Notas iniciais
Oláaaaa, meus amores!! Então, gente, venho por meio deste dizer que EU TERMINEI A HISTÓRIA! Fiquem calmos, este não é o último capítulo, mas, a história já está completamente finalizada aqui no meu pc (por via das dúvidas tem uma cópia salva no Facebook, outra no Whatsapp e outra no Drive), então não vai haver hiatus! Para a alegria da Aisha, que não me aguentava mais desistindo das histórias. Felicidade e isso aí, galera. Enfim, como já tá finalizado mesmo, não vou ficar de frescura, vou postar dois caps hoje, mais um amanhã e por aí vai! Deus é TOP, zika!!

Para aqueles que nunca vislumbraram a beleza dos Campos Elísios, é difícil descrever o quão impressionante é o local onde descansam as almas dos Heróis. Um vasto e verdejante jardim, com construções espaçadas, talvez templos em homenagem aos deuses, e várias plantas frutíferas, flores e ninfas correndo por aí.

Estar lá de pé era quase como sonhar acordada, e mesmo assim, nenhum sonho meu jamais se igualaria a tamanho esplendor. Quando o Submundo se dividiu e fez surgir os Elísios, com certeza ele deveria estar muito inspirado.

Parada sobre uma colina coberta por flores, eu admirava o brilho que provinha do céu azul, e, completamente maravilhada, ouvia os pássaros cantarem e uma melodia suave ser entoada ao longe. Olhei para trás procurando minha senhora, mas ela desaparecera no momento em que chegamos aos Campos Elísios, e agora lá estava eu, sozinha, à procura de um Cavaleiro de Ouro.

— Okay, então vamos lá. – disse a mim mesma, erguendo a barra da enorme saia do vestido que usava, começando a descer a colina.

Dizem que o tempo se passa diferente nas dimensões paralelas ao Mundo dos Humanos, mas, eu acho que isso não é exatamente verdade. Os Campos Elísios têm uma força agressiva, eles te iludem e te tratam como uma criança mimada, te entregando seus desejos mais profundos.

Por duas vezes, eu vi uma mulher sobre colinas distantes, a figura da minha mãe aparecendo para mim, mas não a segui, sabia que se o fizesse minha alma seria cegada pelo feitiço dos Elísios, e provavelmente me esqueceria de tudo o que precisava fazer lá dentro.

Perséfone me alertou sobre aquilo, então, o mais certo era seguir sempre em frente, buscando o mar que levaria até a Ilha dos Abençoados.

É claro que não foi nada fácil, por muitas vezes eu me vi completamente perdida no meio de almas a descansar, sabendo que não podia incomodar nenhuma delas, mas, ainda assim era complicado não pensar em pedir ajuda.

Cansada e derrotada, resolvi me sentar em uma pilastra caída no meio da campina, para colocar meus pensamentos em ordem. Precisava me acalmar, começar a ouvir e buscar a brisa salgada, quem sabe assim eu encontraria o mar?

Foi respirando fundo e sentindo um cosmo gelado se aproximar que eu arregalei os olhos, confusa demais, pois já havia sentido aquele cheiro antes e também, aquela sensação estranha de ter alguém me observando.

— Diana? – e lá estava ele, o homem que tutoreou meu ensino de francês quando eu estava viva. Ele estava tão lindo quanto antes, mas agora parecia mais leve, menos turrão e sério. – O que está fazendo aqui?

— René? – com a mão sobre a boca, o olhei de cima a baixo, completamente confusa. – Ai meu Deus, Elísios, que falta de criatividade!

— O que aconteceu com seu cabelo, com sua pele? – e ele se aproximou, tocando os fios que caíram da trança. – E esse cosmo? Por Athena, Diana, quem te transformou em Ninfa?

— Espera, como é que você sabe sobre cosmo e essas coisas? Você é só um tutor de Francês! – exclamei, me levantando e dando a volta na pilastra caída, criando uma barreira entre nós.

— Bem, eu era um cavaleiro, é notório que eu deva saber sobre essas coisas. –em um tom de quem sabe tudo, René colocou os braços para trás, tomando uma pose superior. Arfando, eu soltei um gritinho de exclamação, apontando de forma acusadora para ele.

— Camus de aquário! Você é Camus de aquário, o amigo do Milo! – exaltada, eu disse de forma ainda mais acusadora. – É muita coisa para processar... – levei as mãos às têmporas, andando de um lado para outro de forma rápida. – Por que está aqui?

— Cavaleiros de Bronze nos venceram na Batalha das Doze casas, nossa deusa Athena era uma farsa, assim como o Grande Mestre do Santuário. – explicou ele, sentando-se na pilastra. – Outros companheiros vieram para cá também.

— Meu irmão... – perguntei, ocupando o lugar ao lado dele, encarando-o de forma preocupada. – Meu irmão está aqui também?

— Não. Milos sobreviveu. – sentenciou Camus, encarando-me com os olhos tristonhos. – Mas, você não deveria estar aqui... Não assim, pelo menos. O que aconteceu, Diana?

— Eu comi as sementes da Romã. – dei de ombros, abaixando a cabeça. – Eu sirvo à senhora Perséfone, Camus...

