Flor De Lótus

5 Art. 4° — Sempre desconfie de coisas fáceis


Notas iniciais
Oláá gatões e gatonas! Querem nos matar, acertei? UASHSAUHAS Lembrem-se que sem nós não tem fic! u-u O Natal e o Ano Novo foram corridos para nós e mal tivemos tempo de planejar o capítulo, por isso ele demorou. Desculpem-nos! Já terminamos de responder os comentários do Prólogo e em menos tempo do que esperam já teremos respondidos todos, só pedimos um pouco de paciência xP Bem, agora estamos aqui trazendo o quinto capítulo de Flor de Lótus e temos o dever de agradecer as DUAS MARAVILHOSAS RECOMENDAÇÕES! Gente, sério! Amamos vocês ♥ ► Nalu ♥ A começar pelo nick divônico, né? ASUHSUH Sério, foi mágico quando você caracterizou a fic com tantos adjetivos positivos ♥ Leria um livro nosso? Uau! Ficamos muito felizes pois no fundo quem sabe escrevemos algo para publicar? xP Ficamos felizes por ter gostado das personalidades OCC do pessoal. Uma grande incerteza que há para o escritor quando se muda a personalidade é se os leitores irão gostar e continuar identificando ele. ► ErzaScarlet outro nick divônico! A Erza em breve aparecerá também viu? xP (Karollin) Gente que felicidade por tê-la aqui também ♥ Conheça sim os trabalhos da Luz, porque assim como os meus, eles também são ótimos! USHAUSH Um bom e velho romance policial nunca é demais, não é? ♥ Lindo~es e lindonas, o capítulo de hoje é dedicado a essas meninas maravilhosas. Boa leitura, nos vemos nas notas finais! ♥

Gajeel Redfox – Las Vegas, Spring Valley Hospital – 21:02

Levantei o zíper da minha calça jeans azul com certa dificuldade por causa do volume que, embora decrescente, ainda gerava desequilíbrio no espaço entre o tecido e meus quadris. Algumas correntes espasmódicas percorriam minhas pernas, deixando-me meramente desequilibrado.

Fiquei observando a mulher limpar o canto de sua boca com uma gaze branca que encontrara no meio de alguns equipamentos médicos no quarto em que estávamos. Ela tinha os cabelos curtos, agora bagunçados, e tenho certeza que o couro cabeludo sob aqueles fios castanhos estava deveras dolorido, tendo em vista a intensidade com que puxei seus cabelos enquanto me satisfazia.

Não consegui ler o nome escrito no crachá que carregava sua foto, e na verdade nem me importei, pois um dos meus maiores fetiches sexuais eram enfermeiras sedentas por uma aventura durante seu expediente. Ela ainda estava ajoelhada no chão quando sai da sala, sem esquecer-me de colocar meu número de telefone em cima de uma bandeja hospitalar vazia, para que ela repetisse a dose caso quisesse – e eu tinha certeza de que ela iria querer.

Sinceramente não entendo por que hospitais têm que ser tão iluminados e brancos, chega a me dar nos nervos. Mesmo assim aventurei-me pelos corredores com cheiros que intercalavam entre éter, álcool, desinfetante e urina. Mas se o meu trabalho me mandava comparecer a esse tipo de estabelecimento para visitar meu parceiro idiota, então, que assim fosse.

Cheguei em frente a porta de seu quarto particular – benefício por se ser um bom investigador criminal e ter levado um tiro em serviço – e entrei sem bater, pois se ele já estivesse morto eu ficaria ali parado, perdendo meu precioso tempo, a toa! Certo, assim que fechei a porta atrás de mim notei que morto ele não estava, mas não me parecia tão vivo assim. Era algo parecido com a cria bulímica de um zumbi com cavalo marinho.

— Nossa, você esta péssimo! — falei em tom de brincadeira, mas era verdade.

— Obrigado por me lembrar, amigo. — Seu tom era sarcástico. — Onde você estava?

Acho que ele não gostaria de saber que eu estava comendo uma enfermeira que poderia, hora ou outra, dar remédios na boca dele.

— Comendo — limitei-me a dizer. E isso, tecnicamente, não era mentira.

Coloquei a pasta que segurava com a mão direita sobre uma poltrona de visitas ironicamente branca. Odeio. Essa. Cor. Que fique constado! E depois me aproximei do leito onde ele estava se recuperando. Havia uma mesinha com algumas flores vermelhas sobre ela, e em um bilhete que pendia amarrado em uma das folhas, reluzia o nome do Mestre Makarov. Como se fosse ele quem tivesse escrito aquilo. Besteira!

