Flicker
1 You're the only one I need, put your love on me.
Oliver Wood era o capitão do Boston Bruins, após alguns anos como goleiro e capitão alternativo, havia conseguido finalmente o tão sonhado lugar, com as tão sonhadas vitórias. Fora embora de Londres para os Estados Unidos antes de completar vinte e dois anos, deixando um antigo relacionamento e amizades que sabia que levaria para sempre consigo. Ele havia rido algumas semanas antes quando Katie Bell lhe fizera uma ligação.
— Preste atenção, eu não me importo que você vá jogar com o pica das galáxias do ringue de gelo. Oliver Wood se meu melhor amigo não estiver presente no meu aniversário de trinta anos, eu vou te explodir em mil pedaços! — a morena havia dramatizado na ligação.
Mas o loiro tinha certeza de que aquela ameaça era real, Bell estava na crise dos trinta, e tudo o o que ele poderia fazer era estar lá por ela quando ela colocasse o chapéu de aniversariante, soprasse as velas e perguntasse à Deus a razão daquilo estar acontecendo, assim como Joey Tribbiani fizera num episódio que assistiram juntos anos atrás quando maratonavam Friends.
A razão voltara a mente do capitão quando o carro que havia alugado parou a sua frente, na rua movimentada do aeroporto londrino. Sorriu para o motorista e lhe entregou uma gorjeta antes de ajeitar os óculos escuros no rosto, jogou a mala no porta malas e dirigiu até a casa dos pais. Tomaria um banho e tentaria descansar, já que sabia que no outro dia veria todos aqueles que havia deixado para trás: Cedric, Cho, Katie, Harry, Lynx, os gêmeos Weasley e... Hannah.
A loira ainda era como um pequeno fantasma em sua mente, ainda doía ao lembrar do olhar triste que ela lhe dera pela última vez. Queriam coisas diferentes demais, precisavam de coisas diferentes e sabiam que o certo a ser feito naquele momento era isso, era desfazer o laço.
Ele apertou o volante com um pouco mais de força ao que uma música começara a tocar pelas caixas de som, tentando reconhecer a voz que ecoava até seus ouvidos, a qual não lhe era em si tão estranha.
Still a flicker of hope
that you first gave to me
And I wanna keep
Please don't leave
Era engraçado como algumas músicas ainda lembravam-no da ex-namorada. E de como ele sentia sua falta nos momentos mais bobos do dia a dia, fosse em ir a um supermercado (tarefa a qual ele sempre odiara, mas Hannah tinha um jeito único de fazer as compras mais tediosas ficarem animadas) ou uma noite de filmes e besteiras.
O tempo passara de forma lenta durante todos os anos longe, podia notar algumas diferenças nos bairros durante o caminho para a casa dos pais, onde ficaria por alguns dias. Algumas árvores a mais pelo caminho, crianças se protegendo do frio que fazia em sua cidade natal e até mesmo as decorações natalinas estavam mais coloridas e... Ele poderia dizer até que alegres. Começava a ver graça novamente nas festividades de final de ano após cinco anos do falecimento de sua mãe.
Agora em seus trinta e quatro anos, Oliver voltava de vez para Londres. Havia se aposentado como jogador e então pediu para que seu empresário enviasse alguns currículos, havia decidido que gostaria de continuar com a carreira, agora de outra forma. Ao invés de colocar o uniforme e os patins, Wood estaria criando táticas para um time seu, um time ao qual ao invés de chamá-lo de capitão, o chamaria de treinador. E ninguém sabia daquilo, exceto seu pai e seu empresário. Queria contar pessoalmente a melhor amiga e vê-la gritar para a cidade inteira que ele estaria de volta. Parte de si não poderia mentir, gostaria de ver a reação de Hannah Abbott também e torcia, de certa forma, para que fosse positiva.
—♡-
Havia colocado o endereço novo de Katie Bell em seu GPS, deu a partida no carro e deixou que a voz de Stitch o guiasse para o aniversário da melhor amiga. O presente estava embrulhado no banco do passageiro e Oliver estava, como de costume, atrasado. Riu consigo mesmo de como aquilo era normal ao pegar a via rápida e mudou a rádio, gostava de escutar as músicas novas dos artistas, mas pouco conseguia acompanhar, então sempre que dirigia ou tinha oportunidade, deixava que as rádios mostrassem o que fazia a cabeça das pessoas em determinadas épocas.
Ouviu a voz do locutor e revirou os olhos, guiando a mão até o botão para abaixar o volume quando escuta um nome conhecido para si, fazendo com que seus músculos travassem naquele momento.
— Então nossa ouvinte Alicia Spinnet quer ouvir Put a Little Love on Me, da queridinha do momento Hannah Abbot. Vamos lá! — a voz soou pelas caixas de som e logo o jogador de hóquei aumentara um pouco os volumes.
We fight, we get high holding on to love
We came down 'cause there was nothing holding us
Is it wrong that I still wonder where you are?
Is it wrong that I still don't know my heart?
No momento em que a melodia foi tocada e a voz da ex-namorada pôde ser ouvia, Wood sentiu seus músculos resetarem ao que ele relaxou. Respirou fundo e sorriu ao notar que a música do dia anterior também era dela. Hannah havia conseguido, estava tocando nas rádios como desejava há um tempo atrás. Batucou o ritmo da música no volante e estacionou o carro quando o GPS havia lhe dito que havia chego, mas não saiu do veículo até terminar de ouvir a canção.
