Flores.
1 Capítulo único: Flores.
Notas iniciais
Flores
Por Quiet Little Reader
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Estávamos em uma linda colina durante uma tarde amena de primavera. Sakura estava me acompanhando, encantada com os tipos de flores que via.
Seu vestido balançava enquanto falava algumas informações, que segundo ela havia aprendido com a Yamaka, sobre as plantas.
— Nunca peguei em uma flor — declarei ao vê-la se abaixar para tocar suavemente nas pétalas da Rosa de um vermelho tão intenso quanto sangue.
Sua cabeça se ergueu e voltou-se na direção da minha voz.
— Sempre as achei muito frágeis para serem tocadas — expliquei-me quando seus olhos brilhosos se focaram em mim um pouco surpresos.
Sakura me olhava contra o sol o que, certamente, lhe incomodava e a fazia franzir o cenho a fim de reduzir a quantidade de luz permitida por sua pupila.
— Elas não são tão frágeis assim. — Movi-me na intenção de fazer com que minha sombra ficasse sobre ela, aliviando, assim, a sua expressão. Não que tenha adiantado muito já que, no momento em que o sol já não ofuscava mais a sua visão, e que pôde fitar-me melhor em pé ao seu lado, Sakura tornou a olhar para baixo, para a flor que brotava da terra próxima aos seus pés.
— Além do mais, elas possuem seus espinhos para se defender — contra-argumentou apontando para as expansões pontiagudas do caule.
— O caso das rosas me lembra você porque a situação era parecida — confessei, agachando-me ao lado dela. Fazendo a minha capa preta, que antes era atacada pelas rajadas de vento, empoeirar-se no chão.
— Não que você fosse frágil. Você era delicada demais para ter muito contato comigo que sempre fui um bruto destruidor. — A encarei e visualizei sua dúvida. O que eu estava lhe dizendo? Não era algo que ela esperava ouvir de mim, mas o também não era algo que lhe desagradava totalmente.
Apesar da minha honestidade ser algo que ela apreciava e a comparação algo que tocasse o coração feminino, Sakura era diferente.
A insinuação de que fosse frágil e incapaz de se defender com eficácia a deixava irritada, magoada, afrontada.
Eu tinha que esclarecer o meu ponto de vista. Tinha que desfazer esse pequeno mal entendido sobre as minhas palavras. Mostrar a razão de ter lhe dito que o caso era parecido, não igual.
— Sasuke. — Começou antes que eu prosseguisse com minha confissão, fazendo-me ceder a vez da fala a ela. Sakura não disse mais nada, em seus olhos pude ver que estava adiando a repreensão por fazer parecer, mesmo que não intencionalmente, que não dava conta de si própria.
Minha acompanhante optou por deixar-me dizer tudo o que eu queria para depois me dar a devida bronca. Em seu olhar havia uma auto-acusação: achava que eu não falaria mais nada.
Meu nome havia escapado por seus lábios durante a fração de segundo que pausei meu relato. Um pequeníssimo intervalo que bombardeou minha mente e a fez reagir por reflexo.
Sakura tinha sentido-se subestimada, culpa minha que não levava muito jeito em expressar qualquer coisa além de ódio.
— Não poderia arriscar danificar algo delicado com mais influência minha. Embora, sua capacidade de auto- preservação tenha permitido a nossa conivência, eu não podia cercar demais.
O vento ficou brando. Quase como se não quisesse soprar mais e atrapalhar minha fala. Sakura estava atenta a cada palavra, tinha se perdoado pela interrupção ao ver que eu não tinha desistido que compartilhar algo com ela. Desistiria se fosse em outra época.
Aquilo reforçou que o quê eu falava era apenas parte do que tinha me feito mantê-la distante. Além de ser o medroso que estava admitindo, era fraco demais.
— Eu nem conseguiria cego pela vingança como estava. Não te aproximei e nem levei comigo para preservar seu espírito. Não me perdoaria se a prejudicasse irremediavelmente. — Sabia que já tinha lhe feito feridas, mas nada que o tempo não curasse: um amor supostamente não correspondido, a ausência de um amigo. — Seria uma culpa pesada demais para carregar.
Admiti minha fraqueza para com aquele fardo e fui envolvido pelos seus braços finos e firmes. Naquele abraço que ela sempre estava disposta a me oferecer para me reconfortar que, mesmo quando eu não o retribuía, sempre desfrutava.
— Bom, acho que eu sou um diamante, então — disse soltando-me, exibindo um largo sorriso, um realmente feliz — Resistente e que você estava com medo de lapidar errado — completou percebendo que o diamante não demonstrava a delicadeza que eu havia falado.
Eu havia feito tanto e ela não havia se quebrado. Eu havia avançado tanto e ela se lapidado para conseguir me alcançar, agora, como médica, era quase inalcançável. Ela brilhava tanto e pequenos diamantes mostram valor enquanto se apresentam delicados em meio a joias rústicas.
— Você sempre foi preciosa demais mesmo.
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