Flying Butterfly
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Estou inspirada... É a segunda dessa semana. Só espero que seja do agrado de vocês essa inspiração :)
Diferente das minhas outras shorts, essa é um pouco mais puxada para o drama. Mas espero que tenha ficado decente mesmo assim :)
Boa leitura!
Grissom nem imaginava que ela pudesse estar atrás daquele vidro escuro ouvindo sua declaração de amor. Brass o olhava estranho e curioso... Mas entendia perfeitamente o que Gil estava dizendo. O médico – e assassino – parara para ouvir e as palavras batiam em sua face como verdadeiros tapas, mas ele não podia demonstrar.
Sara ouvia tudo calada, com lágrimas nos olhos. Amava aquele homem, mas como explicar para ele que a diferença de idade não era um problema? Não sabia como agir, e as palavras dele soltas assim, apenas para prender uma pessoa e não dirigidas somente à ela, doíam demais.
E mesmo com todas as palavras, Dr Laurie não se entregara; saindo rapidamente com seu advogado no encalço, ixando para trás um detetive e um perito calados.
--Você gosta dela. –Jim disse, depois de um longo tempo.
--Não sei do que está falando. –Grissom se fez de desentendido.
--Não sei se vale a pena discutir isso com você, mas acho que está perdendo tempo. Não está usando sua inteligência, amigo.
Grissom o olhou ofendido e nada disse. Levantou-se e saiu da sala de interrogatórios atordoado – não deveria ter feito tantas revelações assim em seu ambiente de trabalho. E para certificar-se de que estava seguro, abriu a porta da saleta ao lado de onde estava e espiou para dentro.
E o seu coração quase pulou da boca quando a viu ali sozinha.
Os dois se encararam por um longo tempo.
--Boa noite, Sara. –Ele murmurou, fazendo menção de se retirar.
--Eu ouvi o interrogatório. –Ela disse numa voz impassível.
Ele girou nos calcanhares e tentou encará-la, mas estava envergonhado demais para tal. Ficou parado defronte à porta, mas fechou-a antes.
--Espero que não tenha interpretado errado... –Ele começou.
Mas Sara não aguentou. Aquele nó em sua garganta – que se acumulava desde a última rejeição dele a um convite para sair – precisava ser eliminado. Doía demais.
--Eu acho que você não sabe interpretar direito, Grissom! –Sua voz saía mais alta do que pretendia. –Você não tem o direito de dizer tudo isso para um estranho, enquanto me enche de negativas!
Ele engoliu em seco e sustentou o olhar dela. Abriu a boca para rebater, mas não conseguiu se pronunciar quando viu as lágrimas rolando livremente no rosto dela.
--Eu não faço ideia do que te deixou desse jeito! –Os soluços eram inevitáveis. –Se não me queria por perto, por que simplesmente não me deixou em São Francisco?
--Sara, escuta... Isso é complicado demais, é a vida real. Não estamos em um seminário, onde os erros passam despercebidos...
--Lá era um ensaio por caso? --Ela se alterou. –Por que você não segue o roteiro que ensaiou, então?
--Honey...
Gil não sabia o que fazer, tentou se aproximar dela, mas foi repelido. Ela chorava abertamente, e os soluços ecoavam pela sala reservada. Sem dúvidas as vozes deles podiam ser ouvidas do lado de fora, mas ele não podia pedir silêncio da parte dela. Sara queria desabafar, precisava disso.
--Não me chame assim! Você não é mais o Gilbert que eu conheci. Você se transformou em um cara rabugento e calado... Não é mais o professor encantador e cheio de vida que se mostrou.
--Eu não sou mais um jovem professor.
Sara olhou mortalmente para ele e cerrou seus dentes:
--E alguma vez eu me importei com a sua idade? Eu não perguntei sua data de aniversário antes de me apaixonar por você! Eu sabia que você era mais velho quando te chamei pra sair e você aceitou.
Grissom sentiu o coração dele sendo rasgado aos poucos dentro do peito. Queria fazer com que o choro dela acabasse, que a dor cessasse...
--Você é estranho e imprevisível. Num momento se recusa a sair comigo, e no outro lamenta por algo que somente na sua cabeça eu faria.
--Você merece ter uma vida. Você é jovem e linda... Merece alguém à sua altura.
--Quem decide isso sou eu! –Gritou com raiva.
Grissom a encarou num pedido de desculpas, e só pôde murmurar:
--Sinto muito, querida... Mas eu não sei o que fazer sobre isso.
Ela passou por ele como um foguete e abriu a porta com raiva, mas antes de sair disse friamente:
--Quando você se der conta do que fazer, pode ser tarde demais. Pode ser que eu encontre o que você tanto acha que eu procuro.
E saiu com passos firmes da delegacia, limpando as lágrimas do rosto com o punho da blusa. Nem se importava com alguns olhares dos policiais mais próximos – que provavelmente tinham escutado a discussão. Só queria sair dali, ir para longe daquele que lhe causava tanto bem... E, ironicamente, tanto mal.
Dentro da sala, Grissom queria chorar. Ele estava apoiado com a cabeça no vidro, embaçando-o num ponto. Suspirava enquanto as palavras agressivas da morena martelavam em sua mente. Nem se deu conta quando Brass lhe fez companhia, e nem ergueu a cabeça quando o amigo se pronunciou:
--Ela está certa.
Grissom respirou fundo de olhos fechados e se endireitou.
--Um dia ela vai entender que ter uma família é melhor do que estar ao lado de um velho sistemático.
--Você não é velho e sistemático. É apenas idiota.
O entomologista fungou.
--Você deveria ir atrás dela. –Brass sugeriu. –Poderiam colocar as coisas na mesa e tentar alguma coisa. Você está fazendo ela sofrer, além de estar se matando aos poucos.
--Ainda não é o momento. Nenhum de nós está pronto. –ele deu uma pausa. –Nós não somos personagens de um romance, Jim... Talvez não estejamos destinados a ficar juntos. Talvez, simplesmente... Não exista um final feliz para todos.
E com um suspiro resignado, seguiu os passos dolorosos que a morena fizera antes.
Notas finais
Comentem, por favor! *-*
Até a próxima.
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