Flores do entardecer para Heartland City

1 Capítulo Único - Flores do entardecer para Heartland City


Naquele momento, Tsukumo Yuma contemplava a escolha mais difícil que teria que fazer, bem a sua frente. No seu quintal, havia uma quantidade enorme de buquês de flores, presentes do charlatão do Charlie para a irmã de Yuma, Akari.


Por mais que ela estivesse dividida entre guardá-los e atear fogo, talvez ambos ao mesmo tempo, decidiu fazer algo mais sensato.


– Livre-se desses buquês pra mim, antes que eu mude de ideia. Não me importa como, apenas faça! – Yuma repetiu as palavras da sua irmã, enquanto estava sentado no seu quintal, bem de frente para aquelas flores – É fácil falar quando não é você quem tem que fazer o trabalho todo…


Ele ficou alguns segundos calado, pensando no que poderia fazer. Foi então que teve uma grande ideia.


– Ao invés de jogá-los fora, acho que posso fazer algo ainda melhor – Yuma se levantou, pegando o maior número de buquês que conseguia em seus braços, completamente determinado – Hora de enfeitar Heartland… eu vou arrebentar, pode crer!


Ele gritou sua frase assinatura, saindo do seu quintal como um relâmpago, destinado a cumprir sua nova missão.



O primeiro ponto de parada foi um bem emblemático, a praça onde ele havia tido seu primeiro duelo para valer, onde havia conhecido Shark e, mais importante, Astral. Aquele lugar marcou a primeira e a última vez que eles haviam se visto


O local estava silencioso, salvo alguns cantos de pássaros e o som fraco do vento contra as árvores. Ainda era cedo, poucas pessoas sequer haviam saído de casa.


– Sei que você ainda está por aí, Astral… não se esqueça de me mandar recados de vez em quando, espertalhão… – Ele murmurou, enquanto deixava um buquê branco, bem ao centro da praça.


Ele ficou alguns momentos ali, em silêncio, ajoelhado próximo ao buquê. Por fim, se levantou, com um sorriso renovado no rosto, retomando sua caminhada em direção ao próximo local que gostaria de visitar.


Por mais que o lugar estivesse praticamente vazio, uma transeunte de cabelos esverdeados que passava pelo local notou o rapaz de longe.


– Yuma? – Perguntou Kotori, a si mesma, após ver seu amigo não só deixar um belíssimo buquê no chão, mas também sair correndo com muitos outros – O que será que ele está fazendo?


Sua curiosidade acabou saíndo em vantagem, por isso decidiu acompanhar o rapaz, a distância, para ver o que ele estava aprontando



Kotori seguiu Yuma, até que ele finalmente parou em frente a uma grandiosa mansão. Ficou tentando adivinhar o motivo de ele ter parado ali, mas sua resposta logo veio quando viu quem atendeu ao portão.


– Yuma, o que veio fazer aqui? – Perguntou Shark – Por que está com um monte de buquês nos braços?


Aquela era a residência dos Kamishiro, casa do Shark e Rio.


– Oi Shark, minha irmã me pediu para sumir com esses buquês, então ao invés de jogar eles fora, estou distribuindo eles por aí – Explicou o rapaz, entusiasmado – Aqui, um pra você e um pra Rio-San


Ele estendeu a mão, com dois buquês de cores diferentes


– O Yuma está dando flores pro Shark?? – Kotori se questionou, extremamente confusa


Shark apenas olhou para os buquês na mão de Yuma e, sem pensar duas vezes, agarrou ambos, apenas para soltá-los logo em seguida no chão


– Ops – Disse Yuma, se ajoelhando no chão para pegar as flores que Shark havia deixado cair – Parece que você deixou cair isso aqui


Ele entregou para o rapaz de cabelos azuis outra vez, que fez a mesma coisa novamente.

Durante toda essa interação, Kotori apenas assistia distante, tentando entender o que eles estavam falando e o que estava acontecendo.


– O que?! – Gritou Yuma, boquiaberto – Por que você fez isso?


– Não sei o que te deu na cabeça. Acha mesmo que vou aceitar flores? – Ele perguntou de volta – Se não quer deixar elas no chão, pegue e vá para outro lugar, não quero saber.


