Floresça-me
13 13
Se eu soubesse que um pedido de casamento surtiria este efeito em Aaron, teria falado sobre o casamento há muito tempo.
Ele praticamente me carregou até seu quarto. Chegando na cama, ele se senta e me puxa para seu colo. Passo minhas pernas por sua cintura e respiro seu perfume, sua essência. Deixo-a penetrar meus pulmões, minha corrente sanguínea, meu coração. Aaron passa as pontas dos dedos pela base de minha camiseta, causando tantos calafrios que meu corpo treme violentamente, parecendo convulsionar com os toques de Aaron. Ele começa a levantar minha camiseta, nunca deixando de tocar minha pele; suas mãos passam por minha cintura, minhas costelas, pela costura de meu sutiã e pela curva dos meus seios. Parando um pouco abaixo de minhas axilas, Aaron puxa a camiseta sob meus ombros, minha cabeça. E joga-a no chão.
Cada movimento prolongado é bom, bom o suficiente para se tornar uma tortura também. Seus dedos tracejam desenhos e escrituras sobre meu corpo, fazendo de mim uma matéria prima, tornando-me uma obra em seus dedos delicados e fortes e talentosos.
Aaron morde levemente meu queixo e meu maxilar, e levo minhas mãos até seu cabelo, querendo acesso à sua boca. Aaron arrasta uma de suas mãos até meu pescoço e puxa meu cabelo para trás, ganhando espaço para meu pescoço. Gemo baixinho, ainda sedenta por seus lábios, sua boca. Ele ri levemente, e diz — Você terá muito tempo para fazer o que quiser comigo, amor. Até que a morte nos separe. Mas esta noite... esta noite vou fazer o que eu quiser com você.
Arrepio-me novamente, suas palavras causando pequenos terremotos em mim. E sorrio. Porque, neste momento, eu não poderia querer outra coisa.
Deixo-me levar por suas mãos. Mãos que acariciam e tiram cada peça de minha roupa, mãos que tocam cada espaço disponível e não disponíveis, pedaços intransponíveis onde apenas ele pôde alcançar, pedaços onde apenas ele poderá alcançar. Para sempre.
Quando Aaron finalmente tira minha calcinha e me penetra lentamente, centímetro por centímetro, sinto que a eternidade, o infinito e o ilimitado e o desmensurável e o imortal e o infindável e o perpétuo nunca chegarão aos nossos pés. Nosso amor é maior que todos estes sinônimos juntos.
Éramos poeira de estrelas e retornaremos a ser. Porém, nosso amor continuará pelo universo, pelo espaço e tempo contínuo, unindo-nos de modo único. Carregaremos cada partícula dele pelas galáxias. Por todos os planetas e meteoros e luas e pelos anéis de saturno. Pelos asteróides e por cada estrela morta, por cada final, por cada começo. Nosso amor sobreviverá muito além da morte. E, um dia, quando um pouco desta poeira virar novamente um ser, nosso amor reviverá.
Até que a morte nos separe é insuficiente para nós.
*~*~*~*
– Amor, está na hora.
Abro apenas um olho, sentindo a claridade cegar-me. Gemo e cubro minha cabeça, querendo dormir mais um pouco.
– Ah não, amor. Temos coisas muito importantes para fazer hoje.
– E por que dormir não está entre elas? — Digo, ainda coberta.
– Vamos, Juliette. — Aaron insiste. Quando ele percebe que não irei a lugar nenhum, ele adota outra tática. Cócegas.
De todas as lembranças de minha vida, lembro-me de ver as crianças fazendo cócegas umas nas outras. Os pais também faziam em seus filhos. Lembro-me de ouvir as deliciosas risadas e pensar em como seria aquela sensação que parecia desesperadora e tão maravilhosa.
E agora, após tantos anos, estou aqui, sentindo as cócegas em minha barriga. E gargalho. Rio tanto que me falta ar, me dói a barriga e lágrimas de contentamento saem dos meus olhos. Grito ai meu deus! e por favor, para! e eu saio, eu saio da cama. Estou rindo e gritando tanto que já sinto os protestos de minha garganta. Não consigo parar de me mexer, tentando sair das mãos de Aaron. E quando ele para, luto para encher meus pulmões de ar e acalmar minha respiração. Ainda sorrio levemente, sentindo o prazer de rir tão exaustivamente.
Aaron sorri largamente. Seus olhos esmeraldas brilham vividamente, e uma mecha de seu cabelo loiro cai em sua testa. Ainda ofegante, levo minha mão até seu cabelo e arrumo-o. Aaron inclina sua cabeça em direção a minha mão e fecha os olhos, ainda sorrindo. E sei que, de algum modo, me apaixonei mais uma vez por ele. E sei que me apaixonarei ainda mais.
Beijo levemente seus lábios e ele abre os olhos. Ficamos nos olhando fixamente por uns minutos, apenas apreciando a presença um do outro, apenas dispersos e perdidos em nossos olhares. Olhares que dizem tanto sobre ele, sobre mim. Sobre nós. Como peças de quebra cabeça que se encaixam e então formam aquela tão esperada imagem, que completam o objetivo inicial. O objetivo de pegar as pequenas partes e encaixá-las. Completá-las.
Eu e Aaron somos aquelas pequenas partes. E juntos, agora, somos completos.
– E então, Aaron — digo, suspirando. Meus olhos não deixam os dele. Meus olhos não deixarão nunca os dele. — O que temos de fazer que é tão importante?
