Fogo

12 Capítulo 5²


Notas iniciais
oIIIIEEEEEE genteee, imagino que meus bbs leitores estão curiosos a respeito do beijo, não? Pois, eu sou um bandido e esse capítulo vai ser uma little pausa pra voces ficarem ainda mais curiosos hasuhaushhau por sugestão do leitos Jhow Dhow aqui vai um capítulo, bemmm..... leiam que voces vão entender, é por motivo de curiosidade antes de tudo HEUEHUEHUH


O vento frio do começo da manhã penetrava a estação de trem como uma navalha, fazendo o único viajante àquelas horas tremer.

Marcello ajeitou sua mala aos seus pés. Era um garoto de quinze anos sozinho num lugar desconhecido e, àquela hora da manhã, não queria nem pensar no perigo que estava passando ali. Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo apito do trem que vinha ao longe, o que ele iria pegar para encontrar sua mãe e seu irmão e ir logo em seguida à casa do pai que não via há anos.

Não demorou muito e o trem estacionou na estação, fazendo seus poucos passageiros descerem. Marcello entrou nele sem mais obstáculos. Estava morrendo de sono e imaginava-se deitado numa cama bem macia e quente como a que tinha na Itália. Pensar na Itália fê-lo sentir-se triste, tinha vivido praticamente sua vida toda lá, e não imaginava sua vida em outro lugar.

Decepção não poderia ser maior ao constatar que ele não possuía uma cabine. Teria que fazer a viagem de duas horas no vagão restaurante! Suas pálpebras pesaram tanto que ele quase dormiu em pé. Avistou um banquinho no meio do corredor e sem mais aguentar o sono, sentou-se e dormiu rapidamente.


Marcello acordou com o apito do trem soando mais uma vez. Pelo jeito ele tinha parado em mais uma estação. Ele ajeitou-se assim como às suas roupas e se levantou. Atravessou o corredor, olhando de porta em porta qual delas era o banheiro. Encontrou-o e lavou o rosto, como que para disfarçar que havia dormido. Tá certo, pensou, agora ele tinha que encontrar um lugar digno pra se sentar, não um banco no meio do corredor. Consultou o relógio de bolso e viu que uma das duas horas já havia se passado. Pelo menos não passaria tanto tempo sem ter o que fazer, talvez no vagão tivesse alguém com quem ele pudesse conversar. Ele pegou sua mala e foi em direção ao vagão restaurante.

Abriu a porta de madeira lustrosa e encontrou um vagão restaurante quase vazio. A luz do Sol acabando de nascer enchia o lugar com um tom dourado e etéreo. Ele observou os lugares, carregando a mala junto com ele. Um casal estava abraçado a um canto, tinha uma senhora idosa quase desaparecida em outro e... então seu olhar pousou sobre um dos garotos mais lindos que já tinha visto em toda sua vida.

O garoto, que aparentava ter a mesma idade que ele, tinha os cabelos pretos e curtos, bem penteados e lisos. Os olhos pretos e misteriosos dele conquistaram Marcello na hora. Assim que seus olhares se encontraram um arrepio percorreu a pele de Marcello, e outro pareceu tão estranhado quanto ele, pois desviou o olhar na mesma hora. Será?, pensou Marcello. Bom, como faltava pouco tempo para chegar, queria alguém para conversar e talvez jamais visse o outro novamente, não custava fazer uma tentativa.

Ele se aproximou do acento à frente do outro jovem, que pareceu não perceber sua aproximação, pois estava distraído olhando para a janela. Marcello sentou-se e ajeitou sua mala no chão, atraindo a atenção do outro rapaz, que desviou-a imediatamente.

Como o outro não puxava assunto, Marcello resolveu esperar um pouco, e ficou olhando para a paisagem através da janela como ele, mas de vez em quando olhava para os olhos dele, tentando captar sua atenção novamente.

Depois de alguns minutos, talvez vinte, mais ou menos, Marcello percebeu que o jovem estava quase dormindo. Não! Ele tinha que chamar a atenção dele de alguma forma. Uma ideia surgiu em sua mente ao ver um jornal no colo dele.

Ele se inclinou para frente e tocou o joelho do outro, que acordou sobressaltado.

– Ei, Psst.

– Ahn? – Balbuciou o outro, assustado.

– Ei, tudo bem? Se importa de me emprestar o jornal? – Disse Marcello, tentando ser simpático e puxar assunto com o jovem lindo à sua frente.

– O que? – Respondeu o outro, parecendo não ter entendido.

– O jornal. Se importaria de me emprestar para que eu possa ler?

– Ah... não, claro que não. – Disse o outro, confuso com a conversa repentina.

Ele se inclinou para entregar o jornal, assim como Marcello o fez para pegá-lo. Na troca suas mãos se encostaram, e um calor estranho surgiu dentro de Marcello. Não um calor de excitação, ou atração, mas uma coisa diferente. Algo... quase divino, algo vindo de sua alma. Marcello sorriu agradecendo e abriu o jornal.

Lá tinha várias notícias inúteis. Marcello não se interessava por negócios de escravos, pois era abolicionista, e muito menos queria saber a cota das safras, mas ele tinha que falar alguma coisa com o outro.

– Ih, a safra de feijão está a metade do que foi nesse mesmo mês do ano passado. Prevejo uma crise, não? – Disse ele, dando um sorriso para o assunto tentar soar interessante.

O moreno à sua frente deu um sorriso forçado, e o coração de Marcello afundou ao vê-lo se levantando. Tentou controlar o instinto de perguntar “Onde você pensa que vai???” mas sua pergunta silenciosa foi respondida imediatamente sem nem ter saído de seus lábios.

– Eu... vou ao banheiro. – O outro falou, tímido.

Então era isso. Mas Marcello ficou se sentindo culpado do mesmo jeito. O menino estava claramente desconfortável com a conversa e ele insistiu com isso. Alguns minutos se passaram e o outro não voltou. Marcello começou a pensar que tinha espantado o outro, mas o trem apitou, anunciando que estava chegando à mais uma estação. Marcello se sentiu triste, mas não podia fazer nada. Como uma lembrança pegou um pedaço de papel pequeno e escreveu Obrigado pela companhia! nele, pondo-o, junto com o jornal, na cadeira do outro jovem. Levantou-se, dando mais uma olhada na direção do banheiro. O outro não apareceu. As portas se abriram a Marcello abandonou com um estranho, cujo nome nem sabia, um pouco de seu coração.


Ele olhou ao redor. A estação estava bem pouco movimentada, no máximo vinte pessoas circulavam por ali. Sua mãe tinha dito que ele deveria esperar uma charrete, e que seu irmão, Giancarlo, viria nela. Ele sentou-se para esperar, olhando para dentro do trem.

Nem um minuto depois viu seu irmão acenar do lado de fora da estação. Ele caminhou até lá, olhando por uma última vez para dentro do trem, e, para sua surpresa, viu o rosto do outro lá, olhando pra ele. Marcello acenou para o jovem, mas nem pôde ver a resposta, pois o trem já dava partida, separando a vida dos dois.

Pelo menos por algum tempo.