Flores De Maio

18 Meu Devaneio, Sua Loucura, Nossa Paixão


O amor é a flor mais espinhosa do

jardim da esperança. – Anônimo

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~ Narrador ~

Maria fora muito infeliz em suas palavras, e Estêvão se sentiu como um objeto, se sentiu usado por ela, logo por ela, a mulher que ele amava, e que achava que fosse perfeita.

— San Roman... – Segurava seu braço. – Não é isso que você tá pensando! – Ele se soltou.

— Como não Maria? – Sua voz se encontrava um pouco elevada. – Então eu sou louco, e não escutei direito o que você disse? – Caminhava de um lado para o outro. – Claro, muito conveniente pra você, chifre trocado não dói né!

— San Roman, dá pra você me escutar!

Maria tinha um jeito meio mandão, e depois de insistir, conseguiu fazê-lo escutar.

— Eu não te usei não, tudo que aconteceu naquele quarto foi lindo demais, e eu jamais vou me esquecer de como fui feliz ali contigo...

— Claro – a cortou – depois que sentiu vingada. – Desdenhou.

— Estêvão – respirou fundo – todas as vezes que você me beijou, eu não me senti mal pelo beijo, eu não tentei te evitar porque não te queria por perto, mas porque poderia estar sendo infiel a ele, porque pensei que fosse a única em sua vida, e seria injusta com ele ficando com você, era isso que passava na minha cabeça. Há muito tempo eu quis estar nos seus braços, eu não quis ser sua ontem, esse desejo já existe dentro de mim... Talvez desde a primeira vez que você me beijou. E eu agradeço ao desgraçado do Sérgio por ter deixado o maldito celular em cima da cama, fazendo com que eu visse aquela mensagem, pois graças a isso, eu tive coragem de te ligar, e você me proporcionou a melhor noite da minha vida! – Concluiu.

Ele analisava atentamente cada palavra que ela dizia, e depois de algum tempo, falou alguma coisa, por fim.

— Você me chamou de Estêvão?

— Eu não acredito? Eu abri meu coração pra você, e a única coisa que você ouviu, foi que te chamei de Estêvão?

Os dois riram.

— Tô brincando Maria. – Cessou os risos. – Eu acredito em você, eu acredito em você, e sei que você não me usaria pra esse tipo de coisa. – Acariciou sua face.

— Que bom que você acredita em mim, você não sabe como eu me senti nesses minutos.

— Desculpa.

— Não me peça desculpas, eu entendo o que você sentiu, no seu lugar imaginaria a mesma coisa.

O sol já havia se posto, e já estava escuro, e os dois permaneceram ali conversando, como dois bons amigos, ou melhor, mais que amigos, ou talvez seja uma amizade colorida, enfim, seja o que for.

— Você é a mulher mais linda que eu tive o prazer de conhecer. – Mexia em seus cabelos.

— Eu não sou tão bonita assim San Roman, você está me deixando com vergonha. – Sorriu tímida.

Ele segurou seu queixo, ia beijá-la, mas ela o impediu.

— Aqui não, alguém pode nos ver, e você sabe o que pode acontecer.

— Seu marido e sua mãe não estão em casa.

— Mas nem por isso devemos nos arriscar, tem empregados em cada centímetro desta casa, se eles se quer cogitarem que estamos juntos, pra minha mãe e Sérgio saberem, não demora muito.

— Então quer dizer que estamos juntos? – Sorriu travesso.

— Bom, Lívia vive me dizendo que proibido é mais gostoso, vou descobrir isso agora. – Piscou.

— Maria – entrelaçou sua mão com a dela – eu não quero passar nem mais um dia sem sentir o gosto as sua boca.

— Eu também não Estêvão... Faz o seguinte, me encontra mais tarde na estufa.

— Isso é sério? – Balançou a cabeça positivamente. – Estarei lá, e roubarei muitos beijinhos seu.

— Você não precisa roubar nenhum beijo meu, eu entregarei eles a você sem contestar.

Ela foi se distanciando dele, ainda o olhando, com um sorriso sincero e contente, e contando os minutos para estarem juntos novamente.

Dentro da casa.

Estêvão saiu do jardim, e entrou em casa, enquanto Maria estava em seu quarto. Ele logo viu sua filha, e foi até ela, abraçando-a, beijando-a, e a pequena ficou sem entender o porquê o pai estar agindo daquela forma.

— Pai, você tá me apertando muito! – Tentava se soltar.

— Desculpa filha – a colocou no chão – é que seu pai tá muito feliz... Sabia que eu te amo muito?

— Sabia pai. – Franziu a testa, não entendeu nada.

Estêvão saiu cantarolando, deixando Aninha com cara de paisagem olhando enquanto ele se distanciava. Fifi, que acabara de entrar na sala, se aproximou da menina.

