Flower of science
7 Sonhos e pesadelos
Notas iniciais
POV´S MÔNICA:
Me vejo em um imenso gramado,a grama era de um verde primavera e as flores amarelas balançavam conforme a fresca brisa trazida do mar a minha frente,o barulho das ondas batendo na beira me acalmavam,tudo que eu sentia era uma paz imensa,aqui era um refugio de tranquilidade.
O céu estava bastante claro,estou deitada naquela grama e levanto minha visão que logo é ofuscada pela luz incontestavelmente brilhante do sol,mas algo se põe na frente dos meus olhos,interrompendo a visão,sinto a sua sombra sobre mim.
Era um garoto,meus olhos logo focam na sua figura embaçada,era...era o Cebola!!!:
–Cê!!! Ai meu Deus Cê!!!-levanto e o vejo em pé na minha frente,ele estava sorrindo de um jeito doce e encantador,como sempre fazia.
–Ta tudo bem,vai ficar tudo bem,estou aqui com você.-ele diz sussurando para mim mas não mexe nenhum músculo.
Sinto uma lágrima cair sobre meu rosto,ele estava bem ali na minha frente,tudo nele era tão familiar para mim...era como se ver no próprio espelho de tanto que eu conhecia cada parte daquele rosto,cada expressão...tudo.Ele me faz sentir em casa:
–Eu estou com medo Cê.-sinto um nó na minha garganta.-Com muito medo.
Ele põe suas mãos no meu rosto,reconheço aquele toque em qualquer lugar:
–Não fique,seja forte como sempre foi-ele diz e limpa minhas lágrimas com um dos dedos.
Suspiro exausta e afogo minha cabeça entre seus braços,ele me abraça mais forte ainda,para mim não havia melhor lugar para se estar do que ao lado dele,pela primeira vez durante todo esse tempo me sinto segura.
Mas algo nos interrompe,alguém coloca as mãos levemente no ombro de Cebola o fazendo virar,era a Irene.Ela lança seu sorriso de boneca,bobo como sempre e parece não notar minha presença ali:
–Vem,vem comigo.-sua voz soa como um eco assustador na minha cabeça.-Deixa isso para lá Cê,ela não vai mais voltar.
Era como se nenhum dos dois notassem minha presença ali,eu estava assistindo enquanto Cebola sorria como um tolo seguindo o canto da sereia:
–Ela esta morta.-ela diz ainda soando como um eco.
Cebola a segue e os dois saem de mãos dadas:
–Ela não esta aqui para nos atrapalhar Cê,seremos apenas nos dois.
“Nos dois” “nos dois”,a frase repete inúmeras vezes me fazendo colocar as mãos nos ouvidos duramente,não! Isso não podia ser verdade.
Fico pálida e estática,meu corpo se enche de medo,vejo os dois admirando felizes um caixão branco no meio do gramado,me aproximo.
A pessoa morta parecia uma boneca de porcelana,frágil e pálida,essa pessoa era eu.
Grito de horror enquanto os dois ainda estão de mãos dadas e felizes olhando para a figura de longo vestido branco no caixão.Me afasto com medo e vejo que toda a grama ao redor começa a morrer,até tudo virar cinza.As flores murcham e o céu é coberto por nuvens negras,um forte vento leva todas as árvores violentamente para o mar.
Irene vira seu olhar para trás enquanto Cebola ainda fitava o caixão a sua frente,ela sorri perversamente para mim e percebo que agora ela pode me ver.Ela estava puramente feliz com minha reação de espanto.
Irene então empurra Cebola para outro caixão em uma cova profunda.Grito ao ver ele despencar gritando meu nome e sendo engolido pela escuridão;
–CEBOLAAAAAAAA!!!! CEBOLAAAAAAAAAAAAAAA NÃO!!!!!!!!!!!!!!
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POV´S AUTORA:
Angel estava deitada em sua cama em um sono profundo,mas algo a puxa de volta a realidade,gritos altos.Ela acorda totalmente desnorteada e confusa e olha para todos os lados.
Era a Mônica,ela gritava enquanto apertava com toda a força o travesseiro em sua cabeça,estava molhada de suor enquanto se sacudia violentamente contra o colchão.
