Floresta Negra
6 6. Emilly - Escola Nova
A escola de frente era muito igual. Sério, eu até esperei a minha mãe sair de lá de dentro pra me chamar de trouxa por ter andando durante horas em círculos só pra dar de cara com a portaria da nossa antiga escola, mas quando nós entramos vimos que lá dentro não tinha nada a ver com a nossa antiga.
Passamos pela portaria já demos de cara com um enorme pátio que estava cheio de adolescentes, principalmente garotos. E esse pátio era rodeado por salas. Do lado, mais ao longe, dava pra ver um pátio onde alguns garotos jogavam basquete e na arquibancada um monte de garotas pulavam e gritavam nome de algum dos garotos ou do time.
Eu estava olhando justamente olhando pra quadra quando um garoto gritou:
— Ei! Pink Mon! — Havia dois garotos na direção em que eu estava olhando que era a quadra, conversando, e mais longe um pouco estava o garoto que gritou. Os dois garotos mais perto de mim vivaram na direção e olharam no mesmo tempo, mas dos dois garotos apenas um estava de cabelos cor de rosa, então logicamente pensei que se tratava dele.
— Que é, Cookie? — O garoto que gritou apontou na nossa direção. Não vou nem comentar sobre os nome, apelidos, sei lá, deles... Mas uma coisa muito estranha aconteceu. Quando os garotos olharam na nossa direção eu senti uma onda de choque passar por mim e pela Luma — já que ainda estávamos com os braços entrelaçados.
Os garotos começaram a vir na nossa direção enquanto que eu e a Luma estávamos praticamente grudadas no chão, e eles não paravam de nos olhar nos olhos. Pelo menos eu imaginava que o garoto ao lado estava olhando pra Luma, não olhei pra conferir, eu não conseguia. Eles pararam pouco a frente de nós o continuamos a nos olhar, era quase como se... como se tivéssemos uma ligação.
Uma pequena parte do meu cérebro queria ver aquela cena de fora. Deveria estar ridículo nós duas lá, paradas, olhando os garotos e eles nos olhando de volta com todos ao nosso redor.
Felizmente os que tinham vindo na frente pararam pra entrar junto conosco que viemos por último. Estavam todos ao nosso redor, menos Andrea que estava cabisbaixa e encolhida num canto sozinha. Nós todos a excluímos depois do que houve. Quando eu olhei pra ela, ela parecia triste e eu jurei ver arrependimento em seus olhos, mas já era tarde demais. DK também parecia péssimo apesar deu ter ouvido-o dizer que estava bem ao S. Coups. Não conheço muito o pessoal, e quis menos ainda depois do que Jeonghan fez comigo, mas não é como se eu conseguisse ignorar o que estava acontecendo e conter o sentimento de solidariedade.
Pelo o que eu entendi DK foi enganado por ela e ele estava realmente muito magoado. Não a conheço também apesar dela ter sido da nossa sala, mas uma coisa fazia com que eu soubesse que o DK estava com toda a razão, e eu confiava nessa coisa.
Repentinamente dois vultos entraram na frente. Levei literalmente mais de 1 minuto pra entender que eram apenas o Woozi e o Jeonghan "brigando" porque estava na cara que eles queriam roubar a nossa atenção e bem, eles conseguiram. Mas era uma cena realmente ridícula!
Os dois estavam com os braços meio encolhidos e só chegavam perto um do outro pra dar tapa nos braços ou nas mãos um do outro, isso quando não passaram pra um monte de mini tapas seguidos.
— Ei, vocês dois! Parem com essa viadagem! — Luma não se aguentou do meu lado, ela estava mesmo irritada.
— Foi ele quem começou! — Woozi apontou o dedo acusador pra Jeonghan.
— Eu perguntei quem começou? — Ah... essa doeu até em mim.
— Mas...
— Quem de vocês é o líder? — O garoto de cabelos cor de rosa perguntou. S. Coups surgiu do meu lado e passou pelos garotos e parou bem em frente ao Pink Mon.