Havia também uma boa televisão acoplada à parede, mas estava desligada. Ao fundo encontrei outra porta encostada, onde deveria ser o banheiro. E o resto era como qualquer lugar que já descrevi de um hospital: branco e com cheiro de éter.

— E ai, quem te obrigou a vir aqui? — Natsu perguntou.

Emiti meu sorriso mais cafajeste. Esse filho da puta me conhece mesmo.

— Makarov. Você já esta internado há dois dias. É mais descanso do que já tivemos em um mês inteiro. Hora de voltar ao trabalho.

— Por mim eu já estaria bem longe desse lugar. Detesto comida de hospital, tem gosto de xarope. Mas fala de uma vez o é que de tão importante que não podia esperar.

— Primeiro tenho que lhe mostrar uma coisa. — Peguei a pasta sobre a poltrona e retirei um pequeno saco plástico transparente, que continha uma folha amassada dentro. Depois comecei a ler o que estava escrito. — “Caro investigador Natsu, odeio dever favores, principalmente para policiais. Então para sanar minha divida por você ter salvado a minha vida, chamei o resgate. Agora estamos quites. Atenciosamente, FDL.”

Ele apenas esticou a mão para pegar a carta. Eu hesitei por um momento, não queria ter que explicar o porquê das letras vermelhas, mas entreguei em seguida. Por alguns segundos observei enquanto seus olhos passeavam seriamente pelo papel e deduzi que ele já devia ter entendido.

— Isso é sangue? — ele perguntou.

— Seu sangue. Parece que a mulher que você salvou era integrante da Flor de Lótus. A engraçadinha usou seu sangue para escrever esse bilhete. E, só para você saber, havia canetas naquela cabana.

— Típico! — ele exclamou com raiva, devolvendo-me o papel.

— Você deveria ficar feliz. Graças a essa sua missão suicida nós conseguimos tantas pistas quanto jamais antes. Coletamos amostras do sangue dela que estava esparramado no chão e também alguns fios de cabelo.

— Cabelos loiros? — A expressão dele me pareceu mais curiosa que o normal, mas apenas ignorei.

— Sim, loiros, não que isso seja relevante. Tem alguma coisa muito estranha acontecendo e eu ainda não sei o que é. Vasculhamos cada centímetro daquele casebre, mas não encontramos nenhuma pista que respondesse o motivo de ela estar capturada. E o grandalhão que você nocauteou esta se recusando a confessar qualquer coisa — suspirei e sentei-me ao lado da pasta. — É um pouco frustrante, não? Nós passamos anos tentando capturar ao menos uma delas, e quando alguém consegue, é um de nós que a salva. Parece piada.

Retirei um cigarro do maço que estava escondido no meu casaco de couro preto e comecei a entrelaçá-lo nos dedos. Apesar da vontade imensurável de fumar, eu sabia que era proibido. Coisa de hospital.

— Eu acho — Natsu murmurou — que eles estavam em busca de pistas sobre o Projeto Lótus. De alguma forma, parecia que aquele cara, o torturador, achava que ela sabia de alguma coisa.

O Projeto Lótus. Um caso muito antigo, o qual eu pouco havia ouvido falar. Todos os rumores eram horrendos, envolvendo sequestros e experiências químicas em seres humanos. Além disso, todos os Departamentos sabiam o quanto Natsu era obcecado em trabalhar nesse caso, que já estava arquivado há anos.

— Espera, você esta dizendo que pode existir alguma ligação entre o Projeto Lótus, de vinte anos atrás, com as criminosas da Flor de Lótus? Olha, não me leve a mal, mas a perda de sangue deve ter afetado o seu cérebro. Olha para você, esta parecendo um vampiro em jejum, de tão branco.

— Eu sei que parece loucura Gejeel. — Ele esmurrou o colchão, tentando organizar os pensamentos. — Eu já enviei meu relatório com os detalhes de tudo o que eu vi e ouvi, e tenho quase certeza de que existe uma ligação sim...

Antes que eu pudesse falar mais uma vez sobre como aquilo soava absurdo, ouvimos a maldita porta branca do quarto se abrir, e a coisa que eu mais detesto antes da cor branca entrou por ela: Gray, usando seu tradicional sobretudo marrom, nas mãos uma pasta semelhante a minha e os cabelos mal penteados.

