Fogo

1 Parte 1 - Centelha - Prólogo


Notas iniciais
Oi gente, fic nova original, espero que gostem!

No último dia de inverno de 1870, todos na fazenda Graças de Santa Bárbara aguardavam ansiosamente a chegada do filho mais novo de Dona Lícia. Seu marido, Barão de Outubro, queria muito um filho homem para continuar os negócios da família. À primeira filha não faltava amor de pai, mas era necessário um filho varão para continuar a descendência dos Outubro. Nesse momento todos faziam silêncio. A baronesa agonizava as últimas dores do parto e finalmente os habitantes da casa-grande descobririam se o Barão teria ou não motivos para alegrar-se pelo resto da vida.

— É menino, Sinhá! É menino! — festejava Nega, a cozinheira e mais recentemente parteira da família, transmitindo a mensagem para toda a casa — Tem os zoinho do seu Barão e seus cabelo cor de carvão! Que anjinho de Deus!

Dona Lícia mal respirava, mas com todas suas forças conseguiu se erguer na cama e segurou o filho nos braços. Era exatamente um anjinho, como Nega dissera. Já não chorava, após ir para o colo da mãe. Ressonava lentamente. Os cabelos eram escassos, mas se via que eram bem pretos como os dela própria. Ficou um pouco tonta com o esforço e Nega segurou o bebê, indo lavar o sangue em seu corpinho. Mas antes lembrou-se de algo importante.

— Dona, já sabe que nome vai dar pro anjinho?

A baronesa amava as histórias antigas. As antigas batalhas. Queria que seu filho fosse um guerreiro também. Algo em seus sentimentos mais profundos, quase uma oração que se repetia há vários meses, em seus sonhos, lhe dizia que ele precisaria ser forte em algum momento da vida, e nem ela, nem mais ninguém, estaria lá para ajudá-lo.

— Vai chamar-se Heitor. — disse a baronesa e dormiu.