— Eu compreendo. – e segurou minha mão, sorrindo brevemente. – Você... Deve saber que não encontramos o seu corpo, seu irmão procurou por você, seu pai procurou por você, e nós ajudamos... Reviramos todo o Santuário atrás de você, Diana, mas não te encontramos em lugar algum, peço perdão por isso.

— Não tinha como encontrarem. – sorri, passando a mão pelo rosto de Camus. – Não se preocupe com isso, não me deve nada, Camus, tenho certeza de que fizeram o melhor para me procurar. Muito obrigada por isso, querido.

— Está tão linda, Diana. – ele soltou uma risada anasalada. – Não que não fosse antes, mas agora parece e muito com as ninfas daqui.

— Mais um. – revirei os olhos, afastando minhas mãos para ajeitar meus cabelos. – Agradeço o elogio, mas mesmo assim, não suporto ser comparada àquelas coisinhas.

— É tão igual ao seu irmão. – riu ele, passando a mão por meu rosto. – Espero que esteja feliz com o que escolheu.

— Bem, eu vou ficar mais feliz se eu encontrar o caminho para o mar, mas está complicado.

— É simples, – e apontou para a esquerda. – siga sempre nesta direção e encontrará o mar de forma rápida. Não vire nem à direita e nem à esquerda, siga reto nesta direção. – coloquei-me de pé, olhando para a direção que ele apontava. Sentindo algo dentro de mim latejar, ergui minha mão na mesma direção e fiz um leve movimento, no momento seguinte, uma trilha de flores idênticas às que tinha em meus cabelos surgiu como uma linha na direção ordenada. – Nossa!

— Olha, eu não sabia que dava para fazer isso. – realmente surpresa, olhei de minha mão para a trilha de flores. – Muito obrigada por isso, Camus. – e dei um beijo em sua bochecha. – Espero que nos encontremos novamente, até breve!

— Vá com cuidado, Diana.

— Impossível, mas vou tentar.

No momento seguinte, eu corria com um sorriso no rosto, sentindo a brisa fresca bater contra minhas bochechas, e o tecido de minhas vestes ser repuxado para trás, ao sabor do vento. Correr por aquela campina era como correr pela liberdade, era a sensação mais incrível que eu já provei em toda a minha vida.

Por um momento, eu era o vento, eu era a sensação de calma e eu era a liberdade... E, quando me tornei tudo aquilo, mesmo por um momento, senti o terror de ser consumida pelos Campos Elísios, e isso me puxou de volta para a realidade, fazendo-me tropeçar e rolar por vários metros abaixo de uma colina, gemendo ao finalmente parar de rolar e me ver com o rosto caído na areia fina e branca da praia.

Erguendo-me e batendo em minhas vestes para retirar a areia, virei-me para trás, onde a colina limitava a praia e o restante do Campo.

— AHA! – exclamei, dando alguns pulinhos. – Não foi dessa vez, Elísios, eu consegui! Uhul! – e bati palminhas, rodando algumas vezes antes de parar e me punir mentalmente. – Certo, certo, foco! Precisamos achar o Cavaleiro de Sagitário e...

E lá estava ele. Era inconfundível, realmente. Sísifo ou Aiolos, quem quer que fosse a personalidade que estava lá, não havia como negar que aquele era o santo de Athena de quem todos falavam e cantavam.

Parado de pé em frente ao mar, ele não se importava com as ondas que molhavam os pés da armadura de Sagitário, brilhante e imponente como sempre. Usar suas vestes de batalha nos Campos Elísios significava muito mais do que apenas a indecisão e a turbulência em seu coração, aquele homem parecia perturbado com algo e realmente não estava pronto para partir à Ilha dos Abençoados.

Aproximei-me devagar, mantendo o olhar consternado e remexendo em meus próprios dedos. Por que ele estava tão perturbado? Pelo que consegui ler e pesquisar sobre seu passado, Sagitário sempre fora fiel à deusa Athena e, em seu eu desta era, sacrificou sua vida para protegê-la.

— Senhor. – em voz baixa, chamei por ele, parada a menos de um metro do cavaleiro. Surpreso, o homem virou-se em minha direção, sorrindo sutilmente ao encontrar meu rosto surpreso e tristonho.

— Olá, bela ninfa, o que faz aqui? – perguntou ele, a postura calma e o porte altivo condiziam com sua posição como um cavaleiro de honra.

— Não sou uma ninfa, senhor. – ditei de forma simples e respeitosa, colocando-me de joelhos com o punho fechado sobre o peito. – Eu sou Diana Alessandros, senhor, irmã de Milo de Escorpião... Sou a serva da Senhora Perséfone e venho humildemente diante do cavaleiro de Sagitário pedir por ajuda.

— O que eu poderia fazer por uma serva de Perséfone? – questionou ele, caindo com um dos joelhos no chão, encarando-me de igual para igual.

— Eu preciso que me aprisione no mundo dos sonhos, senhor, mas antes, preciso saber como andar por lá, como sair das ilusões e como encontrar o que preciso lá dentro.

