Notas iniciais
Olá pessoas ai está o 3 e penultimo capitulo.... Isso ja foi projetado para ser bem curtindo e espero que estejam gostando. bjos

Por décadas eu vivi trancado em uma espécie de mundo próprio, isolado de tudo e todos, algo imaginário, onde eu sempre era o mais forte, quando na verdade estava apenas tentando encontrar um motivo de verdade para não me torturar pela eternidade, eu nunca fui exatamente pior que Damon, sim já havia tido minha fase ruim, no entanto nada disso me tornara melhor que meu irmão.

Éramos família, mesmo que tivéssemos essa barreira em demostrar, era verdade, Elena pensava o mesmo e vivia me pedindo para ser razoável com ele, confesso que antigamente essa mania dela em protegê-lo me incomodava, porém isso já não era mais assim há muito tempo, eu confiava nos sentimentos dela por mim, mesmo que tivéssemos problemas, mesmo que tentássemos usar o ponto final sempre haveria uma lacuna que seria nossa salvação, mas ainda assim eu nunca me perdoei por transformar Damon, só não queria ficar sozinho, eu precisava dele, éramos irmãos, Damon era minha única família.

Não sei bem o que Damon pretendia ou esperava encontrar fora de Mystic Falls, tudo bem que a primeira pessoa a condenar o retorno dele fui eu, mas acabei percebendo no que pareceu tarde demais que eu estava completamente errado a respeito dele, precisava do meu irmão e isso era fato então precisava deixa-lo ir se assim fosse do desejo dele, Damon queria tentar algo novo, e tornar alguém não exatamente superior, mas no mínimo melhor do que ele era.

Agora já fazia completos quatro meses que Damon havia saído de Mystic Falls, as coisas estavam até que normais por aqui, porém eu sentia certa falta de acordar e ter aquela dose diária de ironia insuportável dele, não havia ligações, mensagem, carta, nada desse tipo, isso me deixava ansioso, ele era o irmão mais velho e, no entanto eu que estava morrendo de preocupação e até de saudade.

Às vezes Elena ficava preocupada, no início foi difícil me acostumar com aquela ausência dele, mas ela acabava de convencendo que uma hora ele voltaria e por dias fiquei me agarrando a isso para me acalmar, voltei pra escola, falei com Alaric sobre o que aconteceu e as coisas ficaram assim.

E ai quando eu já havia quase me acostumando com isso o toque “Bon Jovi: It´s My Life” me acordou, era estrando, aquele era o toque exclusivo somente para as ligações de Damon, ele foi breve, só queria que eu soubesse por ele que provavelmente estaria voltando pra cidade naquele dia e rezei para que isso não fosse algo exatamente ruim.

Eu mesmo já havia perdido e recuperado o controle de humanidade durante anos quando vivia para o sangue, lembro-me de cada segundo dessa fase, destruía vilarejos inteiros praticamente fazendo chover sangue por onde passava e depois parava com tudo, deixava todos os meus sentimentos me atingirem de uma só vez, era desesperador demais, afinal quando se é vampiro tudo em você automaticamente é amplificado; alegria era euforia, culpa se tornava desespero, raiva por mínima que fosse se tornava puro ódio, magoa te jogava ao fundo do posso como uma depressão e após algum tempo lá estava Alexia Brason, Lexi para os mais próximos como eu era.

Lexi era simplesmente incrível, ela sempre me ajudava a voltar da escuridão, me tirava do fundo do posso toda vez que eu te enterrava, quando ela morreu Caroline Forbes tomou a tarefa para si, mas era sempre assim, eu tinha problemas com esse lance de sangue humano, Caroline costumava dizer que eu era um “Sangolatra” ou coisa desse tipo, então era ela, Lexi e principalmente Elena que centravam meu universo, eram minha motivação para segurar a onda e deixar o passado como “Estripador” morto, enterrado e esquecido.

Agora voltando ao meu irmão se prestasse a devida atenção eu poderia ver com mais clareza há tempos atrás o que ele infantilmente achava que poderia esconder pra sempre, Damon tinha medo, dores encobertas por suas ironias frias e até mesmo os acessos de raiva eram todas formas tortas, descontroladas e desesperadas de pedir socorro, ele estava só tentando mostrar sua humanidade.