— Nossa, você esta péssimo — ele falou olhando para o Natsu. Eu ri. — Se eu soubesse que você estava tão engraçado teria vindo antes. Não, espera! — Gray retirou seu aparelho celular do bolso do casaco e apontou para Natsu, um tempo depois ouviu-se um barulho de clique. O desgraçado tirou uma foto. Por que eu não pensei nisso?

— Veio aqui só para zombar da minha cara Gray? — Natsu perguntou entre dentes.

— Pode parecer estranho, mas não. Digo, metade de mim veio com o intuito de me engrandecer com uma imagem deplorável sua. Mas a outra metade veio a trabalho. Tenho noticias interessantes sobre o cara que você matou na cabana.

Eu e Natsu apenas ficamos encarando ele, esperando que desse continuidade ao assunto. Gray olhou apreensivamente para a pasta que segurava.

— Já devem ter ouvido falar sobre O Oposto? — perguntou.

Um sentimento nostálgico tomou conta de mim. Há muito tempo não ouvia falar nesse nome. Tratava-se de uma alcunha designada a uma dupla formada pela policial Erza Scarlet, e seu parceiro Jellal Fernandez. Até onde eu sabia, ele era um criminoso que aceitou um acordo com os Órgãos de Investigação Confidencial, que estabeleceram que em troca de sua liberdade ele teria que trabalhar para a policia, como companheiro de Erza, enquanto colaborava com algum caso que nunca foi divulgado. Mas não parecia algo tão ruim, pois, segundo rumores, os dois tinham um envolvimento romântico e perigoso.

Olhei para Natsu e ele concordava com a cabeça, indicando que também sabia a respeito do Oposto, então fiz o mesmo, esperando que Gray prosseguisse.

— Os dois estão na cidade — ele falou calmante.

— O QUÊ? — eu e Natsu gritamos. E Gray suspirou entediado.

Poucas pessoas tinham a chance de ver Gray sem sua costumeira feição de irresponsabilidade. Quando estava sério com algum assunto, era sempre fácil de perceber. Seus olhos tomavam uma delineação severa e analítica. Ele abriu a pasta que segurava, revelando apenas um papel dentro, contendo a foto de um homem com cabelos azuis e uma tatuagem tribal vermelha que ocupava parte de seu rosto. Abaixo havia algumas poucas informações, como nome – Jellal Fernandez – idade de vinte e cinco anos, tipo sanguíneo e um número semelhante a uma sequencia decodificadora. Olhei para Gray, esperando sua explicação.

— Isso é tudo o que eu podia registrar em papel, seria arriscado prescrever os detalhes, pois poderiam cair em mãos erradas. Esse é o numero de série de identificação de Jellal. Todo individuo protegido pelo sistema de policia de Las Vegas, independente do motivo, recebe um desse para substituir seu nome...

— Fala de uma vez que merda esta acontecendo Gray! — Natsu esbravejou impaciente, e eu quase fiz o mesmo.

Porém a porta do quarto se abriu e de lá chegou uma enfermeira. Respirei aliviado por não ser a mesma com quem eu havia estado há alguns minutos. Essa tinha o cabelo ruivo com cachos mínimos, todo repuxado para trás em um coque lustroso de gel.

Meus instintos masculinos fizeram-me analisá-la rapidamente. O corpo tinha duas curvas simétricas e perfeitas na cintura que infelizmente estava escondida debaixo de um jaleco branco. Um crachá pendia acima do seio e embora não tenha conseguido ler o nome grafado, pude perceber sua fotografia com o mesmo penteado que usava. O par de sapatos de salto preto que usava nos pés não parecia participar do mesmo contexto da roupa de trabalho branca. Ela ficou alguns minutos parada diante da porta. Parecia surpresa por ver-nos ali. Seus olhos gatunos percorreram a sala e depois de um longo silêncio ela se pronunciou com a voz aveludada, característica de enfermeiras e outros profissionais da saúde.

— Receio informar-lhes que não estamos em horário de visitas. Vocês não podem estar aqui. O paciente precisa de cuidados médicos agora.

Hospitais e suas burocracias babacas. Fiquei ali imóvel enquanto Gray exibia seu distintivo, explicando que estávamos em serviço. Ela franziu o cenho e depois deixou uma risada engraçada escapar.

— Não havia nenhuma informação no sistema sobre isso. Sinto muito. Esse tipo de exceção policial só é permitida quando o departamento em questão anuncia para os superiores. Terei que chamar os seguranças.

Ela virou-se para sair do quarto, sorrindo profissionalmente, mas Gray colocou-se na frente.

