Flores De Maio

22 E Agora, Que Faço Eu Da Vida Sem Você?


O amor é uma flor delicada, mas é

preciso ter coragem de ir colhê-la à

beira de um precipício. – Stendhal

****

Todos na mesa dirigiram seus olhos para o “casal”. Sérgio sorria vitorioso, enquanto Maria continuava comendo, como se a notícia dada fosse: “nós vamos passar o fim de semana fora.”, e não de uma gravidez.

— Minha flor, você está mesmo gravida? – Perguntou Fifi surpresa, assim como todos os outros.

— Foi o que Sérgio disse tia. – Tentou parecer natural.

— Tomara que dessa vez vingue né filha, porque até pra gerar uma criança você tem dificuldade. – Provocou.

— É melhor mãezinha não poder gerar nada, do que trazer um filho ao mundo, e fazer dele um objeto qualquer numa prateleira empoeirada. – Jogou o guardanapo na mesa e se levantou.

Ninguém, a não ser Sérgio e a própria Cecília, entenderam o comentário feito por Maria.

— Aonde você vai Maria? – Perguntou Fernando. – Você não comeu nada, não pode se esquecer que agora você está grávida.

— Mais tarde como alguma coisa Fernando, obrigada pela preocupação.

Maria olhou para Estevão, que tinha a expressão “normal”. Com certeza fingiu que não se importava, mas no fundo, no fundo, aquela notícia tinha o afetado muito, e o deixado desnorteado.

****

Maria havia ido para estufa, estava envergonhada, não queria ver a família, não queria olhar para Estevão e ver sua cara de decepção, já que agora carregara um “filho de Sérgio” em seu ventre.

— Maria? – Uma voz a chamava da porta da estufa.

— Estou aqui!

Era Estêvão. Ele foi até onde ela estava. Seu coração bateu mais forte ao vê-lo, sabia que ele ia coloca-la na parede, e ela merecia isso.

— Esse filho que você tá esperando é meu, não é? – Chegou logo perguntando, sem dar a ela chance de pensar.

— Você não ouviu o que Sérgio disse? Esse filho é dele, do meu marido! – Virou as costas para ele.

— Eu não sou idiota Maria! – Segurou seu braço com força, fazendo com que ela o olhasse de novo. – Eu tenho certeza que esse filho é meu, não quero saber quais os motivos que te levaram a mentir, mas eu não vou abrir mão do que é meu, eu não vou permitir que o meu filho chame aquele imbecil de pai! – Falava alto.

— Me solta, você tá me machucando! – Se soltou. – Você está equivocado nas suas acusações, o filho que espero é sim de Sérgio. Eu estou grávida de três meses, e nós ficamos pela primeira vez, há dois meses, ou seja, quando ficamos, eu já estava grávida.

— Eu não acredito nisso – riu – eu não sei por que, mas alguma coisa me diz que você está mentindo.

— Pense o que quiser de mim, fale o que quiser, eu não me importo. Eu pensei muito San Roman, é esse filho é o que elo que faltava pra juntar Sérgio e eu, nós dois vamos lutar pelo nosso casamento.

— Você acha certo mascarar esse casamento com a vinda desse filho? Com o meu filho? – Gesticulava.

— Esse filho não é seu, pare de insistir com isso! E pode ficar tranquilo, eu vou dar um jeito de sairmos dessa casa, afinal, nós somos os intrusos aqui.

— Por mim tanto faz, mas eu não vou sossegar até ter a certeza de que esse filho não é meu, pois, até ter um teste de DNA na minha frente me dizendo o contrário, nada vai me fazer pensar que esse filho não é meu.

— Eu não sou obrigada a te provar nada! Meu filho não merece passar por isso! Mas se um dia resolver aceitar fazer essa palhaçada, com certeza você vai se decepcionar. – Disfarçou.

— Com certeza vou, ou por você ter mentido sobre a minha paternidade, ou por pensar que você era alguém que nunca foi.

Maria arregalou os olhos quando ouviu aquilo. Estêvão não disse mais nada, apenas saiu da estufa deixando-a pensar no que estava fazendo, enquanto ela, não pensava em mudar de opinião sobre sua decisão, mas estava consciente que seu ato teria consequências.

Enquanto isso no quarto de Sérgio e Maria.

