FlowerFell

2 1."Sweetheart"


Notas iniciais
*Dedico este capítulo aos meus queridos leitores Kayme-chan e Erick ♡♡♡ *Escrevi com muito amor e carinho espero que gostem ♡♡ *Eu não sou muito boa em escrever diálogos,mas me esforcei para tentar fazer algo bom. *Frisk é referida como criança,mas ela possui 12 anos de idade. *O shipp oficial da fic é Frans,mas nesse capítulo terá um pouco de Flowisk. *Não adaptei a palavra "Sweetheart" para o português,a tradução literal seria "Coração doce",mas o significado seria algo como "Querida" ou "Amor",prefiro a palavra original do inglês,pois eu acho que possui mais sentido,além da pronuncia ser mais fofa. *Vou explicar nas notas finais os motivos da minha demora de postagem. *AVISO: Violência explícita. *Sem mais delongas,Boa Leitura!

Manchas.

Era tudo o que Sans podia ver.Grandes manchas negras cobriam sua visão.O frio.Era tudo o que ele conseguia sentir nesse momento.De repente um estalo.Finalmente o seu corpo se tornou mole como de uma boneca.

Sua mente estava em branco,ele não conseguia processar direito o que estava acontecendo,mas se esforçava ao máximo para decifrar aquelas imagens estranhas e aleatórias que apareciam tão rapidamente,era difícil acompanha-las.Aos poucos,ele tentava enxergar.

"Flores?".O esqueleto perguntou com uma voz rouca.O som da sua respiração estava ficando mais alto a cada segundo que passava.

Cada vez mais pétalas douradas apareciam,lentamente ao redor dele.Nós seus braços.Pernas.Mãos.Não havia exceção.Como folhas secas de outono,elas voavam conforme o ventos as levava caindo em cima do monstro.

Aquilo era irritante,ridiculamente irritante,se ele pudesse se mexer,no mesmo instante jogaria tudo pelos ares,"que merda era aquela?" ele pensava,mas sua mente morreu no momento em que os borrões sumiram completamente.

Por algum motivo lágrimas escoriam dos seus olhos,seu corpo gelou ao escutar a voz fraca que sussurou bem perto de seu ouvido.

✡⚐☼☜ ☠⚐❄ ☝⚐✋☠☝ ❄⚐ ✋☹☜ ✌❄ ☜

Agora eram soluços.

☹☜✌☜✍

Por que ele estava chorando? algo naquela voz mexia no emocional do monstro.

✌☠

Os choramingos evoluíram para algo mais compulsivo,"que sensação era essa?" era como se o seu mundo estivesse caindo,a dor em seu peito era pior que mil estacas.Aqueles eventos estranhos estavam deixando o monstro desesperado.Num instante ele parecia se afastar daquela visão como se estivesse sendo sugado por um buraco negro.

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Acordando com o som do próprio grito,o comediante ofegava assustado.Passando a mão no crânio,ele reclamou socando a madeira:

"Que merda foi essa?Droga...era apenas um sonho."

"Talvez...não fosse uma boa ideia fumar aqueles ossos caninos do Doggo!".Afirmou o esqueleto gargalhando aliviado enquanto lia as pequenas letras na embalagem do cigarro canino."Os efeitos colaterais devem ser mais pesados com esqueletos?!"

"Droga...eu não posso pegar no sono...tive sorte dessa vez...".Abaixando a cabeça o esqueleto lançou um olhar culpado as garrafas de ketchup,maionese e mostarda ao seu lado."Vigiar é definitivamente um pé no saco! mas se Pap-"

Sua fala foi cortada.

Parecia que ele havia levado um choque.Papyrus,bem ele estava morto para ele.Sans sempre lembrou muito bem do esqueleto mais novo.Embora todos os olhassem com desgosto,Sans tentava encobrir suas mágoas com sorrisos falsos e piadas ruins,buscando juntar forças para seguir em frente e superar seus problemas,pois tudo o que importava era o bem estar de seu irmão.

Papyrus sempre sonhou em entrar na guarda real.Mesmo que sua intuição lhe massacrasse internamente,como irmão mas velho ele sempre o apoiou em tudo.Afinal era o sonho dele.Não queria decepciona-lo com a verdadeira natureza do mundo.

Foi um erro.

Aqueles olhos inocentes,Sans nunca mais os veria quando Papyrus entrou para o recrutamento,ele nunca mais foi o mesmo.Frio,arrogante era como o descrevia agora.Papyrus não era ninguém menos do que o chefe da guarda real.Embora todos os dias ele passasse por humilhações,o esqueleto realmente não se importava.

O que esses monstros haviam feito haviam feito com o seu pequeno irmãozinho?

Tudo parecia tão escuro,tão incolor,o mundo estava recheado de podridão.Era impossível caminhar por ali sem ser contaminado.Os humanos,Sans realmente os odiava,se não fosse por eles talvez todo esse rancor não jazesse dentro de cada um do subsolo.

O rei Asgore era ambicioso e egoísta,não era justo ele destruir a humanidade sozinho,essa diversão não devia ser apenas dele.Seis humanos já haviam sido executados.Aquilo era hilário.Era uma pena ele nunca ter tido a chance de assasinar algum.

Sans já havia matado vários outros monstros,mas nunca um humano.Era um hobbie,para desestressar sabe? a única maneira de aliviar a sua dor.

Anos haviam passado,e nenhum havia caído novamente,o comediante já estava desistindo.Seu irmão era obcecado em capturar algum,ele acreditava que isso faria todos o respeitarem,já que os comentários em relação a ele não eram os melhores.Papyrus estava tão cego que o obrigou a ficar de vigia todos os dias esperando a aparição de algum.Tinha que admitir ele era um idiota agora.Os olhos do esqueleto se encontraram com a grande porta das ruínas.