— Isso seria tão trágico. Imagino que uma enfermeira tão linda como você poderia aliviar nossa barra caso quisesse. — Espera, ele estava realmente dando em cima dela? Tive que rir.

— Bem, caso eu quisesse, sim. Mas esse não é o caso. — Ri ainda mais alto enquanto nós três a encarávamos com orelhas de cachorros pidões.

A enfermeira coçou os cabelos alaranjados pensativamente. Ela mordeu o lábio inferior com força, parecia indecisa. Senti um pouco de dó, afinal aquele era o trabalho dela. Aos poucos percebi sua feição transformar-se para algo mais complacente.

— Tudo bem — disse ela com um suspiro de derrota —, mas terei que recolher seus pertences. Armas não são permitidas dentro do hospital e nenhum tipo de objeto não esterilizado. Deixarei tudo na recepção. Sinto muito — falou baixinho, num sussurro envergonhado. É por isso que adoro enfermeiras.

Rapidamente lhe entregamos tudo: as armas, chaves, documentos e pastas. Notei que Gray escondera alguma coisa pequena na palma da mão. Ela deu uma olhada nos aparelhos barulhentos de onde tubos saiam para alcançar a pele de Natsu, depois saiu, murmurando que nos concederia trinta minutos no máximo.

— Antes de qualquer coisa — Gray falou sem perder tempo, assim que ela desapareceu porta afora —, saibam que o que lhes contarei agora é extremamente confidencial até mesmo para nós. Ninguém sabe que descobri isso, e ninguém pode saber. O caso que concedeu proteção a testemunha ao criminoso Jellal Fernandez, era o Projeto Lótus. Ninguém além da dupla, do mestre Makarov e alguns poucos líderes, sabiam sobre isso. Parece que ele trabalhou dentro do Projeto quando ele estava perto do fim, mas por muito pouco tempo, pois ele era muito jovem ainda. Mesmo assim, antes de ir embora, carregou consigo alguns papéis. Mas esses documentos foram roubados há um mês. E o ladrão era o homem que você matou naquela casa no meio do deserto Natsu.

— Puta merda — murmurei com a complexidade irônica daquele enlace.

— Suponho que o chefe Makarov, mesmo assim, não nos tenha permitido integrar o núcleo dessa investigação. Como conseguiu essas informações? — perguntou Natsu direcionado a Gray.

— Você esta certo, ele nos deixou de fora do caso. Disse que nossa única preocupação deve ser com as meninas da Flor de Lótus. Aquele relatório que você enviou, relatando uma possível relação entre elas e o Projeto, jamais chegou às mãos dele.

— Como assim? — questionei, cruzando os braços.

— Mirajanne entregou o depoimento do Natsu para mim primeiro, e eu deveria entregar ao Mestre, junto com os dados periciais da cabana onde o encontramos. Eu li os documentos e não acreditei, fiquei perplexo, quer dizer, uma linha tão frágil interligando os dois maiores casos da história de investigação policial em Las Vegas? Parecia brincadeira, mas o pior era que fazia sentido.

Gray interrompeu a si mesmo, suas mãos remexiam alguma coisa dentro do bolso e de lá ele retirou um pendrive azul marinho, para só então continuar.

— Eu fui até a sala do mestre, contar tudo o que havíamos descoberto. Quando cheguei, a sala estava vazia, então sentei para esperar. A luz vermelha da caixa de mensagens da secretária eletrônica estava piscando e me irritando, então eu a apertei, imaginando que seria apenas algum aviso burocrático da Mirajanne. Mas estava enganado. Uma voz masculina, um pouco grave e baixa, falou, exatamente com essas palavras: o Oposto está na cidade, enviamos algumas informações para o seu e-mail. Eu fiquei paralisado. Todo o mundo sabe que quando se trata do Oposto, é encrenca na certa. O Makarov devia estar quase voltando, talvez tivesse ido apenas ao banheiro, pois uma xícara fumegante de chá de hortelã intocada estava sobre sua mesa, apenas aguardando o seu retorno. Impensadamente corri até seu laptop, entreaberto frente à cadeira dele, e abri, navegando para a página de e-mail, que estava conectada.

Não era difícil imaginar Gray fazendo esse tipo de coisa. Afinal, não era a toa que ele estava confinado ao Terceiro Departamento, justamente onde o Mestre residia a maior parte do tempo. Sua lista de ações irresponsáveis era longa. Mesmo assim ele jamais renunciou a nenhuma de suas irresponsabilidades, alegando sempre fazer aquilo que achava necessário, independente de o que o resto do mundo pensasse. Dessa vez, entretanto, eu não conseguia compreender como acessar informações confidenciais do e-mail do nosso patrão era algo consideravelmente bom. Então preferi esperar que terminasse a explicação... Ou confissão, tanto faz.

