Flaw in my code

1 Capítulo Único — Você não é um ser humano


O suporte de máquinas a sua volta, a luz branca irritante e que faziam seus olhos arderem pelo esforço e por estar acordada por tanto tempo. Esforços que seriam recompensados depois e que aquele jovem pudesse ver uma luz que não fosse a artificial da sala que se manteria de repouso.

Angela tinha o auxilio de poucos assistentes e alguns desses manipulavam as máquinas para a transferência de alguns órgãos e a troca quase que total do humano para ômnico. Qualquer um se negaria até a morte do que ter ligação com algo que "ameaçou" a raça humana, mas eles não estavam com risco de morrer, beirando ao corredor e vendo a luz.

Sangue em suas luvas, o processo longo terminado e a exaustão sendo consumindo em casa parte de seu corpo, ser o anjo da guarda de alguém poderia ser uma tarefa de grande responsabilidade, seus meios algo totalmente aterrorizantes e os resultados impressionantes, mas sempre havia a descrença de que algo de ruim poderia sair de uma sala como aquela.

Mas ela não poderia abandonar aquela sala naquele dia, não poderia virar as costas e achar que ele se manteria instável até conseguir extinguir o cansado de si. Melhor prevenir do que remediar e se culpar por algo desastroso que não afetaria apenas sua carreira, mas a vida de algo.

A Overwatch naquela o via como um recurso útil, acabar com as atividades ilegais do antigo clã que fazia parte e então ele foi levado até Angela. Um jovem ensanguentado e a face coberta de feridas. Genji Shimada era seu nome e Angela precisava saber apenas disso até que a vida dele estivesse fora de perigo.

Na sala onde ele foi levado era restrito a qualquer um de entrar e sendo uma base no Japão, a segurança ali era maior e Angela se viu na necessidade de ter uma arma ao seu lado mesmo que reprovasse o seu uso. A mantinha no coldre e seu bastão de caduceu estava mais afastado, um objeto estranho para um cenário como aquele.

Preferiu dormir no hospital e esperar que ele acordasse, deitada da melhor forma que podia no pequeno sofá e acordou quando gritos de agonia soaram pelo quarto, a fazendo despertar e ter o desespero dos segundos em que abriu os olhos.

Levantou-se e o deu a média de dosagem do tranquilizante, o vendo parar de se debater e encarar Angela. Parecia curioso, afetado pelo tranquilizante e balbuciava coisas em japonês que ela custou a entender um pouco, mas uma das frases que ele falou e ela pode entender a fez segurar um sorriso.

— Talvez tudo esteja doendo por ter sido resgatado por um anjo...

Aquela referência não surtia tanto efeito nela por sempre usar a roupa de valquíria em missões e alguém como Reinhardt sempre falava isso para descontrair, mas ali, não estava usando sua roupa de valquíria. Talvez ele fosse do tipo galante, Angela não saberia até ele se normalizar.

Genji variava da dor e o sono mais profundo. Angela já considerava deixa-lo acordado e manter anestesia para ele não sentir totalmente a dor em seu corpo completamente cibernético, mas ele algum dia teria de se acostumar, mesmo que a realidade doesse e seu novo corpo fosse uma tortura.

De mês para mês, o processo foi lento e às vezes Angela achar que era ela sendo observada ao invés de Genji no seu processo de recuperação. Teve sim a culpa dele ao saber que a ideia muda-lo para faze-lo viver veio do dela, o "anjo". O esforço para falar para Genji era doloroso, gritar com Angela deveria ter sido um sacrifício para poder descontar sua raiva.

Ele sempre respondia a ela quando tentava se aproximar e aquilo cortava a alma dela, o olhar de ódio que antes era comum agora se tornou algo doloroso vindo dele. Mas por que dele?

Angela cumpriu seu papel, o fez com sucesso e poderia voltar para a base de operações na Suíça, mas continuou ali para auxilia-lo, mesmo que a teimosia dele parecia gritar até mesmo em seu olhar cibernético de sua nova casca.

Ele conseguia se acostumar a dor, supera-la e pensar com um pouco mais de clareza, um pouco para poder pedir para conversar com ela e se mostrar um pouco mais consciente do que era, mas em negação de aceitar-se, como se fosse um monstro, não um humano.

Ela não pode guia-lo e não conseguiu insistir em lhe falar que si, era humano, deixou de ser em corpo, mas sua consciência ainda era a mesma, sua casca apenas lhe aprimorou e o salvou, mas não se considerar o que é por conta de mudanças?

Ela lhe deu uma prova de que não era um monstro, que ela não o considerava um. A proteção de seu rosto não estava ali para impedi-la, mas se daria a chance antes de partir para a Suíça e deixar Genji no Japão.

O beijou longe de todos os olhares, um beijo apenas para um último momento antes dela lhe virar as costas e deixa-lo, um último momento para ele considerar que não havia um código em sua mente e que ainda restava humanidade nele.

Notas finais
I need healing :v brincadeirinha, feliz níver, Ully! o/
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