— Babi, você tem que fazer a Maria ver você e Estêvão juntos, o mais íntimo possível.

Como eu vou fazer isso? Faz algum tempo que eu não vejo ele. E por que isso agora?

— Eu consegui separar os dois, mas pode ser que ela não resista e caia na lábia dele, porém se ela vir vocês dois juntos, vai se sentir trocada, e ela é bem ciumenta, e não vai muito com a sua cara.

Engraçado, eu também não vou com a cara dela!

— Agora não Babi! Apareça na empresa amanhã, diz que quer um emprego, Estêvão não vai negar isso a você, e como agradecimento, você beija ele, só que Maria tem que ver, e é claro, eu vou consola-la depois.

E aí o Teb Não vai querer me ver nem pintada de ouro, eu vou sair no prejuízo né, ótimo plano, pra você.

— Bárbara, use seus encantos, você me seduziu, faça isso com ele também, não vai ser difícil, agora tenho que desligar, vou dar um jeito dela ver vocês dois juntos, faça bem seu trabalho, e sairemos felizes, até mais. – Desligou e jogou o celular em cima da cama.

****

Finalmente aquele dia passou, mas os próximos dias não prometiam ser melhores que o anterior, talvez iguais, ou possivelmente, piores.

Lanchonete da empresa.

Maria e Lívia se encontraram antes do expediente, era muita coisa que precisava ser dita por ambas as partes, e as duas não iam se conter de ansiedade, tinham que colocar para fora as novidades.

— Eu vou falar primeiro – Lívia estava bastante animada – se segura, notícia como essa você não ouve todos os dias.

— Tudo bem – tomou um gole de café – mas acho que quem vai cair da cadeira é você, mas enfim, diga logo.

— OK, lá vai – respirou fundo – eu, Lívia León, esta que vos fala, sua melhor amiga estou grávida, você vai ser titia! – Sorriu.

— Não, Lívia você tá grávida? – Pasmou. – Eu vou ser tia? Ai meu Deus, eu não acredito nisso, eu vou ser tia! – Colocou a mão na boca.

— E eu mãe Maria, você entende o que é isso, eu vou ser mãe Maria!

— Você já disse isso ao Fernando?

— Não, ainda não, vou dizer hoje. Maria, como será que ele vai reagir?

— Ah Lívia, não sei, meu irmão é muito imprevisível, mas tomara que ele fique feliz como eu estou feliz, nunca pensei que fosse tia um dia, ainda mais do filho do meu irmão contigo Lívia, caramba, que notícia boa!

— Pois é, você será a tia e a dinda. Será que eu poderia falar com ele antes do trabalho?

— Claro Lívia, não precisa nem pedir, aliás, você nem precisava ter vindo aqui.

— Mas eu tinha dar essa notícia primeiro pra minha melhor amiga né. Mas me diga, como foi à noite ontem?

— Aconteceu tudo ao contrário do que pensei.

Maria lhe contou tudo que aconteceu no dia anterior.

— Eu não sei o que dizer Maria, e agora? O que você vai fazer? – Arregalou os olhos.

— Não sei, sinceramente, não sei. Mas eu não vou colocar em risco a segurança do Estevão, da Aninha e da tia Fifi, por isso preferi abrir mão dele, mas a respeito do nosso filho, não sei o que fazer, ele tá desconfiado, e quer um teste comprovando. Eu disse que minha gravidez é de três meses, mas ele é teimoso como uma porta.

— Bom, eu no lugar dele pensaria a mesma coisa.

— Ah Lívia, eu tô muito perdida..

— Por que você não fala o que acontecendo? Ele vai entender.

— Nem pensar! E você também não vai dizer nada ouviu Lívia? Eu não posso dizer a ele que Sérgio me ameaçou, vai que ele queira tirar satisfações? Eu não vou suportar se o Sérgio fizer alguma coisa contra ele.

— Eh amiga, não sei o que dizer, aliás, sua família é maravilhosa, uma mãe que te vendeu, um marido que te ameaçou, estou sem palavras. Será que tem mais surpresas por aí?

— Eu creio que sim, alguma coisa me diz que isso é só um chuvisco avisando que vem tempestade por aí.

As duas se entreolharam. Se estava ruim assim, imagina quando a tempestade chegasse?

— Bom Maria – se levantou – temos muita coisa pra fazer hoje, e é melhor começarmos logo.

