Flores De Maio

15 Disfarço Meu Ciúme, Engulo Tuas Provocações


Notas iniciais
Quero agradecer a minha querida Jéssica Martins pela ajuda na escolha do título, vc é demais garota! Aproveitem o capítulo!

Quem tentar possuir uma flor, verá

sua beleza murchando. Mas quem

apenas olhar uma flor no campo,

permanecerá para sempre com

ela. Você nunca será minha e por

isso terei você para sempre. – Paulo

Coelho

****

Ao entrar em seu quarto, Maria jogou sua bolsa em cima da cama, tirou o blaser e deixou-o ali mesmo no chão, se livrou sem demora do sapato que usava e que comia seus pés e foi direto ao banheiro, pois, além de um banho, precisava relaxar um pouco, o dia de ontem foi um tanto diferente. Entrou, encheu a banheira e a deixou com bastante espuma, como ela gostava, se possível, queria se perder no meio delas, como fazia quando era criança, quando sua tia a ajudava tomar banho, aliás, mais faziam bagunça do que ela tomava banho. Eh, aqueles tempos eram bons. Ela ainda não havia compreendido porque as pessoas tem que crescer e encarar a maldade do mundo, seria perfeito se a vida fosse como A Terra Do Nunca, sem termos que nos preocupar com os problemas que os adultos causam, os problemas da atualidade. Em seus pensamentos ela acaba achando a “solução” para tudo isso, talvez a escolha certa fosse virar hippie, e viver na mata, vivendo do que a natureza nos proporciona, tudo bem, isso não combina com uma dondoca feito Maria, mas digamos que ela esteja vendo algo que favoreceria a todos, não é pecado sonhar!

Enquanto seu corpo desfrutava da sensação estupenda de estar dentro daquela banheira, com aquela água quentinha, sua mente vagava por um universo desconhecido por ela, e às vezes soltava pequenos risos sem perceber, eh, ela deveria se conceder mais momentos assim, só para ela.

— Maria? – Sua tia a chamava pela porta do quarto. – Você tá aí?

Quando sua tia a chamou, ela levou um pequeno susto, também pudera né, a sorte dela, que era ela, senão...

— Tô aqui no banheiro tia! – Disse num tom levemente alto.

— Incomodo? – Perguntou com a cabeça dentro do cômodo.

— Claro que não – sorriu – a senhora nunca incomoda! Aconteceu alguma coisa?

— Eu é que faço essa pergunta – se sentou no tampo da privada – o que aconteceu?

— Hãm? Estamos falando sobre o que mesmo?

— Ah Maria, não se faça de boba, você sabe que eu tô falando de você e do bonitão!

— Ah, e esse bonitão por acaso é meu marido?

— Maria, você quer parar de ser chata!

— Tá desculpa, só tava brincando, sem senso de humor! – Elas riem. – Tia – soprava a espuma que tinha em sua mão – nós nos beijamos de novo.

— Não esperava outra resposta de você.

— Tia – gesticula e molha sua tia, falava um pouco alto – foi mais forte que eu, eu queria resistir... Mas a presença dele me desnorteia. – Terminou em um tom baixo.

— Eh minha flor, é complicado quando você se apaixona por um homem, sendo casado com outro.

— Eu não tô apaixonada pelo San Roman! – Bateu as mãos na água da banheira, fazendo com que a água caísse no chão a sua volta.

— Tá, eu acredito. – Maria não levou fé nas palavras da tia.

— Tia, isso pode ser carência da minha parte, só isso. Eu não posso estar apaixonada por um cara que acabou de entrar na minha vida!

— Você não acredita em amor à primeira vista!

— Claro que não! Eu sou muito pé no chão pra acreditar nessas coisas.

— Ah, mas deveria, pois já está casada com Sérgio há alguns anos, e não o ama, então quem sabe o seu amor verdadeiro apareça assim, do nada.

— Ah tia vamos parar com esse assunto, já estou tendo náuseas! O San Roman é lindo? Sim! Ele é atraente? Sim! Ele beija bem? Sim! – Admitiu. – Mas isso não quer que estou apaixonada por ele!

— Tá calma, se você diz, eu acredito, mas cuidado hein, esse jogo é perigoso, você pode sair machucada e eu não quero que isso aconteça.