Sans riu sinceramente era impossível,não era? não tinha como outro humano aparecer,ele já havia esperado demais,infelizmente nenhum deles era tolo o suficiente.

Mas aquela curiosidade não o deixava em paz,o monstro só queria ter certeza de que aquilo era mesmo em vão.Afundando os pés na neve ele seguiu em direção a porta.Suspirou cansado.Estava muito frio.

Sem muita cerimônia,Sans teletransportou-se para dentro das ruínas.Caminhando naquele roxo doentio ele resolveu os mesmos quebra-cabeças irritantes e livrou-se de alguns Froggits e Whimsuns que não estavam no seu devido lugar.

Finalmente,ele chegou no fim das ruínas.Ele sabia.Não havia mais nada para fazer ali.De repente um barulho.Os olhos vermelhos do esqueleto aumentaram de tamanho parecendo um par de bolitas.Cauteloso,Sans adentrou na escuridão.

Tudo o que podia ver era o sol iluminando o canteiro de flores douradas.

O monstro entrou em choque assim que avistou a menina caída no chão.Aquilo parecia surreal,ele não estava acreditando.Um sorriso de orelha a orelha formou-se em seu rosto.Perfeito.Era a sua chance.

A criança humana tombou para o lado com o chute do monstro.Sangue fresco escorria pelo seu rosto."Ela esta morta?" pensou o esqueleto,não.Ele não permitira isso,a garota não podia morrer.A diversão nem havia começado.

Por um tempo observou seu rosto,parecia sereno apesar dela ter sofrido uma queda.Suas bochechas vermelhas estavam cobertas com lágrimas secas.Apesar disso não o sensibilizar,o esqueleto correu os dedos ossudos nos seus olhos adormecidos.Inconsciente.

Apenas a sua cabeça estava machucada,ele concluiu.

Levantando a blusa listrada,ele colocou logo em seguida a palma da mão no peito de Frisk.Conseguia ouvir perfeitamente a pulsação do orgão.Seria até agradável aquela gesto,se ele não desejasse arrancar o coração naquele momento mesmo.Surpreso,o monstro observou alguns cortes e hematomas que ficavam praticamente vivos na pele branca da menina.Por um breve momento,o esqueleto sentiu um sentimento estranho.Talvez empatia? não,era outra coisa.

Mas logo sua frieza natural afastou aquela sensação.Ele riu.Um riso impaciente.Ele não queria matar um simples humano,não.Isso seria entediante demais.

Sans queria matar um assassino.É claro,seria arriscado um outro monstro aparecer e roubar sua "presa".Mas apesar de tudo,ele era um excelente calculista.

Todas as suas ações tinham seus prós e contras.Logicamente ele escolheria a que traria mais benefícios,mas era quase um pecado para o comediante se não tivesse nenhuma pitada de "diversão".

Oh sim,ele queria ver com seus próprios olhos essa criança matar impiedosamente,transformando tudo o que visse em poeira.Queria ver a malícia pura naquela alma que estúpidos acreditavam pertencer a um anjo.

Então ele a puniria.Como um bom juiz.

Embora ele não ligasse para nenhum senso de "justiça",isso era para os fracos.Tudo o que ele queria era encarar o próprio mal na frente do espelho,para enfim estilhaça-ló em mil pedaços.

Um demônio condenando outro demônio.Afinal era "matar ou ser morto".

Poderia até soar cruel,mais era isso que tornava a realidade bem mais interessante.

Sans foi arrancado de seus pensamentos,assim que Frisk remexeu-se,parecia que finalmente estava acordando.Bem,já era hora de agir.Agora ele seria apenas um observador,um observador com fome de entretenimento.

"Não me decepcione,criança..."

Com um sorriso satisfeito o comediante afastou-se dali.Procurando um bom lugar para se esconder e apreciar o que vinha pela frente.

Finalmente,depois de tantos anos o monstro estava se sentindo feliz e empolgado.

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Frisk aos poucos abriu os olhos,logo os cobrindo com as mãos.A luz do sol estava muito quente e forte.Lentamente ela levantou-se analisando aquele lugar desconhecido.Sua cabeça doía tanto.

Gotas de sangue manchavam a ponta de seus dedos assim que a mesma a tocou.

Os sentidos da menina foram retornado,e ela finalmente pode ter uma ideia do seu estado.Sufocando um soluço,Frisk lutou para não derramar as lágrimas mal contidas em seus olhos.

Por que?,tudo o que queria era que sua dor acabasse.Mas nem isso era possível acontecer.Sentía-se tão covarde.Ela era realmente muito egoísta.

Como ela pode? não podia simplesmente fugir de seus problemas para sempre.Encarando a escuridão sombria,a garota fazia uma promessa.

De agora em diante ela seria uma guerreira.Não aguentava mais chorar no escuro sempre clamando por uma luz.Agora estava determinada a conseguir uma vida melhor.Concerteza ela trabalharia duro para seu desejo se realizar.

Batalharia mesmo com suas últimas forças.Ela sairia viva do Underground.Ninguém precisaria se machucar.Não mais.Sem um pingo de hesitação,Frisk deixou-se ser engolida pelo Breu das ruínas.Longe de sua visão,dois pares de olhos carmesim a observavam,cuidando cautelosamente os seus passos.

Não passou nem minutos e a humana já avistava a silhueta de uma flor.Engolindo em seco a menina se preparava psicologicamente para o que viria pela frente.Ela teria que ser forte.

"Olá...?"

"QUEM ESTA AÍ?????"

A voz do monstro era estridente e intimidadora.Mas nada se comparava com sua face.Apenas uma palavra poderia descreve-lá.Medonha.

Seu coração estava acelerado,respirando fundo ela tentou se acalmar evitando um ataque de pânico,sempre procurando não demonstrar nenhum tipo de fraqueza.

Aos poucos a face do monstro começou a suavizar assim que viu a criança humana.Seu olhar logo foi substituído por pesar.