Angel arregala os olhos e mesmo assustada corre até a amiga.Ela sacode Mônica com força,mas nada parecia acordar-la:
–MÔNICA!!! MÔNICA ACORDA!!!
–NÃOOOOOOOOO!!! NÃOOOOO!!!!!!!!!!!!!!-ela grita ainda mais alto enquanto aperta os olhos bruscamente.
Angel vê que nada iria acorda-la até ver um copo de d´gua no criado mudo,ela o pega e com coragem derrama o liquido no rosto da Mônica.
Ela acorda com um salto,sem rumo e assustada.Sua respiração era alta e ruidosa.Seus olhos pareciam alheios a tudo ao seu redor por um momento,mas logo ela parece voltar a realidade:
–A-Angel???-ela pronuncia seu nome quase sem ar nos pulmões.
–Sou eu,sou eu!-Angel diz e Mônica a abraça de repente e sem aviso prévio.
Ela quase sente as costelas serem esmagadas,mas ao invés de se afastar retribui o abraço:
–M-me desculpe se assustei você.-Mônica diz e todo seu corpo treme freneticamente e sua pela está gelada como nunca.-Não queria ter te acordado.
–Não tem problema Mô,eu também tenho pesadelo as vezes,lembra?-ela sorri e se afasta um pouco para poder olhar em seu rosto.-Toda vez você me ajuda,porque acha que eu não faria o mesmo por você?
Mônica dá um leve sorriso,enquanto suas mãos ainda estão tremulas,apesar do susto, ela se sente aliviada”calma Mônica,foi apenas uma pesadelo”pensa consigo mesma e deixa suas costas caírem de volta no colchão:
–Vem aqui,vem.-ela chama Angel que deita ao seu lado,as duas se abraçam fortemente.-Não sei o que eu faria sem você aqui comigo.
Angel sorri aconchegada:
–Eu também não.-ela deita a cabeça em seu pescoço,era tão bom ter a Mônica ao seu lado,era como ter uma irmã mais velha,as vezes até mesmo uma mãe,uma mãe que ela nunca teve.-Me diz... com o que você sonhou?
Mônica suspira pesadamente,estava exausta:
–Não quero falar sobre isso.
–Você estava gritando “Cebola”.-Angel fita a amiga com curiosidade-Estava com fome?
Mônica não resiste e começa a rir,Angel lança um olhar de preocupação como se dissesse “ela é doida”:
–Não Angel,eu não estava com fome,sabe aquele garoto que eu te falei?-ela concorda.-Então...foi ele.
–Não entendo por que isso seja ruim,você parece tão...apaixonada quando fala dele.
Mônica desvia o olhar para qualquer outro canto,ela não queria lembrar do Cebola,não queria lembra de ninguém.Essas lembranças só traziam dor,ela estava com saudades de todos que amava mas não podia ter-los de volta,isso era infinitamente pior do que qualquer tortura que ela pudesse passar.
Seus pais,seus amigos,Cebola...como eles estariam agora? Será que estavam sentindo saudades? Será que estavam procurando por ela? Mônica de repente lembra do sonho,” Ela não esta aqui para nos atrapalhar Cê,seremos apenas nos dois”,não! Eles com certeza estavam a procurando,o Cebola jamais iria ser tão frio a ponto de não se importar.
“Ah ele seria sim Mônica,lembre do jantar,lembre do que ele te disse” seu inconciênte a provoca.Ela novamente olha para Angel:
–Eu tenho uma amiga,o nome dela é Magali,aposto que você amaria ela também.-Mônica desvia do assunto lembrando da comilona da turma,seu coração aperta de tantas saudades.
E as duas conversam até pegarem no mais profundo sono novamente.
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–Alo?franja?
Cebola andava de uma lado para o outro no seu quarto enquanto Irene o encarava escondendo sua frustração”hunf,novamente aquela dentuça”:
–Oi Cebola,espero que tenha recebido as informações por email,é pouco ainda,mas estou tentando de tudo para conseguir mais.-Franja fala do outro lado da linha,e Irene consegue lhe ouvir por causa do viva voz.
–É melhor que nada.-Cebola senta e abre seu notebook que já estava no seu email,ele vê o arquivo e clica.-Hum...uma fabrica?-ele fica confuso.
–Sim,mas não é exatamente da fabrica que estamos procurando,apenas uma localização próxima do local onde provavelmente a Mônica pode estar,é uma região deserta perto da cidade.
