Fleurir - One-Short's Collection of Naruto- HIATUS
3 - É agora? –
Notas iniciais

Narrador: H. Sakura
Sou Haruno Sakura, tenho quase 23 anos e estou no auge da minha carreira como médica, infelizmente perdi meu pai na guerra, ficando apenas Dona Mebuki e eu em uma casa de dois andares, cumpro escalas de trabalho no hospital central de Konohakaguren, na qual sirvo como chefe da ala emergencial. E o que posso descrever, sinto dizer.
Fora as tristezas de perder meu velho em uma batalha, na qual tinha lutado com fervor, o que mais poderia me incomodar ultimamente?
Poderia descrever meu trabalho como um potencial estressor altíssimo, entretanto isso também bateria com os traumas vividos durante os últimos 4 anos da minha história ninja, e ainda ficaria faltando cicatrizes pra desvendar.
Ino sempre resmungava e batia o pé em dizer que era falta do que fazer, ou falta de diversão na minha vida afundada em trabalho. Sair pra festas, aceitar convites de admiradores, isso tudo não era pra mim, não tinha graça nenhuma em ficar olhando pra cara de alguém que você nem gosta, ou ficar sendo obrigada a assistir pessoas namorando em festas, fora as famosas luzes coloridas — que estava na moda ultimamente.
Além dela, ainda tinha um loiro ignorante e sorridente que sempre colava em mim quando tinha oportunidade e ficava tagarelando sobre coisas que ele sofria, como fugir de fãs e aceitar missões de senhores feudais por mero desejo pessoais.
Mas o que mais o loiro falava, ou melhor, de quem mais falava, era de Sasuke-kun, de como estava difícil localiza-lo as vezes pra saber de sua saúde, de como fazia falta na vila, de quando voltaria...
Não era nada fácil escutar tudo sobre o Uchiha e nao sentir as famosas borboletas no estomago, ou, o mais famoso, sentir que o "nós" ainda estava longe e que, talvez, nunca pudesse se tornar, mesmo sabendo de sua promessa antes de sua jornada de redenção.
— " Até a próxima.... Obrigado" — aquelas palavras finais, nunca tiveram tanto peso como tinham agora, era o que me mantinha firme, com esperança.
— Hei, Sakura, esta me ouvindo testuda?_ pisquei algumas vezes, deixando a figura de Sasuke desaparecer dos meus pensamentos, deixando uma figura loira de olhos azuis, com uma expressão nada amigável, bem na minha frente.
— Pare de gritar sua porca gorda, estou ouvindo perfeitamente_ revirei os olhos, tentando parecer o mais natural possível, afinal, o que mais irritava a loira — fora as fãs do Naruto — era ser ignorada.
— Serio? Então do que eu estava falando_ soltei um resmungo baixo, sentindo o café queimando minha garganta, assim como o olhar afiado da loira.
— Você estava falando do....do trabalho, que ta muito corrido_ invento qualquer coisa que me veio a cabeça, deixando a xicara de lado.
— Chutou errado sua testuda!_ reviro os olhos, ouvindo o tom da voz da loira aumentar de nível, mais que o normal. Típico.
— Ahh Ino, por favor, estou com tanto trabalho e quando posso tirar uns minutos de folga você vem com essa raiva toda, não sou obrigada a ouvir_ deixo meu café pela metade, em cima da mesa, assim como uma loira furiosa pra trás, indo pra minha sala me afundar em trabalho e casos novos.
Afinal, ganharia mais com isso!
Passei varias horas lendo, relendo, passando texto e anotações no meu caderno pessoal, nem percebi quando o sol se pôs atrás da minha janela e meu plantão tinha acabado.
Depois de exatamente dois plantões consecutivos em uma semana minha mestra estava a ponto de me expulsar do hospital com tanto peso em cima dos ombros, sem um pingo de descanso descente e uma alimentação adequada. Minha mãe sempre resmungava em como alimentava-me mal, como meu velho pai quando estavam em tempos de missões e trabalho dobrado, pelo menos já sabia de quem tinha herdado aquele habito.
