Floresça-me
1 Warner's pov
Notas iniciais
Há algo errado.
A Juliette está transtornada. Suas emoções estão uma bagunça. Sei que acabamos de passar por uma guerra, uma guerra da qual não estamos livres ainda. Ainda podemos ser procurados. Ainda podemos estar sob risco.
Mas, de algum modo, sei que não é isso que está afetando-a.
E esta incerteza é culpa minha.
Não consigo avaliar as emoções dela quando as minhas estão fora de controle. É um simples vento, uma emoção apenas, que desencadeia todo o furacão, puxando cada vez mais emoções. E um furacão sempre deixa caos pelo caminho.
Preciso me acalmar. Preciso me conter.
Posso ouvir Anderson dizendo para eu não ser fraco, para eu não ser este tolo fraco pelo menos uma vez na vida.
O Anderson que a Juliette matou. O Anderson que nunca mais terei de ver.
Deveria ser errado ficar aliviado com tal pensamento. Deveria. Mas não posso deixar de soltar a respiração que estive segurando a vida toda.
Graças a Juliette. Minha Juliette. Meu amor. Minha Suprema. Minha amiga.
Ela conseguiu. Sempre soube que conseguiria.
E, ainda assim, por que ela continua tão alvoroçada?
E por que sinto que não está assim por causa da guerra, por causa das responsabilidades que ela assumiu?
Seria o Kent?
Não. Não me permito pensar nisso.
Mas o que mais poderia ser?
Se fosse algo grave, ela me contaria.
Sim, ela contaria.
Então, por que sinto que o que quer que seja, vai mudar toda a nossa vida?
Respire, digo a mim mesmo. Respire.
Olho para o céu.
Aqui, neste telhado, com ela a meu lado, tudo está perfeito. Vencemos uma guerra, oras. Mas ainda assim... Ainda assim, parece que há algo pairando sobre nós. Esperando para irromper. Esperando para nascer e crescer e se expandir.
Gostaria de saber o que é.
– Amor? — sussurro.
– Sim, Aaron? — ela responde, ainda observando o céu, ainda sem olhar para mim.
– Você... consegue sentir isso? — pergunto — Consegue sentir como se tudo estivesse... a um passo de mudar?
– Mas tudo está a um passo de mudar, Aaron. Vencemos uma guerra e — ela diz, soando divertida — sou sua Suprema agora.
Abraço-a firme. Seguro-a em meus braços e sinto o cheiro do seu cabelo, da fragrância que é sua pele com o perfume do sabonete. Do sabonete que ela costumava roubar. Sorrio com a lembrança. Enquanto meu mundo estiver bem, estarei bem. Enquanto o meu mundo estiver aqui, seguro, estarei bem. E, neste momento, tenho meu mundo em meus braços.
– Bem, minha Suprema, qual é sua primeira ordem?
Ela sorri para mim. Passa as mãos pelos meus braços até chegar no meu pescoço.
– Decreto você como meu servo. Você deverá fazer tudo o que eu quiser.
– E o que você quer que eu faça agora, oh Suprema? — digo, enquanto aproximo meu rosto do dela, enquanto compartilhamos as mesmas respirações, as mesmas batidas de coração.
– Quero que você me leve para sua cama e me faça esquecer o meu nome, me esquecer de quem sou, me esquecer das horas e dos meus deveres e das letras do alfabeto e dos números e de tudo que um dia eu já soube. Só quero saber de você. De tudo sobre você. De cada parte de você, Aaron. Esta é minha ordem.
– Eu te amo, Juliette. Estou tão feliz e orgulhoso de você. — Seus olhos têm o brilho de lágrimas não derramadas. — Agora, vamos logo.
– Para onde, Aaron? — Ela pergunta, confusa.
– Para minha cama. Recebi uma ordem e, como servo leal que sou, devo cumpri-la. Mas só uma coisa antes, amor.
– O quê?
– Não vou fazer com que apenas saiba sobre mim. Vou fazer com que você se lembre de mim. Permanentemente. Quando andar, lembrará do quanto beijei suas pernas, suas coxas, de como agarrei-as com força em volta do meu quadril, em como elas fraquejaram e tremeram quando você chegava ao clímax uma e outra vez. Quando mover seus braços, você se lembrará de como eu os segurava sobre sua cabeça e como você os passava pelo meu pescoço, puxando-me mais perto. Cada parte do seu corpo vai lembrar de mim, amor. Cada poro, cada célula, cada átomo dele. Porque faço parte de você, assim como você faz de mim.
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