Notas iniciais
Palavra do dia 28/10: Petiz

Hoje sou petiz. A criança pequena e indefesa. É um lugar sem pano de fundo, de uma só cor. Estou sentado em algum lugar e ao meu lado está B., sorrindo.

“Túlio, Túlio... Tão preocupado. Você não precisa temer pela Mel. Meus pais vão deixar você ter contato com ela. Eles te amavam tanto quanto me amavam. Aja agora como o filho que eles perderam.”

Reflito sobre o que ele disse. Seu tom de voz é suave e não faz eco aqui.

“Eu sinto tanto, B. Sinto muito que minha falta de confiança tenha gerado tudo isso. Eu perdi você pra sempre. Só não perdi porque ainda lembro.”

B. afagou minhas bochechas rosadas, piscando amigavelmente.

“Você não tem culpa de nada. Se acha que tem, saiba que eu não tenho raiva de você. Agora você precisa ir. Você luta por dois, lembra? Ah... Obrigado pelas flores.”

Choro de alegria.

“Eu te amo, B. Pra sempre. Você tem razão. Tenho uma vida pra viver nesse exato momento.”

Levanto para ir. Antes, viro-me para ele e pergunto se isso é coisa da minha cabeça.

“Claro que está acontecendo em sua mente, Túlio. Mas por que isso significa que não é real?”