— A senhora falando sobre os jogos do amor? Com que propriedade fala sobre isso?

— Você não sabe filha, mas eu já amei muito um homem.

— Pode parando tia, a última vez que ouvi essa frase, descobrimos que Enrico tinha um filho, e agora a senhora! Por acaso a senhora não tem nenhum filho perdido não né? Ou tem? – A encarou.

— Não, não tenho nenhum filho perdido, pode ficar tranquila. – Sorriu com uma ponta de tristeza no olhar, que não foi notada por Maria.

As duas ainda ficaram conversando por um tempo, depois Maria saiu da banheira, tomou uma ducha para tirar a espuma do corpo, e sua tia a obrigou a comer um pouco, e nesse quesito não tinha como discutir com Josefina, ou ela comia, ou ela comia. Após comer um pouco, caiu na cama, necessitava de, ao menos, uma hora de sono descente.

O dia seguiu normalmente, Sérgio fora para empresa, Fernando zanzando por aí, só estavam na mansão Cecília, Josefina, Estêvão, Ana Lara e Maria, que estava “morta” em seu quarto. Uma das vantagens de morar naquela mansão, era que os moradores mal se cruzavam, e nesse dia foi assim, menos com Aninha e Estêvão, que adoravam a companhia um do outro.

Noite.

Maria ficaria mais um pouquinho na cama, mas, mesmo sem saber que horas eram, seu corpo lhe dizia que já tinha dormido demais. Ela abriu seus olhos e levou um baita susto com seu ‘adorável marido’ do seu lado na cama, realmente ela estava morta, para não ter sentido a presença dele ali.

— Você quer me matar do coração Sérgio? – Se sentou na cama se cobrindo com lençol.

— Que foi amor, só estava velando seu sono. Você fica linda dormindo!

— Ah, pensei que quando eu acordava, tinha a cara amassada, um bafo horrível, mudou de opinião?

— Maria, deixa de ser rabugenta! Você sabe que isso não é verdade, às vezes penso que você nem é humana, de tão perfeita que é! – Tenta beija-la, mas ela não deixa.

— Eu não sou perfeita Sérgio, não se equivoque. – Sua consciência pesou um pouco. – Que horas são?

— Quase oito, vim ver se estava viva, e dizer que estamos te esperando para o jantar.

— O que?! – Saiu da cama em um pulo. – Eu dormi esse tempo todo?

— Sim. Estamos te esperando lá em baixo. – Saiu.

O que deu em Maria para dormir esse tempo todo? Ela nunca gostou de ficar muito tempo na cama, com certeza passaria a noite em claras.

Ela rapidamente se arrumou, não gostava que a esperassem para nada, ainda mais se tratando de sua família, que adoravam ver uma falha sua, mesmo que pequena, esse assunto renderia o jantar inteiro. Ela estava pronta para descer, e nesse dia, se arrumou mais que o habitual, nada muito exuberante e chamativo, só queria atrair os olhares, ou melhor, um olhar.

— Pronto, estou aqui. – Se juntou a eles na mesa.

— Tá bonita minha flor! – Elogiou Fifi.

— Que nada tia, são seus olhos. – Sorriu para a tia.

— Você e essa mania de ser modesta Cris. – Disse Sérgio roubando um selinho dela, o que a deixou incomodada, pelo selinho, e pelo ‘Cris’.

— Maria, você dormiu demais hoje, eu queria falar com você e você estava dormindo. – Disse Aninha.

— Por que não me acordou? Não tinha problema nenhum.

— Meu pai não deixou. – Olhou para ele.

— Preferi assim, você estava cansada.

Aquele olhar que eles trocavam, era um olhar cúmplice, e talvez até sensual da parte dela, não porque ela fosse vulgar, mas ele estava despertando o lado mais mulher dela, algo que Sérgio não soube fazer nesses anos de casados, ela só não tinha consciência que esse seu lado estava desabrochando, ainda. Após meias palavras trocadas e olhares sutis, a campainha toca.

— Quem será uma hora dessas? – Perguntou Cecília. – Vocês estão esperando alguém?

— Não! – Responderam em uníssono.

Não só Cecília, mas todos os outros estranharam a campainha tocando aquela hora da noite, pois eles não recebiam muitas visitas, e menos ainda a noite. Eles ficaram surpresos com a imagem que viram, principalmente Maria.

