Florescer

4 Capítulo 3 - Retorno


Capítulo 3 – Retorno

Não importa o quanto você esteja despedaçado, há sempre algo mais para quebrar. Este é o submundo obscuro, onde Imhotep estava sendo drenado por Shezmu — O deus da execução e sangue, de uma aparência indescritível. Raramente, Osíris visitava Imhotep para dar ao seu antigo sacerdote um pequeno consolo.

–Grande Osíris... por favor... tenha piedade...

–Seu destino é desamparado e você deve vivê-lo até que ele termine. –Osíris respondeu com compaixão.

–Ah, por favor, irmão... — Seth o interrompeu com um bocejo monstruoso, ele era o deus do caos e embora ele fosse útil, quase sempre criava problemas.

–Dê uma pausa a ele! — Seth disse. Ele tinha cabelos ruivos e olhos que se tornavam vermelhos às vezes.

–Ele esta colhendo o desespero que plantou.

–Ainda preocupado com as colheitas...

–O que você quer afinal, Seth? – para Osíris não restava mais paciência para Seth, desde o assassinato.

–Ah, — os olhos de Seth brilharam em vermelho – Nada além de dar a um pai a chance de conhecer sua criança perdida... –Disse Seth, removendo alguns dentes de um crânio.

–Imhotep não voltará novamente, sob nenhuma circunstância. –Osíris disse e desapareceu.

–É mesmo?- Seth sorriu e esmagou o crânio com suas mãos.

–

Ao longo dos anos, a amizade entre Angelica e Helena se tornou mais forte. Elas usavam um colar de melhores amigas do símbolo do ying-yang. Angélica ficava com a metade do yin e Helena com a do Yang. Nos anos 90, um colar de melhores amigas é uma coisa necessária.

Quando Helena tinha 14 anos, seus pais adotivos morreram num acidente de carro. Ela foi a única sobrevivente e teve de ir morar com uma tia que ela odiava, mas pelo menos era melhor do que o sistema de adoção de novo. Ela manteve contato com Angélica. Um ano depois, a mãe de Angélica, Sarah, ficou terrivelmente doente.

–Eu sabia que iríamos nos separar, mas eu esperava que — Sarah tossiu muito.

–Mãe, por favor, fique comigo. –Angelica tinha esperança de que sua mãe fosse melhorar.

–Ah querida, Deus não dá nada. Ele só empresta.

Depois da morte de Sarah, o marido dela, Carlos começou a beber muito e ele se tornou extremamente agressivo. Para evitá-lo, Angelica conseguiu um trabalho de garçonete. Ela planejava ir para a faculdade junto com Helena, assim elas poderiam dividir as despesas de alojamento. Helena, já estava procurando apartamentos com um aluguel barato. Ela queria sair da casa da tia o mais rápido possível.

Numa noite, Angelica chegou em casa e encontrou seu pai completamente bêbado. Depois de uma discussão ele começou a bater nela e a gritar muitas vezes que ela não era filha dele. Dificilmente, ela escapou e ligou para Helena.

–Arrume suas coisas, eu estou indo. – Helena pegou o carro da sua tia e foi para a casa de Angelica. Carlos estava dormindo. Helena levou Angelica para o médico e depois para a casa da tia dela. Ela pensou que Angelica passaria uma noite lá e não se importou. Na verdade, Angelica passou várias noites, mas não importava desde que elas fizessem o trabalho doméstico e pagassem algumas contas.

Angelica e Helena decidiram que elas iriam ter um apartamento logo, com ou sem faculdade. No aniversário de 18 anos de Angélica, o pai dela ligou e até tentou vê-la mas ela continuou o ignorando.

Naquela tarde, ela e Helena estavam no centro da cidade quando avistaram o museu.

–Olhe! Há uma exposição sobre os segredos do Egito! Vamos ver!

–Ta legal Lena, mas acho que quase tudo é falso...

De todas as coisas, a que chamou mais a atenção delas foi uma caixa pequena com vários símbolos egípcios pintados nela. Não havia descrição. Elas criavam teorias sobre o que poderia ser quando um homem com barba e cabelos grisalhos se aproximou delas.

