Fleet Captain
7 Capítulo 7 - Irmãs de Alma
Notas iniciais
O sal ardia nas minhas costas, mas as lagrimas que caiam dos meus olhos não eram por causa disso. Meu pai, o homem que eu mais admirava no mundo, que eu bem dizer venerava havia me batido, me espancado na verdade, como se eu fosse um verme, um nada. A dor do corte que havia se formado nas minhas costas doía, mais o que mais doía era meu coração, eu estava horrorizada. O que ele queria, que eu me casasse com um monstro, com um homem tão repugnante que me queria como um pagamento? Um soluço acabou por escapar dos meus lábios.
- Calma Cecile, eu sei que dói, mais é a melhor forma de curar logo o ferimento. – Merli falou de forma gentil. E o pior de tudo não era o fato de meu pai ter me batido, mais sim o fato de ele ter proibido minhas irmãs e minha mãe de me ajudar. Eu fiquei estirada no chão, sangrando e quase inconsciente por bem dizer 20 minutos, ate Merli junto com Tomo invadir o gabinete daquele que algum dia eu chamei de pai e me levarem para meu quarto onde eu estava agora. Doía, como doía saber que meu pai havia feito isso comigo, e doía o fato de minhas irmãs e minha mãe não terem feito nada, e doía o fato que se fosse qualquer uma delas eu teria ido ajudar, teria burlado a ordem do meu pai mesmo que fosse punida depois. Mas claro que a perfeita Simone, a doce Anne e a dedicada esposa nunca fariam isso. Outro soluço. – Não é por causa do ferimento que você esta chorando não é?
- Não Merli, é pelo fato de que eu fui traída por todo mundo, eu não tenho ninguém. – Eu murmurei com muita força de vontade. Estava me sentindo o ser mais fraco e medíocre do mundo.
- Ei! Não fale assim Cecile, você tem a mim. Eu sempre estarei ao seu lado, porque Deus pode não ter nos feito irmãs de sangue, mais somos irmãs de alma. – Eu não fiz nada a não ser chorar. Eu havia sido tão estúpida com Merli, tendo ficado irritada com a historia do seu caso com Tomo – Tomo que havia me ajudado, que havia me carregado ate o quarto, me ajudado mesmo correndo perigo com meu pai – e parado de falar com ela. Merli estava certa, nos éramos irmãs de alma, e isso ninguém poderia separar.
- Eu te amo. – Sussurrei com menos força ainda e me perguntei se ela ouviu. Ouvi um risinho e logo em seguida sua mão se pós sobre minha cabeça.
- Eu também te amo Ceci, eu vou esta sempre com você ouviu? No que você decidir sobre esse casamento inclusive. Se você decidir casar eu vou com você se decidir fugir idem. – Essa ultima frase ecoou na minha cabeça. Se você decidir casar eu vou com você se decidir fugir idem. Fugir... E a palavra se repetiu por algumas vezes, ate eu adormecer profundamente.
Quando acordei meu quarto estava em um tom de laranja intenso, olhei para a janela com dificuldade para me deparar com um sol em seu cessar. Tentei me levantar mais então soltei um gemidinho, todo meu corpo doía. Depois de um esforço consegui me sentar mais não antes de muitos gemidos.
- Ceci? – A voz sonolenta de Merli me fez olhar pro lado – e conseqüentemente meu pescoço fazer doer. Ela estava toda encolhida em uma poltrona no canto do meu quarto com os olhos semi-abertos. Eu sabia do fundo do meu coração que ela havia ficado aqui todo esse tempo, que ela havia me olhado e cuidado de mim. Não porque ela era uma escrava e essa era sua suposta obrigação, mais sim porque ela era como a mesma havia dito minha irmã de alma. Meus olhos se encheram de lagrimas quando me lembrei de nossa conversa.
- Ah Cecile. – Merli se levantou da poltrona e sentou-se do meu lado. – Eu sei que esta doendo mais quando você vê já vai estar com essa ferida curada eu prometo. – Eu sorri e a abracei como nunca havia feito antes. Merli se surpreendeu no começo mais depois correspondeu o abraço.
- O que seria de mim sem você? – Ela riu.
- Provavelmente mais uma riquinha mimada no mundo. – Nos rimos. So mesmo Merli para me fazer rir em uma situação dessas.
- Alguém veio ver se estou viva nesse tempo? – A pergunta saiu tão derrepente que eu nem havia percebido que a tinha feito. Merli se afastou e se segurou minhas mãos.