— Boa noite a todos!

— Babi! – Aninha correu e pulou no colo dela.

— Oi Aninha – a apertava em seus braços – que saudade de você!

— Babi, que bom te ver aqui! – Disse Estêvão se levantando para cumprimenta-la. – Senta e janta com a gente.

— Não vou incomodar? Posso voltar outra hora se for o caso.

— Claro que não, será um prazer tê-la jantando conosco! – Disse Sérgio. Os dois se olharam como se o fato dela estar ali fizesse parte de um “plano”.

— Tudo bem, nesse caso eu fico. – Se sentou e logo foi servida por uma empregada.

— Maria, a Babi é muito amiga da gente, aposto que você vai adorar ela! – Disse Aninha entusiasmada.

— Claro que vou Aninha. – Foi indiferente.

— Então você é amiga do Estêvão, e desde quando se conhecem?

— Sim, eu e o Teb – Maria revirou os olhos ao ouvi-la chamando-o de Teb – somos muito amigos, eu sei tudo sobre ele e vice versa, somos unha e carne! – Sorria segurando a mão dele.

— Não sabia que você tinha esse lado melhor amiga San Roman. – Debochou.

— Sim Ciça – ignorou o comentário de Maria – eu e Babi nos conhecemos desde a nossa adolescência.

— Vocês formam um belo casal, parecem que nasceram um para o outro. – Disse Sérgio.

— Eu já disse isso pro Teb, mas parece que todos veem, menos ele.

Péssima hora em que Estêvão convidou Babi para jantar com eles, o jantar inteiro ficou em único assunto: ela e ele, mas não existe ela e ele, os dois eram só amigos, e nada que ela dissesse iria mudar isso. Mas o pior na foi a pilha que Cecília e Sérgio ficaram colocando, mas sim a cara que Maria estava, uma cara de quem não estava se importando, uma cara de deboche, definitivamente, não era um bom sinal quando ela fazia aquela cara.

— Bom, eu já vou, já está bem tarde.

— Babi, toma esse dinheiro aqui – tirou um dinheiro do bolso e deu a ela – vai de táxi, ônibus pode ser perigoso a essa hora.

— Brigada Teb, sempre se preocupando comigo. – Sorriu.

Estêvão pensou que as coisas não pudessem ficar mais tensas, mas Babi provou que dava sim. Ela saiu de onde estava sentada, rebolando mais nunca, e deu um beijo no canto da boca dele, talvez em nenhuma ocasião o coitado ficara tão sem graça, logo em seguida ela saiu.

Ele olhou para Maria, e ela continuava com aquela cara, que ele já sabia o que significava, pois, por mais que dissesse que não, dava para ver na cara dela o quanto ela estava enciumada, e talvez até quisesse pular no pescoço de Babi, ainda bem que ela era fina demais para isso.

A noite foi como Maria pensara que fosse, em claras. Ela não conseguia pregar os olhos, e seu pensamento só ficava naquele jantar, então, ela resolveu descer e beber um pouco de água. Ela entrou na cozinha, e não viu ninguém, foi até a geladeira e encheu um copo d’água, mas quando se virou, o viu ali, ele já tinha notado a sua presença, só não tinha dito nada ainda.

— Tá sem sono também? – Ele perguntou.

— Sim – se aproximou – dormir o dia todo tirou o meu sono da noite. E você, o que faz acordado uma hora dessas?

— Pensando. – Fez uma pausa. – O que você achou da minha amiga vendo ela mais de perto?

— Não gosto de pessoas como ela.

— Como ela?

— Exibida, oferecida e vulgar. – Foi direta.

— Eu não acho que a Babi seja isso que você disse, você está sendo injusta com ela!

— Isso porque você já deve ter ido pra cama com ela um monte de vezes, por isso a defende!

— Eu nunca fui pra cama com ela – se levantou um pouco exaltado – e eu nunca faria isso com uma mulher se eu não gostasse de verdade dela! – A puxou pela cintura. – Isso tudo é ciúmes Maria?

— Claro que não! – Tentava se soltar, em vão. – Você faz o que quiser da sua vida, eu não tenho nada a ver com isso, agora me solta San Roman!

— Ah é – ignorou o pedido dela – pois não é isso que tá parecendo!

