Flores Secas

8 Capítulo 8 - Mandy sai para jantar e encontra uma garota -


Notas iniciais
P.S: A música é uma mistura do filme "hora do pesadelo" se não estou enganada. A única coisa que é do filme são os "números" se alguém quiser saber, o resto eu introduzi. boa leitura.

De volta as Reids, ambas passaram o resto da tarde assando a famosa torta recheada com maçãs verdes adquiridas no mercado próximo a praça central da cidade.

– Hum... O cheiro parece bom. — Mandy descia os degraus enxugando seus cabelos com a toalha após uma revigorante ducha.

– Não só parece como está bom! Mais alguns minutos no forno e poderemos retirar essa obra-prima feita por mim, Maryanne Reid. — gesticulava animada. Sua filha sorriu ao achar cômico as gratificações que a própria mãe dava em si mesma.

– Calma aí, virou um Alex Atala da vida agora?

– O Alex Atala babaria ao provar minha torta de maçã! Ele mesmo iria querer essa receita, só que é segredo de família. — uma piscadela fora dada por Mary que estava quase arrumada analisando o relógio que marcara 19 horas e 30 minutos.

Com a torta assada e as mulheres Reids vestidas apropriadamente para o jantar casual com seus vizinhos. Seguiram em direção ao terreno ao lado pertencente aos Jacksons. A noite estava estrelada com sonoros cricrilar de vários grilos e alguns sons que Mandy notara ser de corujas e morcegos. As mulheres estavam com trajes confortáveis, Maryanne usava um vestido preto que marcava bem sua bela silhueta elevando os majestosos par de seios médios, calçando um salto preto. Enquanto Mandy preferiu um jeans azul básico com botas marrons e uma blusa regata debaixo de um blazer preto. Aos poucos a casa se sobressaia entre aquela vegetação mórbida e ambas admiravam a arquitetura similar a sua. Subiram a pequena escadaria antes da entrada e tocaram a campainha que fora atendida por Albert.

– Olá, estávamos esperando vocês. — dizia ele com um largo sorriso no rosto, vestindo uma camisa verde com longas mangas arregaçadas até os cotovelos, seu antebraço era surpreendente firme e musculoso sob a pele clara como a de seu filho. — Por favor, entrem. — ele concedeu passagem para que as duas entrassem.

– Trouxemos uma torta para a sobremesa. — Maryanne dizia ao entregar a travessa de vidro com a famosa torta.

– Não precisava se incomodar. — disse ao pegar a travessa.

– Mary? — uma voz feminina chamara.

– Holly? Meu Deus como você está incrível! — Maryanne fora abraçar sua amiga de adolescência. Enquanto as duas mulheres matavam a saudade, Mandy observava aquele lugar com os mesmo compartimentos que sua casa, pensou que os avôs de Avan poderiam ter sido os arquitetos da casa de sua bisavó. A única exceção da casa era apresentar-se mais viva e alegre que a sua. Seguiu para a mesa de jantar na ala esquerda da casa onde Avan terminava os últimos ajustes. Ela estava bem farta com diversos alimentos postos, salada, vinhos, travessas de arroz, molhos, preenchiam aquela mesa de vidro com pés em madeira. As cadeiras eram revestidas com estofados negros em couro legítimo. Do teto pendia um lustre enorme e luxuoso que iluminava aquele vão majestoso e requintado.

Quando Avan percebeu a entrada de sua vizinha foi prontamente cumprimenta-la com um singelo abraço. Ele estava fenomenal trajando uma camisa preta de mangas longas arregaçadas até os cotovelos como o seu pai.

– Eu estava a sua espera Mandy, sente-se. — puxou a cadeira para a mesma. Aos poucos o restante do pessoal entrou naquele entorno ocupando as respectivas cadeiras. A mãe de Avan era ainda mais loura do que o garoto e o marido, quase uma albina. O porte esbelto e erguio da mulher dava a impressão dela ser ainda mais nova do que realmente sua idade indicara. Assim como Maryanne, Holly tinha seus trinta e nove anos e tivera Avan muito jovem nos primeiros anos de faculdade. Seu vestido ametista favorecia ainda mais suas curvas realçando suas pernas torneadas e o busto farto.

– Então resolveu voltar para a casa da vovó Pearl? — Holly questionava para Mary ao degustar lentamente o aprazível vinho em seu cálice de cristal.

