Fogo

2 Capítulo 2 – Vingança


Você falou pra ela que eu sou louco e canto mal
Que eu não presto
Que eu sou um marginal
Que eu não tenho educação
Que eu só falo palavrão
E pra socialite eu não tenho vocação

Fazia tempos que Vinni não dormia tão bem. A noite anterior havia sido realmente divertida, pensou enquanto obrigava as pernas a saírem da cama. Estava exausto, se pudesse dormiria o dia inteiro. Mas infelizmente, ele não podia. Não tinha tempo a perder.

Fez suas necessidades pessoais, tomou um banho rápido e vestiu a primeira coisa que viu pela a frente. Só para então, se lembrar de que tinha uma ruivinha histérica completamente nua em sua cama.

Saiu do quarto, batendo a porta com força. Enquanto descia as escadas, percebeu que suas costas ainda doíam graças aos arranhões da garota e que não deixariam de doer nem tão cedo. Sorriu com o pensamento.

Pegou as chaves do carro e saiu da casa, indo em direção a garagem quando algo lhe chamou a atenção.

– Seu troglodita! Imbecil! Estúpido! – era a irmã mais nova da loira problemática, uma tal de Maria. Magra como uma tabua e ainda sim, bem dis(puta)da pelos marmanjos do bairro. Vinni percebeu que a maquiagem dela estava totalmente borrada.

– Louca! É isso que você é Maria! Maria louca! Louca! – berrava o cara histericamente. Enquanto se esquivava de vasos, sapatos e até mesmo utensílios domésticos.

– Corre seu covarde! Some! Ou eu desço e juro por tudo que é mais sagrado que eu te mato! – gritava ela.

Vinni riu. E riu tão alto que acabou despertando a atenção da irmã caçula.

– Do que você está rindo, Albers? – questionou em tom nervoso.

– De você. É perturbada igual a Barbie gótica. – dissera em tom de escárnio. Ela arregalou os olhos, horrorizada e abriu bem a boca, afim de responder-lhe. Mas ele já havia adentrado seu Peugeot branco e, ainda sorrindo, dera a ré no carro.

– OGRO! – berrou enfim a menina.

Ele rira e logo virou a rua a esquerda, afastando-se dali. Ligou o rádio e para sua felicidade estava tocando Capital Inicial – Primeiros erros, aumentou a musica enquanto acelerava com fúria pelas ruas desertas de Ventura.

–--X—

Decididamente, a loira odiava ressacas. Eram tão desnecessárias... Por que as pessoas não podiam encher a cara e simplesmente apagar? Por que tinham que ter dor de cabeça no dia seguinte? Maldito fosse o álcool. Era bom em uma hora e no dia seguinte, totalmente péssimo.

Passou as mãos pelo rosto e bocejou. Pior do que ter ressaca era ter de ir para a faculdade. Naquele dia, ela estava odiando tudo. Inclusive a contabilidade, que, infelizmente seria obrigada a fazer com ninguém mais e ninguém menos que o egocêntrico do Albers. Para o pesadelo dos dois, eram obrigados a fazerem dupla. Coisa desnecessária na opinião da loira, mas os professores de Deniels eram estupidamente rigorosos quanto a certas coisas.E as duplas, eram uma delas.

Havia um estúpido sorteio, todo maldito ano letivo e aparentemente o universo estava conspirando contra Manuela. Mais uma vez.

– E ai Manu! – Alicia, uma de suas colegas gritou assim que viu a bad girl adentrar a sala. – Você sumiu ontem, hein.

– Por favor, cale a boca. – sussurrou a loira com a voz rouca. Andou em direção a morena, sentando-se numa cadeira próxima a ela. Encolheu-se em seu lugar, e jogou a mochila de qualquer jeito no chão. – Eu estou morrendo de dor de cabeça.

– Também, bebeu mais de dez garrafas de uma vez só. – a colega comentou, impressionada com o feito.

Manuela abriu um sorriso presunçoso.

– Aposta é aposta. – e piscou para Alicia, que revirou os olhos e riu. Passaram a conversar a respeito da próxima festa que rolaria no fim de semana.

Aos poucos, a sala foi começando a encher. E a ultima pessoa na face da terra que a Lohmann queria ver, resolveu aparecer. Mas ela estava tão focada em sua conversa, que nem percebeu quando Vinicius aproximou-se, sorrateiramente e sorrindo como se soubesse um desagradável segredo dela.

Bom, não era exatamente isso... Aliás, não era nada disso: Era só que, depois da bruta interrupção na noite anterior, o Albers ficou pensando em maneiras de se vingar da loira e acabou descobrindo uma...Simplesmente inesquecível. Ela ia querer se enterrar viva de tanta vergonha. Mas quem mandou invadir o quarto dele sem permissão?

– Ei, Tiffany¹! – chamou o marrento, sentindo o sorriso alargar-se cada vez mais em seu rosto.

Subitamente injuriada, e com a sua típica cara de desdém para ele, Manuela virou-se para encará-lo.

– O que você quer, Albers? Eu já falei que não vou te chupar. Nem se fosse o ultimo cara do planeta. – os colegas de classe riram. Alicia soltou uma gargalhada.

Mas, por uma razão desconhecida, Vinni continuava a sorrir.

– Não foi o que você disse ontem a noite, meu amor. – ele resolveu que estava na hora de aplicar o golpe de misericórdia. – Se bem que você estava mais gemendo do que falando... – e então riu marotamente, os amiguinhos idiotas dele riram. E outros colegas de classe também. – Aliás, você esqueceu isso aqui no meu carro. – e tirou de dentro do bolso da bermuda uma calcinha fio-dental rosa claro, que cheirava a sexo. Ele literalmente jogou na garota, que ficou perplexa.

E sorrindo vitoriosamente, ele dera-lhe as costas, sentando-se em seu lugar. Estrondosas gargalhadas preencheram a sala. Enquanto Manuela sentia seu rosto enrubescer de tanta vergonha.

– Seu...Cretino! – e retirando a calcinha gozada dos cabelos, jogou de volta em Vinni que ria tanto que podia sentir as mandíbulas começarem a doer. – Filho da puta. – bradou ela, em tom inaudível. O pessoal ainda ria, histericamente.

A loira se levantou e andou em direção a cadeira dele,decidida a matá-lo asfixiado,mas, para sua infelicidade o professou resolveu dar as caras. Bufando, contrariadamente ela voltou para o seu lugar, ainda soltando palavrões e rogando pragas em voz baixa.

– Bom dia, queridos e queridas... – ele interrompeu-se ao perceber que alguns alunos riam como hienas. – Eu iria perguntar o motivo das risadas, mas eu não me importo. Por favor tenham modos, estão na faculdade.

Vinni ousou dar uma olhadela para seu alvo, um sorriso presunçoso e digno de vilão surgiu em seus lábios, enquanto a loira, sorrindo o mais falsamente possível erguera-lhe o dedo médio e avisou aos sussurros.

– Você vai me pagar, babaca.

E ela realmente ia dar o troco, assim que a primeira aula acabasse...

Notas finais
¹Tiffany; noiva do Chucky, para quem desconhece o