— Acho melhor você me soltar, senão eu vou começar a gritar!

— Eu não vou te soltar enquanto você não admitir que está com ciúmes da Babi.

— Eu não vou admitir nada!

— Então eu não te solto. Anda Maria, me diz que te incomoda ver outra mulher perto de mim – aproximou um pouco seu rosto do dela – me diz que é por esse motivo que você não gosta da Babi, porque sabe que ela tem o mesmo sentimento que você tem por mim, me diz Maria. Me diz também que você tá louca de desejo por mim, e quer que eu te beije agora, assuma o que você tá sentindo por mim!

— Rá – deu uma pequena gargalhada e afastou seu rosto do dele – você é muito prepotente, tá se achando só porque pensa que tem a mim, e aquele biscate em suas mãos, bom, ela eu não sei, mas com certeza, a mim você não tem. Agora te aconselho a me soltar, pois no mesmo lugar que eu aprendi fazer os primeiros socorros, eu também aprendi a defesa pessoal, e usaria meu aprendizado agora com todo prazer, agora me solta de uma vez! – Estava ficando vermelha de raiva.

A raiva dela só o fazia querer beijá-la ainda mais, e era o que ele estava prestes a fazer, mas...

— Tô entrando.

— Tia? – Se soltou dele, ou ele a soltou.

— Perdeu o sono também Fifi? – Perguntou Estêvão bem humorado.

— Não, só me deu sede.

— Com licença, vou para o meu quarto. – Maria se retirou.

— Dava pra ouvir a discussão de vocês lá da sala.

— Sério?

— Sim, a sorte de vocês que eu é quem estava ouvido, senão, imagina a confusão. E você também hein Estêvão, ao invés de ter puxado logo ela, e beijado, ficou aqui enrolando.

— Ah Fifi, assim eu fico com vergonha. – Sorriu envergonhado.

— Eu sei de vocês dois, eu vi quando se beijaram no jardim, ela me contou do elevador, e sinceramente, fico feliz, mas quero que as coisas sejam feitas da forma certa, nada de às escondidas. Eu não tenho nada contra Sérgio, mas ele não a faz feliz, e se você fizer isso, meu carinho por você vai crescer ainda mais.

— Nossa, nem sei o que dizer.

— Então não diga, apenas faça, a faça feliz, porque ela é uma filha pra mim, e ver um sorriso naquele rosto, me faz sentir a pessoa mais feliz do mundo.

— Eu vou fazer sim Fifi – pegou a mão dela – eu vou fazer a nossa Maria muito feliz! – Beijou a mão dela.

****

Finalmente aquela noite tensa, mais tensa do que a noite do elevador, havia acabado, e mais um dia estava por vir para acalmar os ânimos, ou melhor, o ânimo de Maria, que ainda estava uma fera por conta da noite anterior.

— Bom dia né Maria! – Disse Lívia à amiga que acabara de entrar no laboratório sem dizer nada. – Quer dizer então que você some por uma noite e sua amiga fica sem notícias, obrigada pela consideração!

— Ah Lívia, não me irrita não, já estou estressada, e não estou afim de ficar ouvindo sermões!

— O que foi que houve?

— Nada de mais, apenas uma qualquer foi jantar lá em casa e se tornou o centro das atenções.

— Uma qualquer? Seja mais clara por favor.

— Ah, foi aquela amiguinha do San Roman, a tal da Babi, só faltou ela pedir pra dormir com ele, ahh que raiva!

— Hum, tem alguém com ciúmes, tô sentindo cheiro de amor no ar!

— Que amor o que! Vamos trabalhar Lívia, é o melhor que fazemos.

Estava mais que claro para todos, Maria estava com ciúmes de Estêvão, mas só ela não queria enxergar, mas, para sua sorte, ele ia seguir o conselho de sua tia.

Maria chegou em casa após um dia cansativo, e foi logo para o quarto, e entrando lá teve uma pequena surpresa.

— Ué, quem deixou esse envelope aqui?

Era uma carta, e mais precisamente de Estêvão. Após perceber quem era o remetente, abriu sem demora. A carta dizia essas palavras:

Sérgio e sua mãe vão sair hoje à noite. Janta comigo?

Continua...

Notas finais
Pessoinhas do meu coração, aqui está o primeiro do ano, espero que gostem, bjs!!