Provavelmente Elena entendia meu irmão mil vezes melhor do que eu poderia mesmo que não o tenha visto desde o começo, convivi por mais de um século com Damon e ainda assim não conhecia seu “verdadeiro eu” tão bem quanto ela conhecia graças à linha tênue do passado que nos separava que honestamente não eram poucas, mas com ela era diferente, ele também era duro na queda, mas as vezes cedia assim mesmo.

Arrependo-me da maioria desses acontecimentos infelizes por conta de Katherine Pierce que apenas nos usou como brinquedos, quando enjoou pareceu bem fácil descartar num canto e seguir em frente quase nos destruindo no processo.

Eu estava um pouco atrasado, tinha que buscar Elena na casa da Caroline, mas quando estava indo em direção ao meu carro Damon estacionou o dele do lado e desceu acompanhado por uma garota branquinha, ruiva, miúda, talvez roqueira e isso, me deixou realmente um pouco preocupado de início.

Enquanto dirigia tentei ordenar meus pensamentos de forma coerente, Damon estava diferente desde quando havia partido, eu podia claramente sentir isso, só não sabia identificar se era algo realmente bom ou não e ainda havia essa menina que estava com ele que honestamente me preocupava muito.

— Espera aí um segundo! Como assim Damon voltou pra casa do nada? –Perguntou Elena assim que contei o que havia acontecido. — O que aconteceu?

— Ele me ligou de manhã, chegou quando sai para vir te buscar, trouxe uma garota com ele que parece ser sua namorada ou coisa do tipo, eu não entendi muito bem o que está acontecendo com ele, mas estou preocupado assim mesmo. –Expliquei puxando-a para meu peito.

— Tem ideia de quem ela possa ser e do que ela sabe sobre Damon, nós e todo o resto? –Perguntou Bonnie áspera, ela realmente não gostava do meu irmão e tinha sérios motivos para isso.

— Ainda não sei nada de concreto Bonnie, mas vamos com calma, Damon está diferente e quero descobrir exatamente o que aconteceu antes de sair tirando conclusões precipitadas para me arrepender depois. –Falei ficando sério.

— Nesse caso vou com vocês também, desculpe Stefan, mas não vou deixar seu irmão machucar mais pessoas. –Disse Bonnie pegando sua mochila no sofá.

— Stefan tem razão e estou com ele nessa, pega leve com o Damon dessa vez, por favor, Bonnie. Aliás todos merecemos uma segunda chance pra mudar, ele também merece. –Disse Elena abraçando Caroline que apenas observava em silencio.

Assim que chegamos em casa e entramos eles vieram nos receber havia um saco grande e preto com penas de ganso perto da porta e mesmo sem entender o que significava aquilo deixei passar, Isabella abraçou Bonnie e ambas agiram como se tivessem levado um pequeno choque ou coisa parecida com isso deixando todos nós confusos.

— Ok, isso foi realmente estranho. O que exatamente foi isso Bonnie? –Perguntou Elena fazendo careta.

— Espera um segundo. Bella, você também sentiu isso ou fui só eu? –Perguntou Bonnie ainda encarrando Isabella que estava mais perdida do que todos nós juntos.

— É eu acho que senti isso também Bonnie, só não entendi o que exatamente foi isso e porquê. –Respondeu ela imóvel e Damon ficou tenso na hora.

— Ei Bonnie seja legal e diz que não é o que estou pensando. – Disse Damon puxando Isabella para seus braços, a garota parecia em choque.

— É isso mesmo Damon, Bella é uma bruxa Bennett com certeza, uma das mais poderosas se me permite acrescentar o comentário. –Respondeu Bonnie confirmando nossas suspeitas.

— Não fica me chamando de “Bella”, eu não gosto desse apelido. Pode me chamar de Isa, Isabella, Angel como Damon me chama às vezes, por favor. –Pediu ela com uma careta e concordei mesmo achando isso meio estranho.

— Alguém mais achou isso uma loucura total? –Perguntou Elena levantando a mão ainda presa em meus braços.