Cebola suspira aliviado:
–Ah graças a Deus,pensei que ela poderia estar em outra cidade ou até em outro pais.
Irene revira os olhos e suspira irritada sem que ele perceba:
–Ainda pode haver essa possibilidade.-Franja diz mais sério.-Como eu disse...não posso te dar cem por cento de garantia,mas vamos torcer para que ela realmente esteja por perto.
Cebola passa a mão pelo rosto exausto:
–Sim claro.Mas me diz...como você conseguiu esses dados? São bem uteis.
–Quando sequestraram a Mônica eles jogaram o celular dela fora,daí eu consegui rastrear sua localização por satélite de acordo com o código do aparelho mesmo estando desligado,uma invenção minha.-Franja se gaba,orgulhoso de si mesmo.
–Genial!! De boa... você daria um bom agente da FBI!
–Não é meu ramo meu caro,prefiro ser um humilde inventor e ajudar meus amigos,estou nessa e não vou desistir de salvar a Mônica!
Cebola quase não consegue conter a alegria,finalmente uma luz no fim do túnel:
–Podemos procurar ela hoje!!
Irene arregala os olhos diante da ideia e do outro lado da linha Franja engasga,faz-se um pequeno silêncio que logo é quebrado:
–O que???-ele diz abismado.-Cebola...é muito perigoso,devemos entregar esses dados a policia.
Cebola faz uma careta:
–Mas eles não resolveram nada até agora!
–Não resolveram porque não tinham essas informações.Pensa Cebola...não é com uma simples quadrilha ou vilão que estamos lhe dando dessa vez,são com assassinos muito bem organizados,além de corremos risco...podemos arriscar a vida da Mônica também,imagina se eles decidem matar ela por causa da gente? Você ia conseguir se perdoar?
Cebola suspira derrotado,ele não queria ver a Mônica em perigo,ele nunca iria se perdoar se algo acontecesse por sua culpa:
–Ele tem razão.-Irene diz determinada,ela não queria ver o Cebola correndo riscos por “bobagens”.-É melhor deixarmos isso com a policia.
–A Irene está ai?-Franja pergunta ao ouvir sua voz.
–Sim,estamos estudando inglês.-ela reponde pelo Cebola com um pouco de irritação na voz.
–Ah sim,claro.-Franja revira os olhos do outro lado da linha-Se divirtam-ele diz sinicamente e depois desliga.
Cebola continua sentado com sua expressão seria e pensativa.Irene dá um longo suspiro vendo o quanto ele parecia distante por causa da Mônica.
“Mesmo aquela imbecil estando longe ela ainda tem o controle de tudo,da turma e do Cebola,todos estão no maior mimimi desde que ela evaporou,o que ela tem de tão especial?” Irene pensa amargamente,o colégio havia se tornado um inferno,a turma estava o tempo todo no maior desanimo e tudo havia se tornado um tédio.Mas de repente uma ideia lhe vem a cabeça.
Ela se aproxima de Cebola e senta ao seu lado,seus olhos o fitam docemente como se entendesse seu sofrimento,finalmente ele a olha e dá um fraco sorriso:
–Desculpe,vamos estudar?-ele diz e abre o livro de inglês,mas Irene o interrompe.
–Não quero estudar.-ela sorri e faz uma cara cautelosa ao mesmo tempo que pidona.-Eu estava pensando se...você aceita ir para um festa hoje a noite?
Cebola a olha surpreso como se estivesse ouvindo alguma proposta ridícula:
–Uma festa? Mais é claro que não! A Mônica esta por ai desaparecida e você acha mesmo que eu vou sair para uma festa?
–Vamos Cê! A Mônica esta desaparecida a um mês e meio e estou vendo o quanto você está se esforçando para ajudar,mas para isso você precisa esfriar a cabeça,se esquecer um pouco de tudo isso que esta acontecendo.
–Sem chance.-ele diz mais firme.
Irene segura seu queixo e lança seu olhar de garotinha inocente:
–Vamos,por favor!! Por mim,eu juro que é só hoje,só para esfriar a cabeça um pouquinho,e ai você vai ter mais disposição para ajudar a Mônica.Eu tenho certeza que ela não ficaria nada feliz em te encontrar desse jeito.