"M-me desculpe...Eu não queria te assustar!".Quase tropeçando nas próprias palavras,ele prosseguiu.

"O que levou uma criança como você a vir aqui? é muito perigoso!,você devia estar com seus pais,você por acaso fugiu de casa? o meu Deus! o que eu vou fazer agora?

Enquanto a garota piscava confusa,Flowey vomitava as palavras com uma rapidez incrível.

"O Underground está cheio de monstros assassinos,como vou ser capaz de proteger você de algo assim?? eu não aguento mais ver isso,quantos humanos já morreram na minha frente e eu não pude fazer absolutamente nada!!"

Frisk estava prestes a dizer algo,mas logo foi cortada pela fala exasperada da flor.

"Me escute,por favor,apenas preste atenção no que eu vou dizer,ok?".A menina assentiu tentando não deixar o monstro mais apreensivo do que já estava.

"Em hipótese alguma,NUNCA saia de perto de mim,você pode se machucar,não se preocupe eu vou ajuda-lá a sair daqui!!

"Eu..."

"NÃO ESPERE!! o que eu estou fazendo??? será que estou ficando louco???talvez eu finalmente esteja perdendo minha sanidade de tanto conviver com esses seres horrorosos.Você precisa aprender a se defender,como pude me esquecer disso??eu vou dar o meu melhor para protegê-lá,mas não posso garantir cem por cento sua segurança!"

"Não se preocupe com iss-"

"O meu Deus!!O que eu vou fazer???eu sou tão inútil...porque eu ainda estou vivo?".O monstro reclamou com um tom choroso.

Aproximando-se dele Frisk entrelaçou seus braços ao redor da flor.As lágrimas novamente voltando em seus olhos.

"Eu sinto muito!!!".Ela sussurou com a voz já rouca e melancólica.

"Eu não queria te causar problemas,por favor me perdoe!!,não queria te deixar preocupado,a culpa não é sua!!.Eu não quero que você sofra!!,você merece uma vida feliz!!Não repita isso...nunca mais"

"Por que...?"

"O que...?"

"Por que você está se importando comigo?".Cuspindo a pergunta o monstro continuava tremendo abaixo da garota.

"Eu sou uma criatura tão suja,você deveria ter nojo de mim!!,afinal eu sou apenas mais um covarde!!Não fui capaz impedir nenhum assassinato!"

"I-isso não foi culpa sua...não foi você matou eles!"

"Humana,você não me conhece.Nem sequer sabe das coisas terríveis que eu fiz.Eu nunca fui alguém que prezou pela ordem e pela paz".As maçãs do rosto da flor foram se deformando dando origem aquela face horrenda que a mesma havia presenciado uns segundos atrás.

"Olhe para mim eu sou uma criatura imaculada!!!,apenas um ser deplorável que não foi capaz de defender crianças indefesas,como um egoísta repugnante que eu sou!!minha morte seria apenas gratificante!!!,eu não mereço nenhum terço de sua piedade..."

"NÃO DIGA ISSO!!!"

Frisk gritou o mais alto que seus pulmões puderam aguentar.O rosto surpreso do monstro logo a fez se arrepender de sua ação.

"Por favor só...pare"

Não cometerei o mesmo erro desta vez.

"Coisas boas e ruins acontecessem...mas as vezes não entendemos exatamente o por quê."

Não quero que ninguém sofra por minha causa novamente.

"Você se sente confuso e com medo,porque você não faz ideia de como resolver os seus problemas."

Eu quero buscar o meu perdão.Quero me redimir.

"Mas de forma alguma,não jogue toda a culpa em cima de você!!!"

Vou ser forte.Para proteger aqueles que eu amo.

"Eu prometo!! eu nunca vou te abandonar!! você não está mais sozinho!!!"

Perplexo,Flowey engolia um soluço desolado.Aquelas palavras emitidas pela criança a sua frente lhe davam um anormal deleite daquela situação.Sentía borboletas invisíveis arranharem suas entranhas.Uma formigação ardente crescia em seu peito.Trazendo emoções distorcidas e amáveis.

"Ninguém nunca disse algo assim para mim antes...obrigado"

Escondendo um sorriso,o monstro piscou freneticamente expulsando as lágrimas indesejadas acumuladas em seus olhos,então enfim afastando-se da garota.

"Você é tão gentil...até parece que você..."

"Sim?"

"Nada esquece,isso pode soar meio estranho para alguém que você acabou de conhecer"

"Como eu sou boba".Frisk declarou limpando suas lágrimas com as costas das mãos."Eu acabei chorando na sua frente,me desculpe..."

"Ei não fale como se fosse a única a fazer isso!!"

Ambos riram.De alguma forma a presença um do outro fazia os dois se sentirem melhor.

"Então...como você se chama?"

"Frisk,é você?"

"Como eu fui estúpido antes.Me desculpe Frisk.Eu sou Flowey.Flowey a flor"

"Prazer em te conhecer...Flowey!"

"O prazer é todo meu Frisk".Flowey disse com um sorriso."Bem..agora vamos começar pelo básico.Eu vou te ensinar como se defender."

"C-claro!!,eu estou pronta"

"Não se assuste!! a sensação é um pouco desconfortável."

Os ombros de Frisk se tornaram tensos.Flowey amaldiçoou a si mesmo por ter pronunciado a última frase.

"Pode ser meio novo para você.Mas tenho certeza que com o tempo você vai se acostumar.Não se preocupe,eu vou ser cuidadoso,não vou te machucar.Lançando um olhar tranquilizador a criança,ele cantarolou internamente assim que a humana retribuiu com um sorriso."Continuando essa é sua alma"

Frisk soltou um grito de surpresa assim que sua alma saiu para fora de seu corpo.Mas ela sabia que nada de ruim aconteceria.Mesmo que sentisse um pouco de medo.A menina confiava em Flowey.Se ele disse que não a machucaria.Então tudo daria certo.

