Fogo Simétrico
19 Adeus
Notas iniciais
Boa leitura
Capitulo 19
*Adeus*
-Acelera esse carro Ian! – Brad gritava enfurecido. Fred acabara de acordar, mas ainda sentia a imensa dor em sua cabeça.
-Eu estou acelerando porra! – Ian respondeu irado.
-Não parece! – Os gêmeos gritaram juntos, mas uma faca prateada atravessou o painel do carro, fazendo os cacos de vidro ir todos nos três amigos. Logo a faca tornou-se na velha inimiga do quinteto, a castanha de olhos purpura, Bel Delacur.
-Olha, os gatões da Shiribusen! – Ela falou irônica, Fred se levantou e lhe deu um soco na cara, fazendo-a voar para fora do carro e saltando logo depois atrás dela, dando-lhe vário chutes, mas ela não se machucava, apenas sorria desafiadora cada vez mais.
-Sua prostituta das esquinas do inferno! – Fred rosnou com tamanha raiva que Brad -que se soltava do banco do carro junto de Ian- desconfiou por um par de minutos que o irmão estivesse novamente insano, porém, ele estava longe disso, aquilo era a raiva mesmo, raiva por aquela garota ter machucado uma das pessoas que eles mais amavam, a família deles, a irmã baixinha e invocava, que os tratava como irmãos e até como filhos quando não estavam bem.
-Não sabia que tinha ficado tão mal educado Fred, querido! – Ela falou, começando a ficar cansada e machucada. Quando ela pesou que o loiro terminara, ele pisou em sua cabeça com tanta força que uma cratera se formou no chão, afundando a cabeça da garota, que gritou agudamente em desespero.
-Acredite, não fiquei apenas mal educado, garota ridícula! – E quando ela percebeu que o gêmeo mais novo apertara mais seu pé contra seu crâneo, ela transformou-se em um pequeno canivete prateado e no mesmo momento, um corvo negro voou até ela, levando-a, provavelmente, para seu artesão.
-Legal, a vagabunda destruiu o meu painel! – Ian gritava furioso para o carro.
-Entra Fred... E Ian... Você também. – Brad falou sério olhando o corvo dar suas deixas no horizonte negro.
Jade POV
A lâmina prata atravessou meu estomago em um fleche de segundos e logo em seguida o chute de Drake acertou-me, levando-me ao chão denso. O sangue corria quente pela roupa que já se via toda rasgada, mas meu sorriso insano continuava ativo em minha face.
Eu via e sentia cada movimento do meu corpo, mas a insanidade me consumia tão intensamente, que era impossível controlar meus próprios movimentos e pelo que eu via nos olhos de Drake, ele deveria estar tendo os mesmos sintomas.
Fechei os olhos da minha consciência e me vi mergulhando no imenso negro novamente, aquele breu conhecido não me trazia boas lembranças e isso só significava uma coisa, meu sangue não era mais vermelho...
Voltei a fitar o negro que me envolvia e ali, no meio de tudo aquilo, enxerguei a porta abrindo-se para mim, mergulhei até a mesma e entrei na sala preta e vermelha, eu já vestia o belo vestido negro que moldava meu corpo e meu cabelo se prendia em um coque no alto de minha cabeça.
-Jade?! – A voz de Drake ousou bater meus ouvidos, virei-me e o vi ali, sentado com um sorriso triste no rosto.
-De novo não é? – Perguntei rindo fracamente pelo nariz e ele indicou a cadeira para eu sentar-me.
-Veja pelo lado bom, se estamos conversando aqui quer dizer que não nos matamos ainda! – Ele falou irônico.
-Ainda! – Lembrei-o.
-Ainda... Jay eu... – Ele parou de falar e ficou fitando o chão por algum tempo. – Eu vou tentar voltar...
-Mas... – Contestei, mas ele me cortou levando um dedo na minha boca, logo depois levando a mão em minha bochecha e me acariciando enquanto fitava meus olhos.
-Quando eu conseguir... Vou baixar minha guarda e você... Você vai ser feliz! – Ele falou rapidamente e fechou os olhos em seguida.
