para ele.

_Desculpe Dr, eu vim ver um amigo e acabei deixando me levar. – me levantei limpando meu rosto.

_Você seria a Srta. Lucy? – ele pediu.

_Sim. – ele sorriu.

_Ótimo, venha comigo. – ele virou as costas e entrou numa outra sala. Quando entrei reconheci Gray na cama, haviam mudado a sala que ele estava ontem.

_Por que mudaram ele de quarto? – perguntei.

_Bem, sente-se. – ele indicou uma cadeira, eu sentei e esperei ele falar. – como sabe, o amigo desse rapaz, pelo menos suponho que eles eram amigos, pois estavam no mesmo carro, morreu hoje mais cedo.

Eu olhei para baixo, é claro que eles eram amigos.

_Continuando. – o médico voltou a falar. – ele faleceu pois depois que ele sofreu o acidente seu processo de infecção do câncer acelerou.

Olhei apavorada para o Dr.

_Natsu tinha câncer? – perguntei.

_Sim, faz muito tempo, o mesmo que a mãe tinha, ele vem se tratando conosco, mas quando ocorreu o acidente, até nós nos surpreendemos que ele ainda permaneceu vivo por algumas horas. – o Dr. Explicou.

Eu baixei a cabeça e pus ela entre minhas mãos, por que ele não me contou?

_Contudo, temos um outro caso aqui, o Sr. Fullbuster sofreu um traumatismo muito sério. – o Dr. Voltou a falar, eu ergui a cabeça para ouvir. – um dos destroços do carro que eles estavam, acabou adentrando o peito do rapaz, prejudicando seu coração, ele tem apenas alguns dias de vida, no máximo três.

_O que? – isso era impossível, por que isso estava acontecendo? Não, aquilo não era verdade.

_Eu sinto muito Srta, parece que os dois rapazes eram bem próximos a você, sinto muito por perdê-los num curto período de tempo. – o Dr. Tentou amenizar minha dor, mas só piorou.

Eu olhei para Gray, e vi ele respirando com muita dificuldade e com ajuda dos aparelhos. O que eu fiz com vocês?

_Obrigada Dr. – levantei e segui em direção a porta.

_Srta, Lucy? – ele chamou. – nós precisamos que diga alguma coisa. Você é o único contato que temos dele.

_Por favor, posso ficar com o celular dele, talvez a irmã dele ligue daí eu posso explicar tudo a ela. – pedi e ele me entregou. – obrigada, continuem o mesmo processo que estão fazendo até eu retornar.

Ele assentiu, e assim eu saí do quarto, olhei para Gray do outro lado do vidro, o que eu vou fazer?

Saindo do hospital dou de cara com Juvia, ela estava com um guarda chuva rosa se protegendo da chuva.

_Lucy? – ela me viu e veio correndo na minha direção. Eu senti tontura, minha visão ficou turva, só o que consegui ver foi os rostos de Natsu e Gray me pedindo ajuda. – LUUUCY!

“Eu te amo”, “não me deixe sozinho”, “você me salvou”, “por favor me escolha”, “eu te amo mais”, “fique comigo”, “volte pra mim”.

Abri meus olhos rápido e vi minhas fotos de infância com Natsu, eu me divertindo com minhas amigas, uma foto com Gray, e uma foto que minha mãe e meu pai me seguravam no colo ainda bebê.

Eu perdi tantas pessoas em tão pouco tempo, não podia perder mais uma.

Levantei e vi Juvia dormindo na minha cadeira com um álbum de fotos na mão. Fui até ela e sorri ao ver que ela estava vendo as fotos que eu estava com Natsu quando criança, eram todas fotos dele, mas ele havia me dado cópias.

_Ahm.. – ela começou a abrir os olhos, quando me viu deu um pulo e me abraçou. – Lucy!

_Bom dia Juvia! – eu sorri pra ela. – Juvia, desculpe, você me trouxe pra cá?

_Sim, com ajuda, Jellal e Erza estavam saindo do hospital logo atrás de você. – ela explicou.

_Como ele está, e o Gajeel? – perguntei, tinha até me esquecido que eles também estavam no carro.

_Por sort.. – ela parou de dizer. – Gajeel e Jellal estavam nos bancos da frente, não se machucaram tanto, o caminhão acertou em cheio a parte de trás do carro, onde o Natsu e o Gray estavam...

_Que bom que eles estão bem. – suspirei. Juvia me entregou o álbum.