É sério isso? Até quando vou ter que chamar esse garoto assim?
— Eu mesmo. Sou Seungcheol, mas pode me chamar por S. Coups. — Os dois se cumprimentaram.
— Nanjoom. — Ufa, pelo menos agora eu tenho algo pra chamá-lo em vez de Pink Mon. — Serei o tutor de vocês pelos próximos dias e de quem for da minha sala. — Ele não me pareceu muito feliz com isso, mas ok.
— Sabe... — Luma chamou minha atenção ao meu lado, sussurrando. — Acho que podemos deixar como tutor dessa vez. — Ela sorriu pra mim, eu não fazia a mínima ideia do que estava passando por aquela cabecinha de vento, mas uma parte de mim concordava plenamente. — Não acha?
— Sim. — Sussurrei de volta, ela sorriu a ponto das suas covinhas ficarem bem aparentes. Na volta que fiz pra prestar atenção à conversa, eu a peguei bem no meio do caminho.
— ... Por aqui todos somos divididos em grupos. Não por turmas, não por salas. Isso é porque às vezes o diretor resolve deixar algumas pessoas dos grupos separados dos demais. Qual é o nome do grupo de vocês?
— Seventeen. — S. Coups respondeu prontamente, como se já soubesse desde sempre que ele faria tal pergunta.
— Mas vocês não são 17. Nem com as... 1... 2... 3... 4... Nem com as Transformadas. — O garoto ao lado do Nanjoom disse exatamente o que eu estava pensando.
— É coisa nossa. — S. Coups respondeu, simplesmente.
— Não estamos aqui pra questionar. Não é, V? — Vish... Deu mancada...
— Claro!... — Ele concordou rapidamente, Luma riu baixinho ao lado, pelo menos tentou o máximo possível.
— Se vocês tiverem alguma dúvida ou precisarem de alguma coisa podem falar comigo, com alguém do meu pessoal ou até mesmo com o próprio diretor. — Ele estalou os dedos e de repente mais 5 garotos e mais 3 garotas surgiram ao redor dele. — Esse é o grupo. V. — Apontou pro garoto ao seu lado direito, e eles nos deu um largo sorriso sem mostrar os dentes. — JungKook. — Ao lado esquerdo dele, ele respondeu dando uma rápida erguida de sobrancelhas e também com um rápido sorriso de lado, era o garoto que antes o Nanjoom havia chamado de Cookie. — J-Hope, e essa é sua parceira Marina. — Eles estavam ao lado do JungKook. Ele nos disse um animado "Oie!" e puxou Marina pela cintura pra mais perto dele de lado fazendo com ela risse. Parecem ser animados.- Jimin, e ela é a parceira dele Maria Eduarda. — Ao lado do V, os dois nos responderam com um sorriso pequeno e um aceno. Tímidos? Ao meu lado Eduarda se empolgava por quase ter uma xará. — Suga. — Ao lado do Jimin e da Maria Eduarda, de cabelo verde. — E por fim, Jin e sua parceira e namorada Jasmin. — Os dois também nos deram apenas um aceno de cabeça, ao mesmo tempo. Eles faziam um belo casal, aliás, todos os casais.
Notei que ele disse que Jasmin era parceira e namorada de Jin, ele deu uma ênfase nisso, o que em fez questionar se por acaso isso fazia diferença pra eles. Pra mim era igual, de qualquer forma a parceira é obrigada a ficar com a pessoa, então, que diferença faz? Ou será que isso pra eles era uma maneira de dizer que estavam felizes juntos?
Perguntas. Muitas perguntas.
Após fazer isso S. Coups também apresentou seu "pessoal", ou seja, o Seventeen, os casais e... a gente.
Acho que nós duas acabou deixando bem claro a nossa infelicidade, nem precisou os meninos chegarem perto de nós pra isso. A nossa cara já dizia tudo.