"Nesse momento,você vai acabar entrando em uma LUTA.Desvie dos ataques e então você finalmente pode contra-atacar!!,mas se os ataques do seu adversário se tornarem muito violentos,você pode simplesmente fugir."

"Essa parte inclui nós dois.Você entendeu?"

"Sim..."

"Ótimo!".Flowey disse orgulhoso.

"Agora vamos procurar alguma coisa para você usar como arma,tente encontrar algo pesado ou pontudo,não é grande coisa,mas deve funcionar com monstros mais fracos"

"Certo!"

Flowey liberou Frisk.Dando a menina mais liberdade para procurar nas ruínas.Minutos depois a garota voltou com algumas pedras e um graveto nas mãos.Flowey fez uma careta,analisando os dois objetos,que por sinal não lhe agradavam muito.Suspirando,ele respondeu:

"Bem acho que podemos ficar com as pedras.Me parecem ser mais úteis"

A humana pensou um pouco.Pedras machucam.

"Eu acho melhor ficarmos com o graveto"

"O QUE??? você está falando sério??".Disse o monstro incrédulo.

"Claro que sim! porque eu não estaria?"

"Isso não vai causar dano.Não vai surtir nenhum efeito.O nosso objetivo e ferir o monstro,isso não machuca nem uma mosca!!!"

"Eu não quero ferir os monstros"

"Não dificulte as coisas Frisk.Isso é auto-defesa.É necessário"

"Eu tenho certeza se eu conversa-"

"CONVERSAR??Frisk,escute.Os monstros não vão parar os seus ataques para ouvir o que você esta dizendo.Sem contar que a maioria deles nem entende o que estamos falando.Isso é suicídio."

"Por favor,não seja teimosa,vamos ficar com as pedras,ok?"

"N-não!!!Me perdoe Flowey!!!Mas...eu não posso fazer isso!!!Por favor!! Me deixe tentar!!!só desta vez..."

Flowey suspirou derrotado.Era inútil,não era? Frisk não iria ouvi-lo.

"Tudo bem,leve isso de qualquer forma.Mas você vai me prometer uma coisa,que não vai sair de perto de mim,certo? eu vou dar um jeito"

"Obrigada Flowey,eu prometo"

Novamente a humana estava abraçando o monstro.O gesto carinhoso da menina fazia o monstro se sentir tão quente.Tão vivo.Acolhido.Teria que protegê-la.

"Só você mesmo Frisk...".Flowey afirmou já preocupado.

"Vamos nos apressar,é perigoso ficarmos aqui,logo a frente terão alguns quebra-cabeças que precisamos resolver,podem parecerem simples,mas são letais.Basta um erro e você já era.Não se preocupe eu sei a resposta para todos eles.Vivi um bom tempo nas ruínas.Você tem sorte de eu estar aqui.Quem sabe o que teria acontecido com você se eu não estivesse?!"

"Você tem razão Flowey...obrigada por cuidar de mim..."

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"Acredito que esse seja o último".Flowey disse ofegante."O último mais complicado,pelo menos"

"Como assim complicado?"

"Bem não é só questão de puxar alavancas ou apertar botões,para passar desse você precisa de um código para resolvê-lo já que alavanca está localizada no outro lado."

"Isso não é problema para mim.Mas para você seria perigoso.Não se preocupe! eu vou desativá-lo agora mesmo!"

Afundando no chão a flor facilmente conseguiu chegar no outro lado do cômodo.Flowey puxou a alanvanca.Com o quebra-cabeça desativado,o monstro em seguida acenou para Frisk lhe dando a permissão para passar em segurança.

"O que foi Frisk? esta com medo?"

"Um pouco.Tinha bastante espinhos...é meio assustador!"

"Sem problemas.Eu puxei a alavanca!.Confie em mim."

"Enquanto estiver para baixo o quebra-cabeça vai continuar inativo.Agora venha,temos que nós apressar e sair das ruínas o quanto antes!"

Frisk engoliu em seco.Aquela sensação de aperto no pescoço parecia voltar.Aquela temida angústia.A menina não havia dito nada a Flowey,pois não queria preocupar o monstro,mas desde todo o seu caminho pelas ruínas,ela tinha a certeza de que eles estavam sendo observados.Por algo.Por alguém que ela desconhecia.

Sua intuição estava lhe dizendo para tomar cuidado.O desconforto em seu estômago não era atoa.Ela estava com tanto medo.Esse sentimento era estranho.Muito estranho.

Pois ao mesmo tempo em que sentia temor,a menina também sentia segurança.Talvez ela só estivesse confusa.Dando um sorriso tenso para Flowey,a humana avançou sobre o metal plano.Conforme caminhava,o seu medo parecia diminuir.Frisk suspirou aliviada.Ela só estava nervosa,só isso.

Aquela situação era nova,diferente de tudo que ela havia presenciado em sua vida,teria que se acostumar aos poucos.

CLICK!

Em questão de segundos.A alavanca subiu.O tempo parecia congelar.O som de seu coração era a única coisa que sentia naquele momento.Soltando uma lufada de ar,o desespero aos poucos dominava os seus sentidos.Desesperada ela encarava o olhar confuso de Flowey no outro lado da sala,enquanto atrás dele.

Havia uma sombra.

Apesar de tudo acontecer insanamente rápido,a menina conseguiu captar dois pares de olhos vermelhos.Um arrepio percorreu sua espinha.Era como se estivesse olhando dentro de sua alma.Frisk sempre foi uma criança expressiva.Isso que mais a fascinava quando observava as pessoas.Mas aquele olhar.Era vazio.Como se não tivesse nenhum sentimento.

Indiferente.