_Desculpe, eu estava sem fazer nada ontem cuidando de você e acabei olhando suas coisas particulares. – peguei o álbum e sorri.

_Não tem problema. – sorri pra ela. Ela sorriu.

_Lucy, o Gray está mal não está? – ela pediu olhando pra mim preocupada.

_Ele... – eu ia responder, mas o celular do Gray começou a tocar, era a primeira música que eu e ele escutamos juntos. Fui até o celular e olhei a tela, era a Ultear, eu atendi depressa.

_Alô?

_Oi quem está falando? – era uma voz muito doce, porém forte.

_Sou a Lucy, amiga do Gray. – me apresentei.

_Oi, muito prazer, será que eu poderia falar com meu irmão? – ela pediu gentilmente. Meu Deus como eu explicaria a ela que ele tem poucos dias de vida?

_Ele está no banheiro agora, você não teria como ligar mais tarde? – pedi educadamente.

_Ai ai, esse Gray, eu ligo pra ele a dias e quanto finalmente ele atende, ele está cagando? – ela riu na ligação. – bem avise a ele que liguei, e diga pra ele se cuidar, e também que estou com saudades, diga que eu vou voltar em mais ou menos duas semanas e finalmente vamos morar juntos de novo, diga que vamos ser uma família novamente, eu amo ele. Tchau Lucy, foi um prazer.

_Até. – eu chorava muito no telefone, era triste demais assistir uma coisa dessas, sei como é a dor de perder sua única família, e Ultear lutou pelo futuro da sua, eu não podia deixar algo assim acontecer.

_Lucy, você est.. – Tinha me esquecido que Juvia estava ali.

_Juvia, o Gray vai ficar bem. – sorri pra ela. Ela parecia confusa, mas aceitou minha resposta.

_Eu vou indo, se cuida está bem. – ela sorriu e então saiu do meu quarto, eu tranquei a porta e sentei na minha mesa, peguei várias folhas e comecei a escrever.

“Erza, minha irmã demoníaca, fiquei feliz ao ver que você aprendeu a lidar com seus medos, e que a cima de tudo está lutando mais bravamente por seu futuro, você merece ser feliz junto do homem que ama, tenho apenas um conselho amiga, nunca deixe de dizer a ele que o ama. Obrigada por cada segundo que você passou comigo nesses anos de amizade que serão eternas na minha e na sua memória, cuide de todos como sempre cuidou.

PS: Jellal cuide bem dela.”

Coloquei esse papel de lado, muitas lágrimas já começaram a cair, os papeis começaram a molhar, mas eu não ligava. Peguei outro.

“Levy, sei que você será uma grande escritora, melhor do que eu com certeza, e aprenda a tocar guitarra, vai ser divertido, por favor, conte muitos contos na sua vida para alegrar os outros com sua história, você e Gajeel merecem ser felizes, nunca deixem de se amar ou de dizer um ao outro o quanto se amam.

PS: Gajeel, cuide bem da baixinha.”

Concluindo esse escrevi outro.

“Luiza, sei que sofreu muitas perdas assim como eu, mas nunca deixe de acreditar que o amor está extinto, as vezes nós apenas não conseguimos enxergar onde ele está, você tem amigos agora que a amam e que vão amá-la para todo o sempre, e eu sei, que tem um cara por aí esperando você, pensando a mesma coisa que você, que amor não existe, mas vai ser linda a sua história quando vocês descobrirem juntos o que isso significa, por que é complexo.

PS: Cuide de todos!”

Coloquei outro papel em cima desse e comecei a escrever outro, espero que ele possa ler.

“Gray...”

Assim fui para o hospital e falei com o Dr. de Gray, ele ficou espantado quando entreguei todas aquelas cartas para ele, e disse o que eu queria fazer, ele disse que eu precisava de um parente por perto.

_Eu estou sozinha Dr. Pode fazer! – disse convicta.

Ele ficou um pouco receoso, mas indicou que eu entrasse na sala de cirurgia, ele me deu um remédio para dormir, olhei para o anel que eu pendurei no meu pescoço e antes de apagar eu coloquei o anel no meu dedo entre o maior e o mindinho da mão direita. E assim eu fiquei tonta e tudo ficou preto.