- Não Ceci. – Ela bufou alto, acho que nunca a vi tão irritada. – Ninguém veio aqui, ninguém além do Tomo. Ah, ele me disse que o Capitão brigou com seu Pai pelo que ele fez, e não foi uma bronquinha não, foi uma verdadeira discussão. Seu pai deve estar possuído so pode! – Eu suspirei pesadamente quando ela falou isso. Uma pequena parte de mim falou que ele estava apenas estressado e desesperado por causa de seus problemas, mas depois a parte maior disse que o que ele fez não tinha desculpa e a discussão acabou. – Ai desculpa, eu não deveria ter falado isso, ele é seu pai. Desculpe Ceci. – Merli falou mais eu sabia que era isso mesmo que ela pensava e sinceramente era verdade. Se eu achava que era o quarto do Tomo que precisava de um exorcismo agora eu acho que é meu pai. E isso me lembrou uma coisa.
- Merli, você e o Tomo... – A olhei erguendo uma sobrancelha e ela corou.
- Ai Ceci! Isso é o destino, eu e o Tomo. – Seus olhinhos verdes esmeralda brilharam e eu ri.
- Como assim?
- Lembra quando o Capitão e o Tomo apareceram aqui e eu fiquei chocada? – Acenti, lembro que queria perguntar isso a ela mais essa confusão com o Jared havia me feito esquecer. – Então, eu já conhecia o Tomo.
- Hã? – Eu arregalei os olhos. Como assim? Ela o conhecia, acho que nenhum dos dois esteve aqui em Dunquerque antes. Merli riu.
- Lembra daquelas fugidas noturnas que eu dava para andar de cavalo? Então, em uma delas eu levei uma queda, machuquei o tornozelo e pra completar o cavalo fugiu. Eu fiquei no chão chorando sem conseguir me levantar e alguns minutos depois um elegante cavalheiro de cabelos longos e negros apareceu com o cavalo fujão e me prestou ajuda.
- Não. – Sibilei chocada. – O Tomo, serio mesmo, Merli?
- Sim. – Ela deu um gritinho e eu comecei a rir. – Ele se apresentou como Tomo Milevic e me ajudou, já que eu não conseguia andar ele me levou no colo até uma cabana que ele estava instalado e cuidou do meu pé. No começo eu me assustei com ele mais depois eu fiquei completamente encantada. Ele me disse que não era de Dunquerque mais que de vez em quando vinha pra essas bandas ver as estrelas. Depois que ele deu um jeito no meu pé nos fomos para fora e ficamos vendo as estrelas em um instrumento engraçado que ele tem. Ceci, você ver tudo tão de pertinho. Foi mágico! – Ela terminou e eu dei um gritinho.
- Ah Lili, isso é fantástico! Mais vocês so se encontraram dessa vez? – Eu havia me esquecido momentaneamente da minha dor, tanto física quanto emocional.
- Não, depois desse dia ficamos nos encontrando a noite por quase uma semana. Depois ele foi embora. Ai Ceci, so o que posso dizer é que foram os melhores dias da minha vida. Acho que nunca fui tão feliz. – Ela deu um pulinho no lugar e eu soltei suas mãos cruzando as minhas no peito.
- Obrigada por me contra, Merli. – Ela mordeu o lábio inferior.
- Me desculpe Ceci. É que eu não fui honesta com Tomo, e fiquei envergonhada.
- Como assim não foi honesta Lili? – Eu me tentei me deitar na cama mais minhas costas doeram então Merli posicionou os travesseiros fazendo com que minha coluna ficasse em um C, e conseqüentemente fazendo com que a ferida não fosse pressionada.
- Eu menti pra ele sobre quem eu era, Ceci. Foi isso. – Ela suspirou e sentou-se ao meu lado, apoiando as costas na cabeceira da cama como eu. – Eu disse a ele que era sua irmã, e que so podia sair à noite porque meu pai não permitia. – Ela baixou a vista e corou fortemente. Eu dei um rizinho e revirei os olhos.
- Você não mentiu Merli, nós somos irmãs. Mas não adiantou muita coisa você mentir, logo quando ele chegou aqui descobriu. – Ela me olhou e sorriu abertamente como eu não via a um bom tempo.
- Ah sim, quando seu pai soltou aquela de “ela é nossa escrava“ eu pensei que ele ia me olhar com nojo, raiva ou sei lá o que, mais depois que todos entraram ele me chamou para conversar e perguntou porque eu havia mentido para ele. Ai amiga como eu chorei. Eu disse que tinha vergonha, tinha medo que ele me deixasse no meio da floresta e que depois ele parasse de falar comigo porque eu era uma escrava.
- Qual foi à reação dele quando você disse isso? – Eu não acreditava que ele pudesse ter falado algo demais, afinal eles haviam dormido juntos.
- Ele riu, riu e disse que eu fui uma boba em fazer isso. Ele me abraçou e disse que era um abolicionista, que é totalmente contra essa historia de escravidão e que não importava se eu era branca, negra, amarela ou azul ele gostava de mim. Nossa Ceci, eu me senti uma idiota.
- Que lindo Merli! Ele realmente gosta de você. – Ela acentiu com os olhos mais brilhantes do que antes. – Merli, posso te fazer uma pergunta?
