Flashbacks
4 Capítulo 4 (Passado)
Notas iniciais
Segundo, eu não me orgulho desse capítulo. Esse e o 7º foram os mais difíceis de escrever. Eu sinto que eu não escrevi bem, não ficou como eu queria. Mas aqui está, eu tenho que atualizar isso algum dia. Obrigada por ler!
Ele entrava no apartamento, ainda não acostumado em ter que deixar a porta aberta para outra pessoa entrar. Ele retirava o casaco e o cachecol, os colocando em cima da poltrona, ficando imóvel, procurando as palavras certas para começar. Ele respirava profundamente, em silêncio. Ele não podia adiar essa conversa, se Bill pudesse algum outro dia voltar a procurar informações, poderia ser pior. Ele poderia deixar Brendon ainda mais magoado.
Bill se senta no sofá, com as mãos nos joelhos. Suas pernas tremiam como um tique nervoso, mas ele mantinha a cabeça baixa.
"Ryan, eu-"
"Sh, fica quieto" Ryan massageava uma têmpora com as pontas dos dedos. "Você quer saber, e talvez o único jeito de te fazer ficar quieto e parar de se meter na minha vida é contando" ele lança um olhar apreensivo para Bill, que novamente abaixa a cabeça. "Bem, tudo começou comigo e com o Spencer. Nós formamos a banda, e logo depois veio o Brent e o Brendon. Eles não pensavam que a banda ia durar, cada um já escolhia a faculdade que iria. Eu não.” Ele sorria para si mesmo, pausando dramaticamente. “Como era de se esperar, nós ficamos famosos em pouco tempo. Claro, nós éramos bons. Nós crescemos, e fomos ficando mais unidos, mais íntimos” ele se sentava no braço da poltrona e olhava para a criança no sofá. “Eu nunca tinha pensado nele naquela maneira. Eu me considerava hetero, e ele veio falar comigo... eu não sabia o que fazer. Eu sentia alguma coisa, não era só ele, mas... eu estava confuso. Acabou que eu me entreguei, e aconteceu”. Era óbvio que ele não se sentia confortável ao falar naquele assunto. “Eu sabia que eu estava muito, muito feliz”.
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“Eu não estou te enchendo o saco” ele falava enquanto colocava gentilmente pequenos beijos no seu pescoço.
“Está. Eu preciso de espaço, Brendon, espaço” ele falava enquanto olhava seriamente para o outro menino, que o fitava com os olhos arregalados, um pouco assustado. “E o espaço que eu preciso é menor do que esse” ele falava e unia seus lábios com os dele, que ria em meio ao beijo, colocando a mão no pescoço de Ryan.
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Ele retorna a conversa que estava tendo, balançando a cabeça para ver se a memória desaparecia. “E começou a ficar sério, se assim eu posso colocar. E o Brent não conseguiu suportar a ideia de ter... ‘bichas’, como ele mesmo falou, na banda. Ele foi embora, e eu acho que foi o certo. O Spencer não tinha nenhum problema com isso, tanto que ele falou que eu estava mais feliz do que nunca” ele agora deslizava para o acento, cruzando as pernas. “Por mais que eu estivesse feliz, eu não sabia se eu era gay. Quer dizer, eu passei minha vida inteira achando uma coisa e de repente... E eu tinha essa dúvida. Mas eu a ignorava, ou pelo menos tentava” ele pausava e olhava, mesmo que não diretamente, para Bill. “O nosso relacionamento começou a afetar a banda, quer dizer, nós deixávamos de escrever, de ir às reuniões, de tocar. E eu fiquei consciente disso antes do Brendon, e ele percebeu que tinha alguma coisa errada. Então eu precisei falar alguma coisa”.
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“Eu não entendo, Ryan. Nós podemos dar um jeito!” Brendon andava com os punhos cerrados, de um lado para o outro do quarto de hotel.
“Eu só acho que está atrapalhando nossos objetivos, nossa banda” ele se sentava na ponta da cama de casal, e olhava para suas mãos, que tremiam um pouco.
Ele se dirigia para mais perto da cama. “Eu estou feliz, você não está?”. Ele não sabia responder essa pergunta.
“Eu estou confuso. Eu não sei o que nós estamos fazendo aqui”.
“Essa é uma solução muito drástica. Se nós pensarmos juntos e nos ajudarmos, eu sei que-“.
“Não. Tá tudo errado. Nós nem escrevemos para o álbum novo ainda!” Ryan finalmente tomava coragem para olhar para Brendon, que estava com as mãos na cintura, apreensivo.