— Salvei os dados dentro desse pendrive, pois receei não ter tempo suficiente para ler todo o conteúdo do e-mail. Não queria ser pego em flagrante, óbvio. Então sai de lá, sem falar nada para ninguém sobre nossas suspeitas relacionando as Flores de Lótus com o Projeto Lótus. Quando cheguei a minha casa e vi o conteúdo, descobri aquilo que lhes contei no inicio, sobre Jellal Fernandez e o roubo.

Olhei de soslaio para Natsu, tentando decifrar a incógnita que era sua feição. Não obtive êxito, já que nem mesmo eu consiga definir o que achar daquilo tudo. Sempre soube que Gray era um maldito impulsivo, mas furtar dados confidenciais era crime!

Entretanto, independente da definição que recebia a atitude de Gray, os dois começaram a se encarar. Sabe quando você tem aquela sensação de que uma pessoa está conversando com a outra por meio de expressões faciais repletas de significados, mas você não consegue entender e se sente completamente fora do assunto? Tipo quando você chega numa balada e quer pegar uma menina e ela fica trocando aqueles olhares irritantes com as amiguinhas e você fica em dúvida se elas estão encorajando-a ou mandando cair fora? Era mais ou menos isso que estava acontecendo. Natsu encarava Gray, Gray encarava Natsu, eu encarava os dois, mas ninguém me encarava. Então depois de alguns segundos eu interrompi.

— Desculpe atrapalhar esse lance de vocês dois, sabe, a troca de olhares, essa química e tudo o mais. Mas gostaria muito de entender o que esta acontecendo. Por que para mim isso parece loucura!

— Se os grandões descobrirem nossas suspeitas, nós estaremos fora do caso. Pois qualquer um que descubra alguma coisa sobre o Projeto Lótus, de vinte anos atrás, sempre é recolhido em sigilo — falou Natsu e vi com o canto do olho Gray aquiescer. — Desde o primeiro dia em que nos designaram a missão de capturar as FDL’s, fomos instruídos a fazer o que fosse necessário. Eles se recusam a nos dar outro caso enquanto não resolvermos o nosso próprio...

Meu parceiro deixou sua conclusão no ar. Eu consegui captar suas palavras. A ligação entre os dois casos, citada por Natsu, era verídica, e Jellal Fernadez era uma testemunha proeminente. Ninguém podia saber sobre nossas suspeitas, caso contrario seriamos retirados do caso.

— Dispensarei explicações. Acho que o cérebro de vocês ainda funciona normalmente — debochou Gray. Não soube dizer se era intencional ou não. — Liberei a informação sobre a chegada de Jellal na rede, subjetivamente, por meio de um e-mail infectado pelas FDL. Assim que morderem a isca, irão atrás de Jellal. Tenho certeza, tendo em vista que os documentos que levaram aquele homem a sequestrar uma delas, partiu dele. Nós só precisamos chegar até ele antes.

Libertei um sorriso preso na garganta. Sentia-me animado, aliviado, esperançoso e, claro, louco. Louco para pôr as mãos naquelas três. E Natsu e Gray pareciam compartilhar desse sentimento.

Levy McGarden– Las Vegas, Esconderijo #1 Flor de Lótus – 22:09.

Eu poderia escrever uma lista com mais de mil coisas que odeio profundamente, mesmo assim a voz insistente e esganiçada de Lucy conseguia manter-se firme no topo. Minha vontade era de pegar uma daquelas seringas estranhas que ela tanto ama e aplicar nela, esperando – e torcendo – que aquilo a fizesse dormir por mais dois ou dez dias.

Ela estava completamente inconformada por não fazer parte do provável ataque que estávamos planejando. Como se aquele buraco na perna não fosse nada demais! Isso sem contar nas horas eternas que ela passou reclamando por termos enviado Natsu para salvá-la. Além de irritante ainda era ingrata, apesar de ter sido divertido fazer aquilo. Eu ainda estava abismada com o fato de ela realmente ter chutado o pobre coitado, sem relevar as tantas coisas que se pode fazer com um homem desacordado! Mas eu preferia não compartilhar essa opinião com ela no momento.