Cebola parece quase ceder.
–É verdade...ela também me levaria para esfriar a cabeça e arranjaria um jeito de me divertir,mas...
–Nada de mais!-ela faz uma cara emburrada enquanto o repreende.-Você vai sair comigo e se divertir...ou pelo menos tentar,fui clara?
–Irene eu...
–Fui clara??-ela repete a pergunta mais firme.
Cebola suspira alto se dando por vencido,talvez a Irene estivesse certa,ele precisava relaxar um pouco para o bem dele...e para a Mônica também,ele tinha certeza que uma mente descansada rendia muito mais:
–Esta bem!
Irene da um gritinho satisfeito e o abraça.Ah se ele soubesse o que ela estava tramando...
“hoje eu faço você esquecer da Mônica de uma vez por todas”
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–Magali...Magali abre a porta...por favor é o Quim.
A porta é aberta com apenas o barulho da fechadura sendo destrancada,Quim suspira vendo que a namorada não ia abrir-la,então decide girar a maçaneta.A porta abre com um rangido um pouco triste de se ouvir.
Marina e Cascuda estavam sentadas na cama da amiga enquanto assistiam Once upon a time,as duas pareciam distantes,não era como antes que estariam fazendo bagunça e conversando alto enquanto brigavam pela pipoca,estavam todas quietas,o quarto estava meio escuro mesmo com todas as luzes ligadas,talvez fosse apenas impressão.
Quim vê a namorada sentada no tapete ao lado da cama,ela também tinha a mesma expressão das suas amigas,vazia...e distante:
–Hey!-ele cumprimenta as três que apenas acenam e voltam a sua atenção para o TV,Quim vai até Magali e se senta a sua frente.-Hey...-ele repete baixo e docemente enquanto levanta o queixo da namorada.-Odeio te ver assim,que tal agente sair hoje a noite?
Magali suspira e se aconchega em seu ombro:
–Não quero sair lindo,não hoje.
–Como é que ta o plano do Cebola?-Quim lembra.
–Parece que eles descobriram umas informações bem uteis.-Cascuda responde pela amiga.
–Ah é? E o que eles vão fazer com ela?
–Vão entregar para a policia.-Marina responde com um pouco mais de animo,era bom saber que pelo menos conseguiram algo que poderia ajudar.- Meu namorado é um gênio.
Eles riem um pouco:
–E os pais da Mô? Já ficaram sabendo?-Quim pergunta curioso por mais informações.
Magali parece fechar os olhos por um instante como se sentisse dor,mas responde:
–Sim,eles ficaram felizes...bem,se é que posso dizer isso.Eles estão arrasados,ouvi falar que a Dona Luisa passa mal com frequência,e o seu Souza conseguiu umas férias do trabalho para ajudar a esposa e também por que não conseguia trabalhar com a Mô desaparecida.
O quarto fica em silencio por um longo período de tempo,as garotas desviam sua atenção para a TV.Quim percebe o quanto tudo tinha virado de cabeça para baixo depois do ocorrido com a Mônica.Ele não suportava ver a namorada assim:
–Quer que eu durma aqui hoje?-ele pergunta.
Magali não o olha mas balança a cabeça positivamente:
–Eu adoraria.-ela olha para as garotas do seu lado.-Não se importam se eu ficar com o Quim hoje não é?
–Desencana,eu marquei de sair com meu Cascão hoje a noite,ta tudo bem.-Cascuda aprova a ideia.
–E eu vou ajudar o Franja com a invenção.-Marina concorda.
–Otimo,vou para casa pegar minhas coisas.-Quim se levanta e pisca para a namorada.
Magali não via a hora de afogar todas aquelas tristezas e saudades da amiga que estavam entaladas na garganta com o Quinzinho esta noite,ela precisava mais que nunca dele e ia aproveitar.
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POV´S MÔNICA.
Eu e a Angel estamos deitadas jogando uma pequena bola de ping pong contra a parede,o dia não podia estar mais entediante.
Mas a porta abre nos interrompendo,era o Alic,ele certamente veio para me levar para o laboratório,sinto vontade de correr,não! De novo não!
Mas para minha surpresa ele fala com a Angel:
–Você vem comigo!
