Fleur de Ma Vie
1 Girassol
Notas iniciais
Aqui temos mais uma one-shot, pois amei escrever ela.
Inspirada na música de mesmo nome, "Fleur de Ma Vie", do Rosa de Saron, a banda da minha vida.
Enfim, deem uma olhada, é linda.
( https://www.youtube.com/watch?v=wKzMgfLUgXM )
Se possível, leiam ouvindo.
Boa leitura!
Foi num dia de primavera que Naruto conheceu um amor que não imaginava existir, um amor tão grande que não podia dizer o quanto sentia em seu peito, se espalhando por todo seu corpo e transbordando até sua alma. Seu coração, a partir daquele dia, batia em outro lugar.
Um lugar chamado Uzumaki Himawari.
Esta é a canção que eu sempre quis
Este é o momento
Meu instante
O céu aqui
Doravante, a minha alma mudou seu lar
Herdei um coração pra bater do lado de fora do meu peito
Céus! Quando Hinata falou em seu ouvido, às 15:40 da tarde, que a bolsa havia estourado, simplesmente surtou. Ela podia ser a mulher mais calma do universo, com uma meiguice de aquietar até o coração de Kurama, e até tinha aprendido o valor de permitir a calmaria morar em seu peito, mas ele era um Uzumaki. Os Uzumaki já eram raros demais, e os que existiam não eram nem um pouco meigos. Não até nascer Himawari.
O pequeno Boruto parecia saber do que se tratava sua agitação, pois também não ficou quieto. Naruto simplesmente não tinha jeito com o filho, não como a esposa. Em seu pequeno grande surto, conseguiu não exagerar tanto no número de vezes que checou se estava tudo certo antes de sair, um clone carregando Hinata nos braços enquanto carregava sua pequena e animada cria. Por mais que estivesse nervoso, por mais que sentisse suas pernas tremerem como nunca antes, por mais que sua ansiedade estivesse fazendo seu coração sair pela boca, ao olhar para o lado e ver o sorriso no rosto cheio de lágrimas de sua mulher, o mundo parou, o tempo passou a ser nada, Konoha se transformou numa pintura e Hinata era o centro de tudo.
Ela lhe acalmava tanto quanto lhe transformava numa tempestade, ela conseguia fazer o ninja mais poderoso do mundo se tornar um menino feliz com um afago na nuca, Hinata o desarmava, nunca conseguia agir de outra forma com ela que não fosse honestamente. Ela sempre tirava pra fora o melhor que ele podia ser, e continuava melhorando. Hinata acreditava tanto nele que o que não conseguia fazer, aprendia. Ah! Amava aquela doce mulher, amava mais do que alguma vez já se amou! Ela lhe dera Boruto!
Olhou para o garotinho em seus braços, e nesse momento, seus olhos se encontraram. Naruto viu o passado, o presente e o futuro naquela imensidão azul transbordando inocência. Segurou as próprias lágrimas, engoliu o choro e sorriu para o menino. Boruto lhe tornara um pai, um pai que, esperava, fosse tão bom quanto o Ero-Sennin e Iruka foram para ele. Olhou para o monte onde os rostos dos hokages estavam esculpidos, seu pai com certeza estava feliz, tão feliz quanto ele próprio. Mordeu os lábios, ansiando que seus pais pudessem conhecer os netos. Dessa vez não conseguiu segurar o choro, e foi exatamente nesse momento que chegou ao hospital de Konoha.
— Com licença, minha esposa... – A atendente entendeu na hora. Com todo cuidado do mundo, Hinata foi posta onde deveria e levada para a sala onde seria realizado o parto. A própria Tsunade avisara que ela seria a responsável por trazer aquela criança ao mundo.
Não demorou até que seus amigos mais próximos estivessem com ele no hospital, muito ansiosos, mas nada que se comparasse a ele. Boruto era passado de colo em colo entre as garotas, adorando cada mimo e carinho oferecido. Hiashi estava quieto em seu assento, Hanabi acompanhava a caminhada em círculos do cunhado. Os olhos do velho Hyuuga acompanhando os movimentos dos dois, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá...