As informações que ela me passou após acordar no consultório de Reedus – um amigo, ou algo do tipo, de Loke, que tinha um consultório médico o qual sempre usávamos em caso de necessidade – realmente me deixaram chocada, e não perdi tempo em investigar sobre como tinham conseguido aquelas informações.

Se um mero criminoso havia conseguido encontrar uma folha contendo algumas informações sobre Lucy, um prodígio em informática como eu era capaz de encontrar qualquer coisa que contivesse referencias sobre nós. Mesmo que aquele desgraçado não estivesse mais vivo, ele havia, inconscientemente, feito um desafio a mim. E eu não fujo de uma boa disputa, ainda mais se for para encontrar algo do meu completo interesse, como homens gostosos para me exercitar ou qualquer coisa relacionada ao Projeto Lótus e, consequentemente, ao nosso passado.

Caminhei lentamente em direção ao meu paraíso particular, o meu quarto dos sonhos, ou simplesmente o local onde ficavam todos os meus maravilhosos aparelhos eletrônicos. Meus bebês iam desde pequenas escutas telefônicas a equipamentos capazes de invadir satélites e mudar suas frequências.

Sentei-me em minha confortável cadeira giratória de couro preto estralando os dedos, ansiosa para mergulhar naquela imensidão de bytes. Que comece o jogo! Meus dedos iam digitando comandos de modo ágil e consegui facilmente entrar no banco de dados do governo sem que a enorme quantidade de alarmes em sua central de comando se acionassem, revelando um intruso no sistema.

Apesar de minhas habilidades permitirem invadir quase todos os sistemas que as pessoas consideravam impossíveis, havia umque eu não conseguia. Não podia nem ao menos visualizar minimamente qualquer coisa por trás da inquebrável barreira que me era imposta ao tentar descobrir sobre o Projeto Lótus. Quem havia criado o banco de dados sobre esse arquivo, desenvolveu seu próprio programa para protegê-lo e devo admitir que, quem quer que fosse, era bom nisso. Muito bom.

Procurei esperançosa – não era a primeira vez que fazia isso, mas em todas mantinha esperanças, independente do numero de vezes que falhei – qualquer indício sobre o Projeto Lótus. Para tentar ser um pouco menos específica em minha busca, codifiquei informações a partir do pseudônimo Lótus e reservei a busca para os centros de investigação, minimizando os resultados que envolvessem dados recentes e descobri quase cem arquivos incorretos sobre nós. Sorri ao notar que o governo americano estava longe de descobrir quem éramos. Entretanto, logo o sorriso se desfez ao lembrar-me que Lucy havia sido estúpida o suficiente ao se identificar para o investigador Natsu, mesmo que ela não tivesse assinado seu nome no bilhete que fizera com o sangue do mesmo, uma loura como ela chamava muita atenção e era quase impossível não notá-la. Além disso, havia sangue dela na cabana e se descobrissem alguma impressão digital boa para o scanner analisar, estaríamos fritas.

Suspirei pesadamente. O que estava feito, não podia ser mudado. Esse era também um dos motivos de eu não ter deixado com que ela participasse do plano. Caso a impressão digital dela estivesse no banco de dados, seria muito mais fácil para os investigadores nos rastrearem.

— Vai ficar parada aí na porta ou irá pôr a perna para cima e descansar como o médico pediu? — questionei sem desviar os olhos dos códigos que apareciam na tela de quarenta e duas polegadas de meu mega computador.

— Já tentou buscar na lista de proteção à testemunha? Talvez você encontre algo — sugeriu.

— Sim, já tentei. Mas cada testemunha recebe um código de identificação que substitui seu nome verdadeiro dentro da rede. Para que eu conseguisse alguma informação sobre uma testemunha protegida, teria que decodificar uma por uma, e existem milhares de protegidos. Além de levar muito tempo, não teríamos certeza sobre obter qualquer informação útil. — expliquei. — E não adianta palpitar, nenhuma colaboração sua vai me fazer mudar de idéia. Você não vai participar do plano— afirmei digitando novos comandos frustrados.

— Ah, por favor! Ficar descansando por um dia e meio já me deixou completamente entediada — falou. — De que adianta sobreviver de um sequestro se irei morrer de tédio?

— Que pena — murmurei ignorando-a. Estava concentrada demais tentando catalogar informações.

Lucy bufou de raiva e a ouvi sair mancando da sala. Eu sabia que Juvia tinha saído para recolher informações sobre as investigações dos policiais a respeito do que aconteceu na cabana, mas combinei de não contar nada para a integrante loira, impulsiva e machucada do grupo, pois seu desejo de participar do plano só se intensificaria.

