Fly Catherine
4 Capítulo 4 - Simplesmente Feliz
Vimos o homem entrar num casarão chique,igual aos da minha vizinhança.As cortinas estavam afastadas,sendo assim,podia se ver perfeitamente o que acontecia do outro lado.O homem conversava com uma mulher bonita;cabelos cacheados,de cor bronzeada,um rosto simétrico,e uma característica interessante;a mulher estava grávida.Depois de muito observar,a policia concluiu que eu não tinha acusação lícita alguma contra ele,e aparentemente,era rico.Pra não se causarem problemas,eles desistiram de nos ajudar e disseram pra ir pra casa.Victor se convenceu que estavam certos e disse que ia procurar um hotel para ficarmos.
E lá estava eu,sozinha,em outro país observando um cara por mais de cinco horas apenas por que sonhei com ele.Ao analisar a situação,pensei em mamãe.Será que ela estava certa e isso tudo terá sido neurose do meu transtorno?Afinal,por que diabos tenho que procurar saber quem é Rose?Mesmo que descobrisse quem é,que verdade isso me revelaria?Que diabos estou fazendo?E se magoei todos que amo por causa de algo da minha cabeça?Sinto tanta falta de todos,porém,o que a dona Andréia disse,qual é o sentido disso?Estou tão confus-
— Posso saber por que está espionando minha família? -Perguntou uma voz misteriosa.
Me virei e dei de cara com um moço,aparentemente colegial,cerca de 5 anos mais novo que eu.
— Sua família?conhece aquele homem? -Apontei para o cara do sonho
— Sim,é meu pai.Por que está o espionando? -Indagou o rapaz.
— Sonhei com ele.Ele dizia meu nome várias e várias vezes,sinto que ele tem algumas respostas que preciso. -Expliquei
O jovem riu e disse:
— Pra mim isso parece mais uma cantada.É amante dele?
— Não tenho interesse nele.Estou falando sério,vim aqui apenas para isso,realmente preciso descobrir algo e tenho quase certeza que ele está envolvido nisso de alguma forma.Afinal,se não estivesse envolvido não fugiria quando eu o achei pela primeira vez. -Argumentei
— Não faz sentido meu pai fugir,ou está mentindo ou ele realmente tem algo a ver com sua história louca. -Balbuciou o rapaz.
— Pode me ajudar?Por favor,só tem que convence-lo que,preciso de respostas,respostas que ele tem. -Pedi-o
— Tudo bem.Vamos entrar,lá é bem mais confortável,haha.Eu sou Lucas,você é?
— Catherine.
Lucas me levou até a porta e abriu.Me dei de cara com o homem do sonho,que logo perguntou a Lucas o por que de ter me convidado naquele recinto.
— Ela tem perguntas,e acha que você pode ajuda-la
— Quem é você?Por que foge de mim?O que você tanto me esconde? -Interroguei-o.
— Você..não tenho nada a lhe dizer.Pare de ser curiosa e continue vivendo sua vida novamente,acredite,é melhor assim..Pra todos.Agora saia já daqui. -Exigiu o homem
— Eu vim do Brasil apenas para saber o que aconteceu,não voltarei só por que pediu.Só pararei quando saber de tudo,e sei que você é responsável de alguma forma. -Afirmei
— O que houve pai?Como está envolvido nisso?Por que não dá as respostas que ela precisa? -Perguntou Lucas.
— Crowley,qual é seu envolvimento com essa mulher? -Indagou a esposa espantada.
— Está bem,eu direi.Tudo aconteceu há dezenove anos atrás,você devia ter uns 4 anos.Quando,a pedido e de algumas pessoas,apaguei sua memória,e lhe hipnotizei para que esquecesse sua verdadeira identidade e pensar ser outra pessoa.Isso é tudo que ouvirá da minha boca. -Revelou Crowley,o homem do sonho.
— Ah meu Deus!Isso é horrível!Crowley,diga que está mentindo.Você não pode ter feito tal coisa a uma criança,eu te conheço. -Gritou a esposa,que por sinal,teve como resposta apenas o silêncio.
Fiquei calada por um instante,pensando em tudo o que acontecera e agora,essa revelação inimaginável.Não sabia exatamente o que sentir,felicidade por não estar louca,tristeza por saber que não sou quem pensei ser minha vida inteira,confusão..isso revela o que senti.Então quebrando o silêncio da sala eu disse:
— Quem te pediu pra fazer tal coisa?Está dizendo que não sou Catherine Deville?
— Parem com isso,é simplesmente ridículo!Crowley não tem nada a ver com essa história,jamais faria mal a uma criança. -Afirmou a mulher.
— Essa casa..os estudos do Lucas..o colar caro de diamantes que te dei..tudo isso é graças as pessoas que me pagaram pelo que fiz com a menina.Me mandaram guardar segredo,eu já revelei,e agora,a única coisa que posso lhe dizer,é que,você não é Catherine Deville.Caso queira realmente saber,vá até a floresta que se encontra ao lado da ponte principal,procure por Helena.Ela te dirá o que quer saber. -Argumentou Crowley.
Agradeci as informações,e sai da casa.É claro que queria que Crowley me contasse mais coisas,porém,o homem estava claramente encrencado depois daquilo,e não queria mais confundir a esposa dele,estava grávida e tenho certeza que isso tudo não fez bem a pobrezinha.Então,sai perguntando onde ficava a tal ponte principal,afinal,a floresta era do lado.Todos sabiam onde ficava,então foi fácil acha-la.Estava frente a ponte e senti uma mão no meu ombro.
— Por que saiu de frente da casa?Te procurei que nem louco! -Perguntou Victor.
Expliquei a ele o acontecido e tudo que o cara disse,ele deu uma de moralista e disse que,não era pra eu sair sozinha novamente,afinal,estávamos juntos nessa.Entramos floresta a dentro e saímos procurando uma casa,afinal,se realmente mora uma Helena lá,ela tem uma casa ou algo assim.A floresta era densa,sombria,e fui picada diversas vezes ao longo do caminho.Estava com frio,cansada,mentalmente confusa e psicologicamente instável.Não aguentei,sentei no chão e me desmontei em lágrimas.Victor,que assistia a cena,se aproximou e disse:
— Olha..sei que não está sendo nada fácil pra você.Está longe da família e agora descobre que foi enganada e não é quem pensava sua vida inteira.No seu lugar,eu também surtaria.
Fiquei em silêncio,olhando pra ele,estava envergonhada,nunca deixo alguém me ver chorar,é como se ele visse a parte mais profunda do meu ser.E isso era tão desconfortável,afinal,eu sempre sou forte não importa a situaçã-
Interrompendo meu pensamento,Victor me beijou.Tão doce,tão quente,tão reconfortante.Era como se ele pegasse meu coração em suas mãos e o protegesse.Fiquei totalmente sem ação,foi ai que ele parou de beijar e disse:
— Você não precisa ser forte o tempo todo.Estou aqui esqueceu?Serei forte por você.
Nesse momento,eu sorri.Um sorriso sincero,daqueles que eu não dava há anos.Não contive.Não contive também a vontade que tive de abraça-lo,de uma forma em que todos os problemas sumissem,e parecer que só existia a gente nos Estados Unidos inteiro,no mundo todo,no universo.Foi tão mágico..Pela primeira vez em anos,eu estava realmente feliz,sem precisar fingir ou algo assim.Simplesmente feliz.
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