Enquanto que os casais do grupo do Nanjoom estavam juntos, grudadinhos e aparentemente bem felizes, a gente estava meio emburrada e nem deixava o Woozi ou o Jeonghan se aproximarem direito, então, sim, eles muito provavelmente notaram. Fora a Andrea e o DK, que na hora o S. Coups disse apenas: "E esse é o DK, e ela ali é a Andrea." O que resultou em vários olhares questionantes, mas nenhuma pergunta em si.
Depois da apresentação Nanjoom nos levou pela escola para os "Lugares mais importante", como ele disse. Que realmente eram.
Demos um volta e passamos pelo refeitório, pelo prédio das salas de aula, o laboratório, a biblioteca, a informática, demos uma pequena volta pelas quadras, passamos em frente aos auditórios até chegarmos até os nossos dormitórios que eram completamente mistos. Não mistos tipo: Garoto e garota no mesmo quarto — que aliás era permitido se forem parceiros -, mas misto tipo: Um corredor. Nesse corredor havia vários quartos e em um podia estar um casal, no outro garotas, no outro garotos.
No fim demos uma volta que em outras condições me deixaria uma morta viva de tanto cansaço, mas hoje, como uma vampira Transformada, era até interessante. Eu não estava realmente cansada, e não visitamos a escola inteiramente apesar de termos ido por uma quantidade razoável, mais ou menos a nossa antiga escola — sim, a nossa nova escola era ainda maior que a anterior, e quando perguntei ao Nanjoom o nome da escola ele me disse que era exatamente o mesmo nome da nossa escola anterior. As duas são apenas uma, até a Floresta faz parte dela. Inclusive, na hora em que falou o nome ele conseguiu pronunciar correta e claramente mais da metade, o que é mais do que a minha mãe sabe, mas segundos depois que disse esqueci praticamente tudo quando tentei repetir mentalmente. Um verdadeiro quebra-cabeças -, eu só me sentia cansada mentalmente já que estava entupida de informação.
Quando finalmente fomos despachados pros nosso quartos eu me sentia a mil — Luma nem se fala... — e graças ao bom Deus não íamos ter aula naquele dia. Noite.
— Nossa... É ainda maior que o nosso antigo quarto! — Luma disse entrando antes de mim, e realmente era enorme. Do tamanho de uma sala. Mas em compensação eram dois beliches em vez de duas camas, mas cheguei à conclusão que o quarto era só nosso já que ele estava completamente limpo e arrumado, sem uma coisa sequer que indicasse outra pessoa. Pelo menos por enquanto.
— Realmente... — Concordei analisando bem o quarto e vendo uma porta que provavelmente era do banheiro.
— A cama de cima é minha! — Ela já foi indo pra beliche do lado direito, jogou a bolsa com suas coisas que produziu um baque surdo e ela se jogou dramaticamente na cama. — Hum... É boa!
— Que bom saber que a cama tem sua aprovação. — Eu disse rindo e indo em direção à cama à esquerda pra me jogar também.
— Comigo a qualidade é garantida. — Ela piscou pra mim lá de cima. — Tá a fim de juntar as camas?
— Hum... Talvez mais tarde. Agora eu estou mesmo é a fim de tomar um banho.
— Ok... — Então ela gritou repentinamente. — Ai!!!... Candy?
— Quê? — Quando vi ela já estava erguendo a Candy no ar sentada na cama com as mãos em concha.
— Como chegou aqui, sua safada?
— Miau. — Candy miou em resposta.
— Sei. — Ela disse pra Candy, desconfiada.
— O que ela disse? — Questionei curiosa.
— Sei lá! — Ela deu de ombros. — Quem disse que eu sei falar gatonês?
— Ga o quê?
— Gatonês. — Ela revirou os olhos. — É a língua dos gatos.
— Ué, não é você quem ficou traduzindo um monte de coisa que ela falou?
— Nããã.... Aquilo? Eu estava só brincando. Eu imaginei que ela estava falando aquilo. E sobre a caixa de biscoitos eu só... lembrei na hora! Não é como se eu entendesse de verdade tudo que ela mia. — Enquanto ela falava notei que nem ela mesma acreditava muito naquilo. Era muita precisão pra serem apenas chutes.