Por um segundo ela podia jurar que ouviu resmungo?não.Não era um resmungo.Era uma risada. Uma risada perturbadora.Em um piscar de olhos,a figura desapareceu diante dela.A humana deixou escapar um soluço.Ela sabia o que aconteceria depois.

"FRISK!!!,CUIDAD-"

Um grito estrangulado saiu dos lábios de Frisk.O metal grosso do espinho empalou rapidamente os seus dois pés.Sangue vivo escorria pelo enorme ferimento aberto.O Deus, aquilo era tão cruel.Lágrimas incessantes escorriam pelo seu rosto.A garota gemia desesperada tentando inutilmente arrancar o espinho que perfurava seus pés.

"N-NÃO!!!! ISSO NÃO DEVIA ACONTECER!! FIQUE CALMA,EU VOU TE AJUDAR!!

Flowey em pânico puxava a alvanca brutamente.Sem sucesso.Estava emperrada.

"DROGA!'.O monstro gritou desesperado.

"Doí...doí...doí...por favor...pare...".Frisk repetia fracamente quase como uma oração sofrida.Ela estava perdendo muito sangue.

"O MEU DEUS!! VAMOS LÁ!!! ABAIXA POR FAVOR!!!"

CLICK!

Frisk gritou dolorosamente de novo.Embora estivesse aliviada que o espinho finalmente tenha saído,a rapidez do processo só rasgava ainda mais sua pele.Mancando a menina tentava correr para fora da superfície do quebra-cabeça,deixando um rastro de sangue por onde passava.

Flowey esticou suas raízes o máximo que pode,quase como um elástico.Agarrando o braço de Frisk,o monstro logo em seguia a puxou com toda a sua força.Seus olhos se arregalaram assim que a humana foi facilmente afastada dele.Por uma força invisível.

A menina foi jogada rudemente no metal frio.Rápido como um raio.Flowey enlaçou a alavanca.Um monstro.Algum monstro estava ali.E queria matar Frisk.Ele já deveria saber.Mas quem? esse poder era estranho.Espere.A não ser que? não.Não poderia ser ele.Frisk se debatia tentando se levantar.Algo a prendia duramente no chão.Por algum motivo sua alma estava azul chamando atenção da garota fazendo-a parar completamente a sua luta.

As raízes de Flowey latejavam enquanto ele segurava a alavanca que estava sendo loucamente forçada para baixo.Suor quente escorria pelo seu rosto.Ele estava no seu limite.Mas ele teria que aguentar.

Por Frisk.

Por ele.

Finalmente seus braços arrebentaram e o monstro explodiu em lágrimas.Lamentanto profundamente por ser tão fraco.

CLICK!

Aquela cena era grotesca e lamentável.Vários espinhos perfurados no corpo rasgado de Frisk.Não houve tempo para ela gritar.Pois um enorme espinho já havia cortado suas cordas vocais.Suas pernas e braços completamente empalados.

Os pingos de sangue escorrendo pelo seu estômago formando uma poça logo abaixo dela.Sua alma rachada tremia ainda viva graças a determinação.Mas não demorou muito para se partir sem piedade ao meio.

Desligando sua visão.

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Frisk não tinha certeza onde estava.Tudo estava escuro.E a única coisa que ela sentia era medo.Seus braços e pernas estavam moles e caídos.Algo acariciava carinhosamente seus cabelos,murmurando frases inaudíveis.De repente ela conseguia sentir levemente um balaço.Parecia que alguém estava a carregando.Um frio repentino.A garota se encolheu.

Mas algo quente parecia estar acima dela,como um cobertor.Estava molhado.Um cheiro forte de Katchup inundou seu nariz.Sentia uma sensação meio nostálgica.Aquilo era bizarro.De repente o balanço parecia aumentar.Deixando a menina enjoada.Estaria correndo?

"Somatse esauq odnagehc".Uma voz grossa falou.

"Etneuga siam mu ocuop,siam snugla sossap e són someragehc on oirótarobal".

Aos poucos foi se tornando um sussuro.Como se estivesse em câmera lenta.

"Syphla eved ret mugla otodítna,ale met euq ret!".Algo úmido e gelado pingou em seu rosto escorrendo pela suas bochechas e boca.Tinha um gosto salgado

"Etneuga,ós siam mu ocuop,ko?ue ouv et raruc,ue otemorp."

Uma sonolência torturante pegou Frisk de surpresa junto com cansaço e apatia.Ela não entendia o que estava acontecendo.Sua garganta ardia como se estivesse gritando a uns minutos atrás.

Um estalo.

"Traehtteews?"

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Frisk!!.Frisk!!.FRISK!!!

Acordando em um salto a menina olhou rapidamente em volta.Com receio de estar em um lugar diferente.O roxo familiar das ruínas logo a tranquilizou.

Suspirando.Ela encarou os olhos assustados de Flowey.Seus pensamentos foram se reorganizando,Frisk se encolheu quando lembraças do último reset passaram em sua cabeça.Os espinhos atravessando seu corpo.Tanta dor.Ela havia morrido.

Tremendo a criança choramingava aterrorizada.Limpando as lágrimas com a ponta dos dedos,sua mente ficou em branco assim que notou pequenas flores douradas em volta de seu pulsos.

Havia nas suas pernas.Na sua barriga também.Levando as mãos para tocar sua cabeça pode sentir mais flores atrás de suas orelhas e em seu cabelo.

A garota balançou-se esperando que as mesmas caíssem.Nada aconteceu.Tentou puxa-las.Péssima idéia.Doeu muito.Com sua respiração acelerada Frisk estava prestes a ter uma crise de ansiedade.

Engolindo em seco ela lutou para se acalmar e não afetar o emocional de Flowey.

"N-não...essas flores...esta acontecendo de novo...".Flowey disse balançando a cabeça chorando melancólicamente.

"F-Flowey?? O que houve?? Por que você está chorando???".Disse a menina se aproximando mais do monstro.

