Notas iniciais
► cнαρρү ◄ Antes de mais nada, peço mil desculpas por só agora postar o capítulo! Esqueci-me por completo e era a minha vez de actualizar a história! As avaliações tem-me feito esquecer tudo, lamento por isso. Só agora a escrever a data é que do nada me lembrei que já passava do dia 3 e nada de capítulo, #risos. Obrigada a quem comenta, o vosso apoio é incomparável! Espero que gostem e que continuem a gostar da história. Eu e a Sun-chan escrevemos de coração e a nossa melhor recompensa é quando vemos que alguém gosta a história! Domo arigato!

“O amor não se vê com os olhos, mas com o coração.”

— William Shakespeare.

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Era fato irrefutável que a cada mísero ruído, sua cabeça latejante fazia tremer cada parte de seu corpo em sua explosão de dor. Os travesseiros que seus status lhe concedeu ajudavam a amaciar toda a camada de desconforto que lhe acometia o corpo.

Com sua visão periférica, via Toyotama plenamente limpo e embainhado e encostado na parede ao lado de suas roupas já devidamente limpas e reparadas. Em suas mãos, pendia um mangá que pouco lhe prendia a atenção que Ichigo lhe trouxera para distrair-se.

Estava louca para esticar as pernas, mas parecia ser missão impossível. Se tentasse escapar de seu quarto na divisão médica, Byakuya lhe arrastaria de volta para sua cama. Pela vigésima sétima vez.

Falando em seu capitão, o mesmo estava assinando alguns papéis no canto de seu quarto. Embora não houvesse expressado-se verbalmente, estava imensamente grata ao seu superior por ter lhe salvado, cuidado para que ela possuísse o melhor tratamento e lhe dado sua silenciosa companhia enquanto se recuperava.

Ao que parece, quando ela menos esperou, já havia formado laços mais firmes do que o esperado. Deveria ser coisa de Kurosaki.

— Taichou… — Choramingou. — Taichou…

O olhar cinzento de Byakuya moveu-se para si em questionamento. O mesmo estava prestes a trocar de turno com o irmão da morena, iria beber um chá e tomar um banho, depois voltaria para o quarto de sua pupila. O plano original não era este, mas a teimosia da Kurosaki era infindável e ferrenha, e aparentemente apenas ele conseguia mantê-la na cama.

— Capitão, posso ir an-

— Não.

As íris flamejantes de negro da Kurosaki brilharam em fúria, antes da mesma bufar e se afundar no colchão, soltando um muxoxo de frustração.

O coração de Byakuya apertou-se um pouco, sabia o quanto era difícil para Karin manter-se parada quando dentro de seu corpo havia um incrível incêndio ávido para proteger e fortalecer-se. Era eximiamente nobre.

Porém, ficaria muito mais nobre quando a mesma se recuperasse de suas quase letais lesões. Afinal, as cicatrizes que lhe cobriam o corpo não se fecharam plenamente. Ele podia ver o quanto incomodava nela a sensação quando o tecido fino do quimono encostava em alguma das estranhas feridas.

A Kurosaki soltou mais um indiscreto suspiro, tentando alfineta-lo, enquanto penteava suas madeixas cor de nanquim. Secretamente, o Kuchiki pensou em como poderia dar um jeito nos nervos e nos ânimos da pupila… Seria tão mais fácil convencê-la ficar parada se houvesse alguém como a gêmea dela ou Rukia… Talvez sua irmã pudesse entreter Karin com algumas conversas ou demonstrações de sua lendária Sode no Shirayuki…

Foi então que, enquanto levantava-se sob os olhos curiosos da mais nova, Byakuya lembrou-se que ele não era nem de longe o único capitão no quarto bantai.

Seu poder espiritual encontrava-se disperso pelo longo corredor, denso, como um espírito que ambulava, assombrando um edifício abandonado.

— Kurosaki, não pense em mover-se de seu lugar.

— Como assi- Capitão! — Sem voltar-se para a morena, abandonou o compartimento, no entanto, deixou a porta entreaberta.

