Capitulo 16
A Lenda

Ela suspirou e fechou a revista em mãos, colocando-a em uma gaveta qualquer e dando um longo bocejo em seguida. Tirou o óculos e virou-se para a janela graças a cadeira giratória, a noite estava iluminada pelas estrelas.

A fim de ano já havia passado fazia três dias e a única coisa que a ruiva fez foi ligar para os pais, desejando boas festas. Não fez questão de sair de sua pequena casa de campo, que se localizava a vários quilómetros de Londres. Não gotava das festas, pois... Foi nessa época que descobriu que estava grávida e que perdeu o bebê... A ruiva ainda tinha essas memórias corroendo-a, cada vez mais!

Depois disso não entrou em contato com a família, nem com ninguém, não estava interessada, só queria ocupar seu tempo trabalhando, trabalhando e trabalhando...

Com esses pensamentos ela jogou a cabeça para trás e, como um raio, algo lhe passou por sua mente, algo maluco e repentino.

– D-Drake... — Gaguejou por fim.

***

O moreno entrou nas casa dos pais, finalmente tinha decidido voltar a morar em sua antiga casa, estava cansado das besteiras que fazia e da solidão que o destruía.

–Cheguei! — Gritou feliz, arrastando a grande mala.

–Então é sério? — Viu o irmão na ponta da escada, carregando um livro — Você vai mesmo voltar a morar aqui, Jasper?

–Sim! — Riu o moreno para o ruivo — Algum problema, maninho?

–Na verdade nenhum, desde que você não traga prostitutas para cá! — Riu o ruivo — Seja bem vindo!

–Obrigado... — Sorriu, logo chegando no segundo andar — Cadê todo mundo?

–Já é tarde... Devem estar dormindo! — Falando isso o ruivo bocejou — E bem... Eu também vou dormir... Boa noite Jasp!

–Boa noite Jak... — Respondeu, vendo o ruivo se distanciar. Seguiu até o antigo e grande quarto que já estava arrumado para recebe-lo, organizou suas coisas e arrancou as blusas de lã que o aqueciam — Odeio frio... — Falou com raiva, acendendo a lareira e se jogando no sofá.
Pegou o celular e viu o papel de parede do aparelho, sorrindo levemente em seguida. Sentia falta dela... Se sentia sozinho e desamparado... Simplesmente não conseguia viver sem ela!

–Pam... — Sussurrou e esmagou o celular nas suas mãos, jogando-o no chão em seguida — Saco... — Disse por fim, logo adormecendo com os olhos marejados.

***

–Vem logo Ty! — Gritou o pequeno esverdeado que tinha um sorriso iluminado no rosto.

–Vai mais devagar Dray, eu acabei de acordar e é perigoso ficar correndo essas horas da manhã, pode ter bichos no meio desse gramado, papai disse que, se eu for picado, um dia por algum animal venenoso, ele vai me deixar morrer e ficar doente! — Respondeu o loiro, respirando com dificuldade enquanto carregava um livro grosso em suas pequenas mãos.

–Mas você tem que ver isso! — Pulou o outro, apressando o amigo.

–Argh... Às vezes você me irrita, Justine! — Tyler disse por fim, trazendo uma onda de risos de Drake. Correram mais um bocado até chegarem no alto de uma grande colina, onde se podia ver os grandes e infinitos campos verdes. — Okay, chegamos! O que eu tenho que ver agora?

–Fica quieto! — Riu mais uma vez Justine — Senta e fica olhando naquela direção! — Apontou para um lugar onde existiam inúmeros pinheiros.

–Okay...

E ali eles ficaram, até os pequenos raios de sol começarem a aparecer no meio daquelas árvores, o contraste das cores era incrível, o céu estava completamente colorido e assim que o sol em si apareceu, uma luz extremamente forte atingiu aqueles pinheiros e as goticulas da chuva da noite passada.

–Uau... — A loiro abriu a boca, impressionado — Parece até...

–Os desenhos do Excalibur! — Concluiu Drake, também impressionado — A luz no meio das árvores parece a espada e os raios os próprios raios da espada...

–Tirou as palavras da minha boca- Sorriu o loiro. Os dois ficaram um tempo em silencio em seguida, apreciando a paisagem.

–Que livro é esse? — Perguntou o menino para o loiro.

–Meu pai disse para eu ler... — Respondeu Tyler, chateado.

Seu pai é muito rigoroso... Eu nem sei ler direito ainda! — Drake riu — Temos apenas sete anos... Quer dizer... Você ainda tem seis!