– Sim, a minha mãe ganhou a casa de herança da vovó Pearl e passou para mim. E aqui estou de volta ao passado. — disse ao por um pouco de comida na boca.

O jantar fora bastante divertido e promissor, todos gostaram da famosa torta da Mary e Holly insistia sem sucesso pela receita que a mesma usará. Lembranças foram reveladas naquele jantar fazendo que todos rissem dos acontecimentos com suas mães e esposa. Mary, Holly e Albert ficaram em um compartimento da sala de estar, ou para a sala como "Al" preferia. Enquanto isso, os dois jovens conversavam na varanda de entrada sentados no balanço de madeira que o casal tinha.

– Sua mãe é bastante engraçada. — Avan dizia passando o braço em volta dos ombros de Mandy com um olhar encantador e sedutor, fazendo a mesma mordiscar levemente os lábios.

– Ela é um pouco irracional às vezes. Eu culpo as altas quantidades de café que ela toma no decorrer do dia. — Mandy fitava o oceano azul dos olhos do rapaz que agora apresentava dilatações em suas pupilas. Uma brisa gélida percorreu todo o seu corpo, fazendo os pelos da sua nuca eriçarem-se. — Que vento frio fez agora. — os braços de Avan a abraçaram com objetivo de aquecer a mesma. Aquela proximidade deixava o coração de Mandy descompassado, ele aproximou o rosto do dela e passou a mão por uma mecha teimosa de seu cabelo, depois pousou seus lábios macios nos de Mandy lentamente. Ele a envolveu pela cintura e a trouxe para mais perto de si, aumentando o ritmo do beijo que ela correspondia deliciosamente bem. Assim que se afastaram, estavam os dois ofegantes.

– Uau... — fora a única coisa que Mandy disse após abrir seus olhos.

Um estalar de folhas secas despertaram-nos daquele momento surreal que ambos estavam tendo agora pouco. Avan levantou de supetão observando em volta das árvores.

– Quem está aí? — ele falou descendo alguns degraus do hall de entrada.

– Avan o que você acha que foi? — Mandy surgiu por trás dele analisando e a mesma não conseguia enxergar nada além daquelas árvores.

– Deve ter sido alguma raposa perdida. Vamos entrar por alguns instantes está ficando frio aqui fora. — eles voltaram para dentro da casa e olhos os observavam ao longe entre aquelas árvores negras.

Mandy e Maryanne despediram-se do casal e seu filho, seguindo de volta a sua casa. Elas tomaram seus respectivos banhos e deitaram-se cada uma em seus quartos para descansar seus corpos fadigados. Mandy não demorou a pegar no sono. Às duas horas e meia da madrugada um vento forte abre a janela da garota fazendo dançar suas pesadas cortinas de veludo verde.

– Hum... — ela remexeu-se na cama sendo despertada pelo assobiar do vento nos galhos de árvores. Calçou suas pantufas indo em direção a janela para fechar a mesma, quando depara-se com a garotinha loira na frente do seu portão de ferro encarando a sua janela. — Ela de novo? Os pais dessa garota não ligam por ela está sozinha em plena madrugada? Eu vou falar com ela! — ela tirou suas pantufas calçando suas galochas vermelhas e saiu descendo as escadas até o portão de ferro. — Aonde ela foi? — viu no meio daquela escuridão fios loiros dançando conforme o vento para o meio daquele terreno. — ESPERE! — vociferou correndo atrás da garota.

O vento estava forte fazendo as folhas secas no chão redemoinhassem à volta.

– Para onde ela foi? — questionou procurando em volta. Logo uma sonora cantiga fora ouvida e Mandy decidiu seguir aquela voz doce e infantil.

Lá no alto daquela casa o ceifador de almas empurrou a garotinha, ele achou que era engraçado e a empurrou no poço.– Mandy observava aquela garota se balançar no desgastado balanço amarrado naquela árvore velha. Ela estava atrás da menina loira que fitava o poço a sua frente, continuando a cantar sinistramente aquela melodia bizarra com uma história assombrosa por trás. Mandy andou mais um pouco, agora a frente da menina observando ela se balançar e ouvindo com atenção a música — "Um, dois olhe em volta, três, quatro tranque a porta do seu quarto... Cinco, seis ele está de volta, sete, oito proteja o pescoço, nove, dez..."– a voz da garota alterou para um timbre grosso, lembrando aquela voz de alguém possuído por um demônio — Ele encontrou você. — ela disse ao fuzilar o azul dos olhos de Mandy empurrando-a para o fundo do poço. E um grito estridente fora ouvido,

A mesma abriu os olhos afobada e sentou-se na sua cama de supetão, sua pele transpirava e sua respiração encontrava-se ofegante.