–Posso ajudá-las? – O homem bem vestido perguntou.

–Ah nós... O que é essa caixa? –Helena perguntou.

–É uma boa pergunta... Não temos certeza... Gostaria de ver mais de perto? – com uma chave o homem abriu a proteção de vidro e retirou a caixa.

–Acho que não...

–Vamos Angel, não é sempre que podemos ver de perto.

–Gostaria de abri-la, senhorita? – O homem perguntou.

–Bem... Não há nenhum mal em abrir uma caixa, certo? –Angélica disse enquanto abria...

Quando a tampa foi removida da caixa, um grande furacão as sugou para dentro. Depois, o homem calmamente fechou caixa, guardou-a em seu bolso, se transformou num pássaro íbis e voou. Ele era Thoth.

–

Colin Whemple era o mais jovem arqueólogo em campo. Seu defeito era se sentir o chefe da expedição e começar a investigar as coisas antes de chamar o Sr. Crawford primeiro. Ele estava fazendo isso agora, com um livro negro e a mais preservada múmia que já encontrara. Ele começou a traduzir e a ler algumas palavras do livro.

–Você quer viver de novo? – Seth perguntou a Imhotep.

–Não, prefiro sofrer aqui mesmo.

Seth então mostrou Anck su namun a ele. Ela estava viva e com outro homem. Para Imhotep foi neste momento que sua mágoa se transformou em ódio.

–Você quer vingança? – Seth estava apreciando a dor dele.

–Não me sobrou nenhum poder.

–Eu lhe darei poderes.

–Você não os guarda, eles estão com o grande Anúbis.

–Eu disse que lhe darei, coisa ingrata!

Osíris chegou. Ele não queria que Imhotep voltasse, mas nem mesmo ele poderia evitar o destino.

–Deixe-o em paz, Seth. – Osíris se virou para Imhotep- Meu sacerdote, neste retorno você terá a opção de fazer tanto o bem quanto o mal. Se trouxer o caos de novo, sua alma será perdida para sempre. Lembre-se disso. –Osíris sussurrou para Seth e foi embora.

–

Whemple não acreditava que havia trazido um homem morto de volta. Ele esta amedrontado e ao mesmo tempo fascinado.

–Me sirva ou morra. – Imhotep disse, agarrando o pescoço de Whemple.

–Mestre. –Ele respondeu e se ajoelhou.

Imhotep estava vivendo de novo, mas estava sem poderes. Temendo os Medjai, ele decidiu se esconder até que seu sangue preenchesse sua carne novamente. Demoraria meses, até anos, mas pelo menos ele tinha alguém para ajudá-lo e os O’Connells estavam longe. Ele não voltaria ao submundo de novo.

Anck su namun não entendia porque ela não conseguia encontrar Imhotep.

–

Os O’Connels estavam muito felizes. Agora Alex e Lin estavam noivos e ansiosos para se casar. Jonathan tentava a vida na América do Sul e Rick e Evelyn imaginavam que sua missão como pais estava perto do fim. Mas não estava.

Numa noite, Evelyn sonhou com o julgamento, os deuses e a criança. Ela se lembrou de tudo, embora não acreditasse completamente. Numa visão, ela era Nefertiri de novo e ela descobriu que o espelho de Rá a ajudaria a encontrar a criança perdida que acabara de voltar aquele mundo. Ela decidiu voltar para o Egito imediatamente.

–Evie, esta ouvindo a si mesma? – Rick achou aquela história inacreditável.

–Eu sei como isso soa, mas... podemos ir conferir? É importante pra mim.

–Esta bem. Vamos!

“as coisas que faço por amor” Rick pensou consigo mesmo. E eles foram para o Cairo.

Anck su namun também sentiu que sua filha estava perto. Ela sonhou com ela e sabia que ela havia retornado. Ela iria encontra-la para que pudessem ficar juntas de novo. Finalmente, a vontade de viver voltou ao seu coração. Ela riu consigo mesma. Crawford entrou no quarto. Ele tinha voltado de um longo verão na Inglaterra. Uma tempestade estava começando.