Olho para ele sem esconder minha expressão totalmente confusa,vejo que ela o olha do mesmo jeito,nunca tinham a chamado para nada:
–Porque?-pergunto para Alic.
–Não é da sua conta,estou seguindo ordens.-ele responde e segura o braço de Angel.
Automaticamente seguro o outro:
–Ela não vai a lugar algum!-digo com toda firmeza possível,se ele pensava que poderia tocar nela...estava muito enganado.
–Para seu bem é melhor que solte a garota imediatamente.
Lanço um olhar ameaçador para Alic e puxo o braço de Angel para mim.Eu prometi a mim mesma que ia proteger-la não importa o que fosse preciso.Ela parece assustada.
Empurro Angel para trás de mim e me ponho de frente para Alic ainda o ameaçando:
–O que você vai fazer?
Ele parece se encher de uma raiva fuminante:
–Não vai sair?
–Não.-digo determinada.
Os olhos de Alic piscam de ódio,sinto sua mão enorme chocar-se contra meu rosto.Caio desnorteada no chão batendo minha cabeça com força,tudo parece girar violentamente ao meu redor.
Angel grita meu nome e Alic a levanta no ombro enquanto se debatia.Coloco minha mão no meu rosto horrorizada e cheia de fúria,sinto o gosto de sangue e a adrenalina percorrer meu corpo.
Levanto pesadamente,nunca me senti tão viva e tão determinada.Puxo uma das gavetas do cômodo e choco violentamente contra sua cabeça.
Alic cai inconsciente no chão:
–MÔNICA!!!-Angel vem ate mim e me abraça tremula de medo.
As sirenes de alerta começam a tocar com um barulho ensurdecedor:
–Ele esta morto?-ela me pergunta enquanto enterra sua cabeça em meus braços.
–Não,ele vai acordar logo e outros caras estão vindo.-Seguro seu rosto entre as mãos,eu estava ensopada de suor.-Corra Angel! Corra agora!!!
Seguro seu braço fortemente e a arrasto para fora da grade aberta,corro o mais rápido que posso ao seu lado.
As sirenes tocavam insistentemente me deixando desnorteada,mas eu não tinha tempo de sentir medo,eu tinha que salvar nos duas.
Deixo a adrenalina me guiar pelos corredores totalmente brancos e desconhecidos para mim,eu não fazia ideia de onde era a saída.O branco do corredor era iluminado apenas pela luz vermelha das sirenes.
Empurro uma enorme porta dupla e entro em um imenso pátio,meu coração batia a mil por hora,vamos Mônica! Podemos sair daqui hoje!! Temos que sair daqui!!
Meu corpo implorava pela liberdade:
–CUIDADO!!!-Angel grita e na mesma hora ouço um barulho de tiro.
Olho para cima,haviam vários homens armados nos corredores superiores do prédio,eles miravam para baixo no centro do pátio em nossa direção.
Puxo Angel para mais perto de mim enquanto corro como se minha vida dependesse disso,estávamos a um passo da liberdade...e ao mesmo tempo da morte:
–CORRA ANGEL!!! CORRA!!!-grito com medo do que pudesse acontecer.
Os barulhos de tiro ficam ainda mais frequentes,era um barulho horrível,as sirenes...as armas:
–ATIREM!!-um dos caras gritam de La de cima.
Ouço o som da artilharia pesada ao mesmo tempo que a porta do pátio é aberta,vejo a saída em minha frente,era tudo ou nada.
Corro com a Angel ao meu lado,meu rosto estava ensopado,não sei mais se era de suor ou lágrimas.
Sinto um bala passar pelo meu braço de raspão causando uma dor de queimadura infernal:
–AHHHHHHHHHHHH-grito mas isso não é o suficiente para me derrubar.
Empurro a porta de saída com tudo,fico pálida e estatica...Samuel estava bem em minha frente com mais dez homens,ele sorri sádicamente e aponta um revolver:
–Olá docinho.
Ouço um barulho de tiro,fecho os olhos,era o final...mas nada me atinge,ao invés disso sinto a mão que me segurava fortemente se soltar e um corpo cair no chão.
Obro os olhos,meus pés estavam banhados por uma poça de sangue.Sinto a maior dor da minha vida,meu coração parece parar por uma fração de segundos,tudo estava em câmera lenta,não pode ser!:
–ANGELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!NÃOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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