Deslizei meu jaleco pelo corpo, deixando-o pendurado no cabide da sala, pegando minhas coisas e indo direto pra saída do prédio, com uma vontade inacreditável de me enfiar em uma banheira com água bem quente e entupir meu estomago com uma boa refeição preparada por minha maravilhosa mãe.
As ruas estavam turbulentas e cheias de neve, com feixes de luz colorida vinda de telões de comércios e restaurantes, deixando o inicio da noite mais luminosa e aconchegante pra população. Ajeitei meu casaco ao redor do corpo, sentindo meus dedos congelando com o vento gelado de inverno, nessas horas sentia falta de minhas luvas mais do que nunca e o desejo de algo quentinho crescia cada vez mais.
O perfume gostoso de lamen sendo preparado enchia meu nariz, fazendo meu estomago roncar, louco para ser abastecido por alguma coisa quente, se possível, na beira do ichiraku uma cabeleira loira se formava, ao lado da Hyuuga mais velha, assim como outros clientes, só que mais afastados.
Naruto e Hinata estavam mais unidos do que nunca, encontrando-se cada vez mais, aumentando o amor que tinham um pelo outro, deixando todos felizes por, finalmente, aquele baka ter notado o quanto a morena era apaixonada por ele e o quanto este correspondia cada vez mais.
Meu peito doía ao ver aquela cena tão bonita, apesar de estar transbordando felicidade por meus amigos de infância, sentia que nunca teria algo tão parecido com que eles tinham, ainda mais com alguém que eu amava perdidamente. Nunca, nem em sonhos, veria Sasuke-kun daquela forma comigo, ainda mais com tantas incertezas que pendiam entre nós.
Vez ou outra recebia cartas do moreno em sua viajem de redenção, com informações sutis e formais o suficiente pra entender que este não estava fazendo mais do que sua obrigação, o que deixava aquele aperto no peito mais doloroso e sufocante.
Deixo o comercio e restaurantes tentadores para trás, mergulhada em minha dor mais uma vez, chegando cada vez mais perto de meu destino final, afim de, alguma forma, afundar minhas dores em comida e em um banho quente, seguido de uma cama quentinha, macia e perfumada.
Era o que tinha agora.
— -
— Cheguei!_ tranquei a porta de minha casa, deixando minhas sandálias no rol de entrada, sentindo o perfume gostoso de carne cozida e legumes sendo refogados na manteiga. Provavelmente Dona Mebuki estaria preparando seus maravilhosos pratos na cozinha, com um avental de flores e um vestido longo, de um tom rosado, de sempre.
— Oi testudinha!_ senti meus pelos se arrepiarem assim que chego na cozinha, encontrando Ino ao fogão, com o avental da minha mãe e as roupas do trabalho no hospital. O que eu fiz pra merecer isso!
— Que ta fazendo aqui, Ino Yamanaka!?_ deixo minha bolsa em cima da mesa, atravessando a cozinha mais rápido do que imaginei.
— Abaixa a voz que eu não sou surda!_ Ino desligou o fogo e colocou os legumes em uma travessa pequena, se virando pra me encarar, com um sorrisinho descarado, estampando aquela cara pálida.
— Da pra se explicar, ou vou gritar mais alto!_ cruzo os braços, sentindo meus nervos a flor da pele.
— Eu vim conversar sobre seus pensamentos fúnebres de mais cedo, mas tia Mebuki nao estava então fui entrando_ meus lábios formaram um O perfeito de pura indignação por ter tido minha casa invadida por minha melhor amiga e ainda por cima ter meu jantar preparado pela mesma.
— Ou seja, você foi invadindo minha casa na maior cara de pau não e ?_ Ino deu de ombros e colocou a comida na mesa, sentando-se como se eu fosse uma estatua.
