Flamel

21 Verdadeiro Inimigo


Notas iniciais
Yo, decidi arrumar tempo e me "forçar" a escrever. Minha cabeça está borbulhando com ideias. Deixo com vocês, mais um capítulo do meu tão amado livro. Welldone, Enjoy it.

Abro meus olhos e estou acorrentado a parede numa sala vazia. As paredes brancas cheias de rachaduras davam mais ênfase a sensação de dor e desespero que aquele lugar me trazia. A alguns metros a minha frente há uma porta de metal extremamente resistente. Pouco a pouco ela foi se abrindo e logo ouço uma voz bastante familiar.

— Então parece que você acordou, Majestade. — Os cabelos dourados de Ilumi escondiam um pouco do sorriso debochado que ela tinha estampado em seu rosto.

— Eu exijo uma explicação para o que está acontecendo aqui! Eu pensei que você era minha aliada, novamente fui enganado. Que droga!

— Majestade, não se mexa muito, como pode ver, você acabou de ser costurado, alguns pontos podem sair e eu prometi que não faria nada de mal além do que já fiz. — Ilumi dizia aquelas palavras andando em minha direção e apontando para um corte recém-costurado em minha barriga. Aquela maldita adaga.

— Quem mais é seu cúmplice? E o que vocês pretendem? — Indaguei.

— Tudo a seu tempo Ryan, antes disso, quero curtir o seu desespero por mais alguns momentos. — Ilumi segurou minha cabeça e beijou meus lábios.

— Acho que por enquanto é só isso Ilumi, pode se retirar. — Galter acabava de entrar no recinto.

— Droga, quando eu ia começar a me divertir, isso é muita maldade vinda de você. — Disse Ilumi enquanto saia do recinto.

— Eu sabia que você estaria envolvido nisso! Seu jeito de bom moço nunca me convenceu. O que você fez com Amohi?! — Tentei ir na direção de Galter, mas as correntes em meus punhos não me deixavam.

— Fique tranquilo, ele será julgado e provavelmente será morto pelo conselho, foi só mexer os pauzinhos aqui e ali. — Ele sorriu ao dizer essas palavras. — Em breve farei o mesmo com sua amada ruiva, ela já não me serve do jeito que eu queria. Desde que você apareceu no meu caminho, ela está diferente. — Disse Galter indo em direção a porta.

— Terei o prazer de te matar, Galter! — Minha voz ecoou pela sala, mas já era tarde, ele já havia partido.

Qual o plano deles? Eu devia ter suspeitado que ele usaria alguém para me afetar. Eu fui descuidado demais, justo quando eu pensei que poderia confiar em mais alguém. Estou muito preocupado com Mary e Amohi. Galter não vai sair impune dessa!

— Korir Eligor. — Disse em vão, a lança prateada não respondeu ao meu chamado.

Tentei usar a força para arrebentar aquelas correntes, mas era resistente demais, preciso de minha flamel para arrebentar isso. Droga, será que realmente não tem jeito de eu sair daqui sozinho?

Dias se passaram, eles fizeram questão de me deixar bem alimentado e vivo. A pessoa que Ilumi disse que iria me encontrar não é Galter, quem seria? Pensei que o noivo de Mary era o líder do grupo.

— Ryan, espero que você esteja pronto para receber vossa alteza real. — Disse Ilumi enquanto jogava uma bandeja com comida na minha direção.

— O que você disse? — Minhas palavras foram abafadas pela entrada de uma pessoa que eu já vi antes, mas não lembro onde.

— Olá Ryan, você não faz ideia do quanto eu queria te conhecer pessoalmente. Prazer em lhe conhecer, me chamo Raenuc Jandar, sou seu rei. — Disse o jovem de cabelo azul que andava em minha direção.

Ele vestia um manto verde com bordados dourados, uma capa vermelha, mas para minha surpresa, não usava coroa nem algo que lembrasse uma. Seus olhos marcantes e vermelhos revelavam escuridão e ganância para fazer tudo para alcançar seus objetivos.

Como fui me esquecer dele? Ele é o filho do antigo rei Donuc. Ele é o causador de todos os problemas que venho enfrentando, o mandante do assassinato dos meus pais. Eu nunca vou perdoá-lo. Meus pais e Donuc merecem ser vingados!

— Você me assusta com esses olhos arregalados, Ryan. Não fique tão nervoso assim, não se esqueça que somos praticamente irmãos. — Disse o falso Rei.