Aaron suspira. — Temos que fazer o menos importante primeiro.
– O menos importante? E o que é?
– Temos que avisar ao povo sobre as mudanças. E que candidatos à presidência têm de ser anunciados.
Olho-o abismada. — Isto é o menos importante? E o que é mais importante que isso?
– Nossa filha. — ele diz, sorrindo. — As gêmeas conseguiram os aparelhos para o ultrassom.
*~*~*~*
Aaron convocou uma assembléia, mas com os moradores e civis do setor desta vez.
A notícia sobre a república foi bem aceita. Houve comemorações e aplausos. Aaron também lhes disse que qualquer um poderá concorrer à presidência. Haverá um encarregado na base que anotará o nome e as propostas de cada candidato. Uma pequena fila se formou na hora, e Aaron se juntou a mim para observar.
Ficamos em um canto, olhando para a felicidade patente dos cidadãos. É ótimo vê-los realizados e com uma nova perspectiva.
Vemos Castle na fila para inscrição. Após se inscrever, ele vem até nós.
– O senhor tentará a presidência? — Pergunto-lhe, curiosa.
– Sim, senhorita Ferrars. Creio que posso ajudar a todos. Auxiliar aqueles com e sem dons.
– E como pretende ajudar? — Aaron questiona.
– Ambos precisam de melhorias. Darei condições para novos trabalhos e profissões, focando na educação e no meio ambiente. Temos muito a melhorar, e sinto saudades do sol. — Castle diz, suspirando. — As escolas estarão disponíveis para todos os que as solicitarem, mas haverá um lugar para ajudar aqueles com dons. Um lugar onde todos serão aceitos. Onde seus dons serão estudados e avaliados, para melhorar aquilo que desejam aprimorar.
– O Ponto Ômega– sussurro, em choque.
– Sim, o Ponto Ômega. Lá estudaremos porquê somos mudados geneticamente. Entenderemos porque somos assim, e em quê poderemos ajudar. Imagine um hospital onde há pelo menos duas pessoas com dons de cura. Imagine nossa segurança com mentes como a de Alia e de Winston. Pretendo integrar os cidadãos conosco. Penso que só assim chegaremos à uma sociedade razoável.
– Será que eles aceitarão seus planos, Castle? Eles nos acham abominações. Estranhos. Fui parar em um hospício pela incompreensão deles.
– Bem, veja-os agora, senhorita Ferrars. Você mudou as coisas por aqui. Eles não te temem mais. Eles admiram você. — Ele diz, apontando para as pessoas que passam a nossa volta. Algumas sorriem, outras apenas acenam com a cabeça. Mas não vejo incompreensão em seus olhos. Vejo respeito. — Não sei se meus planos serão aceitos. Mas sei que farei o meu melhor.
Aaron olha para Castle. Sorri. Diz — O meu voto o senhor já garantiu, Castle.
Castle sorri. Olha para nós dois. — Vocês cresceram juntos. E fizeram tanto. Orgulho-me por vocês. — Ele pausa, frisando o momento. — Bem, agora tenho que ir. Cuidem-se. — Ele dá alguns passos mas se vira, parecendo se lembrar de algo — Ah, as gêmeas estão procurando por vocês. Elas já estão aqui na base. Na academia, creio.
Nos despedimos de Castle e caminhamos em direção a academia. As gêmeas estão lá. Elas me guiam até uma cama hospitalar e me pedem para deitar. Deito e subo minha camiseta, deixando minha barriga — um pouco maior do que o normal — visível.
Sonya passa um gel gelado um pouco abaixo do meu umbigo, e Sara traz o aparelho até minha barriga. Ela o desliza pelo gel, fazendo uma pequena pressão. Olho para a pequena tv, tentando enxergar naquela escuridão onde meu filho está. Não pisco nem me movo, com medo de não conseguir vê-lo.
Após um momento que pareceu uma eternidade, Sara exclama um aqui está! e aponta para a tv. E vejo-o. E ah, é tão pequeno. Seguro a mão de Aaron, emocionada. Aquilo é, sem dúvida, a melhor coisa que já fizemos juntos. Nosso filho.
Contenho algumas lágrimas que tentam escorrer dos meus olhos. Sua cabecinha e seu corpinho aparecem na tv, e saber que ele está realmente aqui, realmente aqui na minha barriga é inacreditável. Sonya mexe um pouco nos aparelhos, e ouço um tum tum tum tum sair rápido da caixa de som.
– Isso é... — Aaron começa a dizer. Sua voz está embargada. Seus olhos estão cheios de lágrimas.
– Sim, — responde Sara — este é o coração batendo. O bebê está saudável e em ótimas condições. — Ela diz, sorrindo.
Aaron funga um pouco antes de perguntar — E o sexo?
Sonya e Sara sorriem juntas desta vez, olhando para nós dois. Olho para elas e em seguida para Aaron. Seus olhos estão maravilhados, e seu sorriso mostra o quão feliz ele está. Sinto que ele será igual àqueles pais abobalhados que são completamente apaixonados por seus filhos. Aqueles que sorriem por cada pequena coisa que os pequenos fazem. Que sorriem por eles piscarem e respirarem. Aqueles que são felizes por ter uma criança para chamar de sua. Que se orgulham por tudo e se desesperam por nada. Aaron será este tipo de pai. E será perfeito, como todo o resto.
Sonya respira fundo e prende o ar quando responde — Sinto muito, Juliette, mas Kenji e Warner estavam certos. É uma garotinha.
Fale com o autor