— Tá... — Eu a olhei desconfiada.
— Vish!... Se vai ficar me olhando assim é melhor ir tomar o seu banho. Você tá fedendo a... Emanuelye. — Fiquei realmente ofendida, ela me olhou assustada depois de notar o que disse. — M-Me desculpe! Eu não... eu não queria dizer isso. Juro! Foi... foi a Candy!
— Ahn-han...
— É sério! — Pior que ela parecia desnorteada, realmente confusa. — Você por um acaso não esbarrou na Emanuelye hoje? Esbarrou? — Parei pra pensar um segundo.
— Pra falar a verdade sim. Quando nós fomos arrumar nossas coisas e você estava um pouco mais à frente, ela surgiu do nada e deu o maior encontrão em mim. — Arregalei os olhos. — Eca! Se for assim eu vou mesmo tomar um banho. — Peguei uma roupa apressada, a toalha e mais alguma coisa e fui correndo pro banheiro. — Tchau!
Pode parecer ridículo, mas eu me lavei tão bem e tão forte que fiquei vermelha em alguma partes do corpo. Quando saí do banheiro — que também era enorme — ainda secando o cabelo só tive tempo de ver a Luma fechando a porta.
— Quem era? — Perguntei, e ela sorriu pra mim. Ela foi até a cama antes de me responder.
— Seu namorado. — Seu sorriso aumentou.
— Porra, Luma! O Jeonghan não é meu namo-
— E quem disse que eu estou falando dele? — Disse brincalhona, se deitando de barriga pra baixo com as pernas pro ar em X e a cabeça apoiada nas mãos na cama debaixo de sua beliche.
— Tá falando de quem então?
— ... Do Pink Mon...
— O-oie? Como é que é?
— Isso mesmo que você ouviu.
— Tirou isso de onde, sua louca?
— Eu vejo o futuro, não sabia? — Revirei os olhos pra ela. — E eu vou casar de cabelo roxo cacheado bem longo e com um vestido branco com uns detalhes roxos clarinhos no vestido. E meu maridinho vai estar lindo de cabelo laranja todo nervosinho no altar me esperando. — Ela sorriu novamente e piscou pra mim. Era óbvio que ela estava zuando. Ela nunca foi dessas de ficar no mundo dos contos de fadas sonhando com casamento, cara perfeito e sei lá mais o quê.
— Ué... Pensei que o Woozi não gostasse de laranja. — Wow... Como eu me arrependi de ter falado aquilo.
— Como é que é? — De repente ela já estava sentada e de braços cruzados sobre o peito e me fuzilava com os olhos. Eu desconfiava que caso ela pudesse tornar a arma verdadeira, pelo calibre, não ia sobrar nem pó de Emilly.
— Isso mesmo que você ouviu. — Eu estava sorrindo, mas ela nem ligou se era brincadeira ou não. Isso se tiver percebido porque ela abriu a boca parecendo que ia revidar, mas ela foi muito mais esperta do que eu e apenas virou a cara pra parede. Levei mais uns bons segundos pra perceber que tinha jogando uma granada já num campo minado.
Desisti, fui até ela e abracei de lado mesmo.
— Desculpa. Foi mal, Luh. Mas será que eu posso pelo menos saber o que ele disse?
— O diretor tá chamando a gente. — Falou pra parede mesmo, emburrada.
— "A gente" o Seventeen?
— Não. "A gente" nós duas.
— E o Nanjoom disse o que ele quer com a gente? — Ela apenas deu de ombros. — Ok, então... Vou só me arrumar e a gente pode ir. — Ela não seguiu bem o meu plano porque assim que a soltei ela levou as mãos a cima da cabeça pro beliche de cima e pegou as coisas dela pra em seguida ir pro banheiro. A vaca foi tomar banho e me deixou ali plantada olhando pra parede que ela estava encarando antes, e com a Candy que parecia me olhar acusadoramente. Como se também estivesse brava comigo. — Ah... Candy! Por favor, né? Vai me dizer que tá puta comigo também? — Ela me respondeu me dando as costas e indo pro travesseiro da Luma, se aninhou nele e me ignorou completamente. — Vish...
