Flores Amarelas
2 1 - O passado que me ronda.
Notas iniciais
Boa leitura.
Ninguém parece entender quando uma pessoa que você tanto amou morre. Quer tentar te deixar pra cima, contar piadas e até mesmo lhe convidar pra passar alguns dias em sua casa.
Na verdade eu quero ficar um pouco só, um pouco em nossa casa que agora está vazia, um pouco no mundo onde era nosso, no espaço que era somente meu e dele.
– Estou bem, pode deixar. — sorri pra Greg quando me perguntou pela quarta vez se eu estava mesmo em condições de ir para casa sozinha.
– Se cuida então. Tchau. — ele forçou um sorriso desistindo de tentar me destrair e saiu como os outros, antes dele.
Tristemente andei até o meu carro, olhando tudo a minha volta, vendo que aquele cemitério parecia mais um enorme jardim cuidado.
Entrei no meu carro e o liguei, querendo chegar em casa o mais rápido possível.
Consegui manter a calma até chegar na garagem de minha casa e eu não estava nem um pouco alterada, nem com os olhos marejando, não fui capaz de chorar. Estacionei o carro e olhei pra casa a minha frente com medo de entrar.
Sai do carro e o tranquei e com passos leves fui até a porta de casa. A chave já estava em minha mão, agora era só enfiar, rodar e pronto...
Abri a porta e uma voz do passado me recebeu cheio de amor...
~
– Sara?! — ele sabia que era eu, mas sempre me chamava por alguma razão.
– Boa noite. — dou um leve sorriso ao vê-lo olhando para o jornal e logo depois dando uma olhada em mim.
– Chegou alguns minutos mais cedo! — com uma das mãos ele me puxa pela cintura me abaixando um pouco para depositar um beijo quente em meus lábios...
~
Pisco duas vezes vendo que estava de olhos fechados e então decido prosseguir, quando meus devaneios se foram.
Sinto que meus olhos começam a marejar. Estou diante da porta de nosso quarto onde tenho tanto medo de entrar que posso sentir meu coração pulsar mais rápido. Mas tenho de abrir.
Lentamente coloco a mão na maçaneta e vou girando até ouvir o estalo da tranca. Respiro fundo, sabendo que quando a porta for aberta uma brisa de perfume vai me rondar. Dito e feito.
Prendo a respiração, o que é impossível quando estamos soluçando. E novamente meu passado me provoca...
~
– Te amo. — ele acariciou meu rosto.
– Eu sei. — sorri me virando um pouco na cama.
Ele me fitou em silencio por um longo tempo e sua mão deixou meu rosto. Foi estranho, porque ele jamais fez isso.
O olhei e vi que seus olhos estavam fora de foco. Ele estava bem pensativo e desde cedo.
– O que esta acontecendo? — pergunto quase num sussurro.
Grissom me olha e ele consegue ver a preocupação em meus olhos. Respira fundo e fica sentado na beirada da cama com apenas um cobertor fino lhe envolvendo. Vou logo atrás dele, abraçando-o por trás.
– O que foi? — sussurro — Está tão distante e ao mesmo tempo quer tanto ficar ao meu lado. — dou uma risadinha — eu reparo nas coisas.
– Por isso que é minha mulher. — ele me puxa pra seu colo deixando nosso olhar a nível.
– Só se quiser me contar. — dou um leve sorriso.
– Contarei. — ele beija todo meu rosto num gesto carinhoso...
Notas finais
Na parte em que Sara diz "Só se quiser me contar" ela está se referindo a tristeza dela.
Beijos e até o próximo capitulo :)
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