–Meela… precisamos conversar

–Você voltou! – Anck su namun estava feliz em vê-lo. Ela não o amava tão profundamente como a Imhotep, mas ele tinha se tornado querido.

–Não há boa maneira de dizer isso... Eu te amei por quase 18 anos, mas desde algum tempo eu estou infeliz. Eu conheci alguém e acho que deveríamos seguir rumos diferentes. Eu quero o divórcio.

De dentro da escuridão, mãos agarraram a cabeça de Crawford e a viraram, quebrando seu pescoço. Ele caiu morto no chão. Anck su namun gritou o seu nome. Ela pegou sua adaga e perguntou quem estava lá, mas apenas um trovão respondeu. Então, Imhotep emergiu das sombras. Sua face estava quase regenerada, mas ainda era frágil, seu rosto tinha mais linhas que antes e ele usava um sobretudo negro.

–Imhotep! – Ela estava feliz e surpresa. – Você retornou!

–Das cinzas e do ódio. – Ele disse enquanto agarrou o pescoço dela e a puxou para ele.

–Me... Perdoe... – Ela começava a sufocar.

–Eu te pedi um momento de ajuda depois de sofrer uma eternidade por você.

–Por favor... Não me mate!

–Por quê?

–Porque temos uma filha

–Mentira! É dele!

–Não, é sua… Por isso te deixei...-Anck su namun estava perto de perder os sentidos – eu tive medo...

Ele a soltou e ela caiu no chão, segurando sua garganta.

Ela contou tudo a ele. Ele não acreditou que a criança fosse dele, mas concordou em ajudá-la a encontrá-la. Assim que Crawford fosse enterrado, eles procurariam o Espelho de Rá.

–Se ela não for minha filha, eu matarei as duas. –Imhotep disse e desapareceu no ar.

–

Quando Angelica e Helena acordaram, elas estavam num lugar completamente diferente. Seria aquilo algum tipo de festival histórico? Tudo estava fora de moda e elas chamavam muita atenção com seu jeans e roupas coloridas.

–onde estamos? –Angélica perguntou.

–Pergunta pra mim? Fomos vítimas de alguma bruxaria maligna! Estamos no…PASSADO! –Helena gritou.

–Calminha, deve existir uma explicação melhor. Ei garoto! Me vê um jornal? –Angelica comprou um jornal, que datava 1951 “A Gazeta do Egito”.

–Ah meu DEUS! OLHE ISSO HELENA!

–Ei moça, Esse dinheiro é falso! Devolve meu jornal! – o menino gritou e tomou o jornal das mãos congeladas de Angelica.

–Isso não tá acontecendo! Olha, ali tem um restaurante, vamos pedir informação! –Helena disse.

Quando elas entraram, encontraram uma mulher idosa no balcão.

–Com licença, senhora. Precisamos de ajuda – Helena disse enquanto ela e Angelica tremiam.

–Ah vocês vieram para ajudar! Sim, preciso de garçonetes. Podem começar agora? –A mulher disse alto, como se tivesse algum problema de audição.

–Ah não, NÓS precisamos de ajuda. Estamos PERDIDAS, SEM TETO. –Angelica disse numa voz tão alta quanto a da senhora.

–Ah entendi... Eu tenho uma boa suíte. Posso alugar por bem barato! Me sigam! –A mulher respondeu satisfeita.

–Não, nós-

–Você também precisa de cantores? Minha amiga aqui canta e toca muito bem! –Helena interrompeu Angelica. –Era o que estávamos procurando Angel, um lugar com aluguel barato!

–Mas estamos perdidas! E sem dinheiro e…

–Exatamente! Olha, eu sei que é loucura amiga, mas tem ideia melhor do que um lugar e um trabalho? Vamos só ver...

–Está bem. Vamos lá. “As coisas que faço pelas minhas amigas”. Angelica pensou.