Floresça-me
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Estava tão concentrada em meus pensamentos que não percebi que não sabia onde Kenji e os outros estão. Aaron já estava entrando no tanque quando eu lhe disse isto.
– Tenho uma ideia de onde eles possam estar, amor. — Ele responde.
Penso um pouco, mas nenhum lugar me vem a mente.
– Onde, Aaron?
– Onde tudo começou.
Onde tudo começou... é claro. A nostalgia que a vitória trouxe deve ter atingido a todos. Leva-me a pensar em como cheguei aqui, em como cheguei a este ponto. Recordo tudo que passei, cada lágrima, cada vida que me tocou e cada morte que levou um pedaço de mim. Cada lição que aprendi e cada lição que posso ter proporcionado.
Penso que já não sou a mesma garota do hospício. Quero dizer, sou a mesma. Tenho o mesmo cabelo e os mesmos olhos e a mesma pele e os mesmos ossos e a mesma estrutura. Porém agora estes cabelos já estão mais compridos, crescendo externamente como cresci internamente; estes olhos não vêem as coisas como viam antes; esta pele que agora toca e tocou e foi tocada e sentiu dor e prazer e carinho e amor assim como provocou tantas emoções e sentimentos; os ossos já se fragmentaram e reconstituíram-se tantas e incontáveis vezes com cada queda, com cada salto em abismos escuros e desesperançosos; ah e a estrutura tantas vezes falha, tantas vezes fora gesso assim como fora aço inoxidável e massa de modelar, esta estrutura falha mas ainda assim útil, já não é a mesma de antes. Há também as feridas que um dia foram abertas, e hoje são cicatrizes. Cicatrizes que me mudaram e, de alguma forma, me ajudaram a ser o que sou hoje. Uma delas foi a destruição do Ponto Ômega.
E é por isso que eles foram para lá hoje.
Quando me aproximo do que antes era o Ponto Ômega, observo as ruínas. Penso que, sem elas, provavelmente não seríamos vitoriosos hoje. O Restabelecimento se enganou achando que com sua destruição, nossos planos se pereceriam. Eles só foram acelerados.
Vou reconstruí-lo, penso. E este lugar continuará ajudando as pessoas com dons e poderes especiais, assim como me ajudou.
Enquanto penso nisso, vejo Kenji e Castle se aproximarem.
– Senhorita Ferrars, é um prazer te ver! — Castle diz com um sorriso no rosto.
– J! — Kenji me puxa para um abraço — Estava preocupado com você! Você sumiu — ele olha para Aaron — e acho que sei porquê — ele completa, maliciosamente.
– Eu não sei do que você está falando, Kenny — provoco-o.
– É bom vê-lo também, Kishimoto — Aaron diz.
– "É bom vê-lo também... mas queria estar fazendo outra coisa com a Juliette agora mesmo" é o que você quer dizer, certo, Comandante? — Kenji pergunta, brincando.
– Seria um bom complemento da frase, Kishimoto. Mas já que estou aqui, tenho algumas coisas a fazer. Você viu o Kent?
– Hmmm, o Adam Kent? — Kenji pergunta, surpreso.
– Sim, Kishimoto, o Adam Kent com tatuagens e piercing na sobrancelha. Há algum outro?
– Não... não. Ele está lá na frente. No meio dos destroços.
– Tudo bem. Juliette — Aaron olha para mim — te encontro daqui a pouco?
– Ok, Aaron.
Observo-o indo até Adam, decidido. Espero que ele consiga ver James.
– Eu realmente não esperava por isso. — Kenji murmura.
– Ele quer encontrar James — esclareço.
– Ainda não estou feliz com isso, mas é direito dele, afinal. — Kenji continua observando Aaron até que ele esteja distante o bastante para não nos ouvir, e diz — Ele está longe agora, então pode me dizer.
– Dizer o quê? — Pergunto, confusa.
– Porque você está abatida e com cara de bunda.
Ele percebeu.
Não, não pode ser.
– Cara de bunda, Kenji? Como seria isso? — Pergunto, tentando distrai-lo.
– Nem vem com essa, J. Sinto cheiro de problemas de longe. Manda.
Não devo dizer
o que não significa
que eu não possa fazê-lo.
Preciso falar com alguém. Preciso...
– Ah, J, vamos lá! — Kenji diz, interrompendo meus pensamentos — Você nem está grávida nem nada do tipo, então por que o drama?
Arregalo tantos os olhos que acho que eles cairão das órbitas.
– Kenji, você não caiu em um balde com produtos radioativos nem nada do tipo, certo? — Pergunto devagar.
Ele fica tão surpreso com a pergunta que olha para mim, confuso, e diz — Que eu saiba não, J. Por quê?
– Porque explicaria seu novo dom.
– Novo dom? E qual seria?
– Telepatia.
– Telepatia? Hmmm... Espere. Isso quer dizer que...
– Sim. Estou grávida.
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