Não encontrei nenhuma nova informação no sistema. Nem mesmo algum relato sobre o sequestro. Achei estranho. Dois dias já haviam se passado e não liberaram nenhum relatório sobre o fato. Novamente a ideia de Lucy sobre procurar na área de proteção a testemunha me voltou à mente, seria ótimo se eu tivesse algo mais concreto, uma pessoa em particular. Pois sair pesquisando aleatoriamente em uma lista inacabável era inútil.

Exatamente quando estava prestes a penetrar mais uma barreira protetora de uma área restrita em um computador do Terceiro Departamento de Policia, escutei o estampido de um tiro vindo da sala. Na mesma hora me lembrei que Lucy estava machucada e sozinha e o desespero me invadiu exatamente como no dia em que ela foi pega no armazém.

Corri para a sala, encontrado Lucy sentada no sofá empunhando sua Colt nova em direção da porta de entrada. Percorri o trajeto e avistei uma mulher de cabelo vermelho-alaranjado usando um vestido preto curto e colado no corpo com um enorme decote valorizando seu busto vantajoso e um jaleco branco sobre os ombros. Nos pés calçava um scarpin negro com tachinhas douradas. Mas no rosto era possível ver uma maquiagem leve que contrastava com a roupa chamativa, mas combinava com o jaleco brega.

Retirei da cintura uma Beretta 92FS e também apontei na direção da intrusa. Estranhei o fato de Lucy ter errado a mira. Franzi o cenho enquanto a desconhecida puxava a peruca revelando suas madeixas azuis.

— Juvia? — perguntei.

Ela acenou positivamente com a cabeça retirando o salto com um resmungo exaustivo.

— Que susto! Quase atiro em você. Quer dizer, a Lucy quase te matou! — Podia sentir meu coração batendo temeroso.

— A reconheci a tempo de desviar o cano — Lucy explicou, guardando a arma.

— Que merda você esta fazendo fantasiada desse jeito? — Fiquei observando enquanto ela retirava o jaleco. Só então percebi que carregava algumas folhas enroladas na mão.

— Usei o vestido para seduzir um funcionário do hospital onde Natsu está internado. Fiz com que ele me arrumasse o jaleco de enfermeira. Já havia levado comigo uma foto três por quatro minha usando essa peruca, então só precisei colar no crachá. Fui até o quarto dele e vocês não vão acreditar no que consegui. — Seu tom era calmo e lento, como sempre.

— O QUÊ? — O grito de Lucy me fez lembrar que ela não sabia de nada. — Me conta essa história direito. Como ele estava? Tinha mais alguém lá? Não desconfiaram de você? Por que não me contaram nada?

— Vou pular essa parte. Não é importante. Isso— enfatizou, entregando-me os papéis —, é importante.

Senti minha sobrancelha arquear-se automaticamente e agarrei a papelada. As primeiras folhas relatavam tudo o que já sabíamos sobre o sequestro da Lucy e o salvamento por seu herói de cabelos rosáceos. Mas quando alcancei a ultima folha senti meu coração falhar uma batida.

Minha atenção se voltou para a imagem de um homem com aparência máscula e provocante. Os fios de cabelo azuis rebeldes estavam um pouco grandes, mas não deixavam de ser charmosos. Em baixo de seu olho direito era possível notar uma tatuagem vermelha. Seu nariz era fino e o queixo largo. Extremamente sexy. O restante da folha tinha alguns de seus dados. O nome era Jellal Fernandez, mas o que me surpreendeu foi o serial ao fim da página.

— São cópias. Consegui pegar esses documentos quando entrei no quarto e encontrei nossos três policiais preferidos no meio de uma conversa que parecia importante. Mas se eu ficasse lá eles iriam desconfiar. Então dei um jeitinho e consegui tirar as cópias na recepção. Depois vim direto para cá — disse Juvia.

— Isso já é um avanço — afirmei esperançosa. — Esse é o número de identificação dele. Com isso temos chances de descobrir alguma coisa.

Deixei as duas para trás ao sair correndo de volta para o meu mundinho tecnológico. Prossegui direto para a área de Proteção a Testemunha, desinstalando hardwares tão rápido quanto conseguia, até chegar à senha de segurança, onde transcrevi o numero de série do homem.

Senti os olhares de Juvia e Lucy me alcançarem assim que o sistema foi liberado, ao mesmo tempo em que observava toda a minha expectativa ser massacrada.