Os olhos azuis do homem arregalaram-se e eu vi a sombra de um medo profundo em seu coração, o que me deixou ainda mais chateada pelo peso em seu coração.

— O quê? – questionou ele, completamente aturdido.

— Mestre Sagitário, eu preciso encontrar alguém que está preso no mundo dos sonhos. – continuei, agarrando as mãos dele. – Alguém muito importante, e para isso eu preciso da ajuda do senhor.

— Que lhe deu esta missão suicida, menina? – ele se ergueu rapidamente, ficando novamente de costas para mim. – Volte para sua senhora e pare com essa ideia!

— Não posso... – corri para a frente dele, encarando-o com olhos pedintes. – Minha senhora me deu a missão de trazer de volta alguém que está presa na Prisão dos Sonhos! Não entende, senhor? Preciso cumprir essa tarefa! Por favor, me ajude.

— O Mundo dos Sonhos não é lugar para uma ninfa destreinada! – em tom sério, a figura dele pareceu crescer sobre mim. – O que vai fazer presa lá dentro? Morrer, com certeza! Oneiros vai destruir você como se fosse um inseto! Sabe o que Fântaso é capaz de fazer? Conhece o ardiloso Morfeu? Ícelo então, nem se fala. Mas nada é mais cruel do que Oneiros, ele se junta aos outros três e erradica sua alma como se fosse simples poeira cósmica soprada para longe.

— Oneiros não fará isso comigo. – certo, aquela não era uma informação real, mas tinha que tentar acreditar naquela frase. – Ele foi gentil comigo, mesmo quando o pai dele ordenou que me causasse pavor de altura... Acho que consigo convencê-lo a me deixar ir.

— Você acha isso, menina? – riu Aiolos, passando a mão rapidamente por seu cabelo. – Oh, que gracinha, ele te ajudou uma vez e você já acha que ele vai deixar que o engane? Ninfa, você precisa acordar para a realidade dura. Ele é um deus impiedoso, pode ter te ajudado, mas se você se meter no caminho do pai dele, Oneiros e os outros vão te destruir.

— Eu não me importo. – ditei, cruzando os braços. – Eu já estou morta mesmo, perder a vida no Mundo dos Sonhos ou aqui não vai fazer diferença. E, ademais, se acha que eu vou ser tão massacrada, por que não me ajuda ao invés de ficar tentando me fazer mudar de ideia?

— Porque... – acho que os argumentos dele envolviam me fazer sentir vontade de viver, mas o fato de eu ter revelado já estar morta o chocou novamente. – Por Athena... Você tem alguma noção do que é o cosmos ou como usá-lo?

— Nenhuma. – confessei.

— E como é que você espera sobreviver lá dentro? Sendo bonitinha? – perguntou ele, deixando-me levemente ofendida.

— Eu sou boa em me esconder, senhor.

— Isso não será o bastante lá dentro. – e começou a andar na direção das colinas, fazendo com que eu o seguisse. – Vai precisar enfrentar todo tipo de perigo e proteção criada por Hypnos para manter as almas presas. Vai ser iludida, usada e deixada para morrer à mingua. Para que isso não ocorra, vai precisar lutar, mesmo que não um combate físico, mas mental. Seu cosmo já é aflorado por você ser uma ninfa, mas precisa aprender a controlá-lo. Mostre o que já sabe fazer.

— Hã, tá certo. – concordei, esbarrando nele quando Aiolos parou de andar. Estávamos em uma planície verde, sem flores ou qualquer outro tipo de planta que não fosse a grama, e por um momento me senti confusa, já que havia sido de lá que eu chegara até a praia. – Eu acho que é assim... – e, fazendo um delicado movimento com as mãos, criei uma porção de flores aos nossos pés. Lindas e coloridas peônias.

— Que gracinha, vão ficar perfeitas no buquê ensanguentado que você vai se tornar quando Hypnos te matar. – Aiolos destruiu as flores com o cosmos dele, causando-me náuseas. – Pode criar flores venenosas?

— Moço, eu não sabia que podia criar flores normais, como vou saber se consigo fazer alguma com veneno? – coloquei as mãos na cintura, revirando os olhos. Aiolos me olhava com os braços cruzados. – O que quer que eu faça? Eu não sei mexer com cosmos.

— Então não vou te ajudar a entrar no Mundo dos Sonhos. – volveu me rodeando. – Vou te ensinar a usar o cosmos. Só depois disso te ajudarei a entrar.

— Vai me treinar? – perguntei, com olhar esperançoso.

— Sim, e não ache que vou pegar leve, você vai ter que suportar muita coisa se quiser sobreviver lá dentro.

— Como quiser, mestre.

Aiolos não era como eu imaginava que seria, no entanto, era o que eu precisava no momento. Ele não era gentil como as histórias, era severo e até mesmo cruel algumas vezes, mas via em seu olhar que me treinava com afinco e dedicação, então eu seria a melhor pupila que ele já teve e a que aprenderia mais rápido.

Notas finais
Sim, poderes mágicos de fadinha, por que eu adoro! Enfim, espero que tenham gostado deste capítulo. Eu gostei muito de escrever! ♥