- Claro Lili. – Ela sorriu, por um segundo eu fiquei envergonhada em perguntar isso, mas como era Merli eu logo relaxei.
- Você e o Tomo,ontem foi a primeira vez de vocês? – Ela corou e eu corei junto.
- Sim Ceci. E foi incrível. O Tomo foi tão gentil e eu disse que tinha vergonha e que nos não éramos casados, ele disse que não faria nada que eu não quisesse, mas começamos a nos beijar e então aconteceu. – Ela suspirou e eu sorri. Segurei a sua mão.
- Parabéns Merli, mas e agora, quando você casar como vai ser?
- Casar? – Seu tom era de desdém. – Eu so me caso se for com o Tomo, ele e mais ninguém!
- Certo, se você diz. – Eu ri, aquele tom de voz determinado e definitivo dela era indiscutível. Eu estava realmente feliz por Merli. Ela não havia quase se deitado com um homem que so quer saber de diversão. E isso me lembrou do fato no corredor e meio que me senti na obrigação de contra para Merli sobre o que ocorreu no corredor.
- Merli, eu tenho que te contar uma coisa. – Ela me olhou curiosa.
- Pois fale.
- Eu e o Capitão... – Eu não consegui completar a frase, o que eu poderia dizer, que nós nos amassamos no corredor?
- Você e o Capitão dormiram juntos? – Seus olhos se arregalaram em total surpresa.
- Não, claro que não Merli, mas foi por pouco. – Ela ergueu uma sobrancelha.
- Pouco o quanto? – Ela se aproximou mais para me ouvir melhor, so então notei que estava sussurrando.
- Ele quase tocou lá, faltou menos de um dedo Lili, te juro. – Ela começou a gargalhar de um jeito escandaloso e eu corei.
- Mas porque pararam Ceci? Acredite não existe coisa melhor!
- Jesus, Merli! Nós paramos porque o corredor começou a pegar fogo.
- Você sabe quem foi? – Sua voz saiu aguda e eu fiz um sinal para ela falar baixo.
- Foi eu Merli, mais foi um acidente. Eu levei a vela pra iluminar o corredor e... Juro que foi sem querer. – As lagrimas começaram a surgir nos meus olhos.
- Ei, calma. Eu sei que você não faria de propósito, meu amor. – Ela passou os braços pelos meus ombros e beijou minha testa.
- Merli, mas eu te confesso que gostei. – Sussurrei.
- Gostou de tacar fogo no corredor? – Ela perguntou chocada.
- Não sua mula, de beijar o Capitão e do resto também. – Merli voltou a gargalhar do seu jeito e eu ri baixinho.
- Olha so quem esta virando do mal. – Corei fortemente a fazendoela rir mais. – Ah e isso me lembra se eu sou mula você também é, somos irmãs meu amor. – Eu sorri.
- Sei que somos. – Voltamos a rir mais paramos brutalmente quando alguém bateu na porta três vezes. Meu corpo estremeceu. E se fosse meu Pai querendo que eu fosse casar ou conhecer meu nunca-noivo agora? Merli percebeu meu choque e sibilou um “calma” e se levantou da cama indo em direção a porta.
- Quem é? – Ela perguntou sem abrir a porta.
- Jared Leto, Merli. – Meu corpo tremeu so de ouvir o som de sua voz perfeita – algo nele não era perfeito?
- Ah, Capitão. – Ela me olhou e eu acenti. Queria saber o que ele queria comigo. Ela foi ate a porta e a abriu com um sorriso no rosto. Vi de relance ele sorrir de volta e murmurar alguma coisa pra Merli que acentiu e saiu do quarto me deixando a sós com ele. O Capitão caminhou de cabeça baixa ate a frente da minha cama, e quando me olhou seus olhos se arregalaram em um pequeno terror e em seguida se fincaram em pura raiva.
- Eu vou matar seu pai. – Ele falou.
Notas finais
Socorro! Estou quase quebrando a tela do computador e entrando na história - se isso pudesse... -, eu ainda mato o parai da Cecile, mesmo que seja a ultima coisa que eu faça.
Acho que exagerei um pouco,mas eu sempre faço isso, então vamos ao que interessa... Eu simplesmente adorei a conversa entre Ceci e Merli, não sei se é porque eu sou meia doidinha, mas tem algumas coisas que elas falarem que eu não parei de ri.
Coitadinha da Ceci, quase morreu de dor por causa do pai dela, que devo dizer que é um verdadeiro RIDÍCULO!!! Por isso eu estou aqui torcendo para que Jared dê uma surra nele, mas não é uma surra qualquer, é aquela que o cara fica de coma o resto da vida. MUHAHAHAHAHA'.
Saindo desse meu surto... Espero que comentem MUITO, mas a Cherry e eu ficarmos felizes - tenho que dizer que praticamente me elegi Beta dessa história? - e beijos para todos que estão lendo.
Fale com o autor