— Então quer dizer que você é o mandante do assassinato dos meus pais, eu nunca vou te perdoar, graças a você, minha vida nunca teve paz. Minha vingança está próxima, posso senti-la em meus dedos! — Disse tentando ir na direção do meu inimigo, mas as correntes me seguravam.

— Engraçado você dizer isso, na verdade eu mandei matarem você, mas fazer o que né? Seus pais entraram na frente e a morte deles foi um infortúnio. Acredite, não vim aqui pra discutir, vim para dizer adeus a você e esse planeta. Me cansei de estar aqui, vou expandir meus horizontes. O que acha de eu governar o planeta que você chama de lar? Seria muito interessante, não? — Raenuc disse essas palavras sorrindo e olhando nos meus olhos com um grande escárnio.

— Nem eu nem a resistência deixaremos você fazer isso! Vamos atrás de você! — Eu fazia tanta força para me soltar daquelas correntes que meus punhos começaram a ficar roxeados.

— Ryan, Ryan… Você realmente acha que aqui é um lugar onde alguém vai te salvar? Graças ao meu fiel servo Galter, toda a resistência está no planeta “aguardando ordens”. Tudo que eu tenho de fazer é destruir Jandar e ir para outro mundo. Não acha esse plano brilhante? Só preciso desestabilizar o núcleo do planeta e tudo vai ficar bem, pra mim, é claro. — Disse Raenuc enquanto caminhava na direção da porta.

— Você vai embora? Vai continuar sendo o mesmo covarde que matou o próprio pai pelas costas?! — Minhas palavras ecoaram pela sala.

Raenuc olha em meus olhos e caminha novamente na minha direção. Ele não profere uma palavra e tudo que recebo dele é um olhar sombrio que aumentava a cada passo dado. O falso rei pegou uma adaga que ele mantinha consigo e perfurou novamente minha barriga, no mesmo lugar que Ilumi me acertou.

Logo um urro de dor ecoou por toda a sala. A dor e os gritos aumentavam toda vez que ele retorcia aquela lâmina dentro de mim. Pouco a pouco fui perdendo a consciência. Quando estava prestes a desmaiar, Raenuc retirou a lâmina e colocou uma parte do meu sangue em um frasco.

— Obrigado por me lembrar de coletar seu sangue. — Raenuc fez uma pausa antes de voltar a falar. — Parece que alguém te contou essa história. Isso é muito bom.

— Seu pai me mostrou quando eu fiz a conexão com Mary.

— Mary... Em breve não terei de me preocupar com ela. Disse o de cabelo azul saindo pela porta e me deixando sozinho novamente.

Droga, de novo eu sou um inútil. Mary e os outros vão morrer por minha causa. Ele vai para a terra, preciso dar um jeito de avisar a todos onde eu estou. Concentre-se, lembre-se da conexão que você tem com Mary. Concentre-se.

Depois de alguns minutos, percebi uma leve e graciosa energia fluindo por aquele recinto, como se tivesse procurando por alguém. Mandei o sinal mais forte que consegui, mas logo depois a energia se dispersou.

— Olá Ryan, o que achou do sinal que mandei para você? Parece que minha teoria estava certa, você está tentando se comunicar com o inimigo, sinto lhe dizer, mas isso é impossível. Esse lugar está cercado de soldados da realeza, não tem como alguém entrar aqui. — Disse Ilumi.

— Eu devia ter suspeitado que não seria tão fácil assim. — Disse enquanto lançava um olhar de raiva para a loira.

— Não se desespere, em breve você vai morrer aqui nesse planeta fétido enquanto nós conquistamos o seu. — Disse Galter.

Alguns segundos depois, Galter e Ilumi se beijam na minha frente. Meus olhos ficam fixados naquela cena. Ele segurava a nuca da loira enquanto a mesma arranhava seus braços, num ar de luxúria e sedução.

— Ryan, vejo que você ficou surpreso com isso. De quem você acha que era aquela blusa que você encontrou na minha cama? É dela, é claro, deixei lá para você achar que era da ruiva para te causar ciúmes. É tão bom brincar com a presa. Mary nunca mais se deitou comigo depois que você apareceu. Talvez por isso eu quero que você e ela morram. — Disse Galter interrompendo o beijo em que ele estava envolvido.

Alguns instantes depois, o beijo deles é novamente interrompido por uma explosão e gritos. Tudo indicava que alguém tinha vindo ao meu resgate. Meu coração se encheu novamente de esperança.

