O cheiro de enxofre invadia o quarto. Gabe estava transtornado. Infeliz, para dizer a verdade. Ele se jogou no chão, próximo às cinzas quentes das roupas de Sheba. Inevitavelmente, lágrimas apareceram no canto dos olhos. Mitzrael tentou se aproximar.

\"Filho, foi melhor assim...\"

\"Chega pai! A culpa disso tudo é de vocês!\"

\"O quê?\" a mãe de Gabe não acreditava no que ouvia. \"Ela é um demônio que se aproximou de você e a culpa é nossa?\"

\"Primeiro: eu não sabia de nada da minha história. Se eu soubesse que eu era um semi-anjo, facilitaria as coisas. Já explicaria um monte de acontecimentos na minha vida. E depois... como eu ia adivinhar sobre ela? E vocês no fim tinham que estragar tudo! Do mesmo jeito que você, pai, largou sua vida de anjo pra ficar com a mamãe, porque a Sheba não podia largar sua vida no inferno pra viver comigo?\"

\"Gabe, você não sabe o que está falando\" a autoridade de pai podia se ouvir na voz de Mitzrael. \"A natureza demoníaca jamais sairia de Sheba, da mesma forma que a natureza angelical jamais saiu de mim, e isso acabou passando pra você.\"

\"Ela estava diferente...\"

\"Era só impressão, por causa de sua proximidade. Quando você se afastava dela, não sentia que ela precisava de sua ajuda?\"

\"Sim...\"

\"Era a natureza dela a chamando de volta. Ela não pertence a esta vida.\"

\"Então, pai, isto significa que você também não pertence a esta, nem mesmo à mamãe. Significa que, quando você está longe da mamãe você quer voltar para sua antiga vida?\"

Com estas palavras, Gabe deixa o quarto e sai de casa. Seus pais ficam sem palavras para aquela cena.

Enquanto isso, não longe dali, apenas em outro plano dimensional, Sheba sentia todo o fogo do inferno consumi-la como antes, e o desejo imenso de destruir alguma coisa. Mas, mais do que isso, algo que a machucava por dentro, como nunca.

Algo que só tinha um nome.

Saudades.