Enquanto íamos — eu seguindo ela porque o Nanjoom explicou o caminho pra ela antes de ir embora — um silêncio pesado reinava sobre nós. Não aguentando, mais tive que quebrá-lo.
— Poxa, Luma! Foi mal!
— Ok. — Ela disse simplesmente olhando pra frente, praticamente me ignorando.
— Não está nada "ok"! — Parei e a fiz parar também. — Desculpa, de verdade. Não pensei que iria ficar tão bolada. — Ela sorriu pra mim, as palavras tem bastante força na Luma, se disser as palavras certas com ela, ela é capaz de perdoar na hora por seja lá o que tenha feito..
— Tá desculpada.
— De verdade?
— Sim. — Seu sorriso aumentou, voltamos a caminhar em silêncio na direção à sala, parecia até que ela sabia exatamente onde era, como se já tivesse feito o trajeto milhares de vezes antes.
— Luma...
— Hum?
— Acha que um dia será capaz de perdoar o Woozi? — Ela deu mais um passos em silêncio, mas então parou repentinamente.
— Eu já perdoei. — Ela disse novamente sorrindo tristemente, e de alguma forma eu soube que era verdade.
— Tem certeza? Não parecia quando você respondeu ele daquela forma tão ríspida quando ele acusou o Jeonghan.
— Aquilo? Foi sem querer. Vai me dizer que nunca deu uma tirada em alguém sem querer?
— Bem... Já mas-
— Viu! Eu só estou... magoada.
— E você diz isso sorrindo?
— Você sabe que sou péssima pra demonstrar quando estou mal. — Era verdade, às vezes ela já apareceu em cacos lá em casa mas eu nem notei porque ela só ria e sorria como sempre. Até vi uma coisinha, mas era pouca. Isso mesmo já tendo quase 3 anos de amizade. — Mas não vou voltar a falar com ele, pelo menos por enquanto. E vou voltar a falar com os meninos. Até porque eu sinto falta de encher o saco do Wonwoo. A gente se tornou muito amigos e sinto falta da nossa relação de "entre tapas e beijos". Ok, beijos não. Só tapas. Talvez uns abraços e uns beijinhos na bochecha só pra deixar ele nervoso e vermelho. — Vi que quando o Wonwoo entrou na conversa ela começou a viajar e quase a falar sozinha.
— Luma, você gosta do Wonwoo? — Perguntei seriamente.
— NÃO! — Só aceitei a resposta dela de negação porque ela fez uma careta enorme de pavor misturado com surpresa, como se isso nunca tivesse passado pela cabeça dela.
— Ok. — Ela me olhou desconfiada. — O quê? Eu acredito. Algum problema?
— Nenhum. — Ela resolveu devolver a babata quente pra mim. — Mas e você e o Jeonghan?
— Não tem eu e o Jeonghan, nem nunca teve, nem nunca vai ter. Não o culpo por não ter conseguido resistir a mim, sabe?... — Ela me olhou fazendo careta.
— Tá bom, agora você está parecendo a Emanuelye. Ou melhor, a Jéssica porque pelo menos ela conseguiu o cara.
— Agradeço se parar de me xingar. Brigada, de nada.
— A culpa não é minha se você não para de dar brecha! — Se fez de ofendida.
— Conta outra, Luma... — Revirei os olhos.
— Ué!
— Mas sem brincadeira, não tem "eu e Jeonghan". Sempre fui contra, não chegamos nem a ser amigos. Quero ele bem longe de mim. — Pra minha surpresa, Luma concordou comigo, mas, é claro, não sem me zoar no fim.
— Claro... — Assentiu repetidas vezes. — Até porque você vai estar ocupada demais cuidado do seu namorado, Nanjoonzinho.
— Luma! Que droga! De onde você tirou isso?