– Foi... Tudo um sonho? — ela observava o seu redor e percebera que estava em seu quarto, na sua cama. — O que isso significa? — passou a mão pelo seu rosto molhado e resolveu lava-lo. Caminhou lentamente até seu banheiro acendendo a luz branca. Encarou seu rosto pálido no reflexo do espelho e repetiu para si que fora só um sonho. — Foi um sonho, nada daquilo foi real. — Ao lavar seu rosto e fuzilar de novo o espelho avistou no canto do banheiro a menina loira de branco e apenas um:

– Saia dessa casa! — Fora ouvido, quando Mandy olhou para trás percebeu que não havia ninguém em seu banheiro.

– Eu devo estar enlouquecendo. — Seu semblante era um pouco perturbado.

Naquela mesma madrugada, o tempo estava o mais gélido que qualquer outra noite. Ventos bastante vigorosos açoitavam as moradias, pobres almas que não possuíam uma boa calefação, pois sofreriam uma tortura de mil facas em seus corpos mirrados. Mas isso não se aplicava a professora Clarissa que morava em uma espécie de choupana perto da estrada principal no centro daquela cidadezinha, uma casa de troncos para aquecer nos tempos frios era o que Clarissa acreditava. O portão de ferro sustentado pelo muro coberto por hera estava com os pilares corroídos devido o tempo, e manchados por líquens, mais adiante o solo úmido era coberto por urzes que amenizava a atmosfera hipocondríaca de toda a cidade. Um barulhento borbulhar era ouvido aos fundos da casa, contornando a choupana encontrava-se um córrego espumante que descia rapidamente entre as matacões cinzentas. Um pesado bloco era a base da casa, na frente haviam várias pilastras de madeira contornando todo o espaço, suas paredes eram revestidas com pedras cinza claro, o telhado era coberto por madeira de tonalidade cinza em formato de cone. A porta de entrada era francesa de cor amarela, revestida por quadrados de vidros, e de cada lado mais duas janelas de vidro que ocupavam toda a vertical da parede. Na varanda constava um banco de balanço para duas pessoas e da alta chaminé subia uma única coluna de fumaça preta.

O interior era ainda mais aconchegante, era de um único cômodo, mas isso não menosprezava a beleza do local. No arco a esquerda encontrava-se a sala com estofados de couro preto nas laterais e no centro o console da lareira com inúmeras fotos de Clarissa, dentro da lareira continha toras de madeira queimando em brasa quente. O soalho rústico fornecia uma atmosfera mais requintada, a dez passos era a cozinha com alguns armários, fogão e geladeira de aço, o tampo da pia era de mármore escuro. As paredes eram revestidas por madeira nobre e no teto haviam mais vigas em madeira e um lustre não muito luxuoso. No outro arco a direta, encontrava-se o quarto com uma mesa para estudos e sobre a mesma um notebook apple ainda ligado aberto no Word. A cama era uma Queen Size com colchas com mais de mil fios de ceda, em baixo da cama havia um tapete em forma de urso pardo. Clarissa possuía um gosto um tanto selvagem, adorava fazer trilhas e coletar espécimes raras na floresta. Sua casa era o espelho para os seus gostos, em seu quarto quadros de borboletas raras estavam espalhados, ao canto próxima a uma janela havia uma estante com seus inúmeros livros de biologia. Clarissa estava deitada lendo mais um de seus exemplares e organizando a próxima aula para seus alunos. Um vento frio precipitou-se pela janela e espalhou alguns papéis por aquele entorno.

– Droga! — praguejou.