— Você tem razão. – Se levantou também. – Eu vou subir, depois me conta como foi a conversa com meu irmão.

— Claro, você vai ser a primeira, a saber. Bom, agora deixa eu ir, boa sorte. – Riu.

— Vou precisar, boa sorte pra você também...

****

Lívia saiu da lanchonete, em direção à mansão. Imaginava que seu conto de fadas estava prestes a começar, e que ela Fernando e o filho, viveriam como uma família feliz.

— Lívia – disse Fernando ao terminar de descer as escadas – estranhei quando me disseram que estava aqui. – Foi até ela.

— Eh, eu vi porque tenho uma coisa importante pra te dizer Fernando.

— Uma coisa importante? – Se sentou ao seu lado no sofá. – Do que se trata Lívia, aconteceu alguma coisa com a minha irmã? Com o bebê dela?

— Não, não aconteceu nada com a Maria e nem com o bebê, é sobre nós que eu quero falar.

— Lívia, eu já disse que...

— Me deixa terminar Fernando – o cortou – talvez depois do que eu disser, você mude de ideia.

— Tudo bem.

— Bom – respirou fundo – eu estou grávida! – Sorriu, e colocou a mão na barriga.

— Você o que Lívia? – Se levantou surpreso. – Eu acho que não ouvi direito. – Deu as costas a ela.

— Fernando... – Tocou seu ombro.

— Lívia – voltou a olha-la – se a sua intenção foi engravidar pra me fazer ficar contigo, se enganou – era grosseiro – eu não vou assumir essa criança, aliás, essa criança não deve nem ser minha, eu sei bem o tipo de mulher que você é!

Sem pensar muito, Lívia deu uma bela bofetada na cara de Fernando, que, provavelmente, viu estrelas.

— Eu não vou permitir que você me ofenda desse jeito!

— Não sei por que você está se sentindo ofendida, você e eu sabemos muito bem o tipo de mulher que você. Quem me garante que esse filho é meu? Eu não vou ser feito de idiota por você. Com licença. – Se retirou.

Lívia se sentou novamente no sofá da sala, e chorou, chorou como nunca antes, se sentia a pior das pessoas, se sentia um lixo, um ser qualquer, mas a sua humilhação não ia parar por aí.

— Lívia – Lívia a olhou – quanto você quer pra tirar essa criança e sumir das nossas vidas?

— Você ficou maluca Cecília? – Se levantou irada. – Eu não quero seu dinheiro sujo!

— Diga logo Lívia, todo mundo tem um preço, qual é o seu? Vai ser melhor pra todos se esse bastardinho não vier ao mundo.

Não precisou que Cecília dissesse mais nenhuma palavra, Lívia lhe deu um belo tapa em sua cara, o que fez Cecília ficar possessa de ódio. Se ela tivesse um pingo de sentimento por Lívia, agora não tinha mais.

— Você ficou louca, sua maldita! – Dizia com a mão no rosto.

— Vocês não prestam, eu tenho pena da Maria por terem vocês como família.

Dito isso, ela virou a costas, e saiu da mansão, sem chão, sem rumo, sem saber direito o que fazer.

****

Enquanto isso em Aquela Essência.

— Senhora Maria Cristina?

— Sim, em que posso ajuda-lo?

— A senhora pode levar esses papéis pro senhor Estêvão?

— Pro Estêvão? – Se sentiu um pouco incomodada. – Tá, tudo bem, eu vou resolver uns probleminhas, e já entrego a ele. – Sorriu sem graça e se retirou.

Após ter se retirado, o funcionário fez uma breve ligação, alguém precisada saber que ela estaria na sala de Estêvão em poucos minutos.

Sala de Estêvão.

— Bom dia Teb! – Babi entrou.

— Babi, que surpresa ver você aqui! – Se cumprimentaram. – Não te esperava aqui, aconteceu alguma coisa?

— Não, não aconteceu nada. Na verdade, eu vim pedir um favor ao meu grande amigo.

— Que favor?

— Um emprego! – Foi direta.

—Emprego Babi? Mas que tipo de emprego você quer aqui?

— Ah sei lá Teb, você é o dono dessa bagaça toda, pode contratar quem você quiser. Eu posso ser sua assistente por exemplo.

— Minha assistente... – Ficou pensativo. – Bom, acho que não seria má ideia, e além do mais, confio em você, então, está contratada Babi! – Sorriu.

