Flor de Lótus
1 Prólogo
Notas iniciais
Water: Acompanhando a Chappy e muitas outras pessoas, (tipo você, prezado(a) leitor), também tenho uma paixão incurável por HitsuKarim o que resulta em muitas divagações, ideias e fics... Assim como essa pérola que vão ler, colab minha com a MrsChappy, que está sendo extremamente divertido e prazeroso escrever! Realização dos meus SONHOS! Chappy é minha diva, sério. Deixo aqui com vocês um pedaço da minha criatividade e coração, nossa Flor de Lótus!
“Eu odeio pessoas que mentem para si mesmas.”
— Naruto Uzumaki.
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O Sol espreitava através das nuvens, e mesmo assim, o tempo continuava gélido. O vapor escapava pelos lábios de Karin – levemente prejudicados pelo frio – e erguia-se como fumaça por seu campo de visão.
As íris cor de nanquim estavam grudadas na irmã, que brincava com um cachorro alheio perto do lago onde estavam fazendo um piquenique. Yuzu notoriamente se divertia mais com o canino do que o oposto, e isso era até engraçado.
— Sua irmã é muito jovial, Karin-chan. — A voz meio rouca vide tempo se pronunciou ao seu lado, atraindo sua atenção.
Haru-baa-chan estava enclausurada por casacos grossos e pesados, mas mesmos assim tremia. Pelo frio e por fraqueza, Karin notou, devido sua avançada idade. Estava ficando mais fraca a cada dia, como uma flor que murchava devido ao tempo.
Aquilo lhe preocupava. Sua grande amiga e avó postiça estava com os dias contados. Até mesmo sua pressão espiritual estava ficando mais debilitada. Seu coração doía por isso, e sabia que a senhora precisava encontrar o descanso que tanto merecia.
— Ela me lembra você e o Hitsugaya-kun quando vinham me visitar! — Haru riu baixinho, se lembrando da dupla dinâmica e nada convencional que ambos formavam, sem notar que sua amiga de cabelos negros desmanchara o semblante suave que carregava.
O interior de Karin ardeu em chamas ao lembrar-se daqueles dias. Uma tristeza inigualável misturada com ira ardente dominou seu coração estraçalhado por seus sentimentos. Shinigami desgraçado! Ela não ligava que ele havia quebrado seu coração. Não mesmo. Mas prometera visitar a vovó! Ele havia mentido, e Karin odiava mentiras. Sua mãe lhe ensinara jamais mentir, essa sempre fora uma de suas qualidades: sua brutal honestidade.
Ela desviou seu olhar para o céu parcialmente limpo naquela tarde. A última vez em que vira o capitão, tinha nove anos. Gostava da companhia do baixinho desde que o conhecera, ele fazia seu coração acelerar – embora não soubesse o que aquilo significava, na época. Ele prometera para ela e para Haru que voltaria.
Atualmente, ela tinha dezesseis anos e Haru estava à beira da morte.
Se ela tinha consciência da Guerra? É claro! Seu irmão desaparecera junto de seu pai por um bom tempo, antes de voltarem completamente feridos e vitoriosos para casa. Bem, seu pai voltou definitivamente, já seu irmão voltou para a Seireitei para assumir o Nono Bantai. Contudo, isto não significava que seu irmão evaporara no ar como certo albino. Ichigo visitava sua família numa base frequente.
Então por que raios Toushirou descumprira a promessa de voltar para visitar suas amigas humanas?!
Suspirou e se jogou na grama do parque, desistindo de tentar entender o garoto que – embora negasse – havia se apaixonado. Se ao menos pudesse dizer a ele sobre Haru-baa-chan...
— Karin-chan, onde está sua irmã? — A voz da mulher mais velha despertou Karin de seu torpor.
A Kurosaki se pôs de pé rapidamente, esquadrinhando o parque já semi vazio. Nem o cachorro, nem Yuzu estavam à vista. O único resquício deles era o pequeno garotinho dono do cachorro, que chorava baixinho.
Correu até o garoto, esquecendo-se de sua velha avó preocupada e do Shinigami que dominava seus sonhos e coração. Sentiu-se meio fraca devido à falta de sua irmã. Se algo acontecesse com Yuzu...
— Oe, garoto, — pôs a mão no ombro do garotinho, se abaixando até ficar na altura dele. — Cadê a Nee-san que estava com o cachorrinho aqui?
O garotinho – que possuía olhos cor de mel e cabelos chocolate – apontou para algo atrás de Karin, tremendo e tentando parar de chorar, embora estivesse bem perturbado.
Virou-se, trêmula e desesperada, para o lago. Não pensou duas vezes antes de se atirar nas águas gélidas. Só então lembrou-se que devido ao inverno, o lago estava a alguns graus negativos a mais do que o corpo humano poderia suportar, além de ser absurdamente escuro e perigoso, devido aos peixes um tanto quanto selvagens ali.
Sentiu o choque térmico adormecer seus nervos, além das agulhadas frequentes causadas pela água. Há quanto Yuzu estaria ali? Onde poderia estar?