— O quê? Tá desconfiando das minhas habilidades de vidente?
— Aff! — Só não pude resmungar e reclamar mais com ela porque chegamos à sala do diretor.
Luma foi na frente, bateu na porta duas vezes e já foi abrindo a porta e enfiando a cabeça porta adentro.
— Ah... Conli- Ah, meu Deus! Você!? — Ela disse de repente e entrou rapidamente na sala. Quando resolvi ir até a porta pra ver o que estava acontecendo, nem esperava o que vinha pela frente.
Ao abrir a porta, eu me deparei com o meu irmão, Rafael, e a Luma estava em cima dele, os dois se abraçando.
— Ei! Desde quando vocês tem tanta intimidade assim? — Luma voltou pro chão e sorriu pra mim.
— Bem... digamos que ele foi mais fiel do que certas pessoas... — Ahm... Isso foi uma indireta? — ...E me visitou na nossa escola. — Sim, foi uma indireta. — Antiga escola. — Corrigiu quando se lembrou. — Várias vezes. — Ela bateu nele de repente.
— Ai, quê que foi isso?
— Agora entendi porque você aparecia por lá. Era mesmo era pra falar com sua mãe sobre as escolas, né, seu mentiroso?
— Hum... Talvez... — Ela bateu no braço dele de novo, dessa vez mais forte. Não vou mentir, fiquei aliviada, por um segundo a ideia de que os dois se gostassem também passou pela minha cabeça. Não sei o que está acontecendo que tô vendo romance em todo lugar. Eu tenho que parar com isso!
— Foi mal.
— Que caralhos você está fazendo aqui, Fael?
— Sou o diretor. — Respondeu simplesmente.
— Qual é o complô? — Luma perguntou. — Daqui a pouco vou descobrir que o pai da Emilly é diretor de uma faculdade!
— Então... — Eu e Luma o olhamos boquiabertas, mas ele riu em seguida. — Brincadeira. Paramos por aqui.
— Sério. Por que tu e a mãe dela são os diretores? — Ele deu de ombros pra Luma.
— Quando minha mãe tomou posse da Primeira escola, teve que pegar essa junto, e como ela não sabia como ia fazer pra cuidar das duas escolas juntas, me deu o trabalho. — Eu e Luma soltamos um "Ah..." de compreensão. Então ele disse baixinho quase murmurando: — Fora que ela estava com preguiça de ter de cuidar das duas...
— Entendo. — Afirmei, sabendo muito bem como minha mãe podia ser preguiçosa. Afinal, não é atoa que eu também sou! Tá nos genes!
Deus me livre dela me ver dizendo isso... Ia sobrar nada, nenhum vestígio da minha existência.
— Chamou a gente aqui pra quê? — Luma já foi perguntando.
— Nada.
— Fael! — Nós duas dissemos ao mesmo tempo, chocadas.
— Brincadeira.
— Volta pra escola de palhaços porque você esqueceu da aula principal: como ser engraçado. — Luma disse sem paciência, e ele respondeu pra ela mostrando a língua como um garotinho de 7 anos, nem parecia já tinha bons 24 anos. Na verdade o Rafael nem parece meu irmão. Pelo menos fisicamente.
Ele é moreno tipo a Luma, eu sou branca meio "bronzeada" — não sei de onde tô tirando isso... Mas eu ando mesmo meio morena nos últimos anos -, ele tem olhos azul meio esverdeados, e eu castanhos como o da Luma, meu cabelo é liso, e o dele é estilo crespo como o da Luma, porém não cacheado, Black Power mesmo. Só que felizmente ele está com os dreads de volta.
Vou te falar, viu... Rafael sem dreads é uma coisa. Uma pessoa normal que você nem sequer nota se passar 20 vezes seguidas do seu lado. Agora, Rafael de dreads é outra coisa. Até a Luma não aguentou e achou ele "gato" — ela não é de ficar falando isso não, vai por mim, o caso é sério -, até eu acho ele bonito de dreads e tipo... ele é meu irmão. Sei lá, eu sou irmã dele, não devia achar isso. Ou devia? Ah! Sei lá! Só se que em aparência até a Luma parece mais com ele do que eu.