— Ahh jura Teb?!

Ela foi até onde ele estava sentado, sentou em seu colo, o abraçou e beijou ostensivamente seu rosto. Nesse instante sentiu seu celular vibrar, era esse o sinal que estava esperando.

Babi passou a mão pelo pescoço de Estêvão, e o trouxe para um beijo, ele se assustou com aquilo, mas ela não deu a chance dele não aceitar, e quando menos esperavam, ou melhor, ele não esperava, alguém entra na sala.

— Estêvão eu vim aqui... – Se choca ao ver os dois aos beijos. – Te entregar esses papéis. – Termina a frase desapontada, quase chorando.

— Maria! – Se assustou ao ver Maria, e por pouco não jogou Babi no chão.

— Bom, eu já vou indo, estarei aqui amanhã Teb. – Piscou.

Babi o olhou com uma cara de travessa, como se tivesse ganhado um troféu, e saiu rebolando da sala, e “sem querer” esbarrou em Maria, que não sabia o que pensar.

— Maria, eu posso explicar o que acontece, não é nada disso que você tá pensando! – Foi até ela.

— Você não precisa me explicar nada San Roman, você é livre. Mas vejo que você foi bem rápido, imagino que seja difícil pra um homem ficar sozinho. Ah – olhou pra sua mão – vim te entregar esses papéis, com licença.

— Maria, por favor, o que aconteceu foi um acidente.

— Acidente? Eu acho que eu não tenho problema de visão meu caro, mas como eu disse, você não tem que me explicar nada, mas você não foi o único que saiu decepcionado dessa história, agora, com licença.

Maria saiu da sala com vestígios de lágrimas nos olhos, não sabia que aquilo não passava de um plano, e que Estevão não tinha nada a ver com aquilo, mas ficou com ódio mortal dele por tê-la trocado por Babi, logo por ela, a pessoa que ela menos gostava no mundo, mas foi melhor assim, em seu íntimo ela sabia que era.

— Maria... – Se jogou na cadeira chorando.

Finalmente aquele dia passou, Estêvão odiando Maria, Maria odiando Estêvão, Lívia odiando Fernando, Fernando sentindo remorso por tê-la tratado daquela forma, Sérgio, Cecília e Babi se sentindo vitoriosos, e Fifi e Aninha, boiando nessa história toda.

Quando a família se reunia, era um silêncio completo, ninguém se atrevia a dizer nada, e menos ainda olhar para os lados, mas ainda faziam questão de posar de família de feliz e exemplar

Dia seguinte.

Ah, mais um dia, mais uma noite passou pra acalmar os ânimos, ou não. Como diz aquele velho ditado “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece.” Provavelmente, todas as bruxas estavam soltas, e se juntaram para fazerem maldades.

— Fernando, Fernando!

Era por volta de 12:00 PM, quando Maria chegou em casa aos gritos a procura de seu irmão, ela estava com bastante raiva, e com certeza se esqueceu que não poderia ficar nesse estado, por conta de sua gravidez.

— Fernando – abriu a porta do quarto e entrou sem cerimônias – quero falar com você agora!

— Vem cá – se recostou na cama e abaixou o livro que lia – minha mãe não te ensinou que se deve bater na porta do quarto dos outros antes de entrar não?

— Eu tô pouco me lixando pras regrinhas de etiquetas – debochou – eu tô mais preocupada com o papel de moleque que você está fazendo!

— Ah, com certeza a Lívia já foi chorando contar o que houve ontem.

— Sim, ela me disse. Como você tem coragem de negar o seu próprio filho, hein Fernando?

— Quem garante que esse filho é meu? Ela não é flor que se cheire Maria, e você sabe bem disso.

— Eu conheço muito bem ela, pra saber que ela não tá mentindo, se ela disse que é seu, por que é, agora só lamento muito por você tá agindo assim, como um covarde, espero que você mude de ideia, e quando esse dia chegar, torça pra que ela não esteja te odiando. – Maria saiu do quarto, e bateu a porta com toda sua força.

Fernando, de imediato, sentiu o peso das palavras de Maria, algo lhe dizia que sua irmã estava certa, mas tinha medo de enfrentar esse universo desconhecido.