"Me perdoe...Isso é tudo culpa minha!,se eu tivesse te protegido nada disso teria acontecido".A flor já havia perdido a conta de quantas vezes havia chorado naquele dia.

"Não foi sua culpa!! Foi minha!!!eu não tive cuidado...".Suas tentativas de acalmar o monstro pareciam não surtir nenhum efeito."Tinha...uma sombra"

"Uma sombra? hah. Eu já devia saber.Era mais que óbvio que outros monstros apareceriam para tentar te matar.COMO FUI IDIOTA ATÉ ESSE PONTO???"

O grito repentino de Flowey assustou Frisk.Ela tentou se aproximar dele,mais isso só fez com que se afastasse.Realmente não importava onde ela estava.Sempre acabava trazendo problemas.E machucando quem amava.Porque estava condenada a sempre seguir essa sina?

"VOCÊ NÃO PODE MORRER DE NOVO...EU PROMETO EU VOU TE PROTEGER..."

"Flow-".Frisk tentou docemente chamá-lo.

"CHARA!!!..."

Franzindo o cenho,a humana torceu o rosto surpresa fazendo uma careta.

Abaixando a cabeça o monstro encarou o chão em silêncio.Droga.

"Chara? quem é Chara?".Frisk perguntou inocentemente.

Nenhuma respota.

"Flowey...?"

"Ninguém que você precise saber."

Um arrepio percorreu a espinha de Frisk.Fazendo os seus olhos lacrimejarem.O tom de voz do monstro causou um aperto em seu coração.O jeito que ele disse.Tão frio e distante.Flowey estava esquisito.

"Me perdoe eu não queria ter gritado."Um estranho brilho circulava nos olhos do monstro junto com uma expressão ilegível.

"T-tudo bem..."

"Vamos."

"O que?".A garota disse confusa.

"É perigoso ficar aqui,é melhor irmos logo."

"Eh? ah s-sim...você está certo."

Levantando-se do chão,Frisk acompanhou Flowey logo em seguida.O clima tenso entre os dois parecia aumentar a cada passo que eles davam.O monstro nem sequer se atreveu a olhar para Frisk novamente.

Isso a deixava nervosa.Será que havia tocado em algum assunto que não devia? ela realmente não sabia.Não queria ter feito nada para magoar Flowey.

E agora? e se ela tentasse falar com ele? será que o deixaria zangado? ou talvez o melhor fosse ficar queita? mas e se isso o fizesse pensar que ela não se importa com ele? o Meu Deus,ela estava tão indecisa.

"Essas flores em seu corpo são frutos de uma doença.".O som da voz de Flowey arrancou Frisk de seus pensamentos.Assustando a menina.Desviando o olhar o monstro prosseguiu.

"Infelizmente todo humano que possui uma alma com uma grande quantidade de determinação,capaz de persistir até a morte, acaba infectado.É como se fosse um parasita devorando o corpo do hospedeiro.Ela vai sugando aos poucos a essência da alma até deixá-la fraca o suficiente para quebrar."

Frisk tremeu com a última frase.Estava tão chocada com o que havia ouvido agora.Não tinha palavras e nem coragem para respondê-lo.

Sua melhor escolha foi o silêncio.

"Cada vez que o portador resetar vai fazer com que a doença se fortaleça cada vez mais.Até que o mate instantânemente.Os humanos eram tão fortes e determinados.Não importava o quanto tentasemos.Não conseguimos vence-lós.Por esse motivo muitos de nós foram massacrados.Perdemos a luta.E acabamos presos no subsolo.O rei Asgore resolveu dar um basta nessa história."

Parando de caminhar,Flowey virou o corpo encarando os olhos temerosos de Frisk.Com aquele mesmo brilho exótico que a mesma não conseguia decifrar.

"Então ele decidiu fazer um experimento.Com o auxílio da cientista real a Dra.Alphys,eles desenvolveram um projeto ganancioso.Os dois criariam algo extremamente nocivo capaz de degenerar as almas determinadas dos humanos.O feitiço usado pelos magos para nos prender no Underground era muito forte.A quantidade de magia usada naquele encanto era inimaginável.Asgore sonhava em criar algo tão poderoso como tal,mas que fosse capaz de agravar consequentemente o ser afetado.A teoria se baseava na ideia de que com a união de magia e da ciência,daria origem a uma maldição.E no final acabou dando certo."

"Numa manhã ensolarada vários gases tóxicos foram liberados em diferentes lugares do subsolo.O veneno era tão forte que poderia provocar efeitos colaterais até mesmo em nós,monstros.Era um plano totalmente arriscado.Naquele dia houve uma chacina.Vários monstros morreram intoxicados ou ficaram terrivelmente deformados."

Flowey fez uma cara de nojo ao citar essa última parte.Enquanto Frisk só o escutava imóvel.

"A Dra.Alphys garantiu que o Underground ficaria infectado por esses gases para sempre.Então seria mais fácil ver o progresso do experimento assim que um humano caísse.Ninguém tinha cem por cento de certeza se o experimento havia sido concluído com sucesso.Então vários boatos surgiram de que o projeto havia falhado,já que era comum os efeitos colaterais em qualquer tipo de experimento.Levaria muitos anos para descobrirmos se isso era verdadeiro ou falso.Depois de muito tempo.O primeiro humano caiu no subsolo..."

Soltando uma lufada de ar o monstro continuou.

"O rei e a rainha ficaram tão encantados com a criança humana.Que a adotaram como sua própria filha.Ignorando completamente os comentários maldosos e contrários em relação a essa atitude.Com o tempo ela começou a ser vista com outros olhos e aos poucos sendo aceita pelos monstros.Eles eram uma família feliz.Mas eles estavam tão felizes.Tão distraídos.Que se esqueceram completamente da burrisse que haviam feito uns anos atrás.E o inevitável aconteceu.Foi tudo tão rápido.Não teve tempo para impedir.A criança acabou...ela..."