— Entenda como quiser Sakura, senta ai ou eu te afundo nessa cadeira e te forço a comer! Ordens de tia Mebuki!_ reviro os olhos, sentando na frente da loira muito a contra gosto, enquanto a loira me servia e servia a sí mesma.
— Não disse que minha mãe não estava? Como e que você tem ordens dela se ela nem estava aqui?_ estreitei meus olhos, encarando as íris azuis da loira, que colocava um prato de arroz e em seguida um com legumes refogados, na minha frente, ainda com um sorriso atravessado.
— Ela deixou um bilhete pra você te obrigando a comer enquanto ela ia visitar umas amigas, então sim, e uma ordem dela!_ Ino respondeu em um tom debochado e autoritário, alargando aquele sorriso, aumentando minha vontade de bater nela até chorar.
Permaneço calada durante a refeição, deixando minha raiva afundar naquela comida deliciosa que enchia meu estomago de satisfação, deixando de lado o fato de ter tido minha casa invadida e meus alimentos surrupiados pela loira. Nunca iria admitir diante da porquinha, mas ela cozinhava bem.
Ajudei a Yamanaka a lavar e a guardar a louça, deixando a cozinha em ordem, indo pra sala com a loira intrometida, que se jogou no sofá pequeno, me encarando com uma expressão seria.
— Senta ai Haruno, vamos ter uma conversinha entre amigas e você não vai fugir dela dessa vez_ solto um suspiro longo, sentando na poltrona – que antes pertencia ao meu pai – ficando de frente com minha carrasca.
— Por favor, Ino, não pode ser amanha na minha folga forçada?
— Claro testudinha, enquanto você se afoga em lagrimas, dor e sofrimento, como quando éramos crianças_ os lábios de Ino formavam uma linha torta, alfinetando meu peito, como se fosse uma lamina extremamente afiada_ Só que não Sakura! Por favor digo eu, você tem quantos anos pra ficar sofrendo por um homem que esta longe e que talvez esteja morto?
— Ele não esta morto!_ meus poros exalavam suor enquanto meus lábios jogavam palavras altas em cima da loira, que continuava me olhando com uma cara seria_ você nunca entenderia, Ino...
— Então me diz! Por que todo mundo quer entender, Sakura. Os tempos estão mudando, e você continua parada nele, como se tivesse 12 anos outra vez_ nego com a cabeça, segurando as lagrimas que queimavam meus olhos, querendo sair a cada facada que ela dava em meu peito.
“ Sasuke Uchiha esta fora do nosso alcance, ele tem que se encontrar sozinho, Sakura, e apesar de estar nos protegendo longe dos portões de Konoha você sabe assim como eu que nada pode ser feito”
Ino segurou meus braços com força, me olhando nos fundos dos olhos, com tanta confiança e determinação, que me fazia mal.
— Vai embora Ino..._ desvio o olhar, me livrando dos braços da loira, indo direto pra trás da poltrona, como uma forma de me manter longe dela_ Obrigada pela comida e pelo sermão, foi muito reconfortante ter tudo que eu já sei ser jogado na minha cara, mas assim como todos, você sabe que eu preciso resolver minhas próprias batalhas.
— Sakura!
— Saia, por favor_ indiquei a porta, sem olha-la.
Fechei os olhos, deixando as lagrimas caírem assim que a Yamanaka foi embora, sem dizer mais nada – o que não era o seu feitio, mas agradecia imensamente.
Subi as escadas aos prantos, tentando ao máximo manter meu equilíbrio, já que minhas pernas não respondiam como deveriam, o cansaço estava cobrando seu preso e ele estava cada vez mais caro a cada vez que a dor voltava.
Não poderia deixar que o preso fosse maior que minha vontade de continuar, não poderia...
— -
Não chore para mim
Se você me amasse
Você estaria aqui comigo
Evanescence – Call Me When You're Sober
(Me Chame Quando Você Estiver Sóbrio)
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