“Parece que você ama mais a banda do que eu” ele pausa e espera uma resposta, que Ryan não consegue encontrar. “Eu não vou conseguir sem você, eu-“ ele se virava para a janela, sua voz trêmula. Ryan conseguia ver sua tristeza transparecendo.
Ele se levanta da cama, colocando as mãos nos ombros de Brendon. “Ei, eu nunca planejei ficar longe de você. Eu nunca vou sair do seu lado”.
Brendon se vira, fitando a figura magra na sua frente. “Então pra quê tudo isso?” Brendon se aproxima e o beija, um beijo desesperado, que implorava. Ryan não conseguia parar, mas ele precisava.
Ele se desprende dos braços que os seguravam, olhando novamente para os olhos castanhos na sua frente. “O problema sou eu. Eu te considero um irmão, Bren. Eu não sei se eu-“.
“Não. Não me diz isso. Irmãos não fazem o que nós fazemos” ele falava em um tom agressivo.
“Por isso mesmo, eu não entendo o que eu sinto!” ele falava e logo depois assistia uma lágrima escorrer pelo rosto de Brendon. Aquela cena foi provavelmente a mais triste que ele já havia presenciado. Ele conseguiu sentir seu coração se despedaçar. “Ei” ele limpava a lágrima com as costas da mão, dando um sorriso para não chorar também, logo depois o puxando para um abraço. “Eu só não quero te machucar. Eu te amo, Bren” ele dizia enquanto afagava o cabelo de Brendon, que não respondeu, somente fungando um pouco antes de soluçar.
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“Uh, Ryan?” Bill o acordava de seus pensamentos, um pouco assustado e intrigado. “Como ele reagiu?”.
Ryan pensa um pouco, passando os dedos em cima da tatuagem em seu pulso. “Não foi fácil, nem pra ele nem pra mim. Eu sabia o que eu queria, por mais que ele tenha insistido. Eu sabia o que eu queria, ou pensava que sabia” ele se levantava para olhar pela janela do apartamento, observando a luz que a cidade formava pela noite. “Eu finalmente consegui que o clima estranho desaparecesse, sabe. Eu pensei que minha dúvida sumiria se eu me separasse dele. E eu achei a Keltie, e sabe o que aconteceu? A dúvida sumiu. Mas, como você já leu, eu não deixei de sentir. Eu ainda não esqueci. E dói” ele limpava uma lágrima que escorria enquanto olhava para a lua, coberta por nuvens.
“Você pode... ele ainda-“.
“Não. Não posso mais, eu já o machuquei demais, já nos machuquei demais. E tudo que ele leu agora... vai piorar. Vai ficar estranho de novo” ele colocava as mãos no rosto, cobrindo-a. “Então” ele as removia. “Obrigado. De coração. Você conseguiu estragar tudo que eu construí nesse tempo todo” ele agora caminhava até o quarto, e as palavras circulavam em sua cabeça: ‘Para sempre, não é Ry?’.
“Ryan-“.
Ele ignorava a criança e continuava caminhando, sentindo seu rosto ficar vermelho e seu coração bater mais rápido. A porta do quarto se fecha atrás dele, e ele se senta logo atrás dela, abraçando seus joelhos.
“Ryan, abre a porta” as batidas eram fracas, mas fortes o suficiente para fazer suas costas tremerem. “Vamos... desculpa, eu tô me sentindo mal... eu posso me meter demais às vezes e... ah” ele escuta um barulho de deslize, provavelmente Bill se sentando do outro lado da porta. Depois de uns instantes de silêncio, ele continua. “Desculpa, eu faço qualquer coisa”. O silêncio se estabeleceu durante por um bom tempo, com Ryan tentando não matar a pessoa do outro lado da porta e, ao mesmo tempo, tentando espantar os pensamentos sobre o seu passado.
Quando Bill percebeu que não ia receber uma resposta, ele se levanta e caminha em direção ao seu quarto provisório. Ryan também se levanta, indo em direção à cama.
Ele tinha as piores desculpas do mundo, e o maior ego. Ele não queria admitir sua homossexualidade, e, consequentemente, perdeu o amor da sua vida. Ele não podia voltar agora, ele não tinha forças para continuar um relacionamento daquele, sabendo que ia magoar o outro em questão de tempo. Ainda mais o Brendon, que era o vocalista da sua banda. A banda que ele ajudou a formar.
Tudo que lhe resta é a lua, que caía lentamente no céu, o abandonando. Ela sempre o abandonava.
E ele abandonava todos na sua volta.
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