Quase não havia registros sobre ele, mesmo naquela área. Tentei achar o nome anterior dele, mas só constava Jellal Fernandez. Entrei no sistema de registro de nascimento do governo e procurei pelo nome Jellal Fernandez. Não obtive nenhum resultado. Ou esse não era o nome verdadeiro dele ou o apagaram do sistema. Não havia nenhuma informação sobre o motivo de ele estar ali naquela lista de proteção e isso só me intrigava ainda mais. Percebi que ele fora adicionado há pouco tempo, talvez graças ao acidente da cabana tivessem descoberto algo que o relacionava ao acontecimento.

Meus instintos diziam que ele com certeza tinharelação. Talvez alguns documentos escritos sobre o Projeto Lótus ou sobre nós. Esse homem me deixaria a um passo de saber a cede do Projeto e de destruí-la da forma mais sublime e memorável o quanto fosse possível. Com esse pensamento fechei tudo o que eu havia aberto.

—Como foi a busca? – perguntou-me Lucy de modo divertido.

— Uma merda — respondi ríspida levantando de mau humor.

— Boa sorte com isso — resmungou Lucy, dando de ombros. Ela ainda estava irritada com o lance de excluirmos ela do futuro plano.

— Ah pare de agir como uma criança fazendo pirraça! — disse Juvia suspirando.

Lucy agarrou um laptop e saiu mancado e bufando pela sala. Às vezes Lucy agia de forma tão infantil que conseguia ocupar a segunda colocação na lista das coisas que mais me irritam no mundo.

Revirei os olhos e voltei para o computador. Juvia me avisou que iria tomar banho e também saiu, me deixando sozinha. Após duas horas de árduas pesquisas em todo lugar digital, não encontrei mais nada. Senti inveja das pessoas que acreditam que se não tem no Googleé porque não existe. Quem dera se fosse assim. O fato de não colocarem detalhes sobre Jellal em nenhum lugar só me instigava e me irritava ainda mais. Não entendia por que ele estava naquela lista

Fui até a sala morrendo de raiva. Como um simples bandido de maia tigela conseguiu encontrar-nos e eu, um gênio em informática, não podia achar esse Jellal? Encontrei Lucy sentada novamente no sofá olhando-me me aproximar dela com um sorriso zombeteiro nos lábios. Juvia estava no outro lado da sala, só com uma toalha envolvendo o corpo e os cabelos molhados pendendo sobre os ombros.

— Meninas, se eu conseguir descobrir o motivo de Jellal estar na lista eu poderei ajudá-las a pegar ele? — perguntou Lucy em voz alta.

— Claro — concordei apertando a base do meu nariz para raciocinar com clareza.

— Então me deem boas vindas ao plano! — exclamou com felicidade transparecendo na voz. — Entrei em um daqueles e-mails antigos que você já tinha hackeadoantes, só para passar o tempo. E encontrei isso. — Os olhos da loira se moveram para a tela, entendi que ela iria ler alguma coisa importante em voz alta. — O motivo de Fernandez ir para a lista de proteção à testemunha foi porque ele participou por poucos anos do Projeto Lótus e possuía alguns arquivos sobre ele, que infelizmente foram roubados. Ele e uma policial formam a dupla chamada de Oposto e por enquanto estão na cidade. Não sabemos até que dia ele fica, temo que seja por pouco tempo. Questão de dias, talvez.

— Finalmente não precisarei ficar mais de descanso! — exclamou Lucy sorridente.

Não compartilhei da felicidade. Isso está sendo fácil... Fácil até demais. E se tem uma coisa que aprendi ao longo dos anos é: sempre desconfie de coisas fáceis.

No Próximo capitulo de Flor de Lótus.

O cano da arma era gelado contra minha nuca. Não podia perder Jallal. Se o libertasse, poderia dizer adeus as minhas chances de descobrir a nova sede do Projeto Lótus. Mas se tentasse levá-lo comigo, morreria pela mulher com cabelos escarlates.

Notas finais
O destino dos personagens está começando a se ligar hein! Nosso tão querido e ansiado encontro está próximo ♥ Agradecemos novamente a todos os reviews e recomendações (os quais ja agradecemos detalhadamente nas Notas Iniciais), e esperamos que tenhamos conseguido, por meio desse capítulo, manter o nível de agrado que vocês merecem, e que continuem a nos apoiar nesse projeto ao qual estamos tão felizes por fazer. Nos vemos em breve. Beijos da Luz e da Karollin. ~♥