****

Maria estava tão nervosa, que parecia que ia afundar os degraus da escada, mas ao terminar de descer, viu um anjinho disfarçado de pessoa, sabia que de alguma forma, falar com Aninha iria acalma-la.

— Oi princesa! – Sorriu acariciando seu cabelo.

— Oi Maria. – Estava um pouco seria.

— O que houve? – As duas se sentaram no último degrau da escada.

— Não houve nada, quer dizer, as coisas nesta casa andam meio estranhas, confesso que tô meio perdida. – Forçou um sorriso.

— Fica tranquila meu amor, em breve as coisas vão se resolver por aqui.

— E a sua gravidez Maria? Eu tava feliz porque pensei que um dia você e meu pai fossem ficar juntos, e você diz que tá grávida do Sérgio, agora vocês nunca mais vão poder do ar juntos.

Maria arregalou os olhos.

— Aninha... – Lhe faltou palavras. – Aninha, se você soubesse... – Segurou o choro. – Aninha, às vezes a gente faz coisas pra proteger quem a gente mais ama nesse mundo.

— Mas proteger quem a gente ama significa abrir mão? – Olhou para baixo.

— Eh, eu também tô aprendendo sobre isso minha querida – sorriu – aninha, olha pra mim – ela a olhou – aconteça o que acontecer, nunca duvide do meu amor por você, nunca se esqueça que eu te vejo como uma filha, e te amo da mesma maneira que eu amo essa coisinha aqui – colocou sua mão junto com a mão de Aninha em sua barriga.

— Então, se você me ama como uma filha, quer dizer que esse bebê que tá na sua barriga vai ser meu irmãozinho ou irmãzinha? – Sorriu docemente.

— Não duvide disso, esse bebê aqui vai ser o seu irmãozinho...

As duas sorriram. Maria tinha razão quando pensou que a pequena Ana Lara a deixaria mais tranquila, e foi isso que aconteceu, aquele sorriso meigo e inocente, fez seu dia ficar 100% melhor.

Aquela essência.

— Estêvão meu brother – bateu em seu ombro.

— Tô vendo que você tá bem feliz hein Sérgio.

— E como não estar? Vou ser papai cara, você sabe bem o que é isso né.

— Claro.

— Bom, mas eu não vim aqui falar sobre isso. Maria me ligou lá de casa, e me pediu que eu pedisse a você que assinasse esses documentos aqui.

— Que documentos são esses?

— Deve ser da próxima exportação de perfumes, ela não me explicou, mas pediu que você assinasse.

— Eu posso ler antes?

— Bom, eu até aconselharia você a fazer isso, mas ela tinha urgência na voz, cara, você não confia na Maria?

— Não é isso.

— Aquela ali não tem coragem de matar nem uma mosca, que dirá fazer algo pra prejudicar essa empresa.

— Você tem razão, se foi ela que pediu, eu vou assinar sem medo. – Ele sorriu e assinou os tais papéis.

— Obrigado Estêvão – pegou os papéis – você foi muito útil. – Sorriu e saiu.

A tarde transcorreu “tranquilamente”. Babi, que agora era assistente de Estevão, fazia de que Maria percebesse sua presença ali, e a mesma estava a ponto de pular no pescoço da dita cuja. Em contra partida, Maria fazia o possível para não encontrar com Estevão na empresa, bom, pelo menos trabalhavam em andares distintos, mas quando se viam, lá estava Babi, grudada no braço dele, como se fosse um carrapato.

— Sabe quando você sente nojo de uma pessoa?

— Tá falando da Babi?

— Exatamente!

— Mas o Estêvão e ela estão juntos?

— Não sei, mas ela faz de tudo pra esfregar na minha cara que sim, ou talvez seja um joguinho do idiota do San Roman pra me fazer ciúmes.

— Pudera né Maria, eu no lugar dele, faria mesma coisa.

— Vem cá, você tá do lado de quem?

— Eu não tô do lado de ninguém! Na verdade tô mais perdida do que cego em tiroteio.

— Ô Lívia, desculpa, você passando pelo maior perrengue, e falando do quando eu detesto a Babi. Eu falei com o Fernando ontem, pra vê se ele mudava de ideia.

— Você não devia ter feito isso! Agora sou eu que não quero aquele estúpido perto do meu filho! Inclusive, eu tomei uma decisão Maria.

— Que decisão Lívia? Você não vai...