A mesma levantou-se preguiçosamente e seguiu até onde os papeis repousaram, embaixo da sua mesa. Ela juntou aquelas dez folhas e bateu no suporte de sua mesa, organizando-os. Clarissa era uma mulher solitária, não possuía um relacionamento firme com alguém da sua idade, pelo contrário alimentava a relação problemática com sua aluna Elizabeth. Ao olhar pelo espelho ovalado na parede, flashbacks invadiram sua mente. Seu semblante ameno alterou para uma expressão assombrosa. Na verdade aquela expressão tinha um nome e o nome era Edgar, seu ex-marido. Ela já fora casada, porém sofria sérios abusos e agressões físicas de seu companheiro. Os cinco anos que passou casada foram seus piores anos, seu ex-marido era um brutamontes que ela se apaixonou no ensino médio. Sim, ele era o capitão do time de futebol... Ela não tinha culpa, afinal, qual garota do ensino médio não se apaixonaria pelo garoto mais bonito do colégio e que era capitão do time de futebol? Ela fora fisgada pelo anzol do "futilísmo", naquela época Clarissa era uma cheerleader, apesar de não parecer, ela era uma garota leviana que tentava agradar os outros ao invés de ser ela mesma. Sempre fora apaixonada por biologia em geral, de assuntos como genética, a assunto mais simples da botânica. Mas seus amigos populares não podiam saber do seu caso secreto com a biologia, era um amor que durou quase a infância e adolescência inteira.

Clarissa agradeceu a Deus quando o último ano chegou ao fim, pois poderia ser ela mesma e ser feliz com seu noivo Edgar. Mas o que ela não sabia era que após seu namorado descobrir a verdadeira Clarissa, a garota nerd e estudiosa que ela sempre escondeu, ele também iria expressar seus pensamentos de uma forma mais violenta e autoritária, quase tirana. Os inúmeros anabolizantes que ele usava eram um dos catalizadores das inúmeras desavenças que o casal começou a enfrentar. Aos poucos a essência alegre e vivaz da jovem foi definhando, murchando como uma flor murcha ao não ser cuidada e regada todos os dias com amor e ternura, transformando-se em uma flor seca. O ápice chegou em um dia de natal, quando Edgar chegou bêbado e xingou Clarissa dos nomes mais baixos que um humano pode conhecer. Ele a jogou contra o espelho ovalado semelhante o que ela possuía na casa atual tendo varias escoriações por seu rosto. Aquele espelho quebrou em mais de mil pedacinhos e Clarissa finalmente juntou forças para denunciar o ex-marido e separar-se do mesmo. Edgar foi acusado por agressões a mulher e foi preso por mais de dois anos, o juiz notificou que o mesmo deveria manter uma distância no raio de oitenta quilômetros da ex-mulher.

A professora suspirou fundo ao recordar de sua vida nada maravilhosa e agradeceu a Deus por ter se libertado do seu ex-marido. Ela sabia que o caso com a aluna era errado, sabia que ao olhos dos outros era uma abominação. Mas ela tinha medo, no decorrer dos anos fora isso que ela teve, medo. Medo dos homens serem como Edgar, medo de que eles a machucassem fisicamente. Elizabeth foi como seu elixir, seu tônico, o motivo para ela se erguer das cinzas como uma fênix se ergue após a morte, mas sabia que não podia esperar muito da jovem. Porém, enquanto ela pudesse ter a jovem em seus braços, ela teria. Um barulho a despertou, gravetos estavam sendo pisados e estalavam em uníssono. Caminhou até a porta pegando seu antigo taco de beiseball que comprou em uma liquidação a dois anos atrás como arma "antihomens."

– Quem tá aí? Liz é você? — questionou ao vasculhar com os olhos a entrada da sua casa. Abriu a porta e não tinha ninguém pelas redondezas. Mais um barulho fora ouvido e surgiu entre as urzes um lindo filhote spaniel de pelos encaracolados.

– Oi garotinho então era você que fez todo aquele barulho? O que você faz aqui? Eu esperava na verdade uma pessoinha de olhos azuis-esverdeados me visitando hoje e não um cachorro de olhos mel e de pelos caramelos. Você é uma fofura sabia? — ela estava agachada próximo aquele animalzinho animado e feliz que lambia frenéticas vezes seus dedos alvos e suas unhas pintadas vermelhas bem cuidadas. Mas o que Clarissa não sabia é que das sombras surgia um vulto que se aproximava mais e mais de sua retaguarda. Mãos envolveram seu rosto, mãos estas com um lenço branco com um tipo de toxina que a fez desmaiar sem saber jamais o responsável por isso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.