— Naruto! Por todos os Kages! Se aquiete, homem! – O Uzumaki parou por um segundo e encarou o sogro. – Oras! Você não é pai de primeira viagem, sabe a força da sua mulher. – Naruto resmungou algum palavrão bem baixinho, Hinata que não o ouvisse xingando.
— Eu sei, sogro. – Sentiu as bochechas corarem, procurou não olhar nos olhos do Hyuuga. – É que... que... é minha menininha, não consigo deixar de querer estar com a Hina lá dentro. – As mulheres do local se derreteram ao ouvir o tão estabanado ninja número um de Konoha dizer aquilo, não era algo que se esperava muito dele. Ah! Se soubessem como o loiro podia ser amável quando o assunto era a família...
Hiashi sorriu, outra coisa inesperada, ele nunca sorria! Mas a idade vinha amolecendo o coração do homem, ter uma filha se casando, ver o nascimento de seus netos, a felicidade que sua primogênita não conseguia esconder. Sentiu certo ciúme ao pensar que tudo aquilo era por causa do homem com cara de idiota à sua frente, mas não conseguia não gostar dele. Definitivamente tinha um problema, adorava o genro! Agradecia a todas as divindades por ele ser lerdo demais pra perceber.
— Eu te entendo, Naruto. De verdade. – Levantou-se e pôs a mão no ombro do rapaz. – Sou pai de duas mulheres, duas lindas mulheres. Se Himawari puxar à mãe, vai ser difícil quando ela crescer.
— Não era pra você estar me ajudando?!
— Papa! – Voltou os olhos para o pequeno Boruto, este estava no colo de Ino estendendo os bracinhos querendo o colo do pai. Os olhos do menino brilhavam.
Naruto foi até a amiga e pegou o garotinho nos braços, fazendo um leve afago na cabeleira loira tão igual à sua, prestando atenção nas marquinhas nas bochechas rechonchudas. Será que a irmãzinha de Boruto também as teria? E os olhos? Seriam iguais os de Hinata? Ela também seria loirinha? Bom, não precisaria esperar muito para descobrir, um choro ecoou pelo corredor onde todos esperavam e uma Tsunade cansada e sorridente apareceu na porta da sala.
O Uzumaki arregalou os olhos sem conter as lágrimas, ele e o filho se entreolharam, como se ambos entendessem a grandeza daquele momento pois o menor também tinha lágrimas nos olhos. Olhou para o sogro, sorridente, este acenou para que ele entrasse e conhecesse sua pequena, sua menininha, seu tesouro, sua Himawari.
Minha flor!
Lágrimas jorram dos olhos
O que sinto por você
É o imenso protesto da eternidade
É o intenso amor
Minha vida, Deus te abençoe
Quando passou pela porta e viu uma Hinata cansada, com a franja grudada na testa por causa do suor, segurando um embrulho cor de rosa nos braços, ele soube, já amava aquela coisinha. Mais uma vez ele e Boruto se entreolharam e sorriram, e mais uma vez o menino parecia entender a grandeza daquele momento, pois não fez qualquer barulho. Caminhou até a esposa, devagar, temeroso, o coração batendo tão forte quanto quando venceu a guerra. Uma mão sua tocou o topo da cabeleira negra da mulher que o tornara um homem, num carinho que era só dela, aproximou os lábios e beijou-a naquele local.
Hinata olhou para o marido, sabendo que agora compartilhavam um sentimento sem tamanho, algo além de qualquer compreensão. Sorriu pra ele entre lágrimas e soluços de felicidade. Quando os olhos de Naruto encontraram os da filha, céus! Ela também tinha a incrível habilidade de fazer o mundo parar, de criar um subespaço só deles, não conseguiu deixar de se apaixonar por aquela coisinha tão pequena, mas que já era dona de tudo de si. ela tinha olhos exatamente iguais os seus! Os cabelos de Hinata, na cor, mas seus olhos, as marquinhas nas bochechas gordinhas também! Olhou para a esposa novamente, ela beijou-o ternamente, como sempre fazia quando estavam em algum momento importante e ofereceu-lhe Himawari.