Um soluço mal contido.Lágrimas grandes e gordas subiam pelos seus olhos.Flowey estava chorando compulsivamente.Rapidamente Frisk correu e o abraçou pela terçeira vez naquele dia.

"Eu sinto muito Flowey...de verdade".A menina declarou acariciando a parte de trás da cabeça da flor.

"CHARA NÃO MERECIA ISSO!!!...".O monstro urrou completamente quebrado.

"Claro que não!!!,ela não merecia nada disto...".Flowey lamentava baixinho molhando completamente o ombro de Frisk.

"Mas eu tenho certeza de que ela ficaria triste se visse você desse jeito,então por favor...".Segurando o rosto da flor com ambas as mãos,Frisk prosseguiu."Sorria e seja feliz por ela,certo?"

"Obrigado Frisk...você é muito parecida com ela".O monstro afrimou fungando."Eu fiquei tão preocupado quando você estava inconsciente.Eu pensei que-"

"Eu estou bem.Não se preocupe mais.Eu vou te obedecer de agora em diante.Se você está com medo que eu me machuque,então eu prometo não me arriscar sem necessidade."

"Frisk você é tão estranha...assim como Chara era".O monstro declarou dando um pequeno sorriso para a humana que retribuiu logo em seguida.

"Não adianta.Nós somos dois bebes chorões depois de tudo.Olhe só para isso?".Sorrindo Frisk mostrou para Flowey uma gota da lágrima em seus dedos.Embora ela nem percebesse os olhos arregalados do monstro.Aquela Frase.

Frisk era tão parecida com Chara.Como ele era egoísta,talvez esse fosse o único motivo que o impulsionava a proteger a garota e não deixa-la morrer naquele inferno.Piscando os olhos vermelhos e semicerrados,o monstro engoliu o choro se afastando da garota.

"Muito bem! Então Frisk,você me promete que não vai se arriscar?? espero que não quebre sua promessa,hein? tenho uma excelente memória!! concerteza me lembrarei disso!"

"Eu prometo!.Mas isso também vale para você Flowey"

"Ok,ok.Eu também prometo não fazer nada descuidado."O sorriso aos poucos desaparecendo do seu rosto,sendo logo substituído por uma carranca séria.

"Eu acredito que você possa viver uma vida normal,Frisk.Portanto que não ocorra outros resets.Mas infelizmente essas flores são permanentes"

"Sem problemas.Eu posso me acostumar com elas.Você acha que eu estou mais bonita?"

As bochechas amarelas da flor logo foram ganhando um vermelhinho quase rosa.Flowey corou de constrangimento e vergonha.

"O que foi,Flowey? Por que você está ficando vermelho?".A criança perguntou inocentemente.

"N-NADA!!! De qualquer forma vamos seguir em frente.Já fizemos pausas demais por hoje.O nosso objetivo é sair das ruínas o mais rápido possível.Mas estamos super atrasados!"

"C-certo!! Me desculpe Flowey!! vamos!!"

A menina correu na frente deixando o monstro para trás fazendo beicinho.

"Ei Frisk!! não corra!! você pode acabar pisando nessas folhas secas".Flowey apontou o chão com suas vigas."Folhas de outono quebram fácil,portando fazem muito barulho e consequentemente acabam chamando a atenção dos monstros!"

"Me desculpe!! eu não vou fazer de novo!!".A garota prometeu balançando suas mãos em frente ao seu rosto.

"Bom,isso é ótimo!".O monstro afirmou com um sorrisso satisfeito."Apesar de sua teimosia,você é a única pessoa que eu ainda confio."

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O som da neve sendo esmagada a cada segundo,era calmo e doce,dando um sentimento pacífico no coração de quem o escutasse.O nevoeiro gélido presente no ambiente cobria a pequena floresta de ciprestes, parecendo um travesseiro gigante e fofo.

O abismo dificultava o acesso das gotas da chuva,consequentemente criando um clima úmido e abafado,apesar do inverno ser rigorosamente frio,não era suficiente para impedir o terrível efeito estufa.

Nem mesmo os belos pinheiros de Taiga conseguiam tirar a tensão sobre os ombros da humana e do monstro que seguiam aflitos para qualquer lugar em que estivessem protegidos e seguros.

Os lábios rachados da garota tremiam soltando pequenas fumaças nas pétalas douradas da flor que a mesma segurava firmemente na sua frente, plantada no vaso de argila.Seus dedinhos já se encontravam roxos e doloridos.Pobre criança,qual é o sentido desse esforço? a ação era apenas estúpida e irracional.

Ofegando de cansaço,a menina parou de caminhar.Fraca demais para sustentar as finas pernas que cambaleavam,quase perdendo o equilíbrio.

"F-Frisk??? você está bem???".A criatura gesticulou com suas raízes,um olhar preocupado manchava seu rosto.

Lançando um olhar triste,a menina assentiu com um sorriso forçado.Isso quebrou o coração do monstro,as feridas abertas em sua pele macia eram dignas de pena.De fato o fogo havia feito um belo estrago em seu corpo,seria necessário imediatamente um reset,seu HP estava tão baixo quase chegando ao zero,concerteza curaria todos os seus ferimentos,mais isso só tornaria sua morte mais próxima,graças aquela maldita doença.

Não importava,isso não ajudaria em nada, logo ela acabaria entrando em obito se continuasse exposta naquele tempo,Flowey não queria ficar alarmado,mas ele tinha a leve impressão de que os membros da garota já estavam em processo de gangrena, O que ele poderia fazer?

Repetinamente o som de um galho sendo quebrando arrancou Flowey de seus pensamentos.Seus instintos de sobrevivência logo entrando em alerta.O que foi isso?.Frisk emitiu um som de surpesa assim que seus olhos se encontraram com o objeto.