– Oe, Shark! – Yuma gritou outra vez, olhando para o rapaz enquanto ainda estava no chão


– Ryoga… honestamente, qual o motivo de todo esse barulho? – Rio-San abriu a porta de casa, se deparando com aquela cena na sua frente. Yuma ajoelhado de frente para Shark, segurando inúmeros buqûes de flores


Era evidente no seu rosto como ficou confusa por um momento, mas logo em seguida estava caindo na gargalhada


– Por acaso estou interrompendo alguma coisa aqui? – Perguntou, cobrindo o riso com a mão, enquanto andava até o portão


– Não tem nada acontecendo aqui, em primeiro lugar – Respondeu Shark, virando de costas e andando para dentro de casa


– Shark… – Resmungou Yuma, recolhendo as flores que Shark havia derrubado no chão


– Parece que vai ter que se esforçar melhor da próxima vez, Yuma. O Ryoga também tem um coração de gelo – Rio disse, controlando a risada – Qual é a dos buquês?


– Minha irmã recebeu um monte deles e mandou eu me livrar deles, mas ao invés de jogar fora, estou distribuindo todos – Ele respondeu, levantando – Vim oferecer algumas pro Shark e pra você, mas não parava de soltar elas no chão


– Pra… nós? – Havia sido pega de surpresa – E o Ryoga derrubou elas propositalmente?


– Isso mesmo – Yuma então ofertou os buquês de volta para Rio-San – Pensei que pudessem combinar com o quintal de vocês


– Uh… obrigada – Ela pegou os dois buquês, surpresa pelo gesto tão repentino de Yuma. Suas bochechas estavam levemente coradas – Vou me certificar de que o Ryoga não faça mais isso.


– Ok, obrigado Rio-San! Agora preciso ir andando, até mais! – Entusiasmado, ele saiu andando novamente, indo em direção a seu próximo destino


– Tchau – Ela acenou para ele, vendo conforme ele já estava distante – Honestamente… não dá pra entender esses garotos


Rio-San voltou para dentro de casa, fechando o portão, enquanto Kotori esperou até que estivesse fora de vista para continuar sua investigação.



Após isso, Kotori observou cada uma das paradas de Yuma.


Foi até a escola, onde deixou um buquê com Tetsuo, que ficou sem entender absolutamente nada.

Um com Takashi, que ficou igualmente perdido.

Tokonosuke-kun também recebeu um e ficou se questionando qual seria o significado secreto por trás daquilo

Até mesmo a Cathy havia ganho flores, ficando completamente vermelha, mas, antes mesmo que pudesse dizer qualquer coisa, Yuma havia ido embora, deixando ela balbuciando sozinha… e deixando Kotori com uma leve pontada de ciúmes.


Vendo todos seus colegas recebendo flores, especialmente Cathy, Kotori decidiu finalmente aparecer, não queria ficar de fora.


– Oi Yuma, bom dia! – Disse ela, em alto e bom tom, conforme Yuma vinha correndo na sua direção, seus braços ainda cheios de flores


– Oi Kotori! Desculpe, não posso falar agora, estou ocupado! – Ele disse rapidamente, conforme saiu correndo ainda mais rapidamente para longe


– Espera, mas… Ei Yuma! – Ela gritou, emburrada, visto que ele havia acabado de ignorar ela completamente, e volta a ir atrás dele


Enquanto corriam desenfreadamente, Yuma encontrou Alith, Gilag, Durbe, Mizael e Shingetsu, fazendo questão de distribuir tudo que conseguia com a maior rapidez possível.



Logo mais, passeando pela cidade, Yuma encontrou Anna, que quase explodiu o rapaz com seu canhão após receber as flores… Ele realmente parecia ser oblívio aos efeitos que suas ações traziam.

Esper Robin teve as gravações do seu programa interrompidas, por conta de Yuma.

Ele também foi até a casa do Kaito, onde foi obrigado a deixar as flores para o lado de fora antes que Orbital 7 o expulsasse dali.

Droite e Gauche também foram contemplados, agradecendo o pequeno pela gentileza

Mesmo assim, por mais que diversas vezes ficasse bem na frente de Yuma, Kotori parecia ser a única que não receberia nada



– Desculpa Kotori, quem sabe outra hora!

– Estou com pressa agora, me desculpe!

– Estou passando!


E mil outras desculpas que ele conseguia arranjar, que só deixavam Kotori ainda mais irritada



Os últimos a receberem foram os irmãos Arclight.