— Tia, meu pai só pode tá ficando maluco, ele chegou aqui, me apertou dizendo que estava feliz, e que me amava. Estranho.

— Hum Aninha, com toda a minha experiência de vida, diria que o amor está fazendo isso com ele.

— Amor? Cê tá dizendo que meu pai tá apaixonado tia?

— Eu não sei de nada Aninha. – Saiu andando.

— Tia – foi atrás dela – me espera, tia Fifi...

****

Aqueles dois já não se aguentavam de ansiedade por aquele bendito ‘mais tarde’, mas finalmente ele chegou.

— Maria? – A chamou da porta da estufa.

— Estou aqui!

Ele foi até ela.

Ela estava de cabelo preso e avental, cuidando de suas queridas e amadas flores.

— Pensei que não viesse mais.

— Até parece que eu ia perder a oportunidade de ficar com você.

A trouxe para um beijo calmo e apaixonado.

— O que você tá fazendo? – Perguntou depois de cessar o beijo.

— Dando uma atenção especial a elas, estão se sentindo tão só. – Brincou enquanto regava uma das flores.

— Que flor é essa?

— Você é bem curioso hein San Roman. – Riu. – Essa aqui é uma Schlumbergera truncata.

— O que?! – Fez uma cara de espanto.

— Ou uma flor de maio se você preferir.

— Com certeza prefiro assim. – Riu. – Ela é bem bonita. Maria, qual a sua flor preferida?

— Hum – pensou – eu sou meio suspeita em dizer isso, até porque todas elas me têm de uma forma ou de outra, mas tem duas que ganham meu coração, que é a flor de lótus, por um ter esse lado um pouco místico, e até ganhou um espaço na minha nuca – sorriu – e a flor de maio azul, que é uma flor que eu não consigo parar de olhar, ela me encanta de tal forma, que eu não consigo explicar.

— É bonito ver você falando das flores.

— Eu uso meu coração pra falar delas. Bom, na verdade eu sou um pouco diferente da maioria das mulheres que você conhece, que amam tulipas e rosas vermelhas, claro, elas são lindas, mas eu não vejo só com os olhos, eu vejo e sinto como coração, e esses duas flores me agradam de maneira que eu não consigo explicar. – Suspirou e sorriu.

— Elas, e todas as que estão dentro dessa estufa são lindas, mas tem uma que ganha de todas elas.

— Qual? – Ficou curiosa.

— Você!

A beijou novamente, mas dessa vez o beijo havia mais paixão, mais fogo, mais desejo.

Após o beijo, ela tirou seu avental, lavou as mãos e os dois foram caminhando até uma parte da estufa que eles poderiam se sentar e conversar. Ele se sentou, e ela em seu colo.

— Você está com o cabelo preso! – Reparou.

— Você percebeu. – Sorriu. – Bom, já que não preciso esconder nada de você, resolvi mudar um pouco. – Beijou a ponta do seu nariz.

— Você fica bem assim, essa tatuagem é linda e não deveria ficar escondida, deveria usar seu cabelo assim mais vezes, com esse rabo de cavalo, essa franja. – Enrolava seus cabelos em seus dedos.

— Quem sabe um dia, mas por enquanto só você me verá assim.

— Sabe de quem eu me lembro quando te vejo assim?

— Quem?

— Da Adriana, ela costumava prender o cabelo de um modo estranho, meio desorganizado, mas ficava bonito.

Ela sorriu, achava bonito a forma que ele falava da falecida esposa.

— Tem algum problema pra você se eu falar dela? – Perguntou temeroso.

— Claro que não! Eu nem tenho esse direito, ela é a mãe da sua filha, e sempre fará parte da sua vida. Sempre que você olhar pra Aninha vai se lembrar dela, na verdade, eu acho bonito o jeito que você fala dela, e eu gostaria de marcar sua vida assim como ela marcou.

— Você já marcou minha vida Maria, disso você não precisa ter dúvidas, você não imagina o quanto eu te quero.

— Eu também de quero muito Estêvão San Roman!

Ela envolveu seus braços em seu pescoço, e o beijou, tendo todas as espécies de flores como testemunhas daquele amor.

— Sabe eu fico muito feliz por você e Aninha se darem tão bem, inclusive eu acho que ela te vê como uma mãe. – Disse depois daquele beijo demorado e quente.

— Não tem como não gostar dela, ela cativa qualquer um ao redor, e sim, eu também a vejo como uma filha.

Eles sorriem, e ficam em silêncio por uns minutos.

— Maria, por que você e Sérgio não tem filhos, já que você gosta tanto de crianças?