Karin suspirou entediada, deixando as costas colidirem com o colchão com brusquidão. Quantas semanas fazia desde que estava internada no Quarto Esquadrão? Sabia que seus ferimentos tinham sido profundos, ficou um dia inconsciente. Contudo, já sentia-se bem. Para quê toda aquela vigilância se todos seus machucados estavam cicatrizados?

— Arranjando muitos problemas, Kurosaki? — Toushirou sorria de canto, com a reiatsu agora controlada.

— Toushirou! — A Kurosaki praticamente pulou eufórica. Apesar de não ser propriamente um espanto sua presença, sempre era agradável.

Os anos afastados, a distância e o incumprimento de uma promessa, a cada dia deixava de machucar tanto. Uma lembrança triste que ficava no passado, e não surgia mais para assombrar o presente. Ela via o “aluno do primário” todos os dias, ele sempre vinha ter com ela, sem mesmo pedir algo… e, sempre, preocupado.

Ele nunca desmanchava sua compostura, afinal, ainda era o Capitão Hitsugaya, contudo ela sentia algo diferente em seu olhar quando observava seus ferimentos. Os batimentos cardíacos aceleraram, e suas bochechas ficavam róseas. O carinho com que a tratava era novo, e algo que ela não queria abdicar, por nada.

— Capitão Hitsugaya, Kurosaki! — Evitando começar a sua visita regular ao esquadrão médico aos berros, este limitou-se a uma expressão carrancuda — Por que me chama pelo nome, e ao Kuchiki o trata respeitosamente?

Piscou os olhos ónix uma vez. Duas vezes. Três vezes… E caiu em gargalhadas.

Sua risada o deixou envergonhado, enrugando mais a testa, irritado.

— Do que está rindo?!

— Toushirou, você está com ciúmes do meu capitão! — Engasgando-se com a própria saliva, quase não se entendia o que Karin dizia, rindo sem parar. As lágrimas já molhavam toda a face.

Como se seu corpo tivesse sido empurrado, Hitsugaya recuou bruscamente por instinto, com o rosto tingido de um vermelho extremamente visível. Gaguejava sons, não encontrando nada que pudesse remediar o mal entendido. Desviou o rosto para a paisagem exterior avistada pela janela, ocultando superficialmente seu incómodo.

A Kurosaki gradualmente foi-se acalmando, limpando as lágrimas de seu rosto. Esperou alguns minutos por alguma atitude ou início de diálogo, e por fim, concluiu que o capitão albino não se abriria novamente tão fácil. Alargou o sorriso, travessa, pousando os pés silenciosamente no chão, caminhando na ponta dos dedos. Ao aproximar-se de suas costas, elevou os braços, pronta a assustá-lo com um grito, contudo notou -pela primeira vez- no símbolo em suas costas, detalhadamente.

Nunca cogitou a importância daquele símbolo no haori, ou a exigência do título de quem possuía-o. Sua convivência com o líder de uma das principais famílias de Seireitei, permitiu que sua compreensão ganhasse novos contornos e horizontes. Provavelmente, Toushirou realmente tivesse um motivo para não ter cumprido sua promessa tão rápido como ela esperava. Como humana colegial, era normal pensar que tinha sido tempo demais… No entanto, nem o tempo funcionava para eles de forma igual.

Inspirou fundo e deu um passo largo ficando ao lado do albino, que assustou-se com sua súbita aproximação. No instante, que ela acercou-se de seu ombro, ele escondeu o rosto com as madeixas alvas, uma visão engraçada. Contudo Karin não desmanchou sua feição séria.

— Toushirou, você é meu amigo. Não me importo que seja um capitão, eu sempre o verei como um amigo, não como um cargo.

As íris turquesas buscaram surpresas a Kurosaki, no entanto, ela não retribuiu o gesto. Cerrando as pálpebras, sentindo o olhar penetrado em si, fingiu sentir a brisa suave, ofuscada por seus pensamentos.

Não poderia deixar seu coração ao descoberto. Porque ela sabia, que não era a palavra «amigo» que queria ter usado.