— Galter, fique aqui, se for alguém da resistência, não podemos deixar que ele te veja. — Disse Ilumi enquanto andava na direção da saída.

Logo ela foi interrompida com o abrir daquela porta. Cabelos vermelhos como o sangue seguidos de um olhar fulminante na direção dos meus dois carcereiros. Mary. Ela veio me salvar.

— Então é aqui que você escondeu ele, não é? — Mary a cada palavra dita, ia dando mais um passo em direção a Ilumi.

— Galter, mate o Ryan! Ele não pode sair daqui vivo! — Gritou Ilumi.

O noivo de Mary vinha correndo em minha direção e novamente, em um instinto de sobrevivência, meus poderes fizeram a flamel de Galter desviar. Graças a esse acontecimento, meu cabelo se tornou branco.

— Devolva-o e vocês não morrem. — Mary parecia muito mais assustadora do que o normal.

— Você pode até ser uma ótima soldado, mas você nunca poderá ganhar de mim. Não me subestime. — Disse Ilumi desferindo golpes na direção de Mary, que só desviava.

— Ryan, chame Eligor, provavelmente você poderá fazê-lo agora. — Disse a ruiva.

— Korir Eligor. — A lança que me ajudou tanto nesse tempo, repousou em minha mão.

Mary deu um golpe lateral em Ilumi que fora lançada para uma das paredes da sala e veio na direção de seu noivo.

— Galter, eu devia ter suspeitado que o seu ciúme o faria ser assim. Devia ter suspeitado que naquela batalha, você se sentiu pressionado por Ryan e guardou um rancor de um novato que tem mais potencial na batalha do que você. Como você desceu Galter. — Disse Mary enquanto se colocava entre mim e Galter. — Vamos Ryan, solte-se das correntes e me ajude com esses dois.

Depois que me soltei, Mary voltou a dar atenção para Ilumi e eu me preparei pra Galter. Ele parecia animado, provavelmente porque ele teria a chance de me matar, mas eu tenho pena dele. Eu sei que um de nós dois vai sair morto daqui. Eu não vou me permitir fraquejar na frente dela!

Utilizo minha velocidade para golpear Galter no estômago e depois dou um chute em seu peito. Ele dá dois passos pra trás e sua expressão fica mais séria. Finalmente ele vai vir com tudo. Provarei pra mim mesmo que não sou um fardo a ser carregado por todos.

— Então quer dizer que você acha que pode me vencer, Ryan? Acredite, está na hora de eu ir a sério contra você. Farei de um jeito que nem aquela ruiva vai te proteger. Como pode ver, Ilumi está dando um pouco de trabalho para a Mary. — Desviei meu olhar para ver a ruiva e ela estava sendo pressionada. Ilumi era realmente muito boa. — Preste a atenção no seu alvo. — Galter desferiu um soco na ferida da adaga me arremessando contra a parede.

Meu oponente transformou sua flamel em duas espadas e começou a reunir sua energia em volta de seu corpo. Ele vai usar sua especialidade de velocidade. Na minha lembrança, ele é tão rápido ou mais do que Mary.

Prevendo isso, começo a encher meu corpo da energia que Eligor naturalmente emana. Preciso defender qualquer coisa que vier na minha direção, não posso contar com a minha velocidade contra ele.

Galter vem numa velocidade absurda tentando me atingir, utilizo minha velocidade para esquivar e minha resistência para não receber o dano de seus acertos. Para minha surpresa, Galter ficou mais veloz ainda. Ele se “teletransportou” para trás de mim, muito tarde para eu me preparar. Com o impacto, fui arremessado na direção de Mary e Ilumi que lutavam do outro lado da sala.

— Ryan! — Exclamou a ruiva, mas seu grito foi interrompido por outra série de ataques de Ilumi.

— Não se preocupe, eu estou bem. — Digo enquanto me levanto.

— Acho que você está delirando, como você planeja me derrotar? Você é um inútil que sempre teve de contar com seus amigos para te proteger. Acredite, você vai morrer aqui. — Disse Galter em um tom de voz extremamente sombrio.

— Portador, me transforme em balestra. Assim como você, estou cansado de ouvir as baboseiras que esse cara fala. Quando ele vier para cima de você, certifique-se de que Mary não estará na linha de tiro nem atrás dela. Vamos surpreendê-los. Está na hora de eu esticar um pouco as pernas. — Disse Eligor.