— Só chamei vocês pra gente se ver. Pensei que a minha maninha ia gostar de me ver e saber que eu sou o diretor... — Disse de modo vago querendo ser dramático, só faltou a lágrima.
— Ah, Fael! Me poupe!
— Desnaturada, dois... — Luma cantarolou pra mim.
— Pega eles pra você então! — Disse irritada. Em resposta ela deu de ombros.
— Maninho!!! — Pulou de novo em cima dele e ele a abraçou rindo. Fui em direção à porta toda P da vida. — Oh... Desculpa, mô!... Espera mulher! — Ela foi até mim e me abraçou, eu fiquei ali, de braços cruzados até que ela apelou pra ser fofa.
— Te odeio. — Digo emburrada pra ela.
— Ownt!... Também te amo! — Ela me apertou ainda mais.
— Ei! Vocês duas! Parem com essa lesbiquisse perto de mim.
— Hey! Essa fala é minha! — Verdade, ela mesmo zoava a gente quando uma cena acontecia lá em casa.
— Quem disse?
— Eu disse! E você copiou!
— Não foi nesse sentido, mas ok... — Murmurei bem baixinho, mas ela ouviu da mesma forma.
— Eu sei. Shh! — Sussurrou de volta.
— Me pergunto como você conseguiu saiu do ensino fundamental... deve ter subornado um professor.
— Claro. — Sorriu sínica. — O mesmo que você. — Ele abriu a boca pronto pra rebater, mas resolvi contar o assunto por ali antes que a briga entrasse em um nível mais sério.
— Ei, vocês dois! Parem! Parecem crianças!
— Mas eu sou criança!
— Luma, se você não parar com isso agora mesmo eu...
— Parei!... — Ela até me soltou.
— Então, Fael? O que você queria?
— Nada. Só entregar seus horários. — Pegamos os horários que estavam inclusive com nossos nomes e o número da sala. Não achei que ele fosse nos separar, mesmo assim fiquei aliviada quando vi que era a mesma.
— Ah... Você fez isso com todo mundo? — Perguntei intrigada.
— Não.
— Ah.
— Mais alguma coisa? — Questionou Luma.
— Não.
— E tem alguma coisa que eu e a Emilly não saibamos e que pode acabar dando ruim depois? Como o que já aconteceu?
— Não.
— Não mesmo? — Sondou desconfiada.
— Não mesmo.
— Mesmo mesmo?— Ele olhou pra ela de cara feia. — Tá, mas se algo der ruim saiba que vou culpa inteiramente você! — Dito isso ela saiu da sala, me deixando sozinha com meu irmão.
— Você sabe que...
— Sim. A mamãe já me contou tudo. Ok... — Ele abriu os braços e eu fui até ele pra abraçá-lo, fazia praticamente uns 2 anos que eu não o via pra valer sem contar a vez em que ele foi lá em casa antes de desaparecer e me deixar sozinha com o trouxa do nosso padrasto.
— Desculpe. — Ele murmurou como se tivesse ouvido meu pensamento.
— Você lê mentes? — Perguntei assustada, meu irmão por acaso era...
— Não. Sou totalmente humano ainda.
— Ainda? — Ele deu de ombros.
— Nunca se sabe. Agora vai antes que aquela doida volte e comece a dizer um monte de besteiras de novo.
— Milles!!! — Ela gritou do corredor.
— Tô indo! — Gritei de volta dando um último abraço no meu irmão.
Terminei o dia esgotada! Ou será noite? Foda-se! Terminei o-que-quer-que-seja acabada e só queria dormir um pouco. Eu tinha um monte de coisas a processar e pensar e por algum motivo aquelas besteiras que a Luma disse sobre o Nanjoom ficaram na minha cabeça.
Mas qual era a chance do cara gostar de mim? Logo de mim?
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