Ele deixou um buquê para V, que estava ocupado com suas pesquisas. Tentou deixar um com IV mas que, diferentemente até de Shark, simplesmente nem sequer aceitou, então acabou deixando dois com III, que ficou completamente contente e lisonjeado pelo presente de seu amigo.


Havia passado praticamente a manhã inteira entregando flores, então quando finalmente retornou para sua casa, sentou no seu quintal e respirou fundo, estava exausto.


– Eu consegui… – Falou, em meio a suspiros – Agora só falta…


– YUMA! – Sua fala foi interrompida pelo grito de Kotori, que estava bem na frente de sua casa, era visível em seu rosto como ela estava bastante irritada


– AH! Ah, Oi Kotori


– Nada de oi Kotori! O que você pensa que estava fazendo? – Perguntou a garota de cabelos verdes, fumegante


– Eu só estava… – Antes que Yuma pudesse concluir sua frase, era interrompido de novo


– Sabia que eu fiquei correndo atrás de você o dia inteiro e você me ignorou!? – Gritou, outra vez, fazendo o rapaz ficar ainda mais na defensiva – Você deu flores para todo mundo, todo mundo mesmo… só eu fiquei de fora! – Disse a última parte, visivelmente entristecida


– Calma Kotori, você entendeu tudo errado – Tentava se defender, sem jeito, enquanto levantava do quintal


– E o que foi que eu entendi errado? – Emburrada, cruzou os braços, se virando de costas. Já estava esperando mais uma das desculpas sem noção do Yuma, mas surpreendentemente, não foi isso que ocorreu


– Eu não esqueci de você – As palavras dele a surpreenderam, inclusive servindo para acalmar os ânimos. Não esperava aquela resposta


– Então, por que me ignorou o dia todo?! – Insistiu, novamente. Depois de ser ignorada por tanto tempo, não deixaria aquilo barato.


– Porque era pra ser uma surpresa. Tinham tantas flores aqui que eu não conseguia nem sequer contar – Respondeu, caminhando em direção a ela


– E por que justo as minhas tinham que ser uma surpresa? – Se virou, para confrontá-lo, foi então que viu o arranjo na mão de Yuma


Enquanto todos os outros buquês eram brancos, com flores pequenas, esse era muito maior, com flores das mais diferentes cores


– Acho que dá pra perceber um pouco, hehe – Ele riu, sem jeito, enquanto ofereceu as flores para Kotori. – Posso fazer muitas coisas, mas esquecer de você não é uma delas


Ao escutar suas próprias palavras, seu rosto ficou levemente vermelho, como uma pimenta.

Parece que sabia muito bem o efeito das coisas que falava


Kotori pegou o belíssimo buquê, segurando ele com as duas mãos. Ela tentava falar alguma coisa, mas as palavras ficaram presas na sua garganta e tudo que ela conseguia era fazer um monte de sons sem sentido, enquanto suas bochechas aderiram a um tom rosado


– Idiota… – Foi tudo que ela conseguiu dizer, fazendo biquinho e com cara emburrada, mas estava extremamente contente.


Dentro do buquê, ela viu um pequeno pedaço de papel que se parecia com uma carta. Retirou-o de dentro para poder ler.


“Por mais que existam mil e uma flores, todas parecem brancas se comparadas com a cor dos seus olhos. Por mais que existam mil e um lábios, o seu sempre será meu favorito. XOXO”


O que antes era apenas um rosado nas bochechas se tornou uma vermelhidão completa por todo o rosto de Kotori, que faltava apenas soltar fumaça


– O que foi Kotori, o que diz ai? – Perguntou Yuma, curioso, tentando dar uma espiada.


– N-Nada! – Bradou, escondendo a mensagem


– Ah, me deixa ver! – Reclamou, insistindo novamente


– M-Mas nem pensar!


Eles ficaram ali, brigando como dois bobos, mas no fim Kotori não deixaria Yuma ler a mensagem


Aquela mensagem era mesmo a cara de Charlie, um grande canalha… talvez por isso Akari tinha ficado em dúvida entre brigar com ele ou aceitar o presente.


Ao menos a mensagem tinha chegado a um novo remetente, e trazido consigo outra grande confusão.


Haviam crescido bastante, mas muitas coisas ainda continuavam iguais como sempre foram.

Quem sabe, talvez quisessem que continuasse assim.


FIM


Notas finais
Há males que vem para o bem, quem dirá um mal entendido. See ya! ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!