Flores nascidas do concreto

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Uma flor de pétalas delicadas, de aroma doce, de toque suave. Uma flor pequenina, mas que esbanja perfume.

Uma flor que dança ao vento, e que às vezes deseja ser um dente-de-leão para pegar carona na brisa e desbravar o mundo.

Uma flor que sente, que chora orvalho após a noite e o escuro lhe tomarem e ver-se sozinha. Para, na manhã seguinte, abrir-se e dar ao mundo sua cor.

Uma flor nascida no cimento, sempre em perigo, podem pisar-lhe a qualquer momento. Escondida no cinza, poucos são os que param para admirar sua beleza, os outros que perdem.

Uma flor nascida do concreto, duro e hostil, se mantém viva pelo único desejo de viver. O mundo não lhe quer ali, mas ela quer. Ela quer trazer a esse mundo bruto que a despreza tudo que pode oferecer: toda a força que a habita, toda a delicadeza dentro dela, toda a vida que há em si, toda a flor que ela é.

Notas finais
Floresça.
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