— É que... – Hesitou. – Eu vou ser sincera contigo. Eu sempre quis ter filhos, mas Sérgio não, ele dizia que não tinha vocação para ser pai, então logo tratei de esquecer esse sonho. Porém, um ano depois de casados, eu engravidei, mas não disse a ele, não sabia qual seria a sua reação, já que tínhamos discutidos inúmeras vezes sobre esse assunto. Pois bem, eu estava com quatro meses de gestação, e como sempre fui muito magrinha, minha barriga quase não aparecia, e eu sempre usava roupas largas pra disfarçar, enfim, num dia, estávamos discutindo sobre um assunto qualquer, e ele segurou meus dois braços, me sacudiu, e eu acabei caindo quando ele me soltou, e em seguida, ele saiu do quarto. Eu senti uma dor terrível na hora, mas não contei a ninguém, e nem fui ao médico, com medo dele me dizer algo que eu não queria ouvir. Um mês se passou, e eu comecei a sentir uma dor muito forte no abdômen, e minha tia me obrigou a ir ao médico, aí descobriram que meu bebê estava morto dentro de mim há um mês. – Vestígios de lágrimas surgiram em seus olhos.

— Ma... Maria! – Ficou boquiaberto.

— Bom – continuou – aí retiraram o bebê de dentro de mim. O médico disse que poderia ter sido pior, que eu poderia ter morrido junto com a criança. Ele disse que eu poderia engravidar depois, porém seria uma gravidez de risco, mas preferi deixar de lado, e não arriscar perder outra criança. Eu tinha tantos planos... – Uma lágrima rolou sem piedade.

— Maria, você é jovem, oportunidades não vão faltar, e eu tenho certeza que no momento certo, você será uma ótima mãe.

— Ah San Roman – sorriu – só você pra me fazer sorrir. Teu pai ficou um bom tempo sem falar comigo por isso, disse que eu tinha que ter falado, que essa tragédia podia ter sido evitada, mas um mês depois voltamos a nos falar.

— Eu nem sei o que dizer, pensei que a sua vida fosse maravilhosa, mas acho que me enganei.

— Minha vida foi tudo, menos maravilhosa.

— Por que você se casou com Sérgio?

— Essa era uma das perguntas que seu pai mais fazia – riu – e que eu nunca soube responder. Na verdade, eu nunca liguei pra essas coisas de namoro, enquanto Lívia ficava com todos os garotos da escola, eu só pensava em ler, estudar, essas coisas, inclusive, acho que nunca amei ninguém pra chegar a discutir com a minha mãe sobre isso, e foi o que aconteceu, ela decidiu que Sérgio era o partido perfeito pra mim, e eu consenti. Nunca entendi porque ela insistiu tanto pra que esse casamento acontecesse, mas fiz a vontade dela, afinal Sérgio era um homem bonito, elegante, não tinha nada a perder.

— O Enrico não foi contra?

— Sim, ele foi, mas ele não se metia muito no que minha mãe falava comigo e com Fernando, só não deixava ela nos bater. A única coisa que ele interferiu, foi quando entrei pra faculdade, minha mãe não queria que eu fizesse química, e sim direito, aí ele se meteu, por causa dele, consegui fazer o que queria.

— Que bom que ele agiu assim.

— Sim, senão eu seria frustrada em mais uma área da minha vida.

— Então quer dizer que você não fez o que gostaria, e o que você gostaria de fazer que não fez?

— Hum, pergunta intrigante – riu – gostaria de ter feito coisas radicais, tipo saltar de asa delta, surfar, pular de bung jump, essas coisas.

— Não! É sério isso Maria?

— É claro que é! Eu morria de inveja quando Fernando saia de casa nos fins de semana com sua prancha, me dava vontade de ir com ele, mas minha mãe dizia que não era coisa de menina.

— Não imagino você fazendo isso, você é toda dondoca, que não te vejo em cima duma prancha.

— Eu não sou dondoca San Roman, apenas um pouco delicada. – Sorriu docemente.

— Você é sim Maria, você é a minha dondoca – beijou seu queixo – e é perfeita nessa condição.

Ele depositou beijos sobre toda a extensão do seu rosto, e por fim capturou sua boca em mais um de seus beijos ardentes, e dessa vez não tinha ninguém para impedir, nem mesmo Maria, já que já estava entregue a ele.

****

Já eram quase 23:00 PM, Sérgio havia deixado Cecília em casa, e saído novamente.

Ela procurou alguém pela casa, mas não encontrou, foi até a sala e se deparou com Josefina e Ana Lara assistindo TV.

— Josefina, cadê os moradores dessa casa?

— Ai Ciça, que susto! – Se levantou. – Não vi você chegar.

— Pela milésima vez, não me chame de Ciça! – Gritou.

— Calma irmãzinha! Você demorou pra chegar. Cadê o Sérgio?

— Assistimos a uma exposição no shopping, e depois ficamos conversando com uns amigos, e acabamos perdendo a hora. Sérgio me deixou em casa, e saiu de novo, disse que ia continuar conversando com esses amigos.

— Não sei porque vocês vivem saindo, parecem até ciganos, não param em casa!

— Ah Josefina, deixa de ser irritante, se você quer ficar o dia inteiro nessa casa, que fique, mas não me torre a paciência! Cadê todo mundo?

— Não sei.

— Fernando, Maria e Estêvão?

— Você sabe que Fernando é outro que não para em casa, e Maria...

— Tô aqui. – Acabara de entrar.

— Onde você estava Maria? – Sua mãe perguntou.

— Na estufa.

— Até essa hora?

— Não vejo qual o problema.

— E Estêvão, onde está?

— Acaso sou eu babá do San Roman?

— Estou aqui Ciça. – Adentrou pelas portas.

— Onde estava Estêvão? – Suspeitava de algo?

— Mãe, nunca te disseram que é falta de educação ficar fazendo perguntas as, pessoas não? Logo você que é a rainha dos bons modos.

— Desculpe-me.

— Sem problemas Ciça, estava olhando a piscina, vi quando Maria entrou e resolvi entrar também.

— Onde está Sérgio? – Maria questionou. – Vocês não estavam juntos?

— Sim, estávamos, ele me deixou em casa, e foi beber com uns amigos.

— Esse Sérgio só vive na rua, não pode falar muito do Fernando. – Comentou Aninha.

Maria e Estêvão se olharam, sabiam onde ele deveria estar, com a amante, mas não disseram nada, e cada um se recolheu para seus devidos aposentos.

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Apartamento de Sérgio.

Sérgio e Babi voltaram de um jantar que tiveram em um restaurante chique, o qual Babi nunca tinha entrado, e muito se surpreendeu. Ao chegarem no apartamento, ela ficou olhando o local admirada, assim como fez da outra vez.

— Eu queria estar na sua mente só pra saber o que você pensa quando está aqui. – Botou a chave do carro na mesa.

— Eu acho esse apartamento lindo – sorriu – acho que nunca teria um desses, nem trabalhando a vida toda.

— Toma – tirou a chave do apartamento do bolso e deu a ela – é seu.

— Não Sérgio, eu não vou aceitar, eu não posso aceitar!

— Por que não Babi? Não tem problema nenhum nisso.

— Isso não é certo!

— Babi – se aproximou – nós somos amigos, aliás, cúmplices, mas nós podemos tirar proveito dessa história toda.

Ele a pegou pela cintura, segurou seu queixo e a beijou. No começo ela tentou resistir, mas acabou sucumbindo a Sérgio.

— Sérgio, isso não tá certo. – Cessou o beijo.

— E por que não? Eu sou livre e você também, nosso acordo pode ter vantagens – passava a mão na coxa dela – não acha?

Babi fechava seus olhos, tentava não ceder aos encantos daquele homem, mas acabou sendo levada por ele, e em poucos minutos eles já estavam na cama. Sérgio conseguiu o que queria, basta saber o que ele iria fazer com Babi agora.

****

Maria já estava na cama, já havia se trocado, e estava ali pensando na vida, e na loucura que estava fazendo, e que estava adorando. Estêvão realmente veio para tira-la do comodismo que vive, ou vivia, não sabia mais. Jamais pensara que pudesse ter um caso extra conjugal, mas o que sentira por ele, nunca sentiu por Sérgio nem um dia sequer desses anos que estavam juntos. Seria isso amor? Como ela iria saber se nunca experimentou esse sentimento? Mas sabia que, o que sentia, era algo forte, tão forte a ponto de querer largar tudo e ficar com ele.

Ela pegou seu celular e mandou uma mensagem para ele, coisa de adolescente, mas ela não estava nem aí.

A mensagem dizia essas palavras:

Não paro de pensar em vc, quero logo que amanheça só pra te ver... Não sei ainda o que sinto por vc SR, mas gosto disso. Boa noite! Maria, sua Maria.

Não demorou muito para que ele respondesse sua mensagem.

Também quero te ver, sentir seu cheiro, o sabor da sua boca, te ter em meus braços de novo, sentir o seu calor. Ah Maria, o que vc tá fazendo comigo, hein? Vou torcer para que amanheça logo, pra ver esse seu rostinho lindo... Boa noite, sonhe comigo minha Maria!! Seu San Roman.

— Eu te amo Estêvão! – Falou para si mesma, após terminar de ler a mensagem, assumindo esse sentimento que não conhecia, mas que tinha uma ligeira impressão de que era amor.

Continua...

Notas finais
Mais um capítulos amores, espero que gostem. Bjs!