Boruto pareceu entender o que se passava, pois ficou quietinho ao lado da mãe na cama enquanto seu pai pegava sua irmãzinha nos braços, tremendo feito uma vara. Naruto não conseguiu tirar os olhos do rosto encantador de sua menininha. Aquele sorrisinho exatamente igual o de Kushina, aquele brincando nos cantos dos lábios. Aproximou o rosto da pequenina, fechando os olhos, encostou sua testa na dela, sentiu o toque da mãozinha minúscula em seu nariz e abriu os olhos, encontrando mais uma vez a imensidão azul que lhe mostrava que o amor podia aumentar sempre, mesmo já sendo infinito.
— Ela é tão linda. – Hinata sorriu, emocionada. Amava aquele lado de Naruto que só conheceu depois de serem pais, mesmo que ele já fosse bobo daquele jeito com ela quando eram só eles dois. – Meu Deus, Hina! Ela é tão quietinha, igualzinha você!
— Esses olhos e essas marquinhas não mente, Naruto-kun. – Encarou-a confuso. – Ela vai dar trabalho igual o Boruto-chan. – O menino se remexeu ao seu lado, a morena apenas beijou a bochecha rechonchuda.
— E-eu vou ser obrigado a andar sempre no modo sennin, pra espantar qualquer alma podre que se aproximar dela!
— Naruto-kun! – Ele sorriu, entregando a mais nova membro da família Uzumaki à mãe, para que Boruto visse a irmã de pertinho.
— Eu te amo, Hinata. Obrigado por fazer de mim um homem, um marido e um pai, duas vezes! – Pegou o rosto dela entre suas mãos e beijou-a sem restrições, do jeito que gostava. – Você é a mulher da minha vida, Sra. Uzumaki!
Por você eu morrerei de amor
Por amor viverei cada dia a te zelar
Se te ensinar a viver, me ensine a rezar
Então sentirei que a ventura que possuo não tem metáfora
A pequena Himawari foi paparicada e elogiada por todas as amigas do casal, na verdade, a mais nova Uzumaki derreteu o coração de todos. Hiashi não se conteve ao tê-la em seus braços, toda sua armadura de frieza e serenidade caíram por terra ao sentir as pequenas mãozinhas da neta puxarem seus cabelos. Hanabi não precisou de muito para desabar em lágrimas, bastou ver a sobrinha.
Quando enfim puderam ir para casa, Naruto convenceu Kakashi, sem muito esforço, a lhe liberar das missões por um tempo, mesmo sendo difícil, afinal, o herói mor do mundo shinobi era requisitado em todo lugar. Todavia, todos os kages souberam do nascimento da caçula e mandaram presentes, todos caros e cheios de pompa, como a filha do ninja mais poderoso do mundo merecia.
Nas primeiras semanas com Himawari, Naruto e Hinata perceberam o quão mais fácil seria lidar com ela do que fora com Boruto. A menininha era um poço de calmaria, exatamente como a mãe, o que só deixava o pai mais apaixonado. Era com ele que ela sempre ficava mais calma, em seus braços, pro seu deleite, parecia ser o lugar predileto dela.
Minha flor!
Lágrimas jorram dos olhos
O que sinto por você
É o imenso protesto da eternidade
É o intenso amor, minha vida
Deus te abençoe e assim dê lhe paz
Fleur de ma vie
O tempo passou rápido demais, Naruto sempre dizia. Seu primogênito entrou para a academia ninja, sua pequena menininha cresceu. Sempre grudada em suas pernas, puxando sua calça e a barra da camisa, quando alcançava. O Uzumaki percebeu que faria tudo que ela quisesse, tudo mesmo! Se Himawari lhe pedisse para pular de um precipício, assim o faria de bom grado.
O poder da caçula sobre todos os membros da família era tão grande, que eles, que já eram unidos, passaram a ser muito mais. Mais piqueniques nos belos bosques de Konoha aconteceram, os primeiros dentes a nascer foram a alegria de Naruto, as primeiras palavras ainda mais, era um momento que nunca esqueceria.