When the lights come up we're the only ones dancing
I look around and you're standing there asking
You say, you're the only one I need
So put your love on me
Se lembrou de meses antes do término, onde juntamente com Hannah passara a noite dançando em seu quarto e dissera aquela frase para a garota.
You're the only one I need
So put your love on me
Oliver balançou a cabeça de forma negativa com um pequeno sorriso nos lábios, seria realmente possível que ela tivesse escrito aquela música sobre eles? Provavelmente a resposta ele sabia apenas quando perguntasse para ela. Com esse pensamento pegou o presente embrulhado, o celular e a carteira, jogando os últimos dois itens no bolso de sua jaqueta. Saiu do carro e acionou o alarme, deixando a chave no outro bolso. Caminhando lentamente até a porta da casa.
Apertou a campainha três vezes, ouvindo as risadas altas e conversas do outro lado. Mudou o peso do corpo de uma perna para a outra e levantou a cabeça ao ver a maçaneta da porta virando um pouco para o lado, deixou que um sorriso tomasse seus lábios e sentiu algo se remexer dentro de si quando seus olhos se encontraram com os olhos cor de céu de Hannah Abbot, encontrando-a tão bonita quanto se lembrava. Teve como resposta um pequeno sorriso dela e viu as bochechas da mulher tornarem-se quentes, lembrando-o quão divertido aquilo era.
— Ollie — o murmúrio do apelido dele na voz dela soou como músicas para o ouvido do jogador.
— Oi, Han-Han.
— Entra, tá frio ai fora e Kats estava jurando aos quatro cantos que se você não aparecesse logo, ela te cortaria — ela comentou baixo com um sorriso, deixando o corpo de lado para que ele pudesse passar.
A corrente elétrica entre eles ainda era notável quando Oliver esbarrou sem ombro no da ex namorada sem querer, eles se olharam e sorriram, ambos sem graça.
— Você assustou James Sirius, sua malvada — a voz de Lynx foi ouvida antes que Oliver entrasse na sala, onde todos estavam.
Ele soltou uma risada alta ao ver a amiga fazendo careta para um bebê no colo de Ginevra Weasley, enquanto os gêmeos de Black estavam no chão, brincando.
— Você chegou! — Katie exclamou alto e levantou os braços para o teto — Han-Han por favor, leva o presente pra pilha e serve o Ollie, eu preciso ir no banheiro rapidinho — sussurrou quando se aproximou deles. Bell abraçou-o de forma apertada e abriu a boca perto do ouvido do melhor amigo — Vê se não estraga tudo dessa vez, campeão — murmurou antes de se afastar, piscou para Wood e mandou um beijo para a loira ao seu lado antes de se perder para o outro rumo da casa.
O loiro cumprimentou todos os amigos e conversou com eles durante a festa. Sentindo vez ou outra o olhar de Abbott em suas costas, e sempre que virava o rosto para a encarar notava as bochechas coradas e o sorriso de quem havia sido pega no flagra, era quase como se as coisas não tivessem mudado.
Quase.
Ao fim da noite ele se aproximou dela, nos jardins do fundo. Encostou seu ombro direito no ombro esquerdo de Hannah e a ouviu soltar um suspiro curto.
— Ouvi sua música na rádio quando estava chegando — comentou baixo sem a olhar.
A risada baixa da loira chamou sua atenção, fazendo-o a encarar com uma sobrancelha arqueada.
— E o que você achou?
— Que eu deveria pedir direitos autorais pela minha frase, Abbott.
Ela o observou com um sorriso preso nos lábios e bateu o ombro no dele, movendo seus corpos de um lado para o outro.
— Deveria saber que minha alma de artista abusaria disso em algum momento, Ollie — sussurrou sem qualquer vergonha — Para mim é... Uma das melhores músicas que já escrevi.
Os olhos cor de mel fitaram os dela com expectativa e o jogador puxou o ar gélido antes de deixar que a pergunta que vagava por sua mente.
— E existe alguma outra música sobre mim, Han-Han?
Hannah estalou a língua no céu da boca, algo que ela fazia quando estava pronta para dar uma resposta rápida, coisa que acontecia apenas uma vez a cada cinco diálogos, virou a cabeça quando ouviu a voz arrastada da melhor amiga os chamar para cantarem parabéns.
— Existem dois álbuns inteiros sobre você — murmurou antes de ir em encontro com os outros, dentro da casa.
A loira chegou na sala sendo seguida por Oliver, que não escondia o sorriso estampado em seus lábios com a informação que tivera momentos antes, deixando que aquilo fixasse em sua mente antes de aproveitar os últimos momentos do aniversário de Katie Bell.
Notas finais
Espero que, se você tenha lido até aqui, tenha gostado.
Sei que Hannah/Oliver não é algo que as pessoas veem por ai, mas bem, eles são um casal que mora no meu coração.
Essa fanfic vai ser uma coleção de histórias com as músicas do Niall, realmente espero que você se deixe apaixonar pela leveza e amor que eu tento - com muito cuidado - colocar entre meus personagens favoritos.
Me fala o que achou, por favor!
Te vejo em breve,
prongkins.
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