O jardim estava clareado apenas com a luz do luar. Pendi minha cabeça para trás e cruzei minhas pernas. Era tão bom para pensar ali, tão quieto que chegava a me apavorar. Podia ver o ar saindo de meus pulmões tamanho o frio que fazia.

Fiquei observando os emanharados de cravos e rosas. Cravos vermelhos como sangue e rosas brancas como... Como a paz. Apanhei um cravo e uma rosa, observando-os atentamente. Sempre fui fascinada por flores, qualquer uma, mas as minhas preferidas eram estas. Cheirei uma de cada vez, guardando o aroma em minha memória. Mas eu já os tinha guardado antes. Duas garotas. Uma delicada, serena. A outra de personalidade forte, agitada. Ah como eu amava aquelas duas garotas. Mas apenas uma realmente conseguira tocar meu coração.

Fechei meus olhos e a nostalgia ia tomando conta de mim. Lembranças foram se misturando uma a outra. Que saudades. Eu via agora que o motivo da briga entre nós era tão tola. Agora eu sabia o que realmente era amar. Três meses de abstinência de ambas. Três meses na noite solitária. Eu havia me decidido, iria falar com aquela que eu considerava como irmã, de manhã bem cedo. A minha amante, eu falaria assim que ela pronunciasse meu nome.

Ouvi o massacrar de folhas secas, o desviar de galhos e uma voz feminina cantando. Uma música tão suave e doce... Constratando com a personalidade de quem cantava. Não precisava ver quem era, porque eu já estava acostumada com sua voz.

- Dan...? — Perguntou a voz e eu assenti.

- Quanto tempo Kime. — Um sorriso brotou em meus lábios. — Iria falar contigo amanhã.

- Sobre? — Perguntou irônicamente.

- Eu não quero mais ficar longe de você. — Suspirei. — Admito que não devia ter dito aquilo, por mais forte que tenha sido a provocação. — Eu senti que ela me analisava. Olhei em seus olhos, passavam uma expressão de felicidade, mas que lutava pra não ser percebida.

- Só agora você vem me dizer isso? — Revirou olhos.

- Cala a boca e senta. Sei que você está morrendo de saudades de mim. — Ficamos em silêncio, ela sentou ao meu lado e eu abracei-a. — Posso considerar desculpas aceitas?

- Pode. Sei que você não vive sem mim. — Riu.

- Estava com saudades desse riso.

- E eu com saudades de quem encher as paciências. — Fez carinho no meu rosto e ficamos novamente em silêncio até que ela quebrou novamente. — Já falou com ela?

- Não...

- Vamos adivinhar, está esperando ela te procurar? — Assenti. — Sabe que por mais que ela e os outros sofram, ela não admitirá que errou por vontade própria.

- M... — Eu ia protestar, mas Kime me calou com um dos dedos.

- Sabe que é verdade. Você a ama. Ela também te ama. Você poderia perdoa-la já que está tão vazia.

- Ainda não me acustumei que você possa saber o que ocorre internamente comigo. Isso é estranho. — Ri nervosa. — Mas diga, e as namoradas?

- Nada. Nenhuma a qual vale a pena conquistar. Enfim, é fácil pra você, Dan. É só atravessar a rua.

- E o que falarei? — Eu estava insegura, era como eu ficava em relação a Chib.

- O que o coração mandar. — Kime sorriu, se levantou e me esticou a mão. Apertei sua mão e me levantei. Dei um outro abraço em Kime e beijei seus lábios. Era como selávamos um segredo, com um selinho fraternal.

Me desfiz de seu abraço, murmurei um obrigado e atraversei meu jardim a passos apressados. Cheguei a calçada, a lua estava grande e brilhante. Pedi a ela que tudo desse certo. Atravessei a rua em direção ao casarão que ficava de frente ao meu jardim. Pulei o portão e desviei dos cachorros que estavam dormindo. Entrei dentro da casa por una janela aberta que dava na sala de visitas. Me guiei no escuro pelas minhas lembranças e cheguei ao pé da escada. Subi sorretariamente, vez ou outra analisando o local com a leve impressão de estar sendo seguida. Passei por um corredor e parei na frente do quarto de Chib.