Era um belo domingo, a família Uzumaki faria um piquenique no parque de Konoha, à beira de um rio. Naruto preparava tudo que levariam, sendo ajudado por Boruto, enquanto Hinata cuidava de Himawari. Toalha de mesa, cesta, comida, tudo pronto, o rapaz pendurou o que podia no braço e recebeu a filha no colo. Era sempre assim, ela sempre preferia os braços dele, coisa que deixava a meiga Hinata um tanto pra baixo, afinal, queria curtir mais a menina. Mas entendia como o marido se sentia quando Boruto nascera, pois ele era apegado demais a ela.
— Ela sempre vai preferir você, Naruto-kun. Isso não é justo! – Os lábios curvados num bico de Hinata eram uma bela visão, ela fazia isso por quê sabia que ele a beijaria, sempre.
— É por que ela é exatamente como você. – Sorriu, um braço segurando a pequena e o outro rodeando os ombros tão macios da mulher, aproximando-a de si, para beijar o topo da cabeça cheia da cabeleira negra. – E nós sempre vamos preferir um ao outro, sempre.
— Senhor Uzumaki, és sempre tão galante. – Sussurrou enquanto ficava na ponta dos pés para beija-lo. – Papai coruja.
— Sou-
— PAPA! – Os olhos de ambos se arregalaram, se entreolharam, depois para Himawari, que balançava os braços feliz. – PAPA!
Os olhos do herói não conseguiram conter o choro, muito menos a princesa do Byakugan. Dois bobos derretidos por duas sílabas tão inconvenientemente ditas por uma bebezinha de oito meses! Dois bobos cheios de amor. O coração de Naruto foi aquecido pelo calor daquele amor que chegava até mesmo em Kurama. Olhares e sorrisos cúmplices entre o casal denunciavam a grandeza daquele momento, e o pequeno Boruto também parecia entender, pois estava tão emocionado quanto eles.
Himawari, exatamente como a mãe, tinha o poder de congelar o tempo ao redor, fazendo com que tudo que enxergassem fosse sua meiguice e amor, tão iguais às de Hinata. Naquele momento ele soube, na verdade, quando soube que a esposa esperava uma menina, que a amaria com uma força que não conhecia, uma força capaz de mover o mundo, pois era isso que poderia fazer por ela. Também não imaginava que fosse possível amar Hinata ainda mais, mais intensamente, mais descontroladamente. A mulher mal tinha tida a segunda filha e ele já queria fazer um terceiro!
Quando saíram, naquele domingo de clima tão gostoso, Himawari em seu colo, uma de suas mãos com os dedos entrelaçados aos de Hinata, e esta segurando a pequena mão de Boruto, ele soube que seu coração seria arrancado do peito cada vez que tivesse que entregar sua pequena ao mundo, como todo pai é obrigado a fazer. Mas não se preocuparia com aquilo tão cedo. Olhou para o céu, tão azul quanto os olhos de seus filhos e seus pais, eram todos tão parecidos! E na imensidão azul, quase na hora do crepúsculo, já era possível ter um pequeno vislumbre da Lua, exatamente como sua esposa.
E naquele dia, onde a pequena Himawari disse sua primeira palavra, Naruto, que nunca pensou muito no que dizer a alguém, pensou nas palavras que ficariam guardadas para sempre no coração da doce caçula da família, eram as palavras que ele escreveria em um pedacinho de papel, mas só diria a ela em seu oitavo aniversário, ao voltar da batalha contra o Otsutsuki, pois a vida era frágil demais para manter palavras de amor em segredo.
E Himawari era seu pequeno girassol, a flor de sua vida.
Êtes mon miracle, ma joie
(São meu milagre, minha alegria)
Ma petite, ma prière, mon trésor
(Minha pequena, minha oração, meu tesouro)
Ma façon d'aimer, mon don de Dieu
(Meu jeito de amar, meu presente de Deus)
Mon ange, tu sera mon combat
(Meu anjo, você será minha luta)
Et ensemble, nous serons très forte
(E juntos seremos muito fortes)
Un baiser d'esquimau, ma chérie
(Um beijo de esquimó, querida)
Et n'oubliez jamais ceci
(E nunca esqueça disso)
Maman et papa vous aime
(Mamãe e papai te amam)
Notas finais
Obrigado por ler e até a próxima!
Um abraço!
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