–Eu concordo... Mas meu pai não...

–Ele ainda está chateado por causa da sua mãe?

–Um pouco... — Sorriu triste — Mas eu tenho certeza que minha mãe vai superar essa doença! Ela é a mulher mais forte do mundo!

–Eu concordo, assim como a Demi-san!

–E a mini Jade-chan! — Tyler falou feliz.

–Mini Jade-chan?

–A irmã do Jasper-kun, ela é bem pequena e tem enormes olhos dourados! — Disse corado.

–Ela tem quantos anos? — Perguntou o outro, interessado.

–Hum... — O menino pensou, não era bom com números — Cinco... Eu acho!

–Legal...

–Você devia ir para Londres, qualquer dia desses... — Sorriu o loiro — Vai poder ver o Jasp, as suas primas, os meus primos, Zaid, Cinna e Ian. Além de conhecer a Jade-chan!

–Eu queria muito ir... Mas minha mãe não vai deixar, minha saúde ainda está complicada... Ela tem medo que eu pegue uma doença qualquer e tenha que ficar internado outra vez!

Tyler olhou preocupado para o amigo que lhe deu um sorriso, que significava "Vou ficar bem!"

–Drake... — Sorriu Tyler — Fico muito feliz de ter você como meu artesão, mesmo eu ainda não tendo lâminas completas!

–E eu fico feliz por ter você como arma! — Riu o esverdeado... — Eu sei que eu também sou uma arma, mas não me dou muito bem sendo comando por alguém!

–E eu sou ao contrário! Se eu pego uma arma eu simplesmente não consigo atirar e lutar ao mesmo tempo... Só quando eu estou usando minhas próprias lâminas!

–Não vejo a hora de começar os treinos, entrar para uma boa academia, principalmente se for na Shibusen!

–Concordo plenamente... — Riu o loiro, jogando o longo cabelo cacheado e dourado para traz.

–E sobre o que fala o livro?

–Sobre almas... É até bem interessante! — Respondeu — Sabia que existem almas opostas? Quando essas almas se encontram o lado insano delas desperta, pode demorar anos para que isso aconteça, elas podem até ser conhecidas ou amigas, mas um dia, do nada, vão acabar se matando!

–Já ouvi falar... Acho que ouvi da minha mãe enquanto ela conversava com o meu pai! — Se mostrou interessado.

–Diz a lenda que só vai existir um vencedor nessa luta, e que quando essa pessoa matar a outra, a alma oposta morre... Ficando apenas a normal!

–Como assim?

–A pessoa que foi "morta" pode ser ressuscitada, e quando ressuscitada não terá mais uma alma oposta! Incrivel, não é? Pena que é uma lenda...

–Mas tem certa lógica nisso... Se for pensar bem... — Pensou o menino.

–Sim! — Respondeu — Se um dia um de nós for alma oposta de alguém e morrermos... Vamos jurar que vamos procurar uma solução!

–Se você morrer eu vou te procurar e vou fazer você ressuscitar! — Riu o esverdeado — Eu juro!

–E se você, não eu, morrer eu vou fazer você viver outra vez. Nem que eu tenha que ir para o inferno! — Apontou o dedo mindinho para o amigo que o apertou com o mesmo dedo — É uma promessa!

–Uma promessa!

O loiro abriu os olhos, sentia falta do amigo... Se soubesse que realmente um deles seria a alma oposta de alguém, não teria feito aquela promessa vaga, pois hoje, se sentia um lixo por não tê-la comprido. Mas ele também estava se perguntado o porque de estar se lembrando disso agora, só agora...

Até que, ele ouviu a janela se abrir e a única coisa que pôde fazer foi, ficar em choque.

***

Jasper abriu os olhos rapidamente, logo levantando o tronco do sofá, estava molhado de suor e estava ofegante, o coração estava a mil. Mais um pesadelo... Levantou-se para pegar um copo de água e logo notou a enorme ventania que fazia em seu quarto, a varanda estava aberta!

–Eu não tinha fechado? — Se perguntou, coçando a nuca em dúvida.

Foi até a porta e decidiu dar uma olhada lá fora...

E ali... Sendo iluminada pela lua, uma mulher de cabelos verdes intensos e com uma expressão cansada. O moreno ficou sem respirar por alguns segundos, não conseguia falar nada, estava confuso, muito confuso.

A mulher virou para ele, logo se assustando e dando um passo para trás.

–Ah... — A mulher o notou, logo ficando corada — Jasper...

–Pam... Pamela!?

Continua...