Um chiado ao longe, que eu conhecia bem como os bips que levaram Natsu embora começaram a fazer barulho, eles pareciam certos, como um batimento de verdade deve ser, abri os olhos, Gray estava abrindo os seus olhos, ele estava todo enfaixado e havia muito sangue nos curativos do seu peito, ele parecia um pouco tonto, mas fiquei feliz ao vê-lo acordado, o médico entrou na sala, e mediu sua pressão, e todas as outras coisas.

_Dr. Posso ver alguém? – ele pediu. O médico olhou para ele e em seguida saiu da sala sem responder nada.

Depois de um tempo ele voltou com todos os nossos amigos. Estavam todos reunidos ali felizes em ver o Gray acordado, inclusive Juvia.

Gray parecia procurar alguém, desesperadamente, o médico percebendo sua agitação resolveu agir.

_Crianças, eu tenho algumas cartas pra vocês! – ele entregou pra Erza que olhou curiosa para Jellal, entregou outra para Levy que recebeu confusa, Gajeel veio para mais perto dela, outra para a minha prima, e outra para Gray, que olhou questionando. — Quando terminarem me chamem.

Todos liam muito confusos, e Gray chorava muito, seus amigos olharam com espanto pra ele, ele não queria dizer nada, apenas entregou a carta para Juvia e ela leu em voz alta.

_Gray, como você está? Está se sentindo melhor? Eu espero que sim, fiquei desesperada quando soube do seu acidente, graças a Deus não foi nada grave. Nós tivemos muitos momentos bons juntos, nos apaixonamos, coisa que não era pra acontecer, mas aconteceu, o por que isso aconteceu? Talvez seja o destino, ou não, o importante é que você está bem agora. Sei que você vai ficar furioso comigo, mas entenda, eu finalmente descobri o que é o amor pra mim, e decidi agir como meu coração me mandou. É mentira que eu odiava você, só achava você arrogante e frio, por que nunca aceitou a minha amiga Juvia, mas depois de te conhecer melhor, você tem que saber que você é especial, você me conquistou em poucos dias, me apaixonei por você perdidamente. Então Gray viva bem, viva o amor com alguém que mereça ele de você, você já me disse o que achava do amor. Amor para mim é quando você não consegue ficar longe de uma pessoa, como se ela fosse o seu coração e sem ela você não pode viver. Então, entenda o por que eu não poderia deixar nada acontecer com você, eu te amo, e para todo o sempre meu coração estará contigo! PS: Juvia, cuide bem dele, sei que ainda o ama.” – Juvia parou de ler e todos na sala choraram, foi difícil entender o por que, mas acredito que mais tarde eles compreenderiam, vi as lágrimas de todos caindo como se deixassem eu partir.

Minha audição começou a falhar, eu já não sentia meu corpo, era como se eu fosse apenas um feixe de luz, o quarto onde meus amigos e Gray estavam começou a ficar muito claro, uma claridade confortável, consegui olhar para o rosto de Gray mais uma vez, antes de tudo sumir, ele estava triste, mas suas mãos se embrulhavam em cima do seu peito, ele sabia que agora meu coração pertencia a ele.

Um calor familiar começou a me envolver, era como se Natsu tivesse vindo me encontrar, a temperatura do seu corpo estava por toda a parte, me entreguei totalmente aquela sensação, e deixei-me levar, ao longe eu via um gramado e uma árvore familiar, um casal repousava em baixo dela, quando me viram eles acenaram, sua garotinha estava voltando com o seu dragão protetor.

Alguns anos depois, o Professor Makarov entrou na sala da turma formanda de Letras, e parabenizou todos.

_Meus parabéns minha turma querida, vocês concluíram o TCC de vocês com total sucesso, o livro com os contos está aqui! – ele ergueu um livro azul de capa dura, aparentemente tinha umas quinhentas páginas, o pessoal tinha caprichado nas histórias.

A turma soltou um viva muito alto, mas o professor pediu silêncio.

_Levy, seu conto adquiriu a melhor nota da turma, e a editora quis fazer em um livro separado, um livro só seu. Aqui está, parabéns querida, ficou muito bom, você contou a história da sua amiga de um jeito emocionante. – Makarov entregou a baixinha um livro não tão grosso quanto o outro, mas a capa igualmente boa.

Levy sorriu ao pegar o livro, na capa estava escrito: “ Fogo ou Gelo? Baseada em uma história real.”

_Ela merecia que essa história fosse contada! – disse a escritora preferida de Lucy Hearfilia.

FIM!

Notas finais
Um grande beijo a todos, e nunca se esqueçam de dizer a quem vocês amam o que sentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!