Floresça-me
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Aaron me conta como foi a conversa com James enquanto voltamos para casa. Todos estavam cansados demais. Eu estou cansada demais. A batalha não foi fácil para ninguém. Alguns ficaram nas ruas, lutando. Outros ficaram em volta do edifício onde Anderson e eu estávamos. Lutando juntos, lado a lado. E isso significa tanto quanto a vitória para mim.
Chegar na base foi o paraíso. Tirar os calçados e me jogar na cama foi como deitar em nuvens. Há tanto a se pensar. O que faremos onde faremos como faremos quando faremos com quem faremos por que faremos e
só quero pensar no hoje. No agora. No meu filho, no Aaron, em mim. Preciso me cuidar agora. Não se trata só de mim mais.
Aaron se joga na cama também e deito minha cabeça em seu peito e enrosco minha perna nas suas, ramificando-nos até não sabermos mais onde eu acabo e ele começa. Lentamente, Aaron passa a mão por meu pescoço, vai até meu ombro, desce até minha cintura e então retorna, fazendo o caminho reverso, chegando novamente no meu pescoço e refazendo o caminho de novo até que me perco. Com apenas cinco dedos, ele impossibilitou meus movimentos minha fala meu raciocínio minha respiração e só não impossibilitou meu coração de bater porque
ele só bate
na presença
dele.
E por ele.
Observo-o e ele está de olhos fechados, com um pequeno sorriso no rosto.
– Sabe, amor. — Ele diz, ainda de olhos fechados, ainda sorrindo. — Hoje mais cedo você adiou uma coisa, e eu queria muito que a fizéssemos agora.
Beijo seu peito. Seu pescoço. As bochechas. O queixo. E quando estou prestes a beijar sua boca, tocando-a mas sem realmente tocar, digo, com meus lábios raspando nos dele:
– Queria muito uma coisa, Aaron. E quero agora.
– E o que é, amor?
Beijo seus lábios, bem levemente. Afasto minha cabeça e sorrio quando respondo — Café. Sem creme. Nem açúcar.
– Fui trocado por um café — ele ri — Bem, eu também me trocaria por um café bem amargo, se pudesse.
Ele me beija e levanta, indo pegá-lo.
Cada segundo que Aaron demora parece uma eternidade. Preciso do meu café e
oh
não
será que este é meu primeiro desejo?
Quero este café como se eu fosse morrer se não o tomar. Como se fosse o último café do mundo. É aterrorizador. Se isso for um desejo, nunca mais quero ter nenhum.
Aaron entra no quarto e imediatamente me sento na cama, esperando ansiosamente. Ele traz consigo uma bandeja e vejo duas xícaras nela, assim como dois lanches. Meu estômago ronca e percebo que não comi hoje. Preciso me cuidar agora.
Sentando-se ao meu lado, Aaron me entrega minha xícara e bebo um grande gole dela, como se eu estivesse desidratada, com uma sede que só o café pudesse satisfazer e o sabor
o sabor é fantástico.
Suspiro.
– Acho que estou apaixonada — digo, tomando mais um gole.
– Que bom saber que você gostou — Aaron diz, sorrindo. — Aqui, pegue seu lanche enquanto o queijo está quente.
Salivo, a boca enchendo de água. Trago o sanduíche até a boca e sinto o cheiro de queijo e
meu estômago embrulha. Arrepio-me e sinto frio e começo a suar e sinto-me mal. A bile inicia seu trajeto de volta para minha boca e a palavra enjoo grita na minha cabeça. Largo o lanche na bandeja e corro até o banheiro. Levanto a tampa do vaso e vejo ir embora o café que acabei de tomar.
Adeus, café.
Aaron chega e segura meu cabelo, ajudando como pode enquanto vomito tudo o que havia na minha barriga, menos o medo que se instalou lá.
Saia, medo. Você duas vezes em apenas um dia não é bom.
Quando finalmente paro, abaixo a tampa e dou descarga enquanto sento-me no vaso, tentando acalmar meu estômago e meu coração e meu cérebro que, com a mão na cintura e batendo o pé, me diz que o enjoo é comum em grávidas. Não é normal pessoas não-grávidas nem com a saúde em dia o terem.
Aaron molha uma toalha e a entrega para mim. Não olho para ele. Evito seus olhos com todas as minhas forças. Ele está desconfiado ele está desconfiado ele está desconfiado ele está
– Juliette... o que está acontecendo?
Não o olho. Não o respondo. Ele está desconfiado. Ele está desconfiado. Ele está desconfiado. Ele
– Eu sei que você está escondendo alguma coisa, Juliette. — Ainda não olho para ele. Não posso. Não posso. Ouço um movimento e ele se ajoelha, entrando no meu campo de visão. Implorando no meu campo de visão. — Por favor, amor. Estou tão preocupado. Estou imaginando coisas horríveis e por favor, nada será pior do que ficar nesse sofrimento, nada será pior do que ficar nessa agonia então por favor, Juliette, por favor.
Apoio minha cabeça nas mãos. Por que é tão difícil abrir minha boca e pronunciar as palavras que ele quer ouvir?
– Juliette. Juliette. Juliette. Juliette. Juliette. Por favor. Suas emoções estão tão intensas. Eu não entendo. — Ele se inclina para frente e para trás e para frente e para trás, repetindo meu nome, dizendo — Juliette. Juliette. Juliette. Juliette.
– Aaron Warner Anderson, pare com isso agora. Pare que eu te digo.
Ele para. Olha-me. E espera.
Espera
Espera
Espera
Espera
Espera
– Juliette!
– Ok! Estou grávida! — Grito, tampando os olhos, não querendo ver o efeito que minhas palavras causaram nele.
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