Sua visão – geralmente perfeita – não lhe era útil em meio às águas escuras do lago. Os pulmões ardiam como se ela tivesse inalado cianeto. Sua mão brandia sem rumo em meio as águas, esbarrando em superfícies escamosas e em pedrinhas afiadas que, vez ou outra, lhe abriam cortes que eram esquecidos e muito menos sentidos.
Sua consciência estava a falhar, seu medo estava a tirar sua razão e seus pulmões estavam aguentando o máximo que podiam. Mas Yuzu estava lá há mais tempo, talvez inconsciente... Ou pior.
Seus dedos perderam a sensibilidade e ela não sentiu mais os pés. Seu avanço sendo diminuído drasticamente.
Iria congelar e morrer afogada naquele lago.
— Karin... — Uma voz suave lhe chamou do fundo de sua mente. — Karin...
“Quem é você?”, a Kurosaki perguntou mentalmente, enquanto sentia alguns peixes roçarem-lhe o corpo débil.
— Vossa salvação criança…
Era um tanto irônico falar de salvação naquelas circunstâncias.
“Por que haveria de acreditar nisso?”, se seu corpo não estivesse enrijecido pelo frio, talvez teria rido sarcástica.
— Sem minha ajuda, você e a sua irmã morrerão. Não tem alternativa, precisa confiar em mim.
“Yuzu…”, sim, por ela estava disposta a confiar num desconhecido, “…o que devo fazer?”.
— Pronuncie meu nome, e cesse sua luta contra mim. Água não nos pode ferir.
— Toyotama… salve a Yuzu.
Deixou de sentir frio, um fenômeno bizarro. Talvez tivesse morrido, ou acostumara-se com a temperatura? Não, isso seria impossível. A corrente não a arrastava mais, era como se flutuasse. Karin cogitou em nadar, seu corpo estava quente de novo, era uma boa oportunidade.
No entanto, a voz fora rigorosa com as suas condições. Ela teria de confiar. Obrigou-se a esconder seu orgulho, permitindo que a densa e escura água infiltrasse seus sentidos. Instintivamente, quase debateu-se ao sentir a falta de oxigênio em seus pulmões.
— Obrigado Karin, por ter confiado em mim. Volte para terra firme, voltaremos a encontrar-nos. — As íris ônix esbugalharam-se quando avistaram um dragão negro rodeá-la com sua cauda. Como ela não o tinha visto antes?
Claro, a água ajudara-o a camuflar-se. Porém, não tivera a chance de o questionar, da mesma forma que o vira, ele desaparecera. Seria uma alucinação?
O frio cortante retomou com seus ataques, fazendo com que Karin ignorasse — por enquanto- aquele incidente, nadando rumo à superfície. Apoiou-se no relvado húmido, tossindo.
— Karin-chan! — Yuzu correu em direção da irmã, visivelmente angustiada pelo seu estado. Notou que a irmã gêmea usava um casaco grosso em seus ombros, protegendo-a do frio. Assim como ela, estava completamente encharcada.
— Yuzu, você está bem?
— Sim. Não sei bem o que aconteceu, estava brincando com o cachorrinho junto do rio, quando escorreguei… Depois disso. só lembro de ter acordado no mesmo lugar que caí, com ele lambendo meu rosto.
Yuzu revelou o cachorro que Karin avistara antes, em seus braços. Ela escondeu o sorriso discreto em seu rosto parcialmente sujo.
“O acordo era salvar apenas a Yuzu. Valeu, Toyotama-san.” Apesar de não ser muito sentimental, ficou afetada quando assistiu o animal pular do abraço de sua irmã, saltitando ao encontro do dono que chorava de felicidade, apertando-o contra seu peito.
Após um encontro tão frontal com a morte, o melhor consolo era o reencontro com quem se amava.
Até quando ela e Haru-baa-chan teriam de esperar? Até quando a avó teria de vencer doenças e adiar a morte, aguardando que Hitsugaya cumprisse sua promessa?
— Karin-chan? — Seu olhar caiu na senhora que lhe estendia um casaco igual ao de Yuzu. — Venham para minha casa, farei um chá para as duas.
— Obrigada, Haru-baa-chan.
O sorriso terno da avó era o mais próximo de materno que encontrava naquele mundo. Provavelmente fosse a sabedoria acumulada de longos anos, ou seu aspecto dócil, mas nunca conhecera alguém tão bondosa e pacífica como Haru.
Karin sabia o quanto ela desejava rever Toushirou antes de seu último suspiro, que queria que fosse ele a enviá-la para a Soul Society.
— Haru-baa-chan, não se preocupe. Com certeza, trarei aquele aluno do ensino fundamental de volta.
Haru não respondeu, no entanto ficou comovida com a determinação que a Kurosaki demonstrava pela sua felicidade. Porém, os olhos da experiência conseguiam enxergar uma razão para além da que era expressada.
A lembrança do capitão, não ofuscou porventura o acontecimento recente. Karin observou mais uma vez o lago, sabendo que não iria encontra-lo ali.
Toyotama... Seja ele quem fosse, sentia, que iria ajudá-la a reencontrar Toushirou.
A água fluía como um sonho, o sonho velho que foi esquecido. Karin não esperaria mais por uma promessa, ela ditaria um ritmo diferente para aquela corrente.
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