Permaneço com uma expressão inalterada. Concentro energia no meu corpo para repetir a mesma estratégia de antes, com um diferencial da flamel em versão de balestra. Graças a essa transformação de Eligor, não fui capaz de acumular muita energia em meu corpo para me proteger.

— Outro erro, você nem sequer sabe como funciona essa balestra, os tiros não serão capazes de me machucar. Esse tipo de transformação caiu em desuso pois seus usuários sempre morriam. — Disse Galter.

— Ryan, não faça isso! — Gritou Mary.

— Ao contrário de você, eu confio nos meus amigos que sempre me protegeram e confio na minha flamel. Dessa vez é uma questão de honra!

Depois de minhas palavras, Galter veio em minha direção novamente para acabar com tudo. Não posso deixar ele me atingir, vou morrer se ele o fizer. Minha flamel está pulsando uma energia densa e destruidora. Procuro me esquivar e quase todos os ângulos Mary e Ilumi estão.

— Mary, preciso que você saia da linha de tiro! — Disse para a ruiva que estava no outro lado da sala.

— Você realmente acha que pode me matar com esse tipo de arma? Posso facilmente esquivar do projétil dessa balestra insignificante. — Galter sorria de forma confiante.

— Certifique-se de acabar com ele. Só vou te dar poder para um disparo.— Disse Eligor, que passou uma quantidade absurda de energia para minha mão esquerda. — Atire agora!

Minha mão se moveu na direção de Galter e um imenso raio de energia foi disparado da balestra. Esse disparo destruiu metade da sala onde estávamos. Foi algo tão forte que fez o chão tremer por alguns momentos e consequentemente, fez a luta de Mary e Ilumi parar.

— Galter! — Gritou Ilumi enquanto corria na direção de um corpo gravemente ferido e com algumas queimaduras.

— Ryan, não fique aí parado, me ajude a capturar ela! — Disse Mary indo em direção a loira.

Ilumi estava abalada demais para resistir a prisão. Ela não conseguia acreditar no que via. O grande amante dela estava morto diante de seus olhos. Não demorou muito até que eu e Mary a prendêssemos até a chegada dos reforços.

— Ryan, você vai pagar por tudo que você fez. Guarde minhas palavras, eu vou ter o prazer de me vingar de vocês dois. — Disse Ilumi com os olhos cheios de lágrimas sendo escoltada por alguns soldados.

— Koh Ni Kuram. — Disse enquanto via o corpo de Galter se desmanchar em um pó dourado que era levado pelo vento.

Eu matei alguém. Mesmo sendo algo que era pra eu ter me preparado psicologicamente. Eu fiz isso. Não há o que fazer agora, não tem como voltar atrás. Eu não tive escolha, eu estava me protegendo. Vou tentar esquecer isso, não quero ter de fazer isso novamente, mas sinto que essa decisão ainda vai me assombrar por bastante tempo.

Minha mente começava a me perturbar quando eu fui interrompido por Mary.

Para minha surpresa, a ruiva não disse uma palavra sequer. Ela veio em minha direção e me deu um dos abraços mais carinhosos e afetivos que eu já senti na minha vida. Ficamos parados nos braços um do outro por alguns minutos e não parecia que ela iria me soltar.

— Mary… — Logo fui interrompido.

— Não fala nada, só me deixa ficar um pouco mais assim. Ryan, eu não conseguiria estar num mundo onde você não está. Quando eu soube que você sumiu, eu entrei em desespero e sai a sua procura. Meu coração está tão aliviado agora. — Mary sussurrava essas palavras em meu ouvido enquanto afagava seu rosto em meu ombro.

Mary parecia carregar o peso de todo o mundo. A envolvi mais ainda nos meus braços fazendo-a acreditar que eu estava ali e era real.

— Me desculpe por te preocupar assim. Agora estamos quites, um salvamento pra mim e outro pra você. — Sorrio de forma descontraída.

A ruiva puxava meu rosto cada vez mais para si. Quando fechei os olhos, senti sua testa tocar na minha. Unimos nossa mente uma outra vez e pude sentir o amor que Mary sente por mim. Essa onda calorosa preencheu todo o meu ser e me fez chorar.

— Ryan, fiz algo que te magoou? — Disse a ruiva.

— São lágrimas de felicidade, eu sou muito feliz de ter você na minha vida.

Notas finais
Muito obrigado por ler até aqui. Novas ameaças foram descobertas e a possibilidade da destruição em massa está por vir. Espero não demorar muito tempo para escrever o próximo. Welldone, Cya. :)