-Drake... – Sussurrei vendo pequenas lágrimas descerem por sua face. Ele se levantou lentamente limpando os olhos com a costa da mão e me olhou com um pequeno sorriso, venho até mim e me abraçou fortemente levantando-me da cadeira. Nesse momento, não pude conter minhas próprias lágrimas.
-Hey – Ele limpou uma gota que descia pelo meu queixo – Não fica assim meu anjo – E beijou minha bochecha.
-Mas Drake! – Gritei entre os soluços para ele, que ainda me segurava. – Não é justo!
-É justo sim! – Ele falou encostando nossas testas. – Se lembra daquele dia, no parque? Nós estávamos sentados em baixo de uma árvore na frente da London Eye... Lembra-se do que eu disse? – Ele sorriu de canto. É claro que eu me lembrava.
-Você disse que... Nem que você desse sua vida... Eu iria ser feliz e...
-E nem que fosse com outra pessoa, esse seu sorriso lindo nunca iria desaparecer, pois eu não ia deixar... – Ele colocou uma mecha de cabelo por trás da minha orelha. — Nesses dois anos eu não cumpri minha promessa, mas a partir de hoje vou passar a cumpri-la!
-Mesmo assim... Eu fico viva aqui, feliz... E você? Morto e dado como vilão? – Falei dando um beliscão em sua bochecha e ele deu uma pequena risada.
-É o mínimo que posso fazer... E aliás... Eu não tenho mais vida faz um bom tempo – E nesse momento nossos lábios se tocaram rapidamente, como se fosse o ultimo beijo dele – Pois minha vida era você! – E finalmente ele me soltou, deu mais um pequeno sorriso e encaminhou-se até a porta dando um pequeno aceno. – Até um dia... – E então ele desapareceu, me deixando ali, envolva de lágrimas.
-Romance trágico... – Ouvi o diabo no outro lado da sala, que sorria vitorioso. Peguei a garrafa de vinho que estava encima da mesa e joguei-a no individuo vermelho saindo da sala com mais raiva do que o comum.
Não queria que fosse assim... O pior é que todos em minha volta, inclusive eu, acabamos odiando Drake, sendo que ele não tem culpa de praticamente nada... Ninguém tem culpa, é algo natural, raro, porém, natural. Apenas isso! Se não fosse por essas malditas almas que rodeiam nosso corpo, tenho certeza que ainda nos daríamos bem.
Mas se for ver por um lado...
...Se nada disso tivesse acontecido...
...Eu não teria conhecido Death The Kid...
E, apenas de pensar no meu shinigami gótico e idiota, a sua voz rouca entrou em contato com meus ouvidos, deveria ser coisa da minha imaginação, mas quando meu corpo se curvou, pronto para um salto, duas mãos seguraram minha cintura com tamanha força, fazendo-me despertar.
Aquele toque eu conhecia muito bem.
Era o toque que me proporcionava as conhecidas borboletas no estomago. E quando senti sua respiração quente de encontro com minha nuca, eu tive a certeza. Ali, do meu lado mais uma vez, estava minha lagartixa idiota... Meu shinigami gótico, meu Death, meu Kid.
-Kid... – Falei, a insanidade sumira, era eu outra vez. Ele sorriu e capturou meus lábios em um beijo puro.
-Sabia que você ia voltar – Disse me abraçando e analisando meu machucado preocupado, toquei sua bochecha e encostei as pontas dos nossos narizes.
-Não se preocupe com isso... – Me levantei cambaleando – A insanidade... Tem que voltar agora...
-Como assim? – Ele perguntou.
-Minha insanidade, o sangue negro... Agora... Eu tinha que... – Cai de joelhos, estava perdendo muito sangue.
-Jade... Calma!- Kid se ajoelhou do meu lado e arrancou um pedaço do seu terno.
-Ficou assimétrico seu idiota! – Tossi as palavras.