Girei a maçaneta mas esta estava fechada, murmurei um palavrão e encostei o ouvido na porta. Chib estava cantarolando, sendo interrompida pelos próprios soluços. Procurei no bolso do meu macacão e achei um clips. Com cuidado, enfiei-o na fechadura e ouvi-a sendo aberta. Chib parecia não ter dado importância ao mínimo barulho.

Abri a porta lentamente, observando os detalhes do quarto e procurando pela minha rosa.

Chib estava ajoelhada a frente a janela, a luz da Lua iluminando-a. Usava apenas um roupão de seda branco, os cabelos trançados e os olhos fechados. Suspirei com a imagem. Nostalgia novamente.

Faça o que seu coração mandar. A voz de Kime ecoava em minha mente.

Atravessei o quarto tentando não fazer ruído, vi uma lágrima cair do canto do seus olhos.

- M... ...ul...p... — Murmurou algo que eu não pude ouvir. Cheguei um pouco mais perto. — Me desculpa. — Abracei-a por trás. Não pude me conter. Senti o estremecer do seu corpo com o choque que havia sofrido. Ela parecia imóvel. — O q-que faz aqui? — Tentou manter a voz fria e decidida.

- Vim ver aquela que é dona do meu coração. — Sussurrei em seu ouvido.

- Acho, então que entrou no quarto errado. — Não deixei que aquele tom de voz me desencorajasse. Suspirei e a abracei mais forte.

- E por que acha isso? — Ficamos em silêncio, ouvindo a respiração uma da outra. Ela se virou e me encarou. Seu olhar refletia profundas tristezas.

- P-porque... C-como você pode entregar o coração praq... — Falou baixo e rápido demais para que eu entedesse. Ela baixou o olhar e ficou fitando o chão.

- Desculpa, pode repetir? — Sorri, levantando seu rosto e olhando para os lábios dela e depois voltando aos olhos.

- Eu não disse nada. Agora, pode se retirar, por favor?

- É assim que você quer? — Meu sorriso foi sumindo aos poucos.

- Sim. — Ela deu as costas pra mim. — É assim que eu quero.

- Como queira. Adeus. — Me levantei, as lágrimas teimando em cair, na garganta parecia que havia algo entalado. — Não irei te procurar mais. Não irei sequer pensar em você. O meu coração é seu, porém a razão é minha. — Meu peito pesava, tudo em mim pesava, a alegria que eu sentira a pouco fora se extinguindo. Eu não queria abandoná-la. Mas a razão fizera esquecer o que Kime disse. Arrastei pé ante pé até a porta. As lágrimas não podiam ser mais contidas, eu já não era mais eu. Faltava uma grande parte de mim. O vazio me consumia.

- E-espera. — Ela sussurrou e depois gritou. — Espera,

P-por favor.

- E por que eu esperaria? Você me mandou embora, não tenho nada pra fazer aqui.

- Eu... Me... Me descul...pa. — Senti seus braços envolverem minha cintura. — Eu... Te magoei, não foi? Me desculpa. — Senti as lágrimas dela molharem minha camiseta. Eu me virei e beijei os lábios de Chib.

- E-eu... Amo você. — Não podia deixar de fazer o que ela me pedia. E aí estava meu ponto fraco.

- Também amo você. — Limpei as lágrimas dela e sorri.

- Não podia mais ficar sem você. — Me sentei no tapete de pele e Chib sentou entre minhas pernas, se aconchegando em meu abraço.

- Moi* estava desesperada para te ver. — *Lê-se Muá. Eu em Francês.

- Eu não quero mais ficar tanto tempo sem te ver. — Beijei-lhe a face, e depois sua boca, adentrando-a com a língua.

- Amor... — Ela gemeu.

- Oi?

- Quero fazer amor...

- Oui, mademoiselle. — beijei o pescoço dela várias vezes, me desfazendo de seu roupão. Com a mão direita comecei a acariciar ora o peito ora os seios. Com a esquerda eu estimulava seu clitoris com dois dedos em movimentos aleatórios. Ela gemeu meu nome quando a penetrei com os dois dedos, fazendo movimentos de vai e vem cada vez mais rápidos, até que ela gozou e começou a corar. Beijei-lhe a face novamente e sussurrei em seu ouvido.

- Eu te amo muito, minha rosa.

Notas finais
Nhaaa, desculpem pelos erros e-e Escrevi isso as duas da manhã. Mas acho que valeu a pena. Posso ganhar reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!