— Não é loucura se ela for adotada, essa é a única forma disso ser algo possível. Igual quando foi com Elena, só havia uma explicação para ela ser duplicata da Katherine, e no final eu tinha razão e aposto que tenho de novo. –Falei encarando-a para ver as reações dela.

— Será que dá pra parar de me olhar desse jeito como se eu estivesse escondendo algo de todos aqui, Stefan? Eu não sei o que isso quer dizer ok? –Perguntou Isa irritando-se com todos os olhares voltados para ela.

— Calma princesa, está tudo bem. Vamos voltar pra sua casa agora, falaremos com seu pai e ver o que ele conta pra gente. –Disse Damon puxando-a para porta.

Demorou mais do que imaginei que poderia ser possível, mas quando eles voltaram só confirmaram nossas suspeitas, Isabella era mesmo adotada, no entanto não havia pistas existentes sobre os verdadeiros pais dela.

— Stef, eu estou com as coisas da Isabella na mala do meu carro, depois do que aconteceu algumas horas atrás ela não estava bem para ficar perto do falso papai então achei melhor traze-la pra cá. Desculpe. –Disse Damon puxando-me para o corredor.

— Tudo bem Damon, é claro que ela pode ficar com a gente, pelo tempo que vocês quiserem não me importo, mas quero saber qual é seu jogo com ela. – Falei cruzando os braços no peito e ele teve um ataque de risos. –Qual é a graça? Já vimos esse filme antes, lembra? Desculpe, mas não vou permitir que simplesmente machuque essa garota Damon.

— E quem foi o idiota que disse algo desse tipo pra você? Stefan acorde, eu jamais faria isso com ela, com Isabella as coisas são deferentes desde o primeiro segundo que a vi. –Disse ele realmente diferente.

— Diferente até qual ponto Damon? –Perguntei curioso, com Damon não era bom confiar assim tão fácil, ele mudava de personalidade muito rápido.

— Teve aquela primeira vez quando nossos olhos se cruzaram em meio à escuridão da noite e do nada tudo que eu costumava ser imediatamente parou de acontecer, meu interior se acendeu por inteiro como fogo cortando a escuridão e me senti como um mero adolescente, desses quando vive a primeira paixão épica mesmo depois de 170 anos, eu simplesmente renasci sob o toque dela Stef, foi algo mágico. –Disse ele sorrindo de uma forma diferente, era algo único para quem está, apaixonado, algo tipicamente humano.

— Nossa! Está mesmo apaixonado por essa garota. –Declarei o obvio e ele confirmou com a cabeça ao invés de me responder com algum tipo de ironia fria que ele costumava usar. –O que exatamente ela sabe sobre você e o nosso segredo? Se é que ela realmente sabe no que está se metendo.

— Ela sabe de absolutamente tudo em detalhes, não escondi nada dela Stefan. Até porque não sou o primeiro vampiro que ela conhece. O ex dela também era vampiro, só que até onde eu sei o cara fazia cosplay da fada Sininho; a espécie dele literalmente brilha em contato com o sol como purpurina, além da outra espécie de lobo que ela me apresentou. Só acho que Tyler se sentiria um anão perto daqueles lobisomens. –Explicou ele mantendo-se sério o tempo todo.

Isabella dormiria no quarto de meu irmão, mas não me importei com isso até porque Elena sempre dormiu no meu, porém por alguma razão ela falava dormindo e quando acordou teve uma espécie de crise de choro. Que acabou acordando Elena, no entanto achamos melhor não irmos lá falar com eles.

Pela manhã ninguém tocou nesse assunto, na escola as coisas estavam praticamente normais, Alaric veio falar com a gente sobre Isabella e contamos tudo o que havíamos descoberto, ele prometeu nos ajudar com o que pudesse, Jeremy e Isabella tinham uma amizade legal, porém às vezes eu podia jurar que Annabelle tinha um pouco de ciúmes e Damon também, mas ambos acabaram se acostumando com o tempo e assim as coisas voltaram ao normal, eu só não sabia por quanto tempo isso poderia durar já que Mystic Falls nunca descansava de verdade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.