"E-ele foi quebrado como se fosse nada".Seu corpo estremeceu com a afirmação da criança.Droga.

"Frisk".Foi a primeira vez que a criatura pronunciara o nome da garota com firmeza e confiança."Corre,rápido."

Assustada sem nem olhar para trás,a menina obedeceu o monstro afundando seus sapatos na neve deixando pequenos buracos em formato de pegadas na trilha por onde corria.Os corações dos dois pulsavam em sincronia,enquanto o desconforto em seu estômago só aumentava a cada minuto.

Se Flowey não se encontrasse naquela situação,a flor estaria nesse exato momento tirando todo o seu mal-estar ali mesmo,era difícil se conter.Teria que aguentar,seu nervosismo não poderia ser mais forte que sua ânsia de vômito.

O barulho de passos apressados atrás deles,só piorou ainda mais seu desconforto no estômago.Suas expectativas e esperanças de que tudo daria certo foram sugadas cruelmente de seu corpo.

A ponte estava quebrada.Um grande abismo era visto abaixo dela.O olhar chocado no rosto do monstro assustou Frisk.Por que eles tinham que se sentirem tão impotentes? sempre estavam a mercê do inimigo.Presos e encurralados como animais em dias de caça.

"F-Flowey,eu estou com medo".As minúsculas maõzinhas da garota tremiam violentamente,junto com seu corpo.isso não era normal.Sua saúde estava piorando."E-e-e-eu n-n-não q-quero m--morrer! de nov-o-o...n-não!!."

"V-você não vai morrer,eu prometo".Aquilo soou tão patético,ele sabia que aquilo que havia dito não era verdade.Contando mentiras.Era as únicas coisas que ele fez a vida inteira.Sentia vergonha de sí mesmo.

Novamente o som da neve sendo esmagada tocou seus ouvidos,mas dessa vez não mais doce e calmante como antes.Os passos bruscos e barulhentos só encorajavam mais ao monstro e a humana a ficarem imóveis.

De repente os sons cessaram.Frisk soltou uma lufada de ar que o caminho inteiro trancava com persistência em sua garganta.Seus pelos imediatamente se eriçaram com o súbito contato do hálito quente em sua nuca.

Seu coração e todo o resto de seu corpo estremeceram de medo.Não era necessário contato visual para enxergar o olhar assassino que os espreitava perigosamente atrás deles.Frisk estava prestes a fechar os olhos desejando que nada daquilo fosse real.Já não tinha tanta certeza se suas pernas aguentariam tanta pressão,o aperto em seu peito estava a impedindo de respirar prendendo seus suspiros no fundo da garganta.

"Ninguém te ensinou que é feio ignorar os outros?" Choramingando a menina encolheu-se com medo deixando as lágrimas quentes rolarem pelo seu rosto.Frisk soluçava fracamente apertando as mãos entorno do vaso de Flowey tentando encontrar uma falsa sensação de segurança.

"Que criança chorona,parece um bebe.Isso é uma vergonha.Hey vamos lá,eu não sou tão horrível assim...você não sabe cumprimentar um novo amigo? apenas vire-se e aperte minha mão."

Flowey estava em estado de choque incapaz de impedir as ações da garota.O frio estava se alastrando com rapidez sobre seu corpo.Pensamentos antes presentes iam se afastando cada vez mais,deixando sua mente em branco.O que eram aquelas coisas negras que cobriam visão?

Manchas.

Lutando contra a sonolência,a garota virou-se devagar estendendo o braço até a mão ossuda do esqueleto.Encarando a neve branca,Frisk já podia sentir suas pálpebras pesarem como chumbo enquanto seu corpo tremia violentamente.

"Viu? não foi tão difícil..."

Sua pequena mãozinha pálida amorteceu por completo,deixando escorregar o vaso gelado de seus dedos pálidos que logo com um baque suave espatifou-se na neve macia.

Cambaleando,a menina tentava inutilmente firmar suas pernas no chão,junto com o vento frio um suspiro cansado escapou de seus pulmões doloridos,finalmente Frisk sucumbiu e desabou sobre o monstro.

Com os olhos semicerrados sobre o peito do esqueleto,a garota gemeu com o aperto forte em seu braço.O cheiro de katchup era intoxicante.Ela nem sequer notou que seu HP diminuía drasticamente.Seus membros relaxaram,e a consciência foi varrida de sua mente.

"SweetHeart..."

Notas finais
*Primeiro eu gostaria de pedir desculpas por toda essa demora.Levou cerca de 4 meses até a postagem,eu sei foi muito tempo.Meus planos era postar o capítulo em janeiro,ele já estava pronto e escrito,estava tudo certinho para mim postar,mas aconteceu uns probleminhas.Eu fiquei um bom tempo fora de casa,eu estava viajando,e meu computador estava com vírus como eu já falei antes,e nesse meio tempo ele foi para o conserto sem eu saber. *Eu perdi tudo o que eu havia feito.Eu passei vários dias reescrevendo o capítulo,foi uma pena,eu fiquei bem triste com tudo isso.Mas valeu a pena pois foi por vocês.Eu tinha salvo alguns pedaços da história em um pendrive que eu levei para escrever e dar uma melhorada enquanto eu estava fora,isso me ajudou um pouco. *Algumas partes perdidas da fic eu optei por não escrever novamente,pois levaria muito mais que 4 meses,eu havia escrito o encontro da Frisk com a Toriel,nessa relação das duas mostrava mais o passado de Frisk e os motivos dela ter subido no monte Ebott,eu pretendo mostrar isso em um flashback. http://img10.deviantart.net/29b5/i/2016/042/4/c/chara___flowerfell_au_by_sense19-d9rc64k.png Me inspirei nessa fanart para fazer o passado do Flowey :3 *Críticas construtivas são bem-vindas! *Até o próximo capítulo ♥♥♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.