-Como se eu ligasse quando minha garota está praticamente morrendo! – Ele falou nervoso e amarrou o pedaço de pano envolta do meu ferimento – Onde está o Drake?
-Não sei... – Respondi sincera, ele havia sumido. – Mas mesmo assim, quando ele aparecer, se eu não estiver insana, eu não vou conseguir derrota-lo!
-Você vai sim! – Ele falou. – Nós vamos!
Ele juntou as palmas de nossas mãos.
-Ou esqueceu que somos um? – Ele me perguntou com um sorriso que nunca vi nele, e ai eu lembrei das palavras de minha mãe e das visões de Moka, eu e Kid... Éramos almas gêmeas.
-Nunca esqueceria! – Sorri e então escutamos alguém.
Drake levantava-se tremulo de um canto escuro, ele estava um pouco pior do que eu... Isso queria dizer que eu não estava tão mal assim. O seu corpo virou-se para nós e Kid levantou-se se colocando na minha frente.
-Jade... – Drake tossiu um pouco de sangue, ele havia voltado. – Me mata agora! Não vou conseguir ficar assim por muito tempo!
-Do que ele está falando Jade? – Kid me perguntou num sussurro.
Engoli o choro e me levantei com força assim que escutei o carro de Ian chegando. Brad e Fred pularam do carro e correram em minha direção, transformando-se nas duas grandes pistolas douradas. Kid segurou as Thompson – que estavam presas em seu sinto — da mesma forma e se fez numa posição de combate.
-AGORA! – Drake gritou, caindo no chão. A insanidade dele estava voltando.
-Desculpe... – Disse mais para mim mesma e sai em disparada junto de Kid.
Nesse meio momento, Drake começava a rir novamente, descontrolado, suas costas viraram em grandes laminas pontiagudas e nem parecia que estava ferido. Em meio segundo ele já estava na nossa frente, dando chutes e socos em mim e em Kid.
-Jade! – Kid gritou e olhei para ele que dava um salto no ar, desviando de uma lamina com elegância. – Tente segura-lo por trás!
-Eu já tentei! – Gritei quando as pistolas transformaram-se em chicotes.
-Tente de novo! – Ele falou enquanto distribuía alguns chutes e tiros em Drake que apenas ria mais, o insano segurou a perna do shinigami e a amassou fazendo um estralo, Kid gritou com tanta força que só podia ter quebrado a perna.
-Droga. – Sussurrei e corri até as costas de Drake. Lancei os chicotes em seus braços e os puxei para trás imobilizando-o fortemente. –Kiddo! Por favor... – Gritei com esperanças que ele se levantaria, e assim ele fez, transformando suas pistolas nas enormes metralhadoras, todas apontadas para o esverdeado.
-Meninos, chicote de laminas quentes! – E o enorme chicote ficou envolvo de aço dourado com pequenas laminas cortantes. As duas balas gigantescas de Kid foram lançadas para as duas pernas de Drake, que foram amputadas em um raio de fogo. E no momento que as balas atravessaram e seu tronco caiu no chão, eu saltei para cima com toda força que eu podia, caindo na frente de Drake, que agora não tinha mais os braços, pois os mesmos foram arrancados pelos chicotes.
Sua cabeça estava abaixada e não sei como ele mantinha o equilíbrio, ele levantou o olhar aos prantos.
-Rápido Jade, por favor! – Ele sussurrou.
-Desculpa. – Disse em um fio de voz, permitindo-me chorar e me aproximei mais, dando-lhe um beijo na bochecha e transformando meu braço em uma lamina, Kid venho por trás e a segurou.
-Juntos. – Sussurrou no meu ouvido e assenti tremula, fechando os olhos. Senti o sangue quente transbordar a lamina... Tudo tinha acabado
A única coisa que lembro era do sorriso que ele deu, quando meu braço transformado cortou sua cabeça, seu corpo sumiu transformando-se em uma pequena bola de alma verde e minhas mãos se infiltraram nos últimos pingos de sangue de Drake Justine.
Mas bem lá no fundo, eu senti. Os meus problemas só estavam começando...
Continua...
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