— Não sua louca, eu não vou tirar essa criança, eu vou embora daqui Maria.

— Como assim embora Lívia? Pra onde você vai?

— Eu conversei com a minha mãe, ela disse que me ajudaria, e eu resolvi aceitar, não tenho mais nada o que fazer aqui, quando a poeira abaixar, eu volto, até porque não vou ficar muito tempo sem trabalhar.

— E eu Lívia, como vou me virar sem você?

— Ah Maria, você tem a tia Fifi, e daqui a pouco você e Estêvão vão voltar as boas, eu preciso ser minada pelos meus pais um pouquinho.

— Tudo bem, cê sabe que qualquer coisa que precisar, eu vou tá aqui né.

— Ai de você se não estiver.

— Ah Lívia, minha vida não vai ser a mesma sem você.

— Eu só vou dar um tempo disso tudo, mas a gente vai se falando, eu não vou sumir da sua vida.

— Claro que não vai, ai de você se fizer isso.

As duas sorriram, e sem querer, pequenas lágrimas caíram de seus olhos.

****

Já era noite, quase todos já estavam em casa, menos Maria, que ficara ate mais tarde conversando e se despedindo de Lívia, e Estêvão, mas esse acabara de chegar, e tem uma bela surpresa.

— Pai – Aninha foi até ele meio assustada – por que todas as nossas coisas estão aqui em baixo? A gente vai viajar?

— Não sei filha – segurou a mão dela e terminou de adentrar pela casa – mas vamos descobrir agora.

— Estevão, Estevão – Cecília descia a escada com a mão no corrimão – estava tão ansiosa pela sua chegada meu querido enteado.

— Sabia que você mais falsa que uma nota de três reais Cecília?

— Sabia que eu não tô nem aí para o que você diz?

— Por que minhas coisas estão fazendo aqui em baixo? Quem deu permissão a vocês de mexerem nas minhas coisas?

— Bom, essa casa é minha, eu faço o que eu quiser, quando quiser e como eu quiser, inclusive, só permanecem aqui quem eu quero, e eu não quero você e essa fedelha aqui.

— Olha como você fala com a minha filha! E essa casa não é sua coisa nenhuma, ou você está tão velha que pegou Alzheimer? Não se lembra do que Enrico disse no testamento?

— Sim – Sérgio entrou para fazer parte da conversa – essa herança era sua, até a minha mulher pedir pra você assinar um documento passando tudo pra gente.

— O que?! A Maria fez isso? Não, não pode ser!

— Pois é, Ela fez isso sim. Foi dela a ideia de fazer você assinar aquele documento mais cedo, lembra, então, você assinou. Tudo não passou de um plano Estevão, ela se aproximou de você pra pegar o que é nosso.

— É mentira – Aninha se opôs – Maria nunca faria isso! – Ela foi até Sérgio, e deu um chute em sua canela.

— Ai sua pirralha!

— O que está acontecendo aqui? – Perguntou Maria ao entrar em casa.

— Se era isso que você queria, podia ter pedido desde o início. – A mirou.

— Do que você tá falando San Roman?

— Não se faça de tonta Maria! Eu acreditei em você, e você faz isso comigo?

— Eu não tô entendendo, seja mais claro, por favor.

— Deixa de ser falsa Maria, seja mulher ao menos uma vez, faça igual sua mãe, tire logo essa máscara que você insiste em usar!

Cecília o olhou franzindo a testa.

— Da pra vocês explicarem o que está acontecendo aqui? – Gritou.

— Vou refrescar sua memória. O documento que você pediu pra eu assinasse, aliás, não teve nem coragem de ir até mim, pediu pra seu marido ir.

— Que documento?

— Meu amor, não precisa mais fingir, o documento passando tudo pra gente.

— Espera aí, tudo o quê?

— Tudo, tudo.

— Lembrou agora?

— Eu não pedi pra ninguém assinar nada, San Roman, eles estão mentindo! – Começou a chorar.

— Já chega Maria, eu não vou acreditar nas suas mentiras, eu fui um idiota por confiar em você, e não precisa se preocupar não, eu não passo mais um dia nesta casa.

— San Roman, acredita em mim, em não fiz nada. – Se aproximou, porém ele se afastou.

— Estêvão, você continua tendo cargo na empresa tá, então apareça lá no horário, senão três advertências, justa causa.

— Não precisa se preocupar, chefinho, vamos Aninha.

— Eu não acredito que vocês fizeram isso, vocês são uns monstros! Ele nunca vai acreditar que eu não fiz isso!

— Ué, isso é pra você aprender a não brincar comigo, eu posso ser pior que isso Maria.

— Eu te odeio Sérgio, eu te odeio!

****

— Tia, tia. – Entrou no quarto da tia e se jogou no seu colo.

— Que foi meu amor?

— Eu quero sair dessa casa, não quero ficar mais um segundo aqui!

— Como assim Maria, me explica o que houve.

— Por favor tia, vem comigo, se eu ficar aqui, posso prejudicar o bebê, e eu não vou suportar se acontecer alguma coisa com ele.

— Tudo bem, nós vamos pra onde, e por quando tempo.

— pra qualquer lugar longe dessa casa, até, pelo menos meu filho nascer.

— E sua mãe e seu marido?

— Eles não vão se importar, agora estão nadando no dinheiro.

— Oi?!

****

— Então quer dizer que vocês vão mesmo viajar?

— Vai ser melhor Fernando, eu preciso botar minha cabeça no lugar.

— Sabe que eu vou sentir muito a sua falta, e da tia Fifi também.

— E nós também vamos sentir sua falta. – Sorriu.

— Se você falar com a Lívia, diz que eu quero falar com ela.

— Ela não quer falar com você, não me deixou o endereço justamente pra eu não te dar.

— OK, eu fiz por merecer. Se cuida tá Maria, cuida bem do meu sobrinho.

— Pode deixar, cuida bem da minha mãe, ela te ouve às vezes.

— Às vezes. – Riu. – Agora acho melhor você ir, estão te esperando no carro.

— É, também acho. Então, tchau.

— Tchau.

Os dois se abraçaram como bons irmãos, que brigavam às vezes, mais ainda sim eram bons irmãos. Fernando subiu, e Maria se preparava para ir para o carro ao encontro de sua tia, para assim irem para o aeroporto quando seus olhos encontram os olhos de um certo alguém.

— San Roman?

— Maria. Eu vim buscar umas coisas que esqueci aqui.

— Espero que um dia você acredite que eu não tenho nada a ver com isso, e não te usei como você pensa.

— Tudo tá me dizendo o oposto do que você diz, depois do que houve, até acredito que o filho que você espera realmente não seja meu.

— Que bom que você pensa assim. Mas tenho certeza que você não saiu no prejuízo, a Babi tá lá pra te consolar.

— Não é a Babi que eu amo, é você Maria, mas vou ter que te esquecer, afinal, não posso entregar meu coração pra alguém que só me usou.

— Lá no fundo, eu tenho certeza que você sabe que eu não tenho nada a ver com isso, eu nunca iria te usar pra ficar com seu dinheiro, mas o tempo vai nos dizer quem está com a razão.

— Com certeza.

O motorista buzina, chamando por Maria.

— Estão te esperando. Não sabia que ia viajar.

— Eu tô indo embora Estêvão.

— Como assim indo embora Maria?

— Vai ser melhor pra mim, pra você e pro meu filho.

— Isso é um adeus?

— É, pode ser, na verdade, é o melhor pra nós dois. Você não confia em mim, eu tô tentando salvar meu casamento.

Os dois se olhavam, queriam que nada daquilo fosse verdade, queriam que aquilo tudo não passasse de um pesadelo, mas, infelizmente, era a mais dura verdade.

— Maria... – Se aproximou dela.

— Estêvão... – O olhou nos olhos.

Por mais que suas bocas proferissem palavras duras, seus corações diziam o oposto. Estevão ia se aproximando cada vez mais dela, a ponto de estarem próximos o suficiente de sentirem a respiração um do outro. Maria, simplesmente, fechou seus olhos, e se deixou ser levada pelo momento, e quando percebeu, seus lábios estavam perto demais dos lábios dele, mas ela não permitiu se machucar mais, e nem a ele.

— Eu não posso – voltou em si com respiração ofegante – adeus San Roman! – Ela saiu correndo em direção ao carro, deixando-o.

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar...

Continua...

Notas finais
Mais um capítulo pessoinhas, espero que gostem. E